domingo, 8 de março de 2009 | Autor:

Estamos mesmo tão submersos na estrutura patriarcal que nem notamos conceitos assim. Se for masculino, patrimônio, define o conjunto de ativos, propriedades, posses, recursos de uma pessoa. Mas se for feminino, sugere que a forma de obter tudo isso é pelo casamento e não pelo trabalho e produtividade. Isso subordina metade da humanidade à outra metade. No passado, admito que isso talvez fosse necessário devido à conjugação de diversos fatores culturais. O marido trabalhava para sustentar a mulher e a prole. A mulher, “rainha do lar”, cuidava da filharada. Se ela trabalhasse, isso era considerado uma humilhação para o marido, pois constituía uma declaração de que ele era um fracassado, já que não conseguia sustentá-la!

Hoje, no entanto, é inadmissível que a mulher sacrifique sua carreira, sua realização pessoal e deixe de ser produtiva, deixe de ganhar o seu dinheiro e usufruir da sua independência apenas para ficar em casa, deteriorando sua inteligência e tendo que preencher, nos formulários que perguntam qual a sua profissão, “doméstica” ou “do lar” .

Pena que muitas das principais interessadas em mudar o status quo vivam físicamente no século vinte e um, mas suas cabecinhas permaneçam no século dezenove!

22 comentários

  1. 1
    Regina Wiese Zarling
    quinta-feira, 5 de março de 2009 às 15:48
    yogabatel.blogspot.com
     

    Minha mãe, quando era viva, sempre dizia uma frase… enquanto estão juntos é meu bem, meu bem… depois que separam , a frase muda para meus bens meus bens… falava isso justificando que nos dias de hoje a melhor estrutura de casamento é com separação total de bens..

    Em minha cidade natal, há muitos anos atrás, houve um caso, no qual a mulher, possuía muitas posses, apesar de ser uma simples bordadeira ( não sei se ela ainda está viva).. Conheceu um homem, um argentino que lhe fez lindas promessas de amor.. com sua lábia, convenceu-a a casarem-se com regime de comunhão total de bens. Aos poucos foi lhe dando procurações para que ela assinasse e por fim, roubou-lhe tudo o que ela havia conquistado ou herdado de seus pais…

    Beijos

    Luísa Sargento Reply:

    O melhor é não casar mesmo :p

  2. 2
    Alexandre Montagna
    quinta-feira, 5 de março de 2009 às 16:24
    alexandremontagna.com/blog
     

    Eu notei apenas quando li sua obra intitulada Alternativas de Relacionamento Afetivo. Obra essa que já devorei algumas vezes, tamanha vontade de continuar lendo e me maravilhando com tanta cultura, reforçada com todos aqueles posicionamentos lúcidos. Esse gostoso livro foi editado pequeno e isso facilita bastante, pois é necessário repetir a leitura em várias doses.

  3. 3
    Alessandro Martins
    quinta-feira, 5 de março de 2009 às 16:59
    livroseafins.com
     

    Muito legal… compartilhei no Google Reader e no Twitter.

    Abraços fortes!

  4. 4
    Melina Flores
    quinta-feira, 5 de março de 2009 às 23:27
    yogacopacabana.com
     

    Ah, Mestre, muito interessante isso… e me lembra que “esposa”, em espanhol, significa, além da mulher casada, as algemas!!! (esposa = algemas)
    Beijinhos e boa noite,
    Mel

    Regina Wiese Zarling Reply:

    Pois é Melina, lembro-me que uma vez, uma professora minha de espanhol, comentou que na Argentina, quando a mulher casa, passa a levar um “de ” em seu sobrenome..

    Fulana Não Sei O que de (+ o sobrenome do marido), porque a partir da data do matrimônio, esta passa a pertencer a família de seu marido.. como se fosse daquele momento em diante propriedade do mesmo.. Achei tão agressivo.. Isso ainda ocorre?

