sexta-feira, 25 de março de 2011 | Autor:

O Prof. Camacho nos enviou o seguinte texto:

Encyclopedie des Arts Martiaux de l’Extreme Orient, de Gabrielle e Roland Habersetzer, uma referência ao Tándava. Encontra-se na entrada Kalaripayat. Diz o autor que ‘de acordo com a lenda, este estilo de combate provirá do Samhara-Tándava, dança da dissolução cósmica do deus Shiva, na qual existem movimentos de ataque e de defesa com base no princípio da dualidade Homem-Mulher (Shiva-Shaktí).’ (p. 290, edição de Setembro de 2 000).”

É possível que o casal Habersetzer tenha chegado bem perto e desenterrado dados do Shiva Natarája nyása com outro nome, ou de outra fonte. Sabemos que, por ser muito antigas, as tradições hindus se nos apresentam sob mais de uma versão. As próprias técnicas do Yôga surgem-nos com diferentes nomes. E as histórias da mitologia hindu não raro possuem duas ou três versões diferentes. Por tudo isso, fiquei bem otimista em face ao texto acima. DeRose.

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Querido Grande Mestre

Deixo-lhe mais alguma documentação que confirma os ensinamentos da nossa escola no que respeita ao Shiva Natarája nyása. Desde logo, Kim Min-Ho, doutor em antropologia e membor do CNRS (Centre nationale de la recherche scientifique) em França, no livro L’origine et le développement des arts martiaux. Pour une anthropologie des techniques du corps, afirma que «na Índia, existem métodos de combate estruturados, baseados nas técnicas de Yôga» (p. 24, edição de 1 999, ed. L’Harmattan).
Por sua vez, Patrick Denaud, no livro Kalaripayat. L’origine des arts martiaux (edição de 1996, Editions Budostore), declara alguns aspectos bastante interessantes. Desde logo que nesta arte marcial indiana »as técnicas utilizadas são próximas das do Yôga.» (p. 12). Sobre as origens do Kalaripayat diz esta autor que «se confunde por vezes com as origens do Yôga» (p. 15). Denaud refere uma das origens miticas desta arte marcial:
Mas o mais interessante é chegar, neste livro à secção “Limpeza e purificação do corpo”. Isto quando o autor começa a descrever as técncias utilizadas, como os pontapés, os socos, o ticro com arco, etc… Mas na limpeza e purificação este autor compila as seguintes técnicas:
Dhauti: «Empregam-se quatro procedimentos para purificar o corpo: a lavagem estomacal (antardhauti), a limpeza da cavidade bocal (dantadhauti), a limpeza da peito (hrddhauti) e a purificação do reto (múláshôdhana).» (p. 121). E indica ainda outra técnicas contidas no shat karma, nomeadamente vasti (p. 125), nêti (p. 126), laulikí (p. 126), trátaka (p. 126), kapálabhati (p. 126).

Um grande abraço

João Camacho

 

 

sábado, 20 de novembro de 2010 | Autor:

Oi Mestre Queridão!
Fiquei muito triste de não ter podido te encontrar no aeroporto… Mas a vida é assim =0) Espero que tenha tido uma tarde bem produtiva e tenho certeza que a Kim cuidou bem de você.
Sempre que vier para o Rio, conte conosco no que precisar, ok?
Adorei a história da Leilane!
Diante de toda esta mudança de paradigma no mercado editorial e na áerea digital como um todo, recebi este texto do professor de produção editorial da UFRJ, que conta sobre o surgimento da prensa, com Gutemberg. Olhe que engraçado, é mais ou menos assim que algumas pessoas encaram o eBook e arquivos digitais ;o)

