domingo, 11 de março de 2012 | Autor:

Prána, a energia vital

Prána é o nome genérico que se dá a qualquer forma de energia manifestada biologicamente. Logo, calor e eletricidade são formas de prána, desde que manifestadas por um ser vivo. Após os mantras e as palmas que os acompanham ocorre uma intensa irradiação de prána pelas palmas das mãos e podemos aplicá-las sobre um chakra que queiramos desenvolver, sobre uma articulação que desejemos melhorar ou sobre um órgão que precise de algum reforço de vitalidade ou regeneração.

Prána, no sentido genérico, é uma síntese de energia de origem solar e que encontra-se em toda parte: no ar, na água, nos alimentos, nos organismos vivos. Assim, nossas fontes de reabastecimento pránico são o Sol, o ar que respiramos, o ar livre tocando nosso corpo, a água que bebemos, os alimentos que ingerimos. Podemos aumentar ou reduzir a quantidade de prána dos alimentos. O cozimento, por exemplo, reduz o prána[1]. Já a pranificação trocando a água várias vezes de um copo para o outro pode enriquecê-la de energia vital.

O prána pode ser visto e fotografado. Para vê-lo a olho nu, basta dirigir o olhar para o céu azul num dia de sol. Divise o infinito azul do céu. Pouco a pouco, começará a perceber miríades de pontos luminosos, extremamente dinâmicos, que realizam trajetórias curvas e sinuosas, com grande velocidade e brilho. Não confunda isso com fenômenos óticos, os quais também ocorrem, mas não guardam semelhança alguma com a percepção do prána. Quanto a fotografá-lo, a kirliangrafia já vem sendo estudada há quase meio século e conta com um acervo bastante eloquente.

Prána (genérico) divide-se em cinco pránas específicos:

 

prána

- localizado no peito

apána

- localizado no ânus

samána

- localizado na região gástrica

udána

- localizado na garganta

vyána

- localizado no corpo todo

Os mais importantes são prána e apána, pelo fato de terem polaridades opostas. Prána é positivo e apána é negativo. Dessa forma, quando conseguimos fazer com que se encontrem, (por exemplo, levantando apána por meio do múla bandha) os dois polos opostos resultam numa faísca que é o início do despertamento da kundaliní[2].

Além dos pránas, há também o conhecimento dos sub-pránas que exercem funções muito particulares, tais como o piscar dos olhos, o bocejo e outros. Esses sub-pránas denominam-se krikára, kúrma etc.

Ilustração das bifurcações das nádís e a formação dos redemoinhos que são pequenos chakras secundários os quais regulam a energia que será distribuída para os órgãos, plexos e glândulas. Esses chakras secundários são chamados de “pontos” pela acupuntura, pelo shiatsu e pelo do-in.

Podemos influenciar a quantidade de prána que flui pelos respectivos canais, atuando sobre os chakras principais e sobre os secundários. Os principais, na verdade, controlam toda a malha de chakras secundários, regulando-os. No entanto, podemos proceder a uma sintonia fina, estimulando ou sedando os chakras secundários, que são mais ligados às funções dos órgãos físicos. Nisto, a acupuntura, o shiatsu, a mosha e o do-in são muito eficientes.



[1] Consulte o capítulo Alimentação Vegetariana: chega de abobrinha!.

[2] Sobre a importância de respeitar o gênero feminino do termo kundaliní, daremos mais elementos no sub-título A kundaliní é feminina, no final deste capítulo.

segunda-feira, 5 de março de 2012 | Autor:

Olá mestre querido!

Quero aproveitar para divulgar um assunto muito importante: o I Seminário sobre merenda escolar vegetariana que acontecerá em São Paulo no dia 16 de Abril na Câmara municipal. É gratuito e é um grande passo dentro da nossa política pública brasileira… informações nesse link: http://svb.org.br/merendavegetariana/

Bjm,

terça-feira, 3 de janeiro de 2012 | Autor:

Na verdade, discrimina judeus, muçulmanos, hindus, budistas, jainas, sikhs, adventistas e outras religiões. As companhias aéreas fazem isso sistematicamente, em praticamente todos os voos.

Como?

Não dando opções no cardápio e obrigando os clientes de todos esses grupos religiosos a comer carnes, muitas vezes de porco, ou ficar com fome. Certa vez, a aeromoça me disse candidamente: “Não é carne de porco. É presunto.”

