Numa tarde ensolarada na cidade de São Paulo, terminei minha aula de Aikidô com o Mestre Ricardo Leite – um jovem de vinte e tantos anos na época – e dirigi-me ao meu curso de xadrez com o Mestre Ángel Gutiérrez. Mestre daqui, Mestre dali, comecei a caminhar pela rua pensando com os meus botões: todo o mundo aceita serenamente que meu professor Ricardo Leite seja Mestre de Aikidô. Ninguém questiona o título de Mestre que a Federação de Xadrez concedeu ao Ángel Gutiérrez. Por que será que meu título de Mestre de Yôga parece perturbar algumas pessoas?
Durante 40 anos de ensino, fui o Prof. DeRose e não houve problemas. Ninguém me incomodou nem questionou o título de professor, desde a juventude em 1960 quando comecei a dar aulas e entrevistas, até o ano 2000. Depois de velho, quando recebi o título de Mestre começaram os problemas. Desconfianças, insultos, entrevistas insolentes, exclusões sistemáticas… É como se as pessoas se sentissem ultrajadas pelo fato de um profissional de Yôga ostentar o mesmo grau que tantos outros profissionais exibem sem causar nenhuma revolta. Ora, o próprio CBO – Catálogo Brasileiro de Ocupações, do Ministério do Trabalho, relaciona mais de trinta profissões com o título de Mestre, entre elas, Mestre de Corte e Costura, Mestre de Charque, Mestre de Águas e Esgotos etc. Mas de Yôga não pode. Por quê?
Afinal, nem tenho vinte e tantos anos de idade como o Mestre de Tai-Chi ou de Karatê, tenho quase setenta e as barbas brancas. Oficialmente, estou na terceira idade, os cinemas me concedem ‘meia-entrada de idoso’, sou avô e, a qualquer momento, bisavô! Por que a sociedade admitiria sem problemas que com um terço da minha idade eu fosse Mestre de Reiki, ou Mestre de Obras, ou Mestre de Capoeira, mas cobra-me sistematicamente explicações quanto ao meu título legítimo de Mestre em Yôga?
Chega a soar ridículo quando alguém me diz, ou a algum aluno meu: ‘Mestre? Como assim, Mestre?’ Alguns estudantes respondem à altura, declarando que tratam de Mestre os professores das suas respectivas faculdades, portanto não entendem o que o interlocutor está querendo insinuar. Mas outros deixam-se intimidar e não sabem o que redarguir. Daí, a necessidade deste artigo.
Um coronel usa o título antes do nome, Cel. fulano e é chamado coronel ou meu coronel. Um médico usa o título antes do nome, Dr. sicrano e é tratado por doutor ou senhor doutor[1]. Um padre usa o título antes do nome Pe. beltrano e é chamado padre. O pastor é chamado de Rev. mengano e é tratado por reverendo. O juiz é tratado por Meritíssimo e o reitor por Magnífico Reitor. O mestre de Aikidô é tratado por Sensei e o mestre de capoeira é tratado por Mestre. O Mestre Maçom instalado é chamado de Venerável Mestre. No entanto, em se tratando de Yôga paira um preconceito lancinante que gera logo a predisposição para questionar quem use seu título legítimo.
Pessoalmente, gosto muito de chamar o contestador à razão, comparando-me aos Mestres de profissões humildes e até iletradas. Quando alguém me cobra acintosamente o direito ao título, prefiro perguntar se ele faria essa cobrança ao Mestre de Capoeira ou ao Mestre de Jangada. Pois, se não o faria, mas faz-me a mim, trata-se inequivocamente de uma discriminação.
Agora, tantos anos depois, com cinco títulos de Mestre não-acadêmicos, conferidos por duas universidades brasileiras, duas européias e uma faculdade paulista, várias Comendas e alguns títulos de Doutor Honoris Causa (o mais recente pelo Complexo de Ensino Superior de Santa Catarina) algo me diz que já não preciso ostentar nenhum deles. Interiormente, sinto que foram extrapolados.
Particularmente, não faço questão de título algum. Quiçá, hoje, meu nome já representa uma carga de autoridade que se basta por si mesma. Não obstante (que ironia!), agora as instituições, as autoridades e os Governos fazem questão de me tratar por Comendador e por Mestre!
“Na minha terra, as mãos produzem comida, e a cabeça, confusão.”
Mestre Vitalino, artesão nordestino,
que um jornalista do Sudeste se recusou a chamar de mestre
porque nenhuma universidade na época possuía mestrado em artesanato.
[1] O mais curioso é que os médicos e os advogados não são doutores, pois, via de regra, não fizeram doutorado! Não obstante, todos os tratam por doutor e ninguém implica com isso. Ninguém os confronta, desacatando-os: “Como é que você ostenta um título que não tem?” Pergunto-me qual seria a reação das pessoas se isso acontecesse com um profissional da nossa área.