“Logo que Gutenberg e Schoeffer terminaram a última folha de sua monumental Bíblia, o financista da firma, Johan Fust, tomou para si cerca de uma dúzia de exemplares, a fim de verificar a melhor maneira de colher os frutos de seus pacientes investimentos. E para onde se voltou ele, em primeiro lugar, para converter suas bíblias em dinheiro? Dirigiu-se a Paris, então a maior cidade universitária na Europa, onde mais de 10 mil alunos lotavam a Sorbonne e outras faculdades. E o que encontrou ele naquela cidade para seu amargo desprazer? Uma corporação bem organizada e poderosa, a guilda do forte comércio livreiro, a Confrérie des Libraires, Relieurs, Enlumineurs, Écrivains et Parcheminiers [...] fundada em 1401 [...] Alarmados pelo aparecimento de um forasteiro detentor de tesouro tão inaudito, quando constataram que ele estava vendendo uma Bíblia atrás da outra, chamaram logo a polícia e apresentaram seu abalizado veredicto de que tal quantidade de livros valiosos só poderia estar na posse de um só homem mediante a ajuda do próprio diabo. Fust teve de fugir para salvar a pele, ou sua primeira viagem de negócios teria terminado numa vexatória fogueira…”

EISENSTEIN, Elizabeth. A revolução da cultura impressa: os primórdios da Europa Moderna. São Paulo: Ática, 1998.

Ai de mim se estivesse naquela época =0)
Muitos e muitos beijos e ótimo festival!!!!!
BeijosCaki

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Nós estamos vivendo naquela época. Não mudou nada! Eu vivo driblando a fogueira. Ainda bem que conto com um exército de combatentes corajosos e sempre alertas como você para não permitir a vitória das forças obscurantistas.

“Antigamente, queimavam os hereges com lenha. Hoje, queimam-nos com jornais.”  DeRose
quinta-feira, 1 de julho de 2010 | Autor:

Nuno Jacob

Querido Mestre,

O Espaço Faro realiza mais uma vez uma acção de filantropia a favor de uma instituição local, AAPACDM (Associação Algarvia de Pais e Amigos de Crianças Diminuídas Mentais).
O objectivo é angariar fundos para a construção de um novo lar em Faro, que acolhe miúdos e graúdos de todo o Algarve. Temos consciência que ainda assim é pouco.
Por isso como membro do Rotary Clube de Faro, pedi também ajuda à instituição, esta para financiar ou angariar fundos para a aquisição de equipamentos, proposta essa aceite e já em andamento!
Temos mais umas acções em projecto e que logo, logo saltam para a realidade objectiva.
Esta é também uma excelente oportunidade para mostrar o valor e valores da Nossa Cultura, já que por essa data vão estar mais de 20 mil pessoas em Faro num evento realizado anualmente que é a maior concentração de motas da Europa.
O Teatro das Figuras tem a capacidade para 700 pessoas, estas terão um contacto mais directo com o nosso trabalho.
Temos também o prazer de unir esforços com várias escolas e entidades que apoiam e patrocinam.
O programa consiste em duas partes. A primeira é da responsabilidade da própria instituição, com actuação dos utentes, ginástica acrobática e dança contemporânea. A segunda com demonstrações de coreografia do Método DeRose e actuação dos Sankalpa.
Quero aproveitar para agradecer a todas as pessoas que nos apoiam e colegas de trabalho, que dedicarão o seu tempo a esta causa nobre!
A todos o nosso Muito Obrigado!

Aproveito também para divulgar a nossa Algarve DeRose Party, logo no dia seguinte, aberta aos amigos, colegas, alunos e amigos dos amigos.
Vai ser numa casa espectacular em Estoi, no campo e a uns 15 minutos da praia. Começa às 15h, por isso podem levar os fatos de banho e curtir a tarde na piscina com um afternoon cocktail, a festa continua pela noite com jantar volante, artista convidado surpresa e dj para animar ainda mais. O dress code é white e claro será o conceito clean, sem carnes, álcool, fumos ou drogas.
Já sei que vêm umas quantas pessoas do norte e do sul, mas gostaríamos que viessem ainda mais, aproveitando a junção das duas federações para estreitar laços num ambiente super descontraído e feliz!

Peço desculpa pela extensão da mensagem, mas não sabia muito bem como encurtar tanta informação.

Peço por favor que divulgue esta acção.
Obrigado e gostávamos muuuuuito que o Mestre e Fê estivessem presentes neste momento tão especial!

