quarta-feira, 5 de dezembro de 2012 | Autor:

Prefácio

Um dia deparei-me com uma chocante verdade: nasci no século passado! Está bem, não só eu como todos os habitantes do planeta que nasceram até o raiar do ano 2001. Mas o fato é que mais de 60 anos de vida ensinam muita coisa.

De uns tempos para cá comecei a notar que para tudo sobre o que as pessoas me consultavam eu tinha uma regra ou conselho decorrente de experiências já ocorridas comigo nas mesmas circunstâncias uma porção de vezes. Era como se eu já tivesse visto aquele filme e soubesse exatamente como iria terminar.

Então, comecei a escrever os conselhos ou observações que eu tinha para repartir com quem vinha conversar sobre seus negócios, sua família, sua saúde, sua questões afetivas…

Muitas coisas que a vida me ensinou, já coloquei em outros livros. Assuntos referentes à etiqueta. reuni no livro Boas Maneiras. Palavras que falam ao coração, publiquei no Mensagens. Conselhos sobre casamento escrevi no Alternativas de relacionamento afetivo. Conceitos e técnicas a respeito de sexualidade, editei no livro A sexualidade sacralizada. Reflexões e insights sintetizei no Sútras – máximas de lucidez e êxtase. Temas referentes a uma vida riquíssima de experiências, viagens e fatos que dariam vários filmes, compilei na autobiografia Quando é Preciso Ser forte. Técnicas para maximizar a saúde e o autoconhecimento, reuni no Tratado de Yôga. Mas ainda havia muita coisa para ensinar e que não se encaixava em nenhum dos títulos acima.

Todo esse material eclético, eventualmente engraçado, mas essencialmente escrito para facilitar a sua vida, poupar o seu dinheiro e decepções, salvar seu casamento e suas amizades, evitar acidentes e processos criminais, minimizar a ocorrência de assaltos, furtos e agressões, tudo isso veio para este volume. Se você já nasceu com 50 anos de idade bem vividos e viajados, talvez este livro não tenha muito para lhe ensinar. Mas… vou-lhe confessar uma verdade: até eu preciso lê-lo de vez em quando para não repetir erros cometidos no passado. Afinal, ninguém erraria se ouvisse os próprios conselhos. Dizem que se conselho fosse bom ninguém dava de graça. Então, tudo bem: compre o livro!

A capacidade de autocura do organismo

Uma das coisas que a vida me ensinou foi que o corpo se cura sozinho na maior parte das ocorrências. Corremos para os remédios em busca de apoio e ajuda, mas o organismo, muitas vezes, teria conseguido curar-se sem a necessidade deles. Não estou falando do efeito placebo. Estou me referindo ao processo natural de reação e autocura. A homeopatia diz: Similia similibus curantur. DeRose redargue: Natura naturibus curantur.

Você já notou que algumas pessoas bem idosas declaram que nunca foram ao médico? E outras que vivem tomando remédios continuam doentes e, com frequência morrem cedo?

Certa vez, numa consulta médica, ao ver que os remédios receitados eram meio fortes e muito químicos, perguntei ao clínico se ele não conhecia outro meio de resolver o problema. Ele me disse que sim, tomando chazinhos medicinais da nossa flora, pois fariam o mesmo efeito. Ou, ainda, poderia ir à praia, caminhar a pé, fazer amor, praticar Yôga! Questionei, então, porque havia me receitado toda aquela parafernália química e ele justificou declarando que os pacientes em geral cobram isso do médico e que se o profissional não receitar os produtos da indústria farmacêutica, o cliente acha que trata-se de um mau médico e troca-o por outro que recomende bastante remédio.

Anos depois, minha esposa ficou grávida e passei a ir com ela mensalmente ao ginecologista. Ao longo dos nove meses de gestação, notamos que a qualquer sintoma mencionado pela paciente, o médico dizia:

– Está muito bem.

E não dava nenhuma medicação. No último mês confessei-lhe uma certa perplexidade, pois se o corpo da paciente podia resolver sozinho os problemas que iam surgindo, poderíamos ter economizado nove consultas. A resposta que esse ginecologista me deu foi semelhante à anterior e acrescentou que o organismo se cura sozinho de quase tudo. Mas, quando medicado, o paciente atribui a cura à eficácia do remédio e à competência do médico.

Por outro lado, quanta gente nós conhecemos que à primeira sugestão de que se submeta a uma cirurgia, corre para a sala de operações, especialmente se tem um seguro saúde que cubra tudo. Pergunto ao leitor: como está a saúde dessas pessoas? Está melhor do que a sua ou a minha? Ou está bem pior?

Note bem: não estou condenando as cirurgias ou medicamentos necessários. Procuro apenas salvar a sua vida, propondo que ao invés de levar uma facada na barriga e outra no bolso, você repense cem vezes. Uma cirurgia pode lhe custar muitas dores, pode dar errado e pode resultar em acidentes cirúrgicos, choques anafiláticos, paradas cardíacas, enganos do instrumentador, infecção hospitalar ou até falecimento na mesa de operação. Medicamentos desnecessários podem gerar efeitos colaterais, intoxicações medicamentosas, dependências etc.

