Lealdade nunca é demais
Certa vez, um grupo de alunos debatia sobre qual seria a melhor técnica: colocar determinado esclarecimento antes ou depois dos mantras? Enquanto a maioria concordava com o procedimento tradicional, alguém defendeu a opinião do professor Fulano, que era divergente.
Nesse ponto interferi chamando-lhes a atenção para o seguinte fato: se você quer saber qual é a forma mais recomendável, é muito simples; basta consultar os livros, CDs e os vídeos do Sistematizador do Método. Se ele coloca tais esclarecimentos depois dos mantras, então essa é a forma mais adequada.
Como é que isso, tão óbvio para alguns, pode ser incompreensível para outros?
Um dia, após ter feito um curso bem agradável com a Profa. Rosângela de Castro, pensei:
– Praticamente todos os anos que eu tenho de vida (a autora tinha, então, 21 anos de idade), Ro tem de Yôga! Imagine a experiência que adquiri desde que nasci até hoje. Os amigos que fiz, os lugares que conheci, as viagens, as escolas, a faculdade e depois a experiência com o Yôga, ter conhecido o Mestre DeRose, participado do seu curso de Formação de Instrutores de Yôga na PUC, e aprendido mais uns milhares de coisas desde então, até ir para Copacabana, dirigir a Sede Histórica que deu origem a tantas coisas. Imagine, todos esses anos que tenho de vida, a Ro tem de Yôga!
E logo em seguida, conversando com o Mestre, conscientizei:
– O tempo que a Ro tem de vida, o Mestre DeRose tem de Yôga!
Foi um insight extremamente ilustrativo do quanto sabe o nosso Mestre e do quanto seu conhecimento é superlativamente incomparável com o nosso. Do quanto não podemos ter nem mesmo ideia de quão imensa é a distância que está entre o nosso entendimento e os horizontes que ele divisa.
Antes de questionar suas afirmações, deveríamos ter a humildade de reconhecer nossos limites.
Você já notou o quanto aprendeu no primeiro ano como instrutor de Yôga? Observou que no ano seguinte aprendeu infinitamente mais? Imagine, agora, quanto você saberá daqui a dez anos de leituras, cursos e viagens!
Pois bem, o Mestre DeRose tem 50 anos de Yôga, leituras, cursos e práticas de uma profundidade e de uma complexidade que nem podemos imaginar; começou a lecionar em 1960, abriu sua primeira unidade em 1964, realizou viagens pelo mundo todo desde 1975 e tem 24 anos de viagens à Índia. Conheceu e estudou com os últimos grandes Mestres de Yôga daquele país. Quanto você acha que ele conhece?
Você acha que alguém que não tenha nem a metade dessa experiência (talvez nem um milésimo dela!) tem condições de discordar ou questionar, seja lá o que for?
Acho que já é tempo de as pessoas serem mais fiéis, mais leais e mais dignas. Nosso Mestre merece esse respeito e consideração.
Vanessa de Holanda




sexta-feira, 10 de abril de 2009 às 3:01
Super interessante! Hoje mesmo, estava pensando nas pessoas que abandonaram a egrégora. Pensei nas palavras que o Rogério Brant, falou na vivência de meditação que ministrou fim-de-semana passado na ilha: _ Se você se acha melhor que todos, isso é auto-hipnose e você ainda não está meditando! Então hoje, relembrando essa frase do Rogério, pensei: _sempre haverá pessoas que sabem mais que eu e outras que sabem menos. As que começaram antes, como a Mah, o Jojó, Rô de Castro, tantos outros, estes sabem mais do que eu ,e ainda sabem menos que o Mestre DeRose, pois sempre terão algo para aprender com ele. Eu por mais anos de SwáSthya que tenha, sempre haverá alguém com maior conhecimento, ou porque está mais tempo, ou porque, estudou mais determinado assunto, para me ensinar! Assim, pensei, será que aquelas pessoas que abandonaram a egrégora, se julgam melhores que o próprio Mestre DeRose, e não precisam mais estar junto dele? Sim, eu sei que o SwáSthya nos proporciona auto-suficiência,o que nos permite fazer a nossa própria prática em casa também! Mas e o sentimento gregário, onde fica? Será que esse sentimento de auto-suficiência, não foi para essas pessoas que deixaram a egrégora, substituído pelo sentimento de ego?
Júlio Silva Reply:
abril 10th, 2009 at 11:53
Querida Regina,
Num post anterior partilhei um texto que no finalzinho termina com: ” É um processo individual, não tenho dúvidas disso. A egrégora multiplica a energia, como é bom ver isso. A árvore cresce com a floresta, e viceversa.”
SwáSthya!
Júlio Silva
Discípulo de João Camacho, Yôgachárya
sexta-feira, 10 de abril de 2009 às 6:21
Cest vrai et incroyable comment beacoup de gens ne pensent pas à cela. Cest simple, observez le systhématisateur, lisez ses livres, et comprennez qu’on a une souce infinite de connaissance vivante et qui peut encore nous transmettre beacoup.
Sonia
sexta-feira, 10 de abril de 2009 às 11:47
Muito bom este texto.
É sempre legal notar que em algumas partes do mundo a barba e os cabelos brancos são sinônimos de experiência e conhecimento.
Uma das coisas mais legais da Nossa Cultura, é a valorização do respeito pelos mais sábios, e consequentemente, do apreço pela hierarquia natural que se cria nesta relação.