Um abraço do tamanho do mundo
Nuno Jacob

Visite
http://www.faro-yoga.org/blog/?p=2929
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quarta-feira, 24 de março de 2010 | Autor:

Oi Mestrão

Infelizmente não posso ficar com Frank, mas recebi este video por e-mail e como tinha visto o comentário de Lu Fandinho, lembrei-me do post. “DOG = GOD”

É muito fofo, espero que gostem.

httpv://www.youtube.com/watch?v=H17edn_RZoY

Beijos

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Que vídeo mais doce! Como o desenhista conseguiu reproduzir a fisionomia do cão a cada sentimento expressado!… Ele deve ter um e amá-lo muito. Gostei da interpretação da cantora quando diz que o cachorro “dança” alegremente no seu retorno. É de emocionar a quem tem amor por esses anjinhos peludos.

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sábado, 12 de dezembro de 2009 | Autor:

Como funciona a psicoterapia

A mecânica curativa da psicoterapia está no paciente e não no terapeuta. Para curar-se da maior parte das pequenas neuroses e distúrbios emocionais basta uma decisão tomada em profundidade, com toda a vontade de curar-se aflorando do seu ser, uma vontade que venha com toda a sinceridade lá do fundo da alma.

O problema é que a maioria das pessoas não sabe como gerar essa vontade sem a ajuda de um rito. O rito é representado pela decisão de procurar ajuda e aceitar pagar por ela. É a decisão de sair de casa duas a três vezes por semana, especialmente para conceder-se um tempo a fim de cuidar especialmente das idiossincrasias do seu psiquismo. É o poder dispor de alguém para catalisar a sua reação.

O número de charlatães que estão aí no mercado, clinicando, sem formação alguma e até portadores de psicopatias graves é assustador. No entanto, seus pacientes melhoram, alguns curam-se e quase todos saem elogiando o vigarista. A que se deve isso?

Deve-se ao poder de autocura já mencionado no capítulo A capacidade de autocura do organismo. No caso da psicoterapia, o terapeuta muitas vezes é o placebo. Podia ser um psicanalista de linha freudiana ou um de linha anti-freudiana; podia ser um tarólogo ou um homeopata; podia ser um instrutor de Yôga ou um acupunturista. Não importa quem vai ser o deflagrador da reação. O que importa é que seja pago, custoso e sistemático. Estes três fatores devem estar presentes:

a)   é imprescindível o fator prioridade, sua proposta tem que ser séria e estar acima de qualquer outro compromisso profissional, social, esportivo ou afetivo;

b)  é preciso que a medida tomada seja rítmica, constante, subordinada a uma disciplina;

c)   e é necessário que haja um sacrifício envolvido, que pode ser financeiro ou outro.

Por isso, as promessas, novenas e outros procedimentos religiosos também funcionam para uma determinada faixa cultural. Sai muito mais barato que as três sessões semanais à razão de mais de cem dólares por consulta, o que resultaria em, no mínimo, mil dólares por mês.

Portanto, se você for uma pessoa esclarecida e quiser fazer psicoterapia e, ao mesmo tempo, uma bela economia, elabore uma rotina ou, se preferir, um ritual, duas ou três vezes por semana, que exija um deslocamento físico para um outro local, um preço a ser pago e um compromisso com caráter de prioridade Que tal um grupo de meditação? Já pensou em praticar Yôga? Mas também pode ser dança de salão, tênis ou golfe.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009 | Autor:

O que é o Yôga?

(Extrato de um capítulo do livro Tratado de Yôga)

Certa vez um famoso bailarino improvisou alguns movimentos instintivos, porém, extremamente sofisticados graças ao seu virtuosismo e, por isso mesmo, lindíssimos. Essa linguagem corporal não era propriamente um ballet, mas, inegavelmente, havia sido inspirada na dança.

A arrebatadora beleza da técnica emocionava a quantos assistiam à sua expressividade e as pessoas pediam que o bailarino lhes ensinasse sua arte. Ele assim o fez. No início, o método não tinha nome. Era algo espontâneo, que vinha de dentro, e só encontrava eco no coração da­queles que também haviam nascido com o galardão de uma sensibili­dade mais apurada.

Os anos foram-se passando e o grande bailarino conseguiu transmitir boa parte do seu conhecimento. Até que um dia, muito tempo depois, o Mestre passou para os planos invisíveis. Sua arte, no entanto, não morreu. Os discípulos mais leais preservaram-na intacta e assumiram a missão de retransmiti-la. Os pupilos dessa nova geração compreenderam a importância de tornar-se também instrutores e de não modificar, não alterar nada do ensinamento genial do primeiro Mentor.

Em algum momento na História essa arte ganhou o nome de integri­dade, integração, união: em sânscrito, Yôga! Seu fundador ingressou na mitologia com o nome de Shiva e com o título de Natarája, Rei dos Bailarinos.

Esses fatos ocorreram há mais de 5000 anos a Noroeste da Índia, no Vale do Indo, que era habitado pelo povo drávida. Portanto, vamos estudar as origens do Yôga nessa época e localizar sua proposta original para podermos identificar um ensinamento autêntico e distingui-lo de outros que estejam comprometidos pelo consumismo ou pela inter­ferência de modalidades alienígenas e incompatíveis.

Tanto o Yôga, quanto o Tantra e o Sámkhya[1] foram desenvolvidos por esse povo admirável. Sua civilização, uma das mais avançadas da anti­guidade, ficou perdida e soterrada durante milhares de anos, até que os arqueólogos do final do século xix encontraram evidências da sua existência e escavaram dois importantes sítios arqueológicos onde descobriram respectivamente as cidades de Harappá e Mohenjo-Daro. Depois, foram surgindo outros e outros. Hoje já são milhares de sítios, distribuídos por uma área maior que o Egito e a Mesopotâmia.

Ficaram impressionados com o que encontraram. Cidades com urba­nismo planejado. Ao invés de ruelas tortuosas, largas avenidas de até 14 metros de largura, cortando a cidade no sentido Norte-Sul e Leste-Oeste. Entre elas, ruas de pedestres, nas quais não passavam carros de boi. Nessas, as casas da classe média tinham dois andares, átrio interno, instalações sanitárias dentro de casa, água corrente! Não se esqueça de que estamos falando de uma civilização que floresceu 3000 anos antes de Cristo.

Não era só isso. Iluminação nas ruas e esgotos cobertos, brinquedos de crianças em que os carros tinham rodas que giravam, a cabeça dos bois articulada, bonecas com cabelos implantados, imponentes celeiros que possuíam um engenhoso sistema de ventilação, e plataformas elevadas para facilitar a carga e descarga das carroças.

Noutras culturas do mesmo período, as construções dos soberanos apresentavam opulentos palácios e majestosos túmulos reais, enquanto o povo subsistia em choupanas insalubres. Na cultura dravídica, ao contrário, o povo vivia bem e a arquitetura da administração pública era despojada.

Outra curiosidade foi expressada por Gaston Courtillier em seu livro Antigas Civilizações, Editions Ferni, página 24, quando declarou: “Ficamos verdadeiramente admirados de, nesses tempos profundamente religiosos, não encontrarmos templos ou vestígios da estatuária que os povoaria, como foi regra noutros lugares durante toda a antiguidade, nem sequer estatuetas de adoradores em atitude de oração diante de sua divindade”. Para nós isso faz sentido, afinal, sabemos que na Índia Antiga, o Sámkhya teve seu momento de esplendor. E na Índia pré-clássica, a variedade Niríshwarasámkhya, foi ainda mais fortemente naturalista que o Sámkhya Clássico.

Sua sociedade foi identificada como matriarcal, o que também está coerente com as nossas fontes, segundo as quais o Yôga surgiu numa cultura tântrica.