As companhias argumentarão que é possível pedir alimentação especial. O argumento não é válido porque as comissarías não sabem preparar alimentos sem carnes e oferecem absurdos intragáveis que nenhuma semelhança têm com a gastronomia dessas culturas. Isso, quando os pratos, mesmo errados, pelo menos entram a bordo.

Durante mais de vinte anos eu solicitei alimentação especial, VLML (lactovegetariana) ou AVML (asiática vegetariana) especificando a subdivisão “hindu”. Jamais a comida entrou a bordo corretamente, razão pela qual nunca mais pedi refeição especial e rogo que se você fizer alguma reserva para mim não deduza que eu desejo essa alimentação. Apesar de tal recomendação ser antiga, já que consta de vários livros meus, diversos colegas ao fazer reserva para meus voos recentes, me penalizaram com essa surpresa (pois nem ao menos me consultaram!).

E, por isso, eu havia publicado o capítulo Alimentação vegetariana: chega de abobrinha!, do qual reproduzo o trecho abaixo:

“Jamais declare-se vegetariano num hotel, restaurante, companhia aérea ou na casa da sua tia-avó. É que todos eles têm a mesma vivacidade e vão responder:

– Eu gostaria de lhe preparar uma comida decente, mas já que você não come nada vou lhe servir uma saladinha de grama.

E, por mais que você tente explicar que vegetariano não é isso o que a esvoaçante fantasia do interlocutor imagina, sua probabilidade de sucesso é nula. Na caixa-preta dele já está selado, carimbado e homologado que vegetariano só come salada e ponto final.

Há vinte anos envio cartas e faço visitas de esclarecimento à comissaría e aos nutricionistas de uma conhecida companhia aérea. Mas nada os demove da sábia decisão de que conhecem melhor o vegetarianismo do que os próprios vegetarianos. E tome discriminação. Os mal-entendidos já começam ao fazer a reserva. Basta solicitar alimentação lacto-vegetariana, cujo código é VLML, para que o solícito funcionário do outro lado da linha registre alegremente:

– Ah! Vegetariano? Perfeitamente, senhor.

Só que a alimentação vegetariana, para as companhias aéreas, tem outro código, VGML, que designa um sistema bem diferente e absurdamente intragável que só existe na cabeça dos nutricionistas dos caterings. Fico a pensar se VGML é a sigla para VegMeal ou se significa: Você Gosta Mesmo dessa Lavagem?

E se o passageiro sabe mais do que o atendente e adverte-o para que use o código certo, VLML, invariavelmente é deixado na linha esperando enquanto ocorre uma conferência nos bastidores. Às vezes, o som vaza e pode-se escutar:

– Diz prá ele que esse código não existe. Não é vegetariano? Então é VGML.

Certa vez, numa viagem internacional, minha mesinha já estava posta quando tive a infeliz idéia de informar a comissária de bordo que o pedido de alimentação vegetariana era meu. Ato contínuo ela retirou da minha mesa o queijo, a manteiga, a maionese, o pão, o biscoito, o chocolate, a sobremesa e tirou até o sal e a pimenta. No lugar, colocou uma lavagem de legumes cozidos à moda de isopor.

Por que a gentil senhorita fez isso com este simpático cavalheiro? Será que ela pensa que queijo é carne? Que manteiga, maionese, chocolate são algum tipo perigosíssimo de carne de vaca-louca camuflada?

O pior nas viagens aéreas é que se você pedir alimentação VGML ou VLML, o pessoal do catering tira a sua sobremesa como que a puni-lo por ter-lhes dado trabalho. É como se estivessem a ralhar com o passageiro:

– Menino mau. Já que não come a sua carne, vai ficar sem sobremesa.

E você é obrigado a comer legumes cozidos sem tempero ou salada fria com uma uva de sobremesa, enquanto assiste o vizinho de poltrona refastelando-se com um prato quentinho de strogonoff, suflé, parmegiana, milanesa, tudo arrumado com capricho, mais um apetitoso pudim e ainda tem que ouvi-lo comentar:

– Essa comida de bordo é uma porcaria… “

segunda-feira, 10 de outubro de 2011 | Autor:
Enviado por Alê Filippini – Unidade Alphaville / SP

Da inteligência canina – UMBERTO ECO

CRÔNICA

Quando o cão elabora um plano complexo

RESUMO Um fait-divers recentemente publicado na imprensa italiana, sobre um cão que dá prova de sagacidade numa situação de grave perigo para sua dona, suscita reflexões sobre a inteligência dos cachorros, assinalada por autores da Antiguidade clássica, como Plutarco, Plínio e outros.

