domingo, 23 de outubro de 2016 | Autor:

Werner Forssmann, nasceu em Berlim a 20 de agosto de 1904. Formou-se em medicina em 1928. Desenvolveu uma teoria que ninguém aceitava: a de que seria possível introduzir uma sonda por via intravenosa e conduzi-la até o interior do coração, sem matar o paciente. Obviamente, não poderia usar cadáveres, pois já estavam mortos. Tentou autorização dos seus superiores no hospital para levar a efeito a experimentação em algum paciente. É claro que não foi autorizado. Então, não podendo utilizar cobaias humanas, usou o seu próprio corpo.

Cortou uma veia do braço e introduziu um cateter (a pronúncia correta é catetér e não catéter) e foi empurrando-o até que atingiu o órgão cardíaco. Para provar que havia conseguido e que tal procedimento não matava o paciente, foi até a sala de raios-x e, sob os protestos dos colegas, bateu uma chapa. Era incontestável! Ninguém poderia questionar sua descoberta que viria a salvar tantas vidas no mundo inteiro. Sua recompensa? Foi tão punido, criticado e atacado que teve de abandonar a cardiologia!
Durante mais de duas décadas não era convidado para nada e se ousasse comparecer a algum congresso tinha que sofrer o constrangimento de ser apontado pelos seus pares como um indesejável. Após 25 anos de humilhações e exclusões, finalmente, o reconhecimento. Em 1956, recebeu o Prêmio Nobel de Medicina.

Bem, tudo isso está aqui apenas para registro. Foram coisas como estas que ocorreram (e ainda ocorrem) comigo. Evidentemente, marcaram-me bastante no passado e devem ter influenciado o norteamento de toda a obra. No entanto, há muitos anos superei quaisquer perplexidades, reivindicações ou indignações. Talvez graças ao amadurecimento proporcionado pela idade e pelas vivências, ou, talvez, porque eu venci. Não conseguiram me fazer desistir, não conseguiram me processar nem prender, não conseguiram me proibir de exercer a minha profissão, não conseguiram que eu ficasse doente e morresse de desgosto como vários casos relatados neste capítulo.

Apesar de ainda haver reflexos das campanhas desencadeadas pelo Yeti e seus prosélitos, elas não conseguem mais nos prejudicar, para decepção e desespero deles.
Atualmente, guardo um sentimento no coração: uma profunda gratidão por tudo e por todos, pelo que me ensinaram e pelo estímulo do desafio.

 Tags:
Categoria: Ser Forte