Cavando mais, os arqueólogos descobriram outra cidade sob os escombros da primeira. Para sua surpresa, mais abaixo, outra cidade, bem mais antiga. Cavaram mais e encontraram outra cidade embaixo dessa. E mais outra. E outra mais. O que chamava a atenção era o fato de que, quanto mais profundamente cavavam, mais avançada era sua tecnologia, tanto de arquitetura quanto de utensílios. Até que deram com um lençol d’água e precisaram parar de cavar mais fundo. O que nos perguntamos é: quantas outras cidades haveria lá por baixo e quão mais evoluídas seriam elas?[2]

Bem, foi nessa civilização que o Yôga surgiu. Uma civilização tântrica (matriarcal) e sámkhya (naturalista).

Cerca de mil e quinhentos anos depois, a Civilização do Vale do Indo foi invadida por um povo sub-bárbaro proveniente da Europa Central, os áryas ou arianos. Consta, na História atual, que estes subjugaram os drávidas, destruíram sua civilização, absorveram parte da sua cultura, exterminaram quase todos os vencidos e escravizaram os poucos sobreviventes. Outros fugiram, migrando para o extremo sul da Índia e Srí Lanka, onde vivem seus descendentes até hoje, constituindo a etnia Tamil[3].

O Yôga foi produto de uma civilização não guerreira, naturalista e matriarcal. A partir de mais ou menos 1500 a.C. foi absorvido por um outro povo que era o seu oposto: guerreiro, místico e patriarcal. Cerca de mil e duzentos anos após a invasão (o que não é pouco), esse acervo cultural foi formalmente arianizado mediante a célebre obra de Pátañjali, o Yôga Sútra. Estava inaugurada uma releitura desta filosofia que, a partir de então, passaria a ser conhecida como Yôga Darshana, ou Yôga Clássico, a qual propunha nada menos que o oposto da proposta comportamental do verdadeiro Yôga em suas origens dravidianas. O Yôga dos drávidas era matriarcal, sensorial e desrepressor, numa palavra, ele era tântrico. Essa nova interpretação arianizada era patriarcal, antissensorial e repressora, ou seja, brahmáchárya.

O mais interessante nesse processo de deturpação é que se não fosse Pátañjali, o Yôga teria desaparecido dos registros históricos. Graças a ele, que obviamente era bem intencionado e sábio, hoje sabemos da existência de sua codificação do Yôga Clássico. Os arianos discriminavam tudo o que fosse tipicamente dravídico devido à característica matriarcal considerada subversiva pela sociedade, estritamente patriarcal dos áryas. Adaptando o Yôga para a realidade ariana então vigente, Pátañjali conseguiu que a sociedade e os poderes constituídos da época o aceitassem. Com isso, tal tradição foi preservada e pôde chegar até os nossos dias.

Na Idade Média, o Yôga sofreu outra grave deformação, quando o grande Mestre de filosofia Vêdánta, Shankaráchárya, converteu grande parte da população. Esse fato se refletiu no Yôga, pois, uma vez que a maioria dos indianos tornara-se vêdánta[4], ao exercer o Yôga a opinião pública e suas lideranças passaram a conferir um formato espiritualista[5] ao Yôga que, desde as origens e mesmo no período clássico, era fundamentado na filosofia Sámkhya, naturalista.

No século XX o Yôga sofreu mais um duro golpe: foi descoberto pelo Ocidente e… ocidentalizado, é claro. Tornou-se utilitário, consumista, algo amorfo, feio e maçante.

A um Yôga legítimo é lindo de se assistir, é fascinante de se praticar e é excelente como filosofia de vida. É dinâmico, é forte, é para gente jovem[6]. Todos os que nos visitam e assistem ao vídeo de apresentação do método ficam boquiabertos e comentam a mesma coisa: imaginavam que o Yôga fosse algo parado, a ponto de requerer paciência, ou algo supostamente indicado para a terceira idade! Ora, se alguém na terceira idade resolver iniciar a prática de um Yôga verdadeiro corre o risco de ter uma síncope. E se for um Yôga inautêntico, fruto de sucessivas simplificações, adaptações acumulativas e ocidentalizações inescrupulosas, então não vale a pena denominar de Yôga essa anomalia.

O problema é que muita gente sem certificado de instrutor atirou-se a lecionar e, como não possui repertório de técnicas, mistura um pouco de ginástica, outro tanto de esoterismo, um quê de hipnose, uma pitada de espiritismo, algo da linguagem do tai-chi, uns conceitos macrobióticos, tudo isso temperado com atmosfera de terapias alternativas e embalado para consumo em voz macia, com música new-age. Para o leigo, que não tem a mínima ideia do que seja o Yôga, a não ser uma visão estereotipada e falsa, aquela miscelânea inverossímil satisfaz. Só que ela, de Yôga mesmo que é bom, não tem nada.

Não devemos esquecer de que a palavra Yôga significa integridade. É preciso que seus representantes sejam íntegros. Por isso, nos próximos capítulos você vai ter a satisfação de conhecer uma modalidade fascinante, lindíssima, extremamente agradável de se praticar e com uma carga de resultados capaz de deixar qualquer um perplexo. É o SwáSthya, o próprio Tronco Pré-Clássico, pré-ariano, pré-vêdico, proto-histórico, o Yôga de Shiva, ultra-integral, com todas as suas características Tántrika e Sámkhya preservadas e mais: sua execução lembrando uma dança, resgatada das camadas mais remotas do inconsciente coletivo!

Evidências da existência do Yôga Primitivo

Nada nasce já clássico

Em nossos estudos e mais de 20 anos de viagens à Índia detectamos um erro gravíssimo cometido pela maior parte dos autores de livros e pela maioria dos professores. Declaram eles com frequência que o mais antigo é o Yôga Clássico, do qual ter-se-iam originado todos os demais. É muito fácil provar que estão sofrendo de cegueira paradigmática. Para começo de conversa, nada nasce já clássico. A música não surgiu como música clássica. Primeiro nasceu a música primitiva que foi origem de todas as outras até que, muito tempo depois, apareceu a música clássica. A dança é outro exemplo eloquente. Primeiro surgiu a dança primitiva que deu origem a todas as outras modalidades e precisou consumir milhares de anos até chegar a um tipo chamado dança clássica. Nada nasce já clássico. E assim foi com a nossa tradição ancestral. Inicialmente, nasceu o Yôga Primitivo, Pré-Clássico, pré-ariano, pré-vêdico, proto-histórico. Ele precisou se transformar durante milhares de anos para chegar a ser considerado Clássico. Provado está que o Yôga Clássico não é o mais antigo, consequentemente, não nasceram dele todos os demais – o Pré-Clássico, por exemplo, não nasceu dele.

Além dessa demonstração, nas escavações em diversos sítios arqueológicos foram encontradas gravações em selos de pedra com posições de Yôga muito anteriores ao período clássico. Textos que precederam essa época já citavam o Yôga.

É interessante porque, ao mesmo tempo em que todos os autores afirmam que o Yôga tem mais de 5000 anos de existência, a maioria declara que o mais antigo é o Clássico, o qual foi surgir apenas no século terceiro antes da Era Cristã, criando uma lacuna de 3000 anos, o que constitui incoerência, no mínimo, em termos de matemática!

Mas como doutos escritores e Mestres honestos puderam cometer um erro tão primário?

Acontece que a Índia foi ocupada pelos áryas, cujas últimas vagas de ocupação ocorreram a cerca de 1500 a.C. Isso foi o golpe de misericórdia na Civilização do Vale do Indo, de etnia dravídica. Conforme registraram muitos historiadores, os áryas eram na época um povo nômade guerreiro sub-bárbaro. Precisou evoluir mil e quinhentos anos para ascender à categoria de bárbaro durante o Império Romano. A Índia foi o único país que, depois de haver conquistado a arte da arquitetura, após a ocupação ariana passou séculos sem arquitetura alguma, pois seus dominadores sabiam destruir, mas não sabiam construir, já que eram nômades e viviam em tendas de peles de animais.

