sexta-feira, 30 de dezembro de 2016 | Autor:

Ficou célebre o casamento que o filósofo Sartre mantinha com sua esposa Simone de Bauvoir, mulher notável, escritora de uma inteligência raríssima. Para a época, década de 1950, foi um escândalo. Só não teve consequências nefastas porque não apenas viviam em Paris, como também ambos eram intelectuais – casta à qual concedem-se exceções.
Embora casados e fiéis, moravam separadamente, cada qual na sua casa. Fiéis eles eram, mas usufruíam da óbvia liberdade que o fato de viver em sua própria casa proporciona. Portanto, fiéis de acordo com o conceito de fidelidade que exponho aqui. Foi um casamento bem sucedido e que serviu de inspiração para muita gente.
Muita gente chegou à conclusão de que se as pessoas encasquetas-sem que queriam casar-se, deveriam, pelo menos, morar separadamente, cada um dono do seu próprio nariz, da sua geladeira, da sua televisão, do seu banheiro e da sua cozinha. Um dia, ela dorme na casa dele. Outro dia, ele dorme na casa dela. Num terceiro dia, se acharem por bem, dorme cada qual sozinho, ou com quem quiser. Se ocorrer um estresse emocional, há sempre a possibilidade de cada um ir para seu próprio lar.
Já imaginou estar no meio de uma briga de casal, aquele drama que não termina, e você não poder dizer: “Querido, vá para a sua casa. Agora eu quero ficar sozinha” ou vice-versa, porque a casa é dos dois e ambos têm o mesmo direito de estar ali? É por isso que mais casais do que você supõe partem para a agressão física como forma de extravasar o instinto territorial, sem o quê tal energia poderia resultar ainda mais perigosa.
O casal novo anseia por poder morar na mesma casa. Logo em seguida, começa a perceber que não foi uma boa ideia.
Se a decisão de morar cada um na sua casa não foi tomada antes, agora que já moram juntos, separar pode ter uma conotação de rompimento. Não obstante, com carinho e compreensão talvez consigam esse afastamento físico sem caracterizar uma ruptura.


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