quinta-feira, 2 de abril de 2009 | Autor:

O Yôga tem 5000 anos de existência. Nesses cinco milênios, foi desvirtuado sucessivas vezes pelas invasões que a Índia sofreu. Façamos uma comparação. Estamos no século XXI da Era Cristã. Muito bem. Existe uma luta chamada Capoeira, que é legitimamente brasileira. Tem suas raízes em tradições africanas, porém nasceu no nosso país. Imaginemos que dentro de alguns anos, a Amazônia será invadida por uma outra nação com o pretexto de ocupá-la para salvar tão precioso patrimônio da humanidade das mãos desses latino-americanos irresponsáveis que a estão destruindo.

Tal como os drávidas que viviam na Índia há 5000 anos, os brasileiros não têm tradição guerreira. Já os invasores, esses sim, contabilizam uma história de guerras, conquistas e império, tal como os sub-bárbaros arianos que invadiram a Índia a 1500 a.C. e cometeram o primeiro grande desnaturamento do Yôga.

Como ocorreu com o Império Romano, que ia incorporando outras culturas (ao absorver do Lácio o latim, da Grécia a arquitetura, escultura, mitologia etc.), esse novo império absorve a Capoeira. Em pouco tempo, digamos, um século, classificam-na como dança (“afinal, eles não dançam?”). E a reestruturam, pois isso de bater atabaques e tocar um instrumento de cordas com uma corda só é muito primitivo. Eliminam os tambores e substituem o berimbau pela guitarra eletrobioplásmica, com acompanhamento de “sincretizador” (que substituirá o computador, aquela máquina primitiva que vivia “dando pau” e pegando vírus).

Passam-se mil anos. Lá pelo ano 3000 da era Cristã, ocorre outra invasão. O Brasil é ocupado por uma terceira etnia e novos Mestres de Capoeira introduzem uma codificação que a define como religião (“afinal, eles não se benzem antes de jogar?”). Uma dança religiosa, uma dança ritual. Surgem mosteiros, templos e igrejas do culto Capoeirista. Essa vertente passa a ser conhecida como Capoeira Clássica.

Passado mais um milênio, e em torno do ano 4000, já não se fala a mesma língua, nem habita neste território o mesmo povo. Surpreendentemente, a Capoeira sobreviveu e tem mesmo um sólido sistema cultural que a preserva. Só que agora, após alguns concílios, decidiram que Capoeira é uma terapia. Passa a ser uma dança espiritual terapêutica.

Mais um milênio se passa. Estamos lá pelo ano 5000 d.C. Ninguém mais se lembra das suas origens. Criam mitologias. Surgem versões negando que a Capoeira tenha surgido em uma nação mítica chamada Brasil, a qual teria existido há tanto tempo que caiu no esquecimento. Alguns eruditos defendem que a Capoeira teria sido criada pelos negros escravos, mas a etnia então dominante nega-o peremptoriamente, e ameaça de punição quem se atrever a insistir nessa invencionice subversiva. A Capoeira é institucionalizada como uma prática para a terceira idade. Torna-se uma dança espiritual terapêutica para idosos.

Outros mil anos são transcorridos. Estamos agora no ano 6000 da Era Cristã. Todas as evidências de uma civilização latino-americana desapareceram, apagadas intencionalmente pelos cientistas e religiosos desse novo período histórico. A opinião pública de então, decide que Capoeira é para mulheres, que é ótima para TPM, gestação, rugas, celulite, varizes e que rejuvenesce. A Capoeira passa a ser classificada como uma dança espiritual, terapêutica, para idosos e para mulheres. Quem afirmar que a Capoeira legítima é uma luta, destinada a pessoas jovens e saudáveis, passa a ser acusado de discriminar os enfermos, os idosos e as mulheres; é acusado de ser polêmico; torna-se perseguido e severamente castigado com a difamação, exclusão, execração e ameaças de morte.