Como sempre, “ai dos vencidos”. Os arianos aclamaram-se raça superior (isto lembra-nos algum evento mais recente envolvendo os mesmos arianos?) promoveram uma “limpeza étnica” e destruíram todas as evidências da civilização anterior. Essa eliminação de evidências foi tão eficiente que ninguém na Índia e no mundo inteiro sabia da existência da Civilização do Vale do Indo, até o final do século XIX, quando o arqueólogo inglês Alexander Cunningham decidiu investigar umas ruínas em 1873. Por isso, as Escrituras hindus ignoram o Yôga Primitivo e começam a História no meio do caminho, quando esse nobre sistema já havia sido arianizado.

Tudo o que fosse dravídico era considerado inferior, assim como o fizeram nossos antepassados europeus ao dizimar os aborígines das Américas e usurpar suas terras. O que era da cultura indígena passou a ser considerado selvagem, inferior, primitivo, indigno e, até mesmo, pecaminoso e sacrílego. Faz pouco menos de quinhentos anos que a cultura européia destruiu as Civilizações Pré-Colombianas e já quase não há vestígio das línguas (a maioria foi extinta), assim como da sua medicina, das suas crenças e da sua engenharia que construiu Machu Picchu, as pirâmides da América Latina, os templos e as fortalezas, cortando a rocha com tanta perfeição sem o conhecimento do ferro e movendo-as sem o conhecimento da roda.

Da mesma forma, na Índia, após 3500 anos da ocupação ariana, não restara vestígio algum da extinta Civilização Dravídica. O Yôga mais antigo? “Só podia ser ariano!” Descoberto o erro histórico há mais de cem anos, já era hora de os autores de livros sobre o assunto pararem de simplesmente repetir o que outros escreveram antes dessa descoberta e admitirem que existira, sim, um Yôga arcaico, Pré-Clássico, pré-vêdico, pré-ariano, que era muito mais completo, mais forte e mais autêntico, justamente por ser o original.

De fato, uma vez que a opinião tinha um bom número de vozes que a aceitavam, os que vieram depois supuseram que só podia ter tantos seguidores pelo peso concludente de seus argumentos. Os demais, para não passar por espíritos inquietos que se rebelam contra opiniões universalmente aceitas, são obrigados a admitir o que todo o mundo já aceitava. Daí para a frente, os poucos que forem capazes de julgar por si mesmos se calarão. Só poderão falar aqueles que sejam o eco das opiniões alheias, por serem totalmente incapazes de ter um juízo próprio. Estes, aliás, são os mais intransigentes defensores dessas opiniões. Estes odeiam aquele que pensa de modo diferente, não tanto por terem opinião diversa da dele, mas pela sua audácia de querer julgar por si mesmo, coisa que eles nunca conseguirão fazer e estão conscientes disso. Em suma, são muito poucos os que podem pensar, mas todos querem dar palpite. E que outra coisa lhes resta senão tomar as opiniões de outros em lugar de formá-las por conta própria? Como isto é o que sempre acontece, que valor pode ter a voz de centenas de milhões de pessoas? Valem tanto quanto um fato histórico que se encontre registrado por cem historiadores, quando, na verdade, todos se copiaram uns aos outros, e tudo se resume, em última análise, a um só testemunho.”

Schopenhauer,
citando Bayle em Pensées sus* les Comètes (o negrito é nosso).

* Como alguns leitores corrigiram sus para sur, inserimos aqui a explicação do dicionário Petit Robert de la langue française: Sus [sy(s)] adv. Xe; du latin susum, variante de sursum “en haut” 1. vx Courrir sus à l’enemi, l’ataquer

sexta-feira, 26 de junho de 2009 | Autor:

Agradeço à Zélia que postou este vídeo em seu blog. A linda bailarina Marta Lopes e o sonzaço do conjunto Sankalpa, liderado pelo mano Pedro Lopes, ambos filhos do Prof. Luís Lopes. Parabéns à família.

Família que professa a Nossa Cultura unida, permanece unida.

Mestre, junto envio o link, espero que resulte para o poder postar. Maha, maha abraço…

httpv://www.youtube.com/watch?v=48BFjSuVDLY&feature=player_embedded
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