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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012 | Autor:

Meu artigo anterior, intitulado “Eu apoio a Polícia Militar”, já denunciava, com antecedência de alguns meses, a injustiça dos baixos salários pagos aos que arriscam suas vidas por nós, todos os dias. Já imaginou se você tivesse um emprego no qual, ao se despedir da mulher e filhos pela manhã para ir trabalhar, não tivesse certeza de revê-los? No qual você precisasse andar armado e com colete à prova de balas porque todos os dias haveria alguém querendo matá-lo? Um emprego no qual você carregasse um alvo (o uniforme) anunciando à bandidagem “atire aqui”?

Quanto você acharia justo ganhar por um emprego desses?

E mais: graças ao seu risco de vida, a minha e as dos demais estariam protegidas, assim como nosso patrimônio.

No entanto, greve de militares é motim. Todos os demais recursos democráticos e legítimos podem ser acionados para obter o justo reconhecimento e remuneração das polícias (não só os PMs). Greve, não! Insubordinação conduz ao caos e, uma vez instalado o caos, só o uso da força e a revogação dos direitos constitucionais podem reconduzir à ordem. O nome disso é ditadura.

O risco de uma insubordinação coletiva conduzir à ditadura é real e eu me lembro que em 1964 tudo começou com a insubordinação dos marinheiros, que se alastrou e deu no que deu.

Onde não há ordem e respeito, onde os valores hierárquicos são desacatados, onde a disciplina dá lugar à baderna, estamos abrindo as portas à ditadura e gerando pretextos à sua imprescindibilidade naquele momento. Contudo, não a legitima. Uma vez instalada, teríamos que suportá-la por mais, quem sabe, duas décadas. Nenhum brasileiro quer isso.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012 | Autor:

Toda a cultura judaico-cristã se apoia na dicotomia vício e virtude. Nesse sentido, vício é a antítese da virtude e tem o sentido de defeito, qualidade negativa, imperfeição, disposição para praticar o mal.

Tanto o Antigo quanto o Novo Testamento são pródigos em exemplos e parábolas que procuram incutir nos seus leitores a noção de que o vício será punido e a virtude recompensada.

Contudo, no sentido corrente da linguagem coloquial, vício tem a acepção de dependência gerada pelo uso de drogas (cocaína, nicotina, cafeína, teína, teobromina, guaraína, adrenalina, álcool etc).

A maioria dessas drogas é considerada inocente e, dessa forma, é legal e socialmente aceitável. No entanto, nem por isso tais substâncias deixam de ser potencialmente prejudiciais a partir do momento em que criem dependência física e psíquica. Várias delas alteram os sentidos a ponto de pôr em risco a própria vida do usuário e as dos demais.

Quando nos referimos ao vício e às drogas, popularmente estamos aludindo às substâncias ilegais ou, pelo menos, ao álcool e ao fumo. Raramente ao café. Apesar disso, uma das primeiras coisas que o médico pergunta em uma consulta é quanto o paciente toma de café por dia!

Quer apliquemos aqui a primeira ou a segunda acepção do termo vício, a forma mais eficiente de combatê-lo é atuando na juventude. Uma pessoa que já carregue nas costas quarenta anos de idade, ou mais, dificilmente aceitará a orientação para que deixe de fumar, beber ou usar drogas, a menos que ocorra uma motivação muito forte como o diagnóstico de uma doença grave. Mesmo assim, um bom número ainda reincide.

Trabalho há cinquenta anos com reeducação comportamental e qualidade de vida. Pela minha experiência, o investimento de trabalho e energia necessários para tentar desintoxicar e curar um usuário de drogas é cerca de cem vezes maior do que o trabalho e energia investidos para evitar que um jovem comece a fumar, beber ou envolver-se com tóxicos. E as probabilidades de sucesso seguem a mesma proporção.

Assim sendo, poderemos auxiliar cem vezes mais gente se realizarmos um trabalho preventivo. É a mesma coisa com a criminalidade. Custaria muito menos ao estado educar do que sustentar toda uma máquina policial e outra judiciária para processar, prender e manter as tantas penitenciárias abarrotadas, as quais nunca darão conta da demanda se a política continuar sendo a de “punir depois” ao invés de “educar antes”. E todos sabemos que o uso de drogas aumenta a criminalidade.