    Beijos
    Regina

    Melina Flores Reply:

    ah, sim, é assim mesmo!
    Quando a mulher casa pode simplesmente trocar o seu sobrenome e colocar apenas o do marido…
    Ou deixar o prórpio e acrescentar o do marido com um “de”. por exemplo Regina Wiese Zarling de Fulano, hehehe.
    A minha mãe não fez nada disso! deixou o dela igual… e ela sempre criticava esse costume e falava que era um absurdo pensar em passar a ser propriedade de alguém… ainda bem :)
    bjs

    DeRose Reply:

    Como diríamos em espanhol? “…y ella siempre criticaba esa costumbre y hablaba que era un absurdo…” Não, né? Então, em português é igual: …”e dizia que era um absurdo…”.
    Sempre ajudando meus amigos argentinos a não assimilar um português mal falado, deixo beijinhos para Melina e toda a tribo de Guerreiros do Rio.

  5. 5
    Alexandre Montagna
    sexta-feira, 6 de março de 2009 às 1:23
    alexandremontagna.com/blog
     

    Obrigado, Renata, pela divulgação do texto e pela ideia de colocar o coração com o yôgin na foto. Vou aderir.
    Beijos,
    Alexandre.

  6. 6
    Ana Ribeiro
    sexta-feira, 6 de março de 2009 às 7:44
     

    Bom dia Mestre,

    Na minha carreira profissional vivi em alguns países da Europa. Por sorte o primeiro por onde passei foi a Suécia e aí senti-me muito “em casa”. A ideia com que fiquei nos 10 meses que lá passei é que os suecos cultivam a igualdade com um dos seus valores mais importantes não só entre sexos mas também entre classes. Uma vez na brincadeira disse a um colega sueco que queria mesmo era ser dona de casa e cuidar dos filhos. Ele ficou chocadíssimo e disse-me logo “mas como tu és uma mulher independente!”. Um casal amigo estava à espera de bebé e estávamos a discutir se se devia ou não saber o sexo da criança antes do nascimento. A posição deles é que não se devia saber porque não faria a mínima diferença.

    Noutra altura trabalhei 6 meses na Suíça em Berna, cidade muito tradicional e pouco cosmopolita em relação a outras como Genebra ou Zurique. Fiquei chocada por ver que para eles era estranho uma mulher trabalhar. Trabalhei na Swisscom, a maior empresa de telecomunicações da Suíça, em que as únicas mulheres que conheci eram estrangeiras. Fiquei impressionado por saber que apenas em 1971 as mulheres tiveram direito de voto na Suíça.
    http://en.wikipedia.org/wiki/Timeline_of_women's_suffrage.
    Ainda assim devo dizer que nunca fui discriminada profissionalmente antes pelo contrário sempre fui muito admirada pelo meu profissionalismo numa profissão que supostamente seria de homens – engenharia informática. Talvez isso tenha acontecido pela minha atitude.

    Um abraço forte cheio de amor
    Ana Ribeiro (chêla)

    DeRose Reply:

    Sem dúvida, querida Ana Ribeiro. A atitude é tudo. Beijinhos do DeRose.

  7. 7
    Luísa Sargento
    sexta-feira, 6 de março de 2009 às 9:37
    chiado-yoga.org
     

    Só para vocês verem como o Mestre tem razão, é a própria mulher que ajuda ao sistema patriarcal: antes de conhecer o Método DeRose, trabalhei na Fundação da Juventude – Lisboa, quando fui à entrevista a Directora perguntou-me se eu pretendia ter filhos com ar de que se eu dissesse sim não ficaria colocada. Será que ela perguntaria a um homem isto? Duvido! A ideia com que fiquei foi de que uma mulher tem filhos e não trabalha mais portanto não lhe damos oportunidade, ela que fique em casa sem construir carreira profissional, sem ter oportunidade se quer de fazê-lo e assim poder optar entre se dedicar apenas aos filhos ou às duas situações… Claro que ter um filho nos condiciona profissionalmente e pessoalmente, mas tenho constatado que não condiciona mais do que qualquer outra situação que queiramos colocar como entrave para realizar algo.

    Luís Roldão Reply:

    É bem real o que tu contas, Luísa.
    A minha mãe, às vezes, quando pretendia que eu fizesse o que ela queria dizia: – Deixas a tua namorada mandar em ti, fulano tal não é assim, elas fazem tudo o que ele quer.

