quinta-feira, 19 de março de 2009 | Autor:

Tenho notado que vários colegas escrevem nos seus blogs, nos seus sites e aqui mesmo no nosso, substantivos comuns com maiúsculas só por serem sânscritos. Mas, pense bem: se a palavra roda em português, francês, inglês, espanhol, não se escreve com inicial grande, por que escrever Chakra com inicial maiúscula? Já li aqui as palavras pújá, sádhana, yôgin, shakta e outras, todas grafadas Pújá, Sádhana, Yôgin, Shakta, assim escritas até – pasme – por instrutores! Por quê?

Conforme já expliquei em vários livros, entre eles, o Tratado de Yôga, só devemos escrever com iniciais maiúsculas se for nome próprio (de pessoa, de lugar) ou em começo de frase. É interessante porque esse fenômeno não ocorre só no Brasil, mas já o observei em vários países. Só pode haver uma explicação plausível para essa “conspiração”: o bendito inconsciente coletivo ou memética (procure memética no Google).  

O sânscrito é uma língua ariana. A língua dos arianos hoje é o alemão. E, curiosamente, no alemão ocorre de se utilizarem iniciais maiúsculas para substantivos comuns! Não é mesmo intrigante? De fato, no alemão ocorrem vários fenômenos linguísticos que já ocorriam no sânscrito, como por exemplo a aglutinação de várias palavras que acabam formando um único vocábulo enorme (veja, por exemplo, o nome completo do nosso Yôga: Dakshinacharatántrika-Niríshwarasámkhya Yôga).

No entanto, no sânscrito, escrito no seu próprio alfabeto (o dêvanágarí), não existem maiúsculas! Logo, não há motivo para aplicá-las indiscriminadamente, para qualquer palavra, na transliteração para o alfabeto latino.

Agora, sabendo tudo isto, estou certo de que você só vai usar iniciais maiúsculas nos casos em que no português, espanhol, francês, inglês, você também as usasse, não é mesmo?

A linguista Judith Estrela ensina em sua obra Saber escrever, saber falar, que palavras comuns podem ser grafadas com inicial maiúscula quando quisermos lhe conferir mais respeito ou carinho. Esse é o caso do Yôga, da Nossa Cultura, da Federação etc. Eu escrevo sempre Karatê, Kung-Fu, Aikidô, Tai-Chi com iniciais maiúsculas por reverenciar essas artes.

Por favor, revolva o seu blog e seu site para depurá-los da síndrome de maiusculite aguda!

  1. Autor: Dwayne

    Estoy en trabajando en la computador y me anuncia “nuevo post de DeRose, ‘Ah! Hoje não batemos o recorde’”
    Que privilegio recibir al instante estos pensamientos…

    Sigo trabajando en la computador y… nuevo post! A las 0226hs :-D

    Este blog es un verdadero privilegio que espero cada día más gente sepa aprovechar.

    Franco |

    ¡Hola Instructor Dwayne!… que gusto saludarlo.

    Recuerdo hayar una coreografía suya en Youtube que me fascinó. La voy a ubicar nuevamente para comentarle….

    Instructor: ¿me puede escribir cómo puedo hacer para que la PC me anuncie un nuevo ¨post¨ y me mantenga al tanto de los ¨records¨ del Blog del Mestre DeRose?

    Se lo voy agradecer bastante….

    ¡Todo de Ôm para você instructor!

    F.

    Dwayne |

    @Franco
    Hola Franco!
    Lo que tenés que hacer es suscribirte al RSS (http://feedproxy.google.com/blogdoderose)
    Haciendo click en ese link vas a recibir un varias opciones y ayuda para elegir en qué sitio recibir la suscripción.

    A mi me gusta el GoogleReader (http://reader.google.com) en el cuál ya tenés una cuenta si estas suscripto a GMail.

    Lo interesante es usarlo con un Add-on de FireFox que se llama “Google Reader Watcher” que te avisa cuando hay nuevos posts sin que precises entrar a cada rato a verificar.
    Hay otras opciones.

    Lo que no recibís en el RSS son los comentarios para lo cuál tenés que entrar acá al blog si o si.

    Abrazo

  2. Também ouvi dizer que não se deve escrever as palavras sânscritas em letra cursiva. Eu jamais as escrevi, pois sempre achei mais legível e bonito escrevê-las em letras de forma. Entretanto, vejo que muitas pessoas ainda o fazem.

  3. Gracias Maestro por esta aclaración.
    La verdad nunca me había quedado “tan claro” el por qué no usar mayúsculas para los sustantivos comunes.

    Me encanta tu blog!!!!

    Un gran abrazo

  4. Autor: Everton

    Obrigado Mestre, sempre tão esclarecedor, interessante ver que uma lingua de origem ariana, apesar de todo o o conflito drávida x ariano, acabou por ser incorporada como língua mântrika no yôga, e as diversas línguas dravidianas, existentes ainda hoje na Índia, os sânscritistas chamam de prakritis ou línguas da natureza, tudo a ver com um povo naturalista e descomplicado. Interressante a conjuntura, nos mostra até um pouco do caráter do mantra no yôga, que como nos ensina o Mestre é criação dos drávidas.

  5. Autor: DeRose

    É, Everton, mas Yôga é com maiúscula, por o ser o nome da Nossa Cultura. Eu sempre escrevo Karatê, Kung-Fu, Aikidô, Tai-Chi, por respeito a essas artes. Na verdade, segundo a linguista Judith Estrela, podem-se aplicar minúsculas no uso normal e maiúsculas no nosso caso, de querer conferir maior deferência.