Ocorre que o ser humano se vicia muito facilmente e não apenas em substâncias. Ele se vicia com muita facilidade e em qualquer coisa. Vicia-se no jogo, em esportes radicais, em pescaria, em colecionar coisas, em sexo, em religião, em chocolate, em Coca-Cola, em cafezinho, em novelas, em seriados, em ganhar dinheiro, em perder dinheiro… vicia-se em qualquer coisa.

Então, conhecendo essa característica do Homo sapiens, durante este meu meio século de profissão tenho trabalhado para “viciar” as pessoas em não contrair vícios. É uma questão de condicionamento, de educação, de costume implantado. Quando proporcionamos um ambiente sadio e preleções esclarecedoras (jamais doutrinadoras), a tendência da maioria é a de incorporar esse hábito de cultivar a saúde, o bem-estar, a qualidade de vida, as boas relações humanas, a produtividade como um esporte, a responsabilidade social e ambiental como uma questão de honra. Essas pessoas não terão foco – nem tempo – para o vício.

Mesmo afastando-se do ambiente saudável do nosso Método, muitas delas levam consigo o patrimônio de bons costumes que lhes ensino e geralmente conseguem irradiá-los para dentro do seu círculo familiar. Algumas vezes, transmitem os bons hábitos até para os colegas de profissão e círculo de amizades. Dessa forma, ao reeducarmos uma pessoa, estaremos criando ondas de choque que reverberarão na sociedade conseguindo, assim, transformar o mundo.

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Querio Mestre,
Que belo post! Tão exato ao descrever a natureza “viciada” do ser humano. E tão perfeito ao falar sobre prevenção versus remediação. Eu fui uma adolescente complicada, sempre buscando algo que eu não sabia o que era, e nessa busca me deparei com diversos tipos de vícios. Hoje tenho orgulho de já ter me livrado de vários deles, que considero os piores, e estar trabalhando em relação aos outros (ah o chocolate, ah o café!). E devo muito, demais a essa comunidade linda e saudável, onde finalmente eu me encontrei, e onde o “legal” é não se violentar com álcool, cigarro, drogas, entre outras tantas. Minha avó sempre dizia que tinha mania de não ter manias. Achei graça de ver que o senhor escreveu sobre ser viciado em não ter vícios! Quanto à prevenção, é a única saída para tantos conflitos e problemas atuais. Remediar, na esmagadora maioria das vezes, é mais difícil, mais caro e menos eficaz! Também é impressionante como a maioria desses problemas, inclusive de como prevenir tantas situações indesejáveis, tem sua raiz em uma palavrinha tão importante: educação. O senhor, ao nos apresentar o Método e o estilo de vida proposto, nos educa sobre os efeitos dos vícios e hábitos menos aconselháveis. E é também a educação que fará com que o motorista não corra, com que a pessoa não compre animais provenientes de tráfico, que entenda a importância de ecossistemas saudáveis, que respeite animais, ou que não vote em políticos corruptos…
Um beijo imenso, com muito carinho, e muita alegria de ter encontrado o senhor no arraiá da Unidade Granja Viana!
Juliana (Unidade Granja Viana).

 


quinta-feira, 25 de agosto de 2011 | Autor:

Olá Mestre.

Como você já sabe consegui neste último mês adquirir um Loft Duplex (www.facebook.com/studio193) num excelente bairro e perto da escola. Todo o dinheiro investido foi através do Método. Meus pais estão muito orgulhosos e surpresos, pois, de certa forma, eles não acreditavam que em três anos alcançaria este objetivo.

No entanto, essa conquista dedico aos instrutores da Unidade Rio Branco, ao Sandro e principalmente a você, pois sem vocês nada disso teria se realizado tão rápido. Obrigado por ser essa pessoa maravilhosa que dedica a sua vida a ensinar. Serei eternamente grato. Você é a minha inspiração e o qual deixo meu coração puro de amor.

Com muito carinho e afeto.