Bem, no caso da Capoeira, nós só abordamos 4000 anos de deturpações, do ano 2000 ao ano 6000 d.C. No caso do Yôga precisamos computar mais um milênio de distorções, já que essa filosofia conta com cinco mil anos de existência.

Oh! Céus! Eu disse filosofia? Foi sem querer. Juro. Eu quis dizer uma terapia mística para enfermos, mulheres e idosos.

47 comentários

  1. 1
    soninha.paris
    quinta-feira, 2 de abril de 2009 às 7:55
     

    Impressionant comment le détournement est grand.
    Heureusement que j’ai tombé sur le SwáSthya :)
    Une élève me disait ça aussi hier.
    Quelle honneur
    Je t’embrasse bien fort
    Sonia

    Alexandre Montagna Reply:

    J’aime lire vos commentaires.
    Gros bisous.

  2. 2
    Nuno Jacob
    quinta-feira, 2 de abril de 2009 às 8:57
     

    Mestre, sempre consegue sacar um belo sorriso :)
    Como é difícil fazer ver que Yôga é filosofia! De facto o Mestre é o exemplo de dedicação e firmeza (sem nunca ter perdido a ternura) é uma empreitada e tanto. Um dia o mundo vai reconhecer ainda mais o valor do seu trabalho. Nossa bandeira irá estar ao lado de todas as outras bandeiras, nosso hino irá ecoar no coração da humanidade e o planeta será um lugar muito melhor de se viver. Isso porque alguém um dia resolveu seguir em frente… Muito, muito obrigado por tudo o que tem feito por mim e pela humanidade!
    A minha eterna gratidão, lealdade, carinho e admiração.
    Nuno

  3. 3
    Everton
    quinta-feira, 2 de abril de 2009 às 9:33
     

    Na comparação só na segunda invasão ela se torna clássica, ou seja, a primeira invasão já se perdeu no tempo na ocasião da segunda invasão.

    Everton Reply:

    Para o Romano o Latim era dele e não tinha discussão nisso.

    DeRose Reply:

    Como a língua portuguesa para os brasileiros! O brasileiro médio pensa que esse é o nosso idioma e fica desconcertado ao saber que a língua desta terra é o tupi-guarani. Pena que perdemos o tupi-guarani, mas que bom que ganhamos a nobre língua de Camões.

    Everton Reply:

    Como o Mestre postou esses dias: a última volta do Lácio. Bela herança que os portugueses deixaram nessa terra.

    Everton Reply:

    A língua indígena tem o diferencial de por ela não ter tido um senhor ela pôde assim seguir um desenvolvimento puramente naturalista.

    Everton Reply:

    Afirmar um Yôga Shákta é afirmar um Yôga nas suas origens. Muitos Tantras são manuais de Yôga com um “quê” a mais, justamente o “quê” que se perdeu nas invasões. O Kulanarva, por exemplo, afirma que só o Tántriko tem ao mesmo tempo Yôga e Bhôga, e é verdade, pois é na estrutura qual a coisa se desenvolve que possibilita o desdobramento em outras áreas.

  4. 4
    Marina Engler
    quinta-feira, 2 de abril de 2009 às 10:00
     

    Bom dia queridos, Mestre e Feé.

    Já está no YôgaPress a notícia da posse da nova Diretora da Unidade Anália Franco, Patrícia Mezzomo.

    http://yogapress.wordpress.com/2009/04/02/toma-posse-a-nova-diretora-da-unidade-analia-franco-sp/

    Foi uma noite muito especial, principalmente por estar ao lado de pessoas tão estimadas como vocês.

    Grande beijo.

    Má Engler

    DeRose Reply:

    Está muito bom. Parabéns pela presteza. Só um detalhe: não dizemos “insígnia de graduação” para não confundir com a de graduado, que é lilás. Dizemos insígnia de Diretor. De resto, a matéria está excelente. Beijos do coração do DeRose.

  5. 5
    marcocarvalho
    quinta-feira, 2 de abril de 2009 às 10:38
    swasthya.marcocarvalho.com
     

    Hahahaha o desfecho não poderia ter sido melhor!!!