Repito para que fique bem claro: se precisar, tomarei remédios e aceitarei a contra-gosto uma cirurgia. Mas antes tentarei tudo o que for possível, começando por uma alimentação tão mais rígida quanto mais radical for a circunstância.

Alimentação saudável, mudança de ares, férias, carinho, sexo, alegria, mudança de profissão, podem salvar a sua vida. Ou podem ampliar expressivamente a sua expectativa de vida. E se nada disso funcionar, pelo menos você terá se divertido bastante e terá sido feliz o tempo de vida que ainda lhe restar.

Basicamente, com relação a este tema, o que a vida me ensinou é que a natureza cura. Só precisa de tempo e de uma ajudinha, reduzindo os estímulos prejudiciais.

Quando você tiver algum problema de saúde, além de consultar o seu médico e mais uma segunda opinião (e uma terceira, quarta, quinquagésima…) é importante consultar também as pessoas que já passaram por problemas semelhantes. É curioso, mas os que sofreram do mesmo mal podem lhe dar dicas que os médicos, incompreensivelmente, ignoram.

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terça-feira, 4 de dezembro de 2012 | Autor:

Como funciona a psicoterapia

A mecânica curativa da psicoterapia está no paciente e não no terapeuta. Para curar-se da maior parte das pequenas neuroses e distúrbios emocionais basta uma decisão tomada em profundidade, com toda a vontade de curar-se aflorando do seu ser, uma vontade que venha com toda a sinceridade lá do fundo da alma.

O problema é que a maioria das pessoas não sabe como gerar essa vontade sem a ajuda de um rito. O rito é representado pela decisão de procurar ajuda e aceitar pagar por ela. É a decisão de sair de casa duas a três vezes por semana, especialmente para conceder-se um tempo a fim de cuidar especialmente das idiossincrasias do seu psiquismo. É o poder dispor de alguém para catalisar a sua reação.

O número de charlatães que estão aí no mercado, clinicando, sem formação alguma e até portadores de psicopatias graves é assustador. No entanto, seus pacientes melhoram, alguns curam-se e quase todos saem elogiando o vigarista. A que se deve isso?

Deve-se ao poder de autocura já mencionado no capítulo A capacidade de autocura do organismo. No caso da psicoterapia, o terapeuta muitas vezes é o placebo. Podia ser um psicanalista de linha freudiana ou um de linha anti-freudiana; podia ser um tarólogo ou um homeopata; podia ser um instrutor de Yôga ou um acupunturista. Não importa quem vai ser o deflagrador da reação. O que importa é que seja pago, custoso e sistemático. Estes três fatores devem estar presentes:

a)   é imprescindível o fator prioridade, sua proposta tem que ser séria e estar acima de qualquer outro compromisso profissional, social, esportivo ou afetivo;

b)  é preciso que a medida tomada seja rítmica, constante, subordinada a uma disciplina;

c)   e é necessário que haja um sacrifício envolvido, que pode ser financeiro ou outro.

Por isso, as promessas, novenas e outros procedimentos religiosos também funcionam para uma determinada faixa cultural. Sai muito mais barato que as três sessões semanais à razão de mais de cem dólares por consulta, o que resultaria em, no mínimo, mil dólares por mês.

Portanto, se você for uma pessoa esclarecida e quiser fazer psicoterapia e, ao mesmo tempo, uma bela economia, elabore uma rotina ou, se preferir, um ritual, duas ou três vezes por semana, que exija um deslocamento físico para um outro local, um preço a ser pago e um compromisso com caráter de prioridade Que tal um grupo de meditação? Já pensou em praticar Yôga? Mas também pode ser dança de salão, tênis ou golfe.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012 | Autor:

Algumas pessoas (a maioria) quando perdem alguma coisa ficam tão descontroladas que acabam piorando o que já estava ruim. Meu vizinho no Rio de Janeiro já tinha perdido algum dinheiro num assalto. Não satisfeito, quando os assaltantes foram embora ele saiu correndo atrás. Balanço da atitude descontrolada: perdeu também a vida.

Uma conhecida perdeu o namorado para outra sirigaita. Não satisfeita com a perda, foi tomar satisfações à sedutora. “Ah! Não vou deixar isso barato, não!” É, barato não saiu. Tomou uma surra da outra. Agora, perdera o namorado, o relógio, o vestido que ficou inutilizado e a reputação. Nenhum mancebo quis mais se aproximar dela. “É daquelas que fazem escândalo…”, diziam.

Minha filosofia a respeito é: se me atrasei e já perdi o avião, não vou agora perder também a calma, a saúde e a classe.
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domingo, 2 de dezembro de 2012 | Autor:

Não tenha ilusões. Tudo o que você disser a respeito de uma pessoa chegará ao conhecimento dela. Portanto, segure essa língua. Depois não adianta ficar revoltado com a inconfidência das pessoas. É assim mesmo.