Eder Livramento.

domingo, 30 de agosto de 2009 | Autor:

A Unidade Cabral não estava muito bem. Se não houvesse uma rede por trás, seu proprietário se endividaria e acabaria quebrando. Mas nós somos uma grande família pró-ativa. Apareceu o Gustavo Oliveira, que já era Diretor de outra unidade e estava se dando muito bem, para comprar a escola deficitária. Todos ganharam. O antigo proprietário se recapitalizou ao vender seu patrimônio ao invés de simplesmente fechar e perder todo o investimento. Sob nova direção, a Unidade Cabral cresceu 500% (você leu certo: quinhentos por cento) em poucos meses. E todos viveram felizes para sempre. Por isso temos pena daqueles que não tiveram o privilégio de participar da nossa egrégora e caminhar junto conosco.

Essa experiência também nos mostrou que, geralmente, o problema não é o ponto, não é a cidade e – certamente – não é o Método, mas sim e sempre o administrador. Há companheiros que são ultracompetentes como instrutores, verdadeiros virtuoses que ministram aulas portentosas. Mas que não têm talento para dirigir uma escola. Eu, por exemplo, não tenho esse talento. Então, coloquei outra pessoa para administrar a Sede Central. Nas mãos encantadas da Profa. Fernanda Neis, a escola teve um crescimento exponencial, como nunca havia tido antes dela. E eu fui me dedicar ao que sabia fazer de melhor que era escrever livros e dar cursos pelo mundo afora. A partir do bom aproveitamento dos talentos de cada um de nós, o Método DeRose se expandiu para vários países da Europa e Estados Unidos. O segredo foi encontrar a química certa entre as pessoas. Para encontrar essa química, às vezes, basta realocar algum membro da equipe, tirando-o de uma função e colocando noutra. Ou mesmo, retirando-o de uma equipe e recomendando-o a outra escola da rede onde, dando a química certa, essa pessoa poderá demonstrar o seu potencial.

Uma boa ajuda é encaminhar o Diretor ou o instrutor para estágio com a Profa. Fernanda Neis, na Sede Central, e para consultoria com a Profa. Dora Santos, em São Bernardo do Campo, SP. Outro grande auxílio é contratar auditoria com o Prof. Charles Maciel. Convidar o Prof. Flávio Moreira para dar um curso aos instrutores da sua equipe tem realizado verdadeiros milagres nas unidades por onde ele andou. Flávio tem um talento especial para agregar e para ensinar como motivar os alunos para a fidelização, para o gurusêvá e para a formação de instrutores. Flávio formou tantos instrutores e teve tanto sucesso na sua escola que já abriu mais uma.

Espero que estas dicas tenham ajudado.

quinta-feira, 2 de abril de 2009 | Autor:

O Yôga tem 5000 anos de existência. Nesses cinco milênios, foi desvirtuado sucessivas vezes pelas invasões que a Índia sofreu. Façamos uma comparação. Estamos no século XXI da Era Cristã. Muito bem. Existe uma luta chamada Capoeira, que é legitimamente brasileira. Tem suas raízes em tradições africanas, porém nasceu no nosso país. Imaginemos que dentro de alguns anos, a Amazônia será invadida por uma outra nação com o pretexto de ocupá-la para salvar tão precioso patrimônio da humanidade das mãos desses latino-americanos irresponsáveis que a estão destruindo.

Tal como os drávidas que viviam na Índia há 5000 anos, os brasileiros não têm tradição guerreira. Já os invasores, esses sim, contabilizam uma história de guerras, conquistas e império, tal como os sub-bárbaros arianos que invadiram a Índia a 1500 a.C. e cometeram o primeiro grande desnaturamento do Yôga.

Como ocorreu com o Império Romano, que ia incorporando outras culturas (ao absorver do Lácio o latim, da Grécia a arquitetura, escultura, mitologia etc.), esse novo império absorve a Capoeira. Em pouco tempo, digamos, um século, classificam-na como dança (“afinal, eles não dançam?”). E a reestruturam, pois isso de bater atabaques e tocar um instrumento de cordas com uma corda só é muito primitivo. Eliminam os tambores e substituem o berimbau pela guitarra eletrobioplásmica, com acompanhamento de “sincretizador” (que substituirá o computador, aquela máquina primitiva que vivia “dando pau” e pegando vírus).