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Caro Sr. DeRose, sem comentar a pretensa ostentação do prenome “Mestre” defendido por si, cumpre informar que os advogados são tradicionalmente chamados de doutores por força do “Título” que lhe foi concedido por Dom Pedro I, em 1827, por meio do Decreto Imperial, sendo que tal Título, por óbvio, não colide com com o previsto na Lei nº 9.394/96 (Diretrizes e Bases da Educação), o qual é avaliado e concedido pelas Universidades aos acadêmicos em geral. Ninguém confronta o título de doutor tradicionalmente utilizado por advogado, eis que foi determinado por Lei, ou melhor, Decreto Imperial. Dessa forma, por questão de coerência, sugiro que, no mínimo, retifique a nota [1] do aludido texto de modo a adequá-la aos fatos apontados. Um grande abraço…
rafaeln
fontinele2000@gmail.com
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Estimado Rafael. O Decreto Imperial aludido é do meu conhecimento. Contudo, como não estamos mais no Império, reservo-me o direito de não concordar com ele. Por outro lado, continuo apresentando meus advogados como “Doutor Fulano” e igual tratamento concedo aos meus médicos por mera liberalidade. Não vejo utilidade em confrontar os profissionais que estão procurando fazer o seu trabalho da melhor forma possível, sejam eles advogados, médicos ou profissionais da nossa área. No entanto, a nota preserva o seu valor de esclarecimento, já que a população não sabe daquela curiosidade. Retribuo sua gentileza com um abraço apertado.
Post-scriptum: Como o estimado amigo deve ter lido no artigo, não defendo nenhuma “pretensa ostentação do prenome (sic) Mestre”, pois declaro expressamente no último parágrafo do texto: “Particularmente, não faço questão de título algum”.
Também não afirmo em parte alguma que meu prenome deva ser aquele, pois, como nos esclarece o Dicionário Houaiss, prenome é “nome de um indivíduo, que antecede o nome de família; nome de batismo, antenome”.
Mas, por favor, não veja nesta argumentação nenhuma animosidade. Minha intenção é apenas a de me dispor ao diálogo, bem como prestar consideração e respeito ao nosso leitor e colaborador.






Olá. Tenho um especial com as frases de Jesus, segue o link: http://www.quemdisse.com.br/tema.asp?tema=17&t=frases-evangelicas .
Obrigado.
Agradecer na forma de costume.
Se a Fée estiver em Sampa, agendar para irmos juntos.
Se ainda não quitamos as nossas inscrições, é preciso quitá-las sem demora. A minha e a da Fée.
Caro Sr. DeRose, sem comentar a pretensa ostentação do prenome “Mestre” defendido por si, cumpre informar que os advogados são tradicionalmente chamados de doutores por força do “Título” que lhe foi concedido por Dom Pedro I, em 1827, por meio do Decreto Imperial, sendo que tal Título, por óbvio, não colide com com o previsto na Lei nº 9.394/96 (Diretrizes e Bases da Educação), o qual é avaliado e concedido pelas Universidades aos acadêmicos em geral. Ninguém confronta o título de doutor tradicionalmente utilizado por advogado, eis que foi determinado por Lei, ou melhor, Decreto Imperial. Dessa forma, por questão de coerência, sugiro que, no mínimo, retifique a nota [1] do aludido texto de modo a adequá-la aos fatos apontados. Um grande abraço…
Olá Mestre DeRose, tudo bem? Sou Hansoo
Heduan entregou as pipocas?
Sobre “Uso do termo Mestre”, digo:
Você me parece com Chuva. Eu explico: quando chove e traz água e às vezes faz alguns estragos, as pessoas e toda a imprensa amaldiçoam a chuva, falando mal da chuva, dizendo que causou estragos… Em verdade, a impermeabilização do chão ocasionam estragos.
É nulo as pessoas e a imprensa dizerem, em voz ALTA: ” A chuva trouxe muita água e deu vida hidratando 7 bilhões de pessoas e outras criaturas; e que da terra com chuva germinam e crescem as plantas que alimentam os homos sapiens e outras criaturas…”
Ontem à tarde, adaptando as minhas torneiras para uso racional de água, pensei exatamente sobre isto, o Mestre DeRose e a Chuva, e à noite, assisti sua aula, 3 inundações…
Mestre DeRose, pelo seu Trabalho Magnífico, pelo seu conteúdo, pela sua experiência, pelo que eu tenho aprendido contigo, pelo seu histórico de vida, pela sua ética, pra mim você é 1 degrau a mais que Mestre.Continue sendo Sol trazendo muita luz e Chuva trazendo muita água.
Vamos almoçar num domingo na av. paulista, no restaurante vegetariano frequentado pelo presidente da ABQV?
Saudações
Hansoo – 8725-8484
hansooju@gmail.com
Que texto lindo, Han Soo! E adorei o convite.
Um forte abraço.
Venha conversar comigo sobre a sua profissão. Vamos ver se eu posso lhe dar algum conselho. Quero que você ganhe muito din-din e seja orgulhosa da nossa missão.
Não quero perdê-la. Você é muito importante para mim.
Obrigada pelo carinho Mestre. Vou marcar algum dia com a Vivi, para conversar com você!
Sua presença foi muito catalisadora no sat chakra. A melhor surpresa de todas! Sempre bom conviver com você! Beijinhos.
Venha sim, querida. Estou te aguardando. Beijinho.
Caro Sr. DeRose,
Velendo-se do raciocínio do Sr., também não seria possível concordar com a Lei n° 556 de 25/06/1850 (Código Comercial), muito menos com o Decreto Lei n° 2.848/1940 (Código Penal), eis que não vivemos mais nas referidas décadas.
Não incidi em equívoco quando disse que prenome do Sr. é “Mestre”, uma vez que é público e notório que tal substantivo (Mestre) antecede o seu nome de família o qual acredito ser “DeRose”. Ademais, de acordo com informações, é com o prenome “Mestre” e o sobrenome “DeRose” que o Sr. assina os documentos (certificados, informativos etc.) emitidos pelas escolas que o Sr. lidera.
Agradeço a forma democrática e civilizada com a qual respondeu o meu comentário. Não mais comentarei o referido tópico. Abraços…
Obrigado pela gentileza. Espero que possamos nos conhecer algum dia.