Obrigado Vanessa pelas palavras e obrigado a todos os instrutores, diretores, professores e Mestres mais antigos por todos os anos de dedicação à transmissão do nosso Nobre Ideal.
sexta-feira, 10 de abril de 2009 às 13:30
adyashtanga.org
Querido Shrí DeRose,
Em alguns seres humanos noto que a ignorância é atrevida e infelizmente em muitos casos rapidamente galopa, com a ajuda de um ego não domado, para se tornar não só atrevida mas também desleal. Ainda bem que na Nossa Cultura estamos rodeados do contrário
Partilho um link para um video de Celibidache que o meu querido Mestre João Camacho me enviou em tempos. Partilho para sublinhar as palavras da querida Vanessa em que refere “do quanto sabe o nosso Mestre e do quanto seu conhecimento é superlativamente incomparável com o nosso”. Vê-se neste video um homem que sabe, sabe superlativamente. Realço também o que diz Celibidache mesmo no finalzinho, que os críticos ignorantes que sempre vão criticando o que temos de valor, mas depois vêm coisas grandiosas onde nós apenas estavamos a fazer o óbvio
httpv://www.youtube.com/watch?v=2XpupR-z2wI
SwáSthya!
Júlio Silva
Discípulo de João Camacho, Yôgachárya
Júlio Silva Reply:
abril 10th, 2009 at 19:19
Na segunda parte deste vídeo é também fantástico ler tudo o que Celibidache vai dizendo, observo Celibidache a falar de música, o que ele diz de música, de uma orquestra, de conduzir, de sentir a música de forma muito especial, e depois no final refere algo muito lindo, que este mistério não pode ser abordado intelectualmente, que não faz sentido o jornalista perguntar nem ele responder sobre o que ali se passa.
Menciona também os ignorantes atrevidos que nada percebem de música.
Poderia de facto Celibidache estar a falar de Yôga, mas não. Está a falar de música.
httpv://www.youtube.com/watch?v=EMN4-BkXiBc&feature=related
SwáSthya!
Júlio Silva
Discípulo de João Camacho, YôgaChárya
sexta-feira, 10 de abril de 2009 às 13:50
Linda Vanessa. Você tem toda razão! Assim como têm também meu monitor quando usa essas mesmas palavras para ilustrar o quão pequeno ainda somos, e quanto ainda caminharemos em buscar de uma verdadeira metamorfóse e evolução.
Vejo mudanças constantes no meu dia-a-dia, no meu comportamento, na minha visão de trabalho e conceitos sobre o que professamos, mas ainda é uma migalha perto do que pode me ocorrer ao londo dos meus anos de vida junto a tudo o que aprendemos com o Mestre, com vocês Professores mais antigos, com os Presidentes de Federação, com os instrutores que se formaram antes de nós e que merecem também respeito e consideração.
Aprendemos todos, desde o primeiro instante, mas não devemos nunca esquecer de onde provém os ensinamentos, e sem dúvida, se tudo se procede da forma como nos é ensinado, é porque assim deve ser!
Sem questionar, sem modificar, sem adaptar ou criar nada. E quem não estiver feliz ou satisfeito em como a coisa é e deve ser, que então busque pela prática que melhor lhe agradar, não é mesmo?
Beijinhos de SP.
Che
sexta-feira, 10 de abril de 2009 às 13:51
correção de digitação:
- busca
- longo
rsrs… digitar rápido nem sempre é uma vantagem…
bjs
sexta-feira, 10 de abril de 2009 às 16:18
Vanzinha,
muito ilustrativa a sua história. Amo ouví-la, e agora vê-la compartilhando-a. Temos que nos esforçar muito em manter o parampará. Você é o meu exemplo.
Beijos, Juka.
sábado, 11 de abril de 2009 às 11:34
A garra, coragem e fibra necessária para divisar um horizonte como o do Samádhi da montanha que o Mestre descreve no Ser Forte.
Quantos anos luz…..
sábado, 11 de abril de 2009 às 21:39
Não há nada mais lindo que ser leal. Leal quando todos os demais já deixaram de sê-lo. Leal quando todas as evidências apontam contra o seu ente querido, pessoa amada, colega ou companheiro, mas você não teme comprometer-se e mantém-se leal até o fim.
Realmente, não há nada mais nobre que a lealdade, especialmente numa época em que tão poucos preservam essa virtude.
Termino, meio sério meio a brincar, o texto da Profa. Vanessa de Holanda é de Mestra.
Um abraço grande e forte
segunda-feira, 13 de abril de 2009 às 19:43
O texto é realmente incrível e me toca sempre que o leio. Lembro do Mestre dizendo algo na linha de que as piores traições vieram justamente daqueles que estavam mais próximos. Acho que porque se esqueceram de que o mero fato de compartilhar a intimidade do Mestre ou dos instrutores mais antigos não faz com que a pessoa tenho o mesmo nível de conhecimento sobre o SwáSthya. Talvez se trabalhássemos com Karatê e não com Yôga não haveria dúvidas sobre o adiantamento de cada um, hehe. É preciso manter a humildade sempre.
Aproveitando a deixa do Juka, também me espelho em você, querido amigo. Lembro que quando comecei você já tinha uns 7 anos de prática, e mesmo assim se declarava um iniciante – estou seguro de que ainda hoje você realmente se considera um iniciante. Essa postura, e sua dedicação constante a melhorar, sempre foram referência para mim.
E para que todos fiquem tranquilos, estou cuidando muito bem da Van, que é um patrimônio do SwáSthya!
Beijos!