    Outra coisa que achei interessante foi um artigo da revista notícias sábado acerca da D.Teresa, a primeira Rainha de Portugal, Marsilio Cassotti, autor da recém editada biografia, conta que nunca antes se tinha visto tal coisa na história ocidental: a mãe de D.Afonso Henriques foi a primeira mulher a assumir o poder de um reino até então inexistente e a exercer a chefia com a mesma destreza dos homens. Claro que a sua imagem foi distorcida por despeito e preconceito. O mito enraizado no imaginário colectivo fez da mãe de D.Afonso Henriques uma mulher malvada. Mas na história contada de novo D.Teresa consegue ser mais moderna que as mulheres de hoje.

    Lindo momento, linda partilha
    Abraço

  8. 8
    Lara Mota Pinto
    sexta-feira, 6 de março de 2009 às 10:43
     

    Querido Mestre:

    Com certeza, não será por acaso, mas esta semana resolvi reler “alternativas de relacionamento afectivo” … foi como tomar chá com um velho amigo! Fica dificil quando outras pessoas não falam a mesma “língua”, mas aos poucos vamo-nos encontrando todos, até atingirmos esse equilíbrio que o Malet sugere.

    Beijos enormes de gratidão

  9. 9
    Mariana Beluco
    sexta-feira, 6 de março de 2009 às 12:34
    yogajardimanaliafranco.com.br
     

    Ainda bem que a cada dia isso vem mudando. Vejo que cada vez mais as mulheres são independentes, sabem a necessidade de ter uma vida própria bem sucedida e já não colocam a meta “casamento+filhos” em primeiro lugar. Infelizmente em alguns casos a herança cultural das avós e mães dos séculos passados ainda permanecem, mas já vejo um grande avanço, principalmente dentro da Nossa Cultura!
    beijinhos

  10. 10
    Alessandra
    sexta-feira, 6 de março de 2009 às 13:27
     

    É, Mestre, isso infelizmente é muito triste. É incrível como a cabeça de algumas pessoas insiste em ficar estagnada no tempo.
    Algum tempo atrás escutei um primo do meu namorado falar pra ele: “Aaah, como tu te forma daqui um ano, então teremos festa de noivado!”.
    Pensei: “E eu, em que parte entro nessa história? Ainda não me formei, não tenho emprego, então ele se forma, se estabiliza financeiramente, e fico casada e dependente?”
    Respondi na mesma hora: Ele só vai noivar comigo depois que EU me formar e me estabilizar financeiramente.
    Foi engraçado na hora, mas não dá pra enfrentar essas situações do dia-a-dia e levar na brincadeira. Infelizmente, tem pessoas que AINDA pensam assim.
    Beeeijos!

    DeRose Reply:

    PARABÉNS, Alessandra!

  11. 11
    Lerivan Ribeiro
    sexta-feira, 6 de março de 2009 às 15:10
    YogaKobrasol.com.br
     

    É triste ver pessoas pensando tão pequeno e com paradigmas dos seus antepassados.
    Olha o significado que eu encontrei neste site:
    http://www.diocesedejacarezinho.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=159&Itemid=72

    Matrimônio: o que é? A palavra matrimônio é de origem latina e significa ofício ou tarefa da mãe. De maneira semelhante, podemos falar de patrimônio: ofício ou tarefa do pai. De acordo com o significado destas palavras, corresponde à mãe a tarefa de cuidar do lar e dos filhos – matrimônio – já ao pai cabe lutar para manter o sustento da família – patrimônio.

  12. 12
    Júlio Silva
    domingo, 8 de março de 2009 às 23:43
    adyashtanga.org
     

    Querido Shrí DeRose,

    Procurei por Sociedade no dicionário e entre várias definições encontrei:

    ” Reunião de pessoas que têm a mesma origem e pelas mesmas leis; parceria, participação; associação; agremiação; reunião de pessoas que se juntam para conversar, jogar, etc. ; relações, convivência; casa em que se reúnem membros de uma agremiação; ”

    Depois procurei por Matriarcal ou Matriarcado:

    ” Tipo de organização social e política em que a mulher é a base da família, exerce autoridade preponderante dentro da família, transmitindo-se a herança pela linha materna.”