UMBERTO ECO
tradução MAURÍCIO SANTANA DIAS

UMA SENHORA que estava catando cogumelos com uma amiga é picada por uma vespa, tem um choque anafilático, para de respirar, a amiga telefona para a emergência, mas o socorro demora a chegar porque as duas mulheres estão em um bosque muito cerrado e é difícil localizá-las.
Então Queen, o cachorro (mas imagino que fosse uma cadela) da amiga, em vez de ficar ali, como o instinto recomendaria, ganindo e lambendo a mão da moribunda, parte feito um raio, atravessa o bosque, encontra a equipe de resgate e a conduz até o lugar certo.
Como Danilo Mainardi comenta no “Corriere della Sera” de 21 de agosto, não estamos diante de um simples comportamento instintivo: estamos diante de um comportamento “inteligente”, em que o cão não responde ao comando do instinto (não se afastar do ferido), mas elabora “um plano complexo, que abrange até a coparticipação de outros indivíduos”.

RACIOCÍNIO O caso -e os comentários de Mainardi- evocam uma literatura antiquíssima e vasta sobre as capacidades de raciocínio dos cães. Um dos textos que mais influenciaram essa tradição é a “História Natural” (77 d.C.) de Plínio, que trata da fala dos peixes e dos pássaros e discorre amplamente sobre a inteligência canina, cita um cachorro que reconhecera entre a multidão o assassino de seu dono e, com seus latidos e mordidas, o forçou a confessar o crime, ou ainda o cachorro de um condenado à morte que uivava dolorosamente e, quando um espectador lhe jogou uma comida, ele a levou até a boca do morto; quando o cadáver foi atirado no Tibre, ele também se jogou e nadou, tentando sustentá-lo.
Mas a discussão filosoficamente mais interessante já tinha ocorrido pelo menos três séculos antes, em um debate entre estoicos, acadêmicos e epicuristas. No âmbito da discussão estoica desponta um argumento atribuído a Crisipo, que será retomado e popularizado quase cinco séculos depois por Sexto Empírico.
Sexto considerava que os cães fossem capazes de raciocínio lógico, e a prova disso era que um cão, após chegar a um trívio e reconhecer pelo faro que a presa não tinha seguido por duas das estradas, imediatamente envereda pela terceira sem nem farejar. Com efeito, o cão teria formulado de algum modo o seguinte raciocínio: “A presa seguiu por esta estrada, ou por essa, ou por aquela; ora, a estrada não é esta nem essa; então só pode ser aquela” (o que seria um exemplo de raciocínio conhecido como “quinto indemonstrável”).
Além disso, Sexto lembrava que os cães possuem um “logos” porque sabem arrancar espinhos do corpo e limpar as feridas, porque mantêm imóvel a pata doente e identificam as plantas que podem aliviar a dor.
Quanto a uma linguagem animal, é verdade que não compreendemos os sons emitidos por eles, mas tampouco entendemos os sons emitidos por bárbaros, os quais no entanto falam; e os cães certamente emitem sons diversos em situações diferentes.
PLUTARCO Poderíamos continuar citando o “De Sollertia Animalium” (sobre a astúcia dos animais), de Plutarco, no qual se diz que, de fato, a racionalidade animal é imperfeita se comparada à humana, mas que essas diferenças também ocorrem entre seres humanos; e em outro diálogo, “Bruta Animalia Ratione Uti” (os animais usam a razão), a quem contestasse que seria demasiado atribuir a razão a seres que não têm uma noção inata da divindade, Plutarco responderia recordando que entre os seres humanos também existem os ateus.
Em “A Natureza dos Animais”, de Eliano, além dos argumentos já vistos, são citados exemplos de cães que se apaixonam por seres humanos. No “De Abstinentia” (da abstinência), de Porfírio, os argumentos em favor da inteligência animal servem para sustentar uma tese “vegetariana”. Todos esses temas serão retomados de várias maneiras na era moderna, até nossos dias.
Mas paremos por aqui: ainda que não se consiga definir bem a inteligência canina, deveríamos ser mais sensíveis a esse mistério. E, se for muito difícil virar vegetariano, pelo menos que donos menos inteligentes que eles não abandonem seus cães nas estradas.

[ Reply ]

Muito bom, Filippini. Muito bom, mesmo!

segunda-feira, 14 de março de 2011 | Autor:

Vou reeditar o livro sobre alimentação. Quero que esteja pronto para o lançamento no Festival de Florianópolis. Provavelmente terá o título Método de Alimentação Biológica.