Passam-se mil anos. Lá pelo ano 3000 da era Cristã, ocorre outra invasão. O Brasil é ocupado por uma terceira etnia e novos Mestres de Capoeira introduzem uma codificação que a define como religião (“afinal, eles não se benzem antes de jogar?”). Uma dança religiosa, uma dança ritual. Surgem mosteiros, templos e igrejas do culto Capoeirista. Essa vertente passa a ser conhecida como Capoeira Clássica.

Passado mais um milênio, e em torno do ano 4000, já não se fala a mesma língua, nem habita neste território o mesmo povo. Surpreendentemente, a Capoeira sobreviveu e tem mesmo um sólido sistema cultural que a preserva. Só que agora, após alguns concílios, decidiram que Capoeira é uma terapia. Passa a ser uma dança espiritual terapêutica.

Mais um milênio se passa. Estamos lá pelo ano 5000 d.C. Ninguém mais se lembra das suas origens. Criam mitologias. Surgem versões negando que a Capoeira tenha surgido em uma nação mítica chamada Brasil, a qual teria existido há tanto tempo que caiu no esquecimento. Alguns eruditos defendem que a Capoeira teria sido criada pelos negros escravos, mas a etnia então dominante nega-o peremptoriamente, e ameaça de punição quem se atrever a insistir nessa invencionice subversiva. A Capoeira é institucionalizada como uma prática para a terceira idade. Torna-se uma dança espiritual terapêutica para idosos.

Outros mil anos são transcorridos. Estamos agora no ano 6000 da Era Cristã. Todas as evidências de uma civilização latino-americana desapareceram, apagadas intencionalmente pelos cientistas e religiosos desse novo período histórico. A opinião pública de então, decide que Capoeira é para mulheres, que é ótima para TPM, gestação, rugas, celulite, varizes e que rejuvenesce. A Capoeira passa a ser classificada como uma dança espiritual, terapêutica, para idosos e para mulheres. Quem afirmar que a Capoeira legítima é uma luta, destinada a pessoas jovens e saudáveis, passa a ser acusado de discriminar os enfermos, os idosos e as mulheres; é acusado de ser polêmico; torna-se perseguido e severamente castigado com a difamação, exclusão, execração e ameaças de morte.

Bem, no caso da Capoeira, nós só abordamos 4000 anos de deturpações, do ano 2000 ao ano 6000 d.C. No caso do Yôga precisamos computar mais um milênio de distorções, já que essa filosofia conta com cinco mil anos de existência.

Oh! Céus! Eu disse filosofia? Foi sem querer. Juro. Eu quis dizer uma terapia mística para enfermos, mulheres e idosos.


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domingo, 8 de março de 2009 | Autor:

Estamos mesmo tão submersos na estrutura patriarcal que nem notamos conceitos assim. Se for masculino, patrimônio, define o conjunto de ativos, propriedades, posses, recursos de uma pessoa. Mas se for feminino, sugere que a forma de obter tudo isso é pelo casamento e não pelo trabalho e produtividade. Isso subordina metade da humanidade à outra metade. No passado, admito que isso talvez fosse necessário devido à conjugação de diversos fatores culturais. O marido trabalhava para sustentar a mulher e a prole. A mulher, “rainha do lar”, cuidava da filharada. Se ela trabalhasse, isso era considerado uma humilhação para o marido, pois constituía uma declaração de que ele era um fracassado, já que não conseguia sustentá-la!

Hoje, no entanto, é inadmissível que a mulher sacrifique sua carreira, sua realização pessoal e deixe de ser produtiva, deixe de ganhar o seu dinheiro e usufruir da sua independência apenas para ficar em casa, deteriorando sua inteligência e tendo que preencher, nos formulários que perguntam qual a sua profissão, “doméstica” ou “do lar” .

Pena que muitas das principais interessadas em mudar o status quo vivam físicamente no século vinte e um, mas suas cabecinhas permaneçam no século dezenove!


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