  6. Autor: Everton

    Baah, fui no embalo de escrever e acabei fazendo isso, foi mal Mestre.

  7. Autor: João Camacho

    Querido Mestre

    Obrigado pelos seus esclarecimentos.
    A propósito da forma de escrever o sânscrito, não sei qual a melhor forma de transliterar a palavra áshram? Desta forma, como aparece na 1.ª edição do «Yôga. Mitos e Verdades» de 1992, no índice remissivo e também nas pág.s 91, 174, 175, 176, 181 e 234, assim como em «La pratique de la méditation», de Swámi Shivánada? Ou ashrám ou ashram, como surge, na muito mais recente edição «Quando é Preciso Ser Forte», 37.ª edição, 2008, na pág. 190? Desculpe fazê-lo perder tempo com esta minha dúvida.
    SwáSthya
    João Camacho

  8. Autor: DeRose

    Estimado Camacho. Dê preferência sempre à última versão dos livros, pois durante a caminhada vou aprendendo, vou revisando e vou também sendo informado pelos colegas a respeito de novas fontes. Áshram é a pronúncia inglesa. Ashram é como escrevo na última versão do Ser Forte, 39a. edição. Ashrám é como indico para que a pronúncia saia correta. Esta é a forma como encontramos na Índia, falante de hindi, língua que tende a suprimir a última vogal se ela não for forte. No sânscrito, existe um a no final, ashrama. Preciso confirmar se, nesse caso, levaria acento, ashráma. Meu consultor de grafia é o supervisionado Marco Carvalho, que tem realizado pesquisas muito interessantes nessa área. Vamos ver o que ele nos diz a respeito. É sempre um prazer trocar idéias com o amigo Camacho.

  9. Autor: João Camacho

    Obrigado Mestre, pelo esclarecimento e pela sua amizade, pela qual tenho todo o apreço.
    SwáSthya

  10. Olá Mestre,

    Parabéns pelo blog! É extremamente rico e entusiasmante. Desculpe, mas queria só fazer uma pequena correcção ao nome da linguista e autora do livro Saber Escrever, saber falar. É Edite Estrela, em vez de Judith Estrela.
    Um abraço do tamanho do Universo!

  11. Autor: DeRose

    Obrigado, António. Um beijo cheio de saudade ao meu amigo para toda a vida e para todas as vidas.

  12. Autor: Anahí

    Muito interesante essa relacão do sánscrito com o alemão.
    Com certeça é importante ter tudo isso presente. Nos livros dos nossos colegas que reviso, não é estranho encontrar este tipo de erros, porém acho que mais por descuido que outra coisa.
    Beijinhos.
    Anahí

    E por falar de livros, quero compartilhar com vocês um pequeno texto meu. Não tem a ver com Yôga- ou seja, o assunto não é filosofía-, porém acho que qualquer coisa que eu ou qualquer pessoa da Rede escreva terá um aroma da Nossa Cultura, não é?
    É um pequeno texto sobre “locais ideais para ler” em Buenos Aires (atenção que é em broma, eu não recomendo aquele local que aparece no texto, hahaha).
    Beijos a todos,
    Anahí
    http://www.plume.com.ar/newsletter/03-09/columnista.html

  13. Toujours à nous apprendre quelque chose :)
    je t’embrasse bien fort
    ici de la ville lumière qu’aujourd’hui est baigné de soleil
    Sonia

  14. Certo dia quando eu explicava como traçar SwáSthya em dêvanágari, uma aluna disse: “devia ter aqueles tracejados que a gente usa quando está aprendendo a escrever”. Achei que poderia ser uma boa ideia. Usei como base a fonte que usamos.

    http://swasthya.marcocarvalho.com/wp-content/2009/03/como-escrever-swasthya-em-devanagari.png

    O que acha da idéia Mestre?

    Marco Carvalho |

    ah! E já deixei em uma proporção que caiba em uma A4.

    Alexandre Montagna |

    Muito bom, Marco. Parabéns!

  15. Pingback: expectativas dentro dos relacionamentos afetivos

  16. Mestre querido, fiquei com uma dúvida. Sei que podemos economizar ao máximo esta utilização de maiúsculas, mas e quando é o título de algum evento em que todas as iniciais encontram-se em letras maiúsculas, mesmo nos termos não sânscritos? Pode-se usar?

    Um beijo! Saudades!

    DeRose |

    Para enfatizar a não-utilização de iniciais maiúsculas nos substantivos comuns do sânscrito, chego ao extremo de usar minúsculas até em circunstâncias em que isso não deveria ser praticado. Outro recurso é náo começar a frase com sânscrito. Por exemplo: “Pújá é demonstração de nobreza”. Prefiro usar: “O pújá é demonstração de nobreza.” Qual era o título que você tinha em mente?

Deixe um Comentário

Equipe de Desenvolvimento:

Daniel Cambría   |   Coordenação Geral http://www.facebook.com/danielcambria

Tiago Pimentel   |   Layout & Identidade Visual https://www.facebook.com/tiagopimentel http://www.flickr.com/designinabox

Alex William   |   Programação Visual (Front End) http://www.facebook.com/alex.brasileiro http://www.artinblog.com

Douglas Gonzalez   |   Programação Back End http://www.facebook.com/douglas.s.gonzalez

Visite o Office em facebook.com/officemetododerose