Para tanto, preciso que você me envie os dados sobre os restaurantes da sua cidade, tal como se encontram na edição anterior Chega de Abobrinha!

Ou seja, se tem ou não convênio conosco; o nível de respeito e atenção com não-carnívoros, de um a cinco smiles; e o preço médio relativo de um  a cinco cifrões ($). Não mencione valores em reais, pesos, dólares, euros etc., porque isso muda. Além do mais, para quem vem de outro país, converter a sua moeda pode ser um pouco confuso.

Também preciso do preço em $$ porque o número de cifrões representa: ($) muito barato, ($$) barato, ($$$) médio, ($$$$) caro e ($$$$$) muito caro, dentro de um contexto. Esse contexto quem interpreta é você que esteve no restaurante.

Necessitamos dos nomes dos pratos para que os nossos leitores entrem e peçam as iguarias recomendadas por você.

Os estabelecimentos precisam ser comuns e jamais especializados. Não podem ser restaurantes vegetarianos, naturais, macrobóticos, veganos, biológicos, orgânicos etc.  

Pode indicar pizzarias, lanchonetes, churrascarias e restaurantes diversos, desde que sejam comuns, normais. A ideia é justamente mostrar que um não-carnívoro encontra comida sem carnes em qualquer lugar e que comemos a mesma comida que todo o mundo come, só que sem carnes .

Precisamos dos dados completos dos restaurantes: nome, endereço, telefone, cidade, estado e país. Depois, qual o patamar de preço (de um a cinco cifrões [$]) e qual o nível de satisfação que você sentiu (de um a cinco smiles). Na sequência, o nome de alguns pratos que constem do cardápio regular e que não contenham carnes. A proposta não é vegan. É apenas não-carnívora.

Mas, por favor, seja exigente. Imagine que quem vai lá experimentar os pratos indicados é um daqueles intolerantes radicais xiitas que fincam pé contra o seu sistema alimentar e dos que afirmam que jamais conseguiriam ter prazer em alimentação sem carnes. Os pratos recomendados precisam estremecer essas opiniões desinformadas sobre o que nós comemos.

Não me envie sugestões de pratos estereotipados, que contenham soja, tofú, shoyu, missô, algas, arroz integral, açúcar mascavo ou qualquer outra coisa que possa parecer esquisitice aos olhos dos outsiders. A comida tem que ser saborosa.  Food should taste good.

Atenção: preciso dessas informações para ontem!

Obrigado pelo Ritmo DeRose

_________________________

Queria deixar um aviso aos frequentadores do Blog que querem colaborar com o livro novo de Alimentação:

Vamos facilitar a vida do Mestre. Leia o post na íntegra antes de deixar suas sugestões. O Mestre não vai ter tempo de pesquisar todos os dados faltantes dos restaurantes, sites etc, por isso você precisa mandar os dados completos e bem organizados. Para facilitar você pode preencher os dados da seguinte forma:

Nome do restaurante:
Endereço completo e telefone:
Número de smiles (de 1 a 5):
Valor médio (de 1 a 5 cifrões):
Tem convênio conosco?
Sugestões de pratos (bebidas, entradas, pratos principais, sobremesas):

Pronto!

Beijos.

Vivi

domingo, 6 de março de 2011 | Autor:

“Não é novidade que doenças descritas na literatura científica seguindo alimentação de cães e gatos baseados nos alimentos comerciais a base de carne incluem doenças de rim, fígado, coração, neurológicas, olhos, sistema locomotor e pele, desordens de sangramento, deformações de nascença, compromisso da imunodefesa e doenças infecciosas. Como um veterinário atuante, eu concordo que tais doenças degenerativas tão comuns como o câncer, falência de rim, fígado e coração e muitas outras são exacerbadas ou diretamente causadas pelos numerosos ingredientes perigosos das dietas comerciais a base de carne para cães e gatos.”

Knight defende esta perspectiva ao citar os estudos em:

http://www.vegepets.info/pages/meat_based_commercial_diets.htm#Appendix Studies

Veja o PETA (1994 em http://www.helpinganimals.com/pdfs/Dog_Health_Survey.pdf) para maiores informações nas questões de saúde entre uma dieta vegana contra a dieta não-vegana para cães.