    De facto até nas definições dos dicionários os conceitos são redutores, se tentarmos perceber o que a sociedade patriarcal acha que seja uma “sociedade matriarcal”, percebemos que esse domínio é muito restrito a uma organização, associação, a um grupo específico e fechado, a uma família.

    Percebi desde sempre que é *A Mãe* que transmite à criança o ensinamento, não raras vezes e logo desde o início da gestação da minha filha que percebi a minha inutilidade directa para o processo de criação do ser, mas grande importância como suporte para a minha shaktí até ao momento mágico da vinda ao mundo do nosso rebento, e depois no dia a dia da nossa filha desde então. Compreendi o porquê de nos ensinamentos aprender que o homem é tão só o portador da semente. É de facto a mulher que tem o privilégio e o poder do milagre de gerar o ser e com ele manter para o resto das suas vidas uma ligação que jamais o homem poderá alcançar.

    Há causas pelas quais devemos lutar com todas as nossas forças, observando os preceitos éticos. E a sociedade matriarcal é uma delas, tendo obviamente o cuidado de com essa luta não deixar que sejamos identificados e catalogados de Aves Raras nem Excêntricos, como Shrí DeRose nos seus livros nos tem ensinado e alertado.

    Sociedade Matriarcal para ser praticada só lá naquele grupo especial ou em casa, é bom, mas… Urge com o exemplo na sociedade, homenagear a mulher com uma atitude matriarcal em todas as esferas da nossa vida, com coragem, respeitando os preceitos éticos, e sempre com muito amor no coração, mas nunca perdendo de vista que é nas esferas da vida que iremos contribuir e colocamos à prova aquilo que preconizamos. E como é difícil. Nada fácil. Mas é nas pequenas coisas da vida que o mundo vai mudando, sem querer obviamente doutrinar ninguém. É muito bom quando chego às actividades da Nossa Cultura e entro numa Cultura de adoração da mulher, de verdadeira sociedade matriarcal, sensorial e desrepressora. Mas tenho sentido uma felicidade ainda maior, quando encontro essa mesma Cultura quando chego na minha empresa, quando converso com amigos de outras esferas da minha vida, e vejo que também eles hoje não sendo da Nossa Cultura, respeitam mais as mulheres, e reconhecem a sua grandeza!

    SwáSthya!
    Júlio Silva
    Discípulo de João Camacho, Yôgachárya
    Director do Espaço Cultural Ashram Môksha – Montijo
    http://www.adyashtanga.org/

  13. 13
    Thiago Duarte
    domingo, 5 de abril de 2009 às 19:25
     

    Muitos anunciam publicamente a igualdade mas poucos têm a coragem que o Mestre DeRose tem de levar isso à prática. Podemos, por exemplo, observar essa atitude na escolha dos membros do Conselho Administrativo da Uni-Yôga que é bem dividido entre mulheres e homens. E ainda me deixa muito feliz o fato de que essas poderosas que estão no Conselho conquistaram com o próprio merecimento esse posto. Além do sem número de demonstrações que o Mestre faz do valor da shaktí dentro e fora da Comunidade SwáSthya.
    Sinto muito que algumas não perceberam a força que têm e não tomaram o poder que lhes é devido. Cada criança que cresce machista é devido à (má) educação dada pela mãe, que nos dia de hoje é quem mais convive e quem mais influencia as pessoas em formação.
    Saiba, Mestre, que seu trabalho contribui imensamente para que o mundo veja o absurdo que existe nessa forma de separar mulheres e homens.
    Um abraço cheio de admiração para você.

    DeRose Reply:

    Nem sempre é devido à educação dada pela mãe. Frequentemente, toda a sociedade é cúmplice.

    Thiago Duarte Reply:

    Concordo, Mestre. E como diz um sábio amigo meu: – E assim caminha a humanidade…

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