  6. 6
    Marina Engler
    quinta-feira, 2 de abril de 2009 às 10:53
     

    Demais este texto!
    Esclarece muito bem o que é passível de acontecer no decorrer da história, sendo que esta é escrita pelos homens. Homens que normalmente estão no comando e que priorizam seus próprios interesses.
    Beijo beijo.
    Má Engler

  7. 7
    Neide
    quinta-feira, 2 de abril de 2009 às 18:19
     

    Oi Mestre, estou sem foto, pois fui deletada, mas já estou de volta! (rs).
    Muito providencial este post, pois hoje mesmo, após o almoço, surgiu uma polêmica sobre o Yôga, as terapias, as deturpações, enfim, expliquei tudo direitinho desde seu surgimento a mais de 5000 anos, as invasões dos povos guerreiros que dizimaram os drávidas, as influências e imposições culturais, a punição a quem ousava resgatar a essência do Yôga Antigo, e que inclusive continua até os dias atuais.
    Agora para fechar com chave de ouro, enviei o link para o pessoal ler, nossa, adorei.
    Beijinhos.
    Neide.
    Ah, falei também da importância deste nosso Yôga tão puro ter ressurgido, aqui, em terras tupiniquins e por um brasileiro excepcional que é você! Recomendei a leitura do seu livro: Quando é Preciso ser Forte.

    DeRose Reply:

    Obrigado, Neide. Beijinhos do DeRose.

  8. 8
    Martin Pereira
    quinta-feira, 2 de abril de 2009 às 18:37
     

    Hola Mestre!

    Gran aclaración acerca del tema, me encanta la analogía con el Capoeira.

    Cómo contribución a lo que fue la civilización en la que hace más de 5000 años surgió el Yôga, me parecio interesante esta reproducción en 3D de Mohenjo Daro.

    httpv://www.youtube.com/watch?v=SdGbamPgf8o

    Espero que lo disfrute.

    Saludos!
    Martín

  9. 9
    Nina de Holanda
    quinta-feira, 2 de abril de 2009 às 21:50
     

    Certa vez, uma professora de outra linha me disse o seguinte:
    Realmente temos que tirar o chapéu para vocês, vocês são bons mesmo, isso foi depois de um evento Zen (noção) e com certeza, depois de muito tempo de amargura por parte dela. Aí, penso:
    Como as pessoas vivem uma vida toda presas em seu mundo e nem se dão a chance de ser um pouco mais felizes. E como o reconhecimento [do nosso valor] para algumas pessoas é tão doloroso. Quanto ego!

    beijinhos da Nina

  10. 10
    dwayne
    quinta-feira, 2 de abril de 2009 às 22:40
     

    Antonio Mateus en su blog “Selva Urbana” escribió un post sobre el Tratado: http://selvaurbana.blogs.sapo.pt/57331.html

  11. 11
    Bruna Amor
    quinta-feira, 2 de abril de 2009 às 23:16
     

    Boa noite Mestre,
    gostaria de compartilhar este vídeo com você e com todos que acessam seu blog.
    Achei muito pertinente, uma vez que somos uma famiglia de pessoas engajadas e gregárias.
    Me lembrou o sutra ” Uns se sentam e choram, outros se levantam e fazem.”
    Segue link, vídeo intitulado “O menino e a árvore”.

    http://romanticos-conspiradores.ning.com/video/video/show?id=2765393%3AVideo%3A1881

    Um grande beijo no coração!
    Bruna Amor

  12. 12
    Chrystine Omori
    sexta-feira, 3 de abril de 2009 às 3:55
     

    Konbanwa, Mestre & Fée!^-^
    Que “telefone sem fio” não teríamos em 4000/5000 anos! :o

  13. 13
    Sensi Quintero
    sexta-feira, 3 de abril de 2009 às 11:43
     

    Se me ocurrió que esta historia habría que mostrársela a los Monty Python, seguro que harían una película digna de todos los premios de cine.

    Un beso!

    Sensi

    DeRose Reply:

    Verdad! Y no solo esta. Besote de su amigo DeRose.

  14. 14
    martinha
    sexta-feira, 3 de abril de 2009 às 12:44
     

    Mestre já viu hoje o blogue do jornalista António Mateus?
    Tem um post para si, muito bonito.
    Beijinhos de Portugal.

    Martinha

    DeRose Reply:

    Obrigado por me avisar, Martinha. Já vi e já agradeci por e-mail. Mateus é muito amável, um verdadeiro cavalheiro. Beijinho do seu amigo DeRose.

    Antonio Pedro Mateus Reply:

    Bonito sois vós. És tu Martinha. E a luz que em nós semeiam. Todos os dias.
    Mil obrigados. Estrelas do céu e do mar. Do nosso sonhar.
    Beijo

  15. 15
    omluislopes@gmail.com
    sexta-feira, 3 de abril de 2009 às 22:23
     

    Querido Mestre,

    Mais um passo para a expansão de sua obra prima:
    o novo post de António Mateus, http://selvaurbana.blogs.sapo.pt/, divulgando o lançamento do Tratado de Yôga em Lisboa. O post do livro saltou para o topo novidades em prime-time e ao meio-dia tinha 220 hits. Na sua maioria imprensa.

    Beijo ao Mestre do coração.
    Luís Lopes

    DeRose Reply:

    Obrigado, Luís. Hoje cedo já enviei um e-mail de agradecimento ao Mateus. Contudo, o Axioma Número Nove alerta-nos a não confiar em que e-mails tenham chegado ao conhecimento do seu destinatário. Caso fale com ele, por favor, confirme se recebeu. Grato por estar sempre ligado e agilizado. Beijos do seu amigo.

    omluislopes@gmail.com Reply:

    Obrigado Mestre,

    Acabei de confirmar o recebimento do e-mail com o António Mateus. Inclusive estamos neste momento, pelo telefone, conjecturando projectos e acções pelo SwáSthya.

    Do coração com amizade e carinho,
    Luís Lopes

  16. 16
    Antonio Pedro Mateus
    sábado, 4 de abril de 2009 às 21:26
     

    Vim até vós, gente bonita, de forma inesperada, pela mão de uma pessoa que o mestre disse, um dia, ter “a chave” dentro dela.
    Me pequeninei ainda mais, na curta viagem que ainda levo convosco, perante a imensa luz que todos vós colectivamente irradiam, na esteira do Mestre De Rose, cujo nome levei tempo a saber pronunciar “Dê Rose”, insistia minha luz-guia, perante o agigantar da minha ignorância, onde eu insistia em tactear um “De Rose”… Mas depois, percebi que o coração do farol não estava no correcto pronunciar do nome da lâmpada, mas na luz que ela em nós despertava.
    Nunca pensei depois de conviver durante 10 anos, diariamente, com um gigante como Nelson Mandela, que haveria de levar igual banho de magia, no sorriso de saber, tão intenso quanto sereno, de uma pessoa deslumbrante, como Mestre de Rose.
    Obrigado por existir. Sempre.

    DeRose Reply:

    Sempre fidalgo, meu amigo Mateus. Grato por suas palavras generosas. Um forte abraço do DeRose.

  17. 17
    carla mader
    segunda-feira, 6 de abril de 2009 às 11:34
     

    Nossa Mestre, estava sua discípula a mudar os canais quando me deparei com uma matéria intitulada: Capoterapia! Adivinha! Capoeira como terapia para a terceira idade! Fiquei em choque, mostrava os idosos em uma caricatura de movimentos que tentavam ser a sombra dessa luta!
    Fiquei tão indignada que nem lembrei de ver a emissora e o programa, tamanho meu assombro!
    Mas basta procurara no google que encontramos tudo sobre essa invenção.

    DeRose Reply:

    Eu não queria confessar, mas tudo o que está escrito ali é profético!

    Alexandre Montagna Reply:

    hahahaha.. Absurdamente chocante!!

  18. 18
    Anahi Flores
    segunda-feira, 6 de abril de 2009 às 11:57
    anahiflores.org
     

    hahahaha!

  19. 19
    Belgrano estudiando
    terça-feira, 7 de abril de 2009 às 21:40
     

    ¨All truth passes through three stages. First, it is ridiculed. Second, it is violently opposed. Third, it is accepted as being self-evident.¨

    Arthur Schopenhauer. German philosopher (1788 – 1860)

  20. 20
    DeRose
    sábado, 16 de maio de 2009 às 13:28
    uni-yoga.org
     

    Sobre o seu comentário a respeito da Índia: Estimado Jair, você tem uma maneira de colocar as coisas parecida com a minha. Bem sincera e veemente! Às vezes, isso pode trazer problemas. Eu contratei uma assessora cuja função é moderar o meu discurso para que ele não agrida sem querer a quem quer que seja, já que essa não é a minha intenção e certamente também não é a sua. Embora você tenha razão em quase tudo, é preciso saber dizê-lo. Eu estou aprendendo a fazer isso (devagarinho). Contudo, as coisas não são exatamente como nos contam sobre a Índia, a maior democracia do mundo. Depois de vinte e quatro anos de viagens à Índia, passei a admirá-la bem mais. Cada vez que eu retornava ao Brasil notava que a percepção que alguns têm da Índia é similar àquela que os Europeus têm da América Latrina (oops!). O que nem sempre corresponde à realidade. Sobre as castas há um caso interessante. Um pária (intocável) chegou a Presidente da República na Índia. Isso é sensacional e coloca em dúvida a questão da rigidez da divisão das castas. Também não sei por que isso escandaliza tanto os ocidentais, já que temos um sistema de castas igual e tão rígido quanto. Se um jovem da favela resolver namorar e se casar com uma jovem de outra classe social isso vira uma tragédia grega e pode sair até morte. A discriminação social no ocidente é atroz. Posso lhe testemunhar isso, pois nasci em uma família aristocrática, bem situada economicamente e de ascendentes na nobreza europeia, mas rejeitei o “sistema”. Optei por tornar-me um sem-casta. E o mundo me fechou as portas. Aos poucos estou aprendendo a deixar de ser adolescente (com a minha idade, já estava em tempo) e à medida que comecei a aceitar o stablishment ele também passou a me aceitar. A Índia não é o que a percepção ocidental diz dela. Há exageros para cima e para baixo.
    PS – Gostou dos posts sobre cães?

  21. 21
    Franco en Arequipa.
    sexta-feira, 25 de dezembro de 2009 às 22:50
     

    Hola mestre DeRose:

    El diario ¨El Comercio¨ (Lima, 19/12/9), publicó un artículo sobre un hallazgo arquelógico de la cultura Cupisnique (Perú). Me pareció interesante compartir una de las fotografías. Le llamaron, el ¨Contorsionista de Puémape¨ (200 a.C.).

    Abrazo.

    F.

    P.D.: Según los especialistas, representaciones escultóricas parecidas, de estos personajes enigmáticos, se repiten en otras culturas del Preclásico mesoamericano de la altiplanicie del Anahuac, México y del Formativo Tardío de los Andes Septentrionales (Ecuador).

  22. 22
    Franco en Arequipa.
    sexta-feira, 25 de dezembro de 2009 às 22:51
     

    Hola mestre DeRose:

    El diario ¨El Comercio¨ (Lima, 19/12/9), publicó un artículo sobre un hallazgo arquelógico de la cultura Cupisnique (Perú). Me pareció interesante compartir una de las fotografías. Le llamaron, el ¨Contorsionista de Puémape¨ (200 a.C.).

    Abrazo.

    F.

    P.D.: Según los especialistas, representaciones escultóricas parecidas, de estos personajes enigmáticos, se repiten en otras culturas del Preclásico mesoamericano de la altiplanicie del Anahuac, México y del Formativo Tardío de los Andes Septentrionales (Ecuador).

    [img][/img]

    DeRose Reply:

    A imagem não entrou.

  23. 23
    Franco en Arequipa.
    quarta-feira, 30 de dezembro de 2009 às 17:27
     

    http://www.flickr.com/photos/11626818@N03/4213870059//img

  24. 24
    Vivekananda
    quinta-feira, 2 de junho de 2011 às 0:00
     

    Qui qui é issu? O Yoga tem 5 mil anos de existência. E a Medicina? Se contarmos a partir de Hipócrates, cerca de metade disso. Daquele tempo até os dias de hoje, muita coisa mudou, a medicina progrediu e muito. Esperava-se que o Yoga (assim como todos os ramos do conhecimento humano) também tivesse um progresso natural. Mas, qual o que, o Yoga bom mesmo é o “original”, o pré-histórico, que chegou a nossos dias graças a… a quem mesmo? Segure-se para não cair no chão rolando de tanto rir, mas foi graças a um guru invisível. Ele transmitiu por via espiritual tais conhecimentos originais a um brasileiro que recebeu a dádiva e divulgou-a em sua imaculada forma.
    Muito bom! Ensino puro, original, sem progresso (pra que?) e transmitido por meio místico – nada mau para alguém que renega o misticismo no Yoga… Vamos pegar os livros originais de Hatha Yoga e respeitar sua letra, onde afirma-se que o ar inspirado vai para o estômago… Afinal, o livro é antigo, “puro e perfeito”… Vamos negar a influência do Hatha Yoga de Caio Miranda, autor muito anterior a de Rose que já usava a incomum expressão “não abastardar o sexo” em seus livros. E o que dizer da ameaça para quem procurar conhecimentos de outras variedades do Yoga? Apenas o “original” tem valor, o resto são deturpações. E não busquem conhecimentos fora disso, as egrégoras se misturam, o buscador vai se dar mal. Não, não há misticismo nisso, tudo é bem racional.

    DeRose Reply:

    Bom dia, viveka. Pela sua redação você é uma pessoa inteligente, portanto, entendo que um diálogo entre nós pode enriquecer-nos a ambos. Muitas vezes, os debates entre aqueles que discordam são os mais produtivos.

    Apesar do seu texto ser muito lúcido, não entendi algumas passagens sobre as quais você poderá me esclarecer. Não compreendi a expressão “puro e perfeito”. Não me lembro de ter escrito isso. Também não entendi por que você quer negar a influência do Mestre Caio Miranda (“Vamos negar a influência do Hatha Yoga de Caio Miranda, autor muito anterior a de Rose que já usava a incomum expressão “não abastardar o sexo” em seus livros.”). É preciso prestar a ele o devido reconhecimento, como faço nos meus livros, afinal suas obras muito me ensinaram quando as estudei em 1960 (A Libertação pelo Yôga) e 1962 (Hatha Yóga, a ciência da saúde perfeita). Por isso, também, fiz uma dedicatória em memória a ele no nosso livro Tratado de Yôga.

    Acho que você é um estudioso bem-intencionado. Por isso, gostaria de manter uma conversação adulta e polida entre nós. Afinal, estamos do mesmo lado: o lado do Yôga.

  25. 25
    Vivekananda
    quinta-feira, 2 de junho de 2011 às 17:27
     

    Olá, obrigado por manter as portas abertas para o diálogo; vivemos tempos difíceis, não são todos os que tem grandeza suficiente para isso. O que não entendi foi o que me pareceu ser uma contradição: escreveu-se um exemplo hipotético de deturpação da capoeira, objetivando (obviamente) fazer um paralelo sutil com supostos séculos ou milênios de deturpação no ensino do Yoga, não é mesmo? O assunto é muito extenso, vou procurar mostrar alguns pontos que não entendi – talvez até por não ter dedicado muito tempo a um aprofundamento sobre o assunto. Vou direto a alguns pontos básicos que me motivaram a escrever meu comentário: quem garante que aquele que escreve sobre deturpação não tenha agido assim quando codificou o Swasthya? Onde acessar as fontes da origem do Swasthya, que me garantem que seu ensinamento não é uma deturpação? Ao escrever isso, passa-se a ideia de que existe um sistema superior a outros. Minha interpretação está correta?
    Há algum tempo vi alguns vídeos sobre coreografias do Swasthya. Achei bonito e interessante, mas a pergunta foi inevitável: isso é Yoga? Yoga é dança? Ou seja, a pergunta volta à questão: isso também não seria mais uma deturpação do Yoga?

    DeRose Reply:

    Eu é que lhe agradeço por aceitar o meu convite ao diálogo.

    1) Sua questão é válida. Não há nenhuma certeza sobre as propostas do SwáSthya. O que existe é um esforço sincero para buscar as raízes mais antigas e a constatação pela prática de que as premissas estão sendo confirmadas, em função dos resultados obtidos.

    2) As fontes são, em parte, históricas e arqueológicas. Em parte, estão na mitologia e nas lendas. Algumas constam na bibliografia mais séria (Mircea Eliade, Van Lysebeth etc., assinalados nos meus livros). Outras foram colhidas em 24 anos de viagens à Índia e na transmissão oral. A fundamentação está publicada nos dois livros Quando é Preciso Ser Forte e Tratado de Yôga. É muita documentação para re-publicar aqui.

    3) Sua dedução está correta. Passa-se a ideia de que existe um sistema que é mais antigo e, portanto, satisfaz as expectativas dos que buscam um acervo anterior à ocupação ariana. Ao inspirar autoconfiança e incentivo ao estudante, trata-se de um recurso da pedagogia hindu tradicional. Sivánanda escreveu muitos livros sobre diferentes ramos de Yôga. Quando escreveu sobre Kundaliní Yôga dava a impressão de que fazia apologia de que esse era superior a todos os demais ramos. Mas quando escreveu sobre Hatha, deu a mesma impressão. E quando escreveu sobre Tantra também deu a mesma sensação.

    4) O criador mitológico do Yôga tinha o título de Rei dos Bailarinos. Se o Yôga tivesse sido criado por um artista marcial, seria lógico que fizesse recordar uma luta. Tendo sido criado por um bailarino, faz sentido que pareça uma dança. Mas isso foi alterado com o tempo, principalmente após a colonização inglesa que produziu uma contaminação do Yôga indiano pela ginástica britânica dos séculos XVII, XVIII, XIX e XX. Entre outros desnaturamentos está a repetição dos ásanas três vezes, cinco vezes e até setenta vezes! O Yôga primitivo inspirava-se nos movimentos do animais e estes não fazem repetições ao exercitar-se. Alongam-se uma só vez com as patas dianteiras, uma só vez com as traseiras, mas não aplicam o “um, dois, um, dois” da ginástica ocidental. A repetição foi inserida no contágio causado pelos ocidentais. Havendo repetição, não pode ocorrer encadeamento de técnicas que permitem o vínculo com as origens proto-históricas na dança e nos movimentos de alongamento dos animais.

    É interessante, porque quando declaro que é Yôga, sempre encontro alguém que questiona que isso não é Yôga. Mas quando apresento como Método DeRose as pessoas declaram: “Ah! Isso é Yôga…”

    Ossos do ofício!

    Espero ter esclarecido as suas questões. Um forte abraço pelo seu interesse.

  1. [...] Post sobre a deturpação do Yôga ao longo dos 5000 anos [...]

  2. [...] http://www.uni-yoga.org/blogdoderose/uni-yoga_arquivo_derose/ao-longo-de-5000-anos-muita-deturpacao-... [...]

  3. [...] http://www.uni-yoga.org/blogdoderose/uni-yoga_arquivo_derose/ao-longo-de-5000-anos-muita-deturpacao-... [...]

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