Texto da aluna Karen Cury
Lembro-me de quando uma amiga de faculdade contou-me que praticava Método DeRose. “Ah, que legal! E o que é isso?”. “É o melhor Yôga do mundo, o mais sério. O nosso mestre é a maior autoridade do mundo nisso e praticamos a linha SwáSthya”.
Observei minha amiga levando a coisa a sério, não perdendo as aulas e lendo, então pensei: “Nossa, que importante, isso. Muito legal”. Não fui me informar sobre o Método, tampouco entendi que DeRose era uma pessoa, muito menos brasileiro.
A tela fica preta, entra a legenda “anos depois”. Adepta de uma vida para lá de nerd e incentivada por uma abençoada genética que sempre me manteve no peso, cheguei ao máximo do sedentarismo aos 25 anos. O desfecho não poderia ser outro a não ser ouvir da médica “pratique algum exercício já e ponto final”. E aí começou a peregrinação.
Natação era o que fazia quando criança e sempre amei, mas o cloro não ajuda a quem sofre de rinite alérgica. Academia é, decididamente, o inferno para qualquer peseu-intelectual metida a nerd como eu. Afinal, qualquer coisa que não estimule claramente o intelecto, somado a um ambiente de cultivo de músculos torneados por esteróides e seios siliconados*, só pode estar longe dos amantes de uma boa biblioteca.
*(Ok, reconheço que nem todos os alunos são assim e estou sendo injusta, mas é apenas para manter a dramaticidade do texto).
Até teatro passou pelas possibilidades, mas os horários não condiziam com uma vida executiva. Finalmente corri para a yóga. É, isso mesmo: yóga. Hatha, para ser mais específica. Gostei. Tudo bem que eu me sentia um pouco ridícula fazendo saudação ao sol no início de toda aula. Tudo bem que um dia a professora perdeu a mão no exercício e prejudicou a minha lombar (afinal, uma semana de anti-inflamatório resolveu, né?). E tudo bem que nós fazíamos relaxamento [já que o hatha não tem yôganidrá no seu acervo – nota do revisor] no início da aula e isso fazia com que eu quisesse dormir pelo resto da prática. O que importa é que aprendi a respirar melhor, praticava meus exercícios com certa regularidade e comecei a ter melhorias claras em minha qualidade de vida (sono, ansiedade e afins). E isso me deixava mais feliz.
Mas a tela preta volta, porque eu fui morar fora por quase um ano e voltei. Pouco mais de um mês após minha volta, minha mãe provocou: “Você não voltará a fazer exercícios? Você precisa!”. “Ah, mãe, você sabe…” E ela insistiu: “Não tem nenhum lugar de yóga de que você goste e em que confie?” “Olha, tem o Método DeRose, é o melhor do mundo. Mas é sério demais! Tem que ler, estudar. É uma Universidade e não quero me formar instrutora. Queria fazer por hobby, apenas”.
Novamente temos a tela preta, porque da conversa pulamos para minha (feliz) ida a um bar, onde conheci o Instrutor Luiz Furtado (hoje meu namorado). Conversa vai, conversa vem e enquanto eu me encantava (e apaixonava) por ele, suas ideias e nível cultural, ele compreendeu minha questão sobre exercícios, yóga, Yôga e propôs que eu fizesse uma aula experimental na unidade em que ministra aulas até hoje, a Vila Mariana. E aí eu descobri que estava errada e certa ao mesmo tempo. Errada porque não é obrigatório formar-se Instrutor, tampouco somos compelidos a fazer exclusivamente isso de nossas vidas. Mas certa porque o Método é sério mesmo. Não demais. Mas nem de menos. É na medida certa, e isso é ser sério.
Os instrutores estudam muitos aspectos físicos e intelectuais, então não corro o risco deles proporem algum exercício prejudicial. A prática tem embasamento e encadeamento saudável, então não apenas sinto-me bem (ao invés de ridícula) ao praticar, mas energizo-me, trabalhando de forma adequada minha energia durante as aulas. E finalmente é sério justamente porque é divertido. Uma dos aspectos de que mais gosto é fazer social na escola e nos eventos. Entro sorrindo, encontro com pessoas de bem com a vida, com quem converso e troco ideias agradáveis. Tudo isso atrelado à capacidade de fazer não só com que eu pratique meus tão necessários exercícios, mas também tenha uma melhor qualidade de vida, com alta performance em vários aspectos. É sério porque me faz uma pessoa melhor, faz-me feliz.