Segredo de mais de uma pessoa não é mais segredo. No momento em que você conta seu segredo para uma pessoa da sua confiança, ela também só conta para uma outra da confiança dela e assim sucessivamente. Em pouco tempo, dezenas de pessoas estarão sabendo o seu “segredo”.

E para que contar? Por que essa necessidade de se expor? Sempre que precisar comentar algo sobre alguém, só diga coisas boas. Um belo exercício é: quando começar a dizer algo ruim ou começar a vomitar uma crítica sobre alguma pessoa, reverta a frase e comece imediatamente a elogiá-la. Essa pessoa não tem nada de bom para ser elogiado? Invente!
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sábado, 1 de dezembro de 2012 | Autor:

Telefone antes, para confirmar

Quantas viagens perdidas, só porque você não telefonou antes, não é mesmo? Uma vez foi aquele fornecedor que marcou de lhe entregar a mercadoria numa data, mas quando você chegou lá… nécas de bitibiriba. Outra vez, foi o compromisso agendado com antecedência, mas ao comparecer você constatou, desolado, que a outra parte se esquecera. E isso se repetiu com a costureira ou alfaiate, com a gráfica, com os clientes, com os amigos e até com a namorada ou namorado. Mas você nunca aprendeu a telefonar previamente, religiosamente, para confirmar antes de sair de casa. Quem sabe, lendo este livro, você passa a telefonar antes para confirmar?

Telefone depois, para confirmar

Quantos atritos surgiram porque o amigo ou profissional não respondeu a um e-mail? São tantas as variáveis! É o computador que está quebrado, o modem que deu defeito, o endereço que mudou, o usuário que não teve tempo de olhar ou… ocorreu mau funcionamento naquela peça que fica entre o teclado e a cadeira.

Quando enviar e-mail, não confie cegamente que o destinatário recebeu. Trata-se de uma tecnologia muito primitiva. Uma boa idéia, mas que só funciona se você telefonar e perguntar:

– Recebeu?

– Recebi.

– Mas abriu e leu?

– Anh? Ah! Não, não tive tempo.

Com esse pequeno cuidado você vai descobrir que uma quantidade inimaginável de e-mails se perde no limbo virtual. E, como quem está no limbo não pode entrar no reino dos céus, você acaba perdendo negócios, amizades e amores por confiar ingenuamente que bastou enviar e todo o mundo recebeu de fato.

Além disso, por que enviar e-mail se já inventaram o telefone que funciona muito melhor? Você tem a certeza de que a pessoa recebeu a mensagem, ela já respondeu e ela também tem a certeza de que você a recebeu. Tudo resolvido instantaneamente, com o apoio do tom de voz que tempera com amizade qualquer negócio, acordo ou projeto. Depois, o e-mail servirá apenas para formalizar por escrito o que já está acertado.
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sexta-feira, 30 de novembro de 2012 | Autor:

Se alguém lhe pedir algo emprestado, dê-lhe logo o objeto de presente. É muito caro ou muito querido e você não pode dá-lo de presente? Então, também é muito precioso para emprestar.

É impressionante como emprestar algo tem sempre as mesmas consequências há milênios e as pessoas continuam emprestando. As consequências sempre são:

a)     Você fica sem o seu objeto, pois o amigo não o devolve.

b)    Você recebe o objeto de volta, danificado.

c)     Você perde o amigo.

Então, sai mais barato comprar um objeto igual e dar de presente, ou, simplesmente, dizer que sua religião proíbe emprestar seja lá o que for!

Vai perder o amigo por causa disso? Não vai, não. Mas se perder, pelo menos perdeu só o pseudo-amigo, mas preservou o objeto.

É curioso como as pessoas acham que pedir emprestado e não devolver não é roubo. Mas é roubo. É furto dos mais hediondos, pois trata-se de roubar um amigo que lhe emprestara algo de boa fé, confiando em você.

– Ah! Mas não foi com a intenção de me apropriar. Eu apenas me esqueci de devolver.

É? Por quanto tempo? Um mês? Um ano? Também se esquece de pagar um empréstimo de dinheiro? Desculpe. Eu tenho um nome para isso.
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quarta-feira, 28 de novembro de 2012 | Autor:

A coisa mais comum é perder-se misteriosamente um pé de meia que talvez tenha caído em algum canto e ninguém haja visto. Ou furar um enquanto o outro pé daquela meia da qual você gosta tanto ainda está em boas condições. E o que dizer da meia fina de mulher, que é tão volátil…

Diga-se o mesmo dos brincos. O que mais ouço é alguma jovem lamentando, com um olhar de partir o coração: “Ah! Perdi um brinquinho. Eu gostava tanto dele!”

Sempre que for comprar brincos ou meias, compre pelo menos dois pares iguais. Assim, quando você perder um, não terá que jogar fora o outro. Reporá com um brinco ou com uma meia do par de reserva. E ainda sobrará mais um exemplar para a próxima perda! Comprando dois, na verdade você terá três pares à base de substituição. Uma bela economia, não é?

Isto vale para todas as coisas que se comprem aos pares. E faz muito bem ao coração…
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