____________________

Preciso acrescentar que não sou adepto da alimentação vegana e sim da ovo-lacto-vegetariana para mim e para minha weimaraner Jaya. Tem dado muito certo para nós dois, para dezenas de cães da Nossa Cultura, bem como para milhares de instrutores e alunos nossos. Todos são fortes, musculados, pessoas bonitas, profissionais de relevo e desportistas de alta performance. DeRose.

 

 

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010 | Autor:

Nada de sair àquela confusão de compras em shopping, perder tempo escolhendo e comprando presentes que as pessoas talvez não precisem, mas vão agradecer por educação. Torne-se inesquecível! Mude a vida dos seus amigos, colegas e familiares. Dê-lhes os nossos livros. Como brinde, eles vão compreender você um pouco melhor.

Há presentes para todos os gostos e bolsos:

Quando é Preciso Ser Forte (uma obra que vai arrancar risos e lágrimas relatando viagens, história, drama, humor, filosofia e aventura)

Eu me lembro… (um conto poético, romântico e filosófico)

Método de Boas Maneiras (manual bem-humorado sobre comportamento)

Método DeRose (explicando qual é a nossa proposta de qualidade de vida)

Meu nome é Jaya, eu sou uma weimaraner vegetariana (com lindas fotos da Jaya e doces textos sobre ela)

e vários outros pocket books e livros maiores como o Tratado.

terça-feira, 13 de julho de 2010 | Autor:

Mas como é na Índia?

Eu viajei para a Índia durante 24 anos. Frequentei vários tipos de estabelecimentos, desde as escolas até os mosteiros, dos mais sérios aos que já estavam contaminados pelo consumismo ocidental – e percebi as diferenças. Mas, em todos eles, ocorria um mesmo fenômeno. Os alunos indianos entravam na sala de aula com cara normal e roupa normal, muitas vezes praticando de calça e camisa. Os ocidentais, no entanto, pareciam um bando de alucinados que se destacavam dos hindus por serem os únicos a estar vestidos com “roupa indiana”, isto é, o equivalente àquelas camisas hipercoloridas e cheias de flores que os turistas estrangeiros usam no Brasil por acharem que aqui é assim que o povo se veste. Será que não percebem que nenhum brasileiro está portando aquelas camisas espalhafatosas, ou que nenhum indiano está vestindo a tal de “roupa indiana” (especialmente as famosas “saias indianas”, que nenhuma indiana veste)?

Durante a aula de Yôga, os hindus preservam a fisionomia de pessoas perfeitamente normais, sorriem, interagem com os colegas e com o instrutor, às vezes até fazem gracejos. Os ocidentais, pelo contrário, mantêm-se muito taciturnos, com cara de santo cristão e, às vezes, babam um pouco.

Frequentemente os instrutores que levei em minhas viagens, para conhecer o verdadeiro Yôga da Índia, observaram:

– DeRose, você já percebeu que os ocidentais ficam com cara de malucos quando entram numa sala de Yôga e que os indianos são como nós do SwáSthya e preservam a cara normal?

Pois é. Aí está o x da questão. O ocidental vai à Índia, olha, mas não vê. Ouve, mas não escuta. Tanto que volta falando “ióga”, embora todos lá pronunciem Yôga, com ô fechado. É uma questão de paradigma. O ocidental enfurnou no bestunto que Yôga deveria ser de uma determinada forma. Depois ele viaja para a Índia e não consegue perceber que lá é diferente do clima cristianizado, naturéba e alternativoide que grassa no Ocidente.

Uma das fantasias é que na Índia – e nas escolas de Yôga desse país – só se coma pão integral, arroz integral, açúcar mascavo e outros modismos ocidentais. Só que não é assim. Nas escolas de Yôga come-se muito bem, desfruta-se uma comida deliciosa (obviamente vegetariana!), bem temperada e, fora isso, normal. Certa vez, uma pessoa que estava no nosso grupo pediu arroz integral ao garçom do restaurante em Nova Delhi. O empregado trouxe arroz branco. A brasileira mandou voltar e instruiu-o com mais ênfase:

– Olha, meu filho, eu quero arroz integral, compreendeu? Arroz in-te-gral!

O coitado voltou com outra porção de arroz branco. Percebendo que não agradara, explicou:

– Mas o arroz está inteirinho, Madame. Eu mesmo ajudei o cozinheiro a catar só os grãos que não estavam quebrados.

Hoje já há alguns estabelecimentos com opções integrais para atender a turistas, assim como já existem escolas de Yôga para satisfazer os devaneios dos que pagam bem para que lhes vendam o que eles querem comprar, ou seja, aquilo que o ocidental pensa que o Yôga é.

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