terça-feira, 22 de maio de 2012 | Autor:


AO LONGO DE CINCO MIL ANOS MUITA DETURPAÇÃO PODE ACONTECER

Nossa filosofia tem 5000 anos de existência. Nesses cinco milênios, foi desvirtuado sucessivas vezes pelas invasões que a Índia sofreu. Façamos uma comparação. Estamos no século XXI da Era Cristã. Muito bem. Existe uma luta chamada Capoeira, que é legitimamente brasileira. Tem suas raízes em tradições africanas, porém nasceu no nosso país. Imaginemos que dentro de alguns anos, a Amazônia será invadida por uma outra nação com o pretexto de ocupá-la para salvar tão precioso patrimônio da humanidade das mãos desses latino-americanos irresponsáveis que a estão destruindo.

Tal como os drávidas que viviam na Índia há 5000 anos, os brasileiros não têm tradição guerreira. Já os invasores, esses sim, contabilizam uma história de guerras, conquistas e império, tal como os sub-bárbaros arianos que invadiram a Índia a 1500 a.C. e cometeram o primeiro grande desnaturamento do Yôga.

Como ocorreu com o Império Romano, que ia incorporando outras culturas (ao absorver do Lácio o latim, da Grécia a arquitetura, escultura, mitologia etc.), esse novo império absorve a Capoeira. Em pouco tempo, digamos, um século, classificam-na como dança (“afinal, eles não dançam?”). E a reestruturam, pois isso de bater atabaques e tocar um instrumento de cordas com uma corda só é muito primitivo. Eliminam os tambores e substituem o berimbau pela guitarra eletrobioplásmica, com acompanhamento de “sincretizador” (que substituirá o computador, aquela máquina primitiva que vivia “dando pau” e pegando vírus).

Passam-se mil anos. Lá pelo ano 3000 da era Cristã, ocorre outra invasão. O Brasil é ocupado por uma terceira etnia e novos Mestres de Capoeira introduzem uma codificação que a define como religião (“afinal, eles não se benzem antes de jogar?”). Uma dança religiosa, uma dança ritual. Surgem mosteiros, templos e igrejas do culto Capoeirista. Essa vertente passa a ser conhecida como Capoeira Clássica.

Passado mais um milênio, e em torno do ano 4000, já não se fala a mesma língua, nem habita neste território o mesmo povo. Surpreendentemente, a Capoeira sobreviveu e tem mesmo um sólido sistema cultural que a preserva. Só que agora, após alguns concílios, decidiram que Capoeira é uma terapia. Passa a ser uma dança espiritual terapêutica.

Mais um milênio se passa. Estamos lá pelo ano 5000 d.C. Ninguém mais se lembra das suas origens. Criam mitologias. Surgem versões negando que a Capoeira tenha surgido em uma nação mítica chamada Brasil, a qual teria existido há tanto tempo que caiu no esquecimento. Alguns eruditos defendem que a Capoeira teria sido criada pelos negros escravos, mas a etnia então dominante nega-o peremptoriamente, e ameaça de punição quem se atrever a insistir nessa invencionice subversiva. A Capoeira é institucionalizada como uma prática para a terceira idade. Torna-se uma dança espiritual terapêutica para idosos.

Outros mil anos são transcorridos. Estamos agora no ano 6000 da Era Cristã. Todas as evidências de uma civilização latino-americana desapareceram, apagadas intencionalmente pelos cientistas e religiosos desse novo período histórico. A opinião pública de então, decide que Capoeira é para mulheres, que é ótima para TPM, gestação, rugas, celulite, varizes e que rejuvenesce. A Capoeira passa a ser classificada como uma dança espiritual, terapêutica, para idosos e para mulheres. Quem afirmar que a Capoeira legítima é uma luta, destinada a pessoas jovens e saudáveis, passa a ser acusado de discriminar os enfermos, os idosos e as mulheres; é acusado de ser polêmico; torna-se perseguido e severamente castigado com a difamação, exclusão, execração e ameaças de morte.

Bem, no caso da Capoeira, nós só abordamos 4000 anos de deturpações, do ano 2000 ao ano 6000 d.C. No caso do Yôga precisamos computar mais um milênio de distorções, já que essa filosofia conta com cinco mil anos de existência.

Oh! Céus! Eu disse filosofia? Foi sem querer. Juro. Eu quis dizer uma terapia mística para enfermos, mulheres e idosos.

  1. Pingback: Obrigado pela presença no Curso Básico. Foi ótimo | Blog da Unidade Brooklin

  2. Autor: soninha.paris

    Impressionant comment le détournement est grand.
    Heureusement que j’ai tombé sur le SwáSthya :)
    Une élève me disait ça aussi hier.
    Quelle honneur
    Je t’embrasse bien fort
    Sonia

    Alexandre Montagna |

    J’aime lire vos commentaires.
    Gros bisous.

  3. Autor: Nuno Jacob

    Mestre, sempre consegue sacar um belo sorriso :)
    Como é difícil fazer ver que Yôga é filosofia! De facto o Mestre é o exemplo de dedicação e firmeza (sem nunca ter perdido a ternura) é uma empreitada e tanto. Um dia o mundo vai reconhecer ainda mais o valor do seu trabalho. Nossa bandeira irá estar ao lado de todas as outras bandeiras, nosso hino irá ecoar no coração da humanidade e o planeta será um lugar muito melhor de se viver. Isso porque alguém um dia resolveu seguir em frente… Muito, muito obrigado por tudo o que tem feito por mim e pela humanidade!
    A minha eterna gratidão, lealdade, carinho e admiração.
    Nuno

  4. Autor: Everton

    Na comparação só na segunda invasão ela se torna clássica, ou seja, a primeira invasão já se perdeu no tempo na ocasião da segunda invasão.

    Everton |

    Para o Romano o Latim era dele e não tinha discussão nisso.

    DeRose |

    Como a língua portuguesa para os brasileiros! O brasileiro médio pensa que esse é o nosso idioma e fica desconcertado ao saber que a língua desta terra é o tupi-guarani. Pena que perdemos o tupi-guarani, mas que bom que ganhamos a nobre língua de Camões.

    Everton |

    Como o Mestre postou esses dias: a última volta do Lácio. Bela herança que os portugueses deixaram nessa terra.

    Everton |

    A língua indígena tem o diferencial de por ela não ter tido um senhor ela pôde assim seguir um desenvolvimento puramente naturalista.

    Everton |

    Afirmar um Yôga Shákta é afirmar um Yôga nas suas origens. Muitos Tantras são manuais de Yôga com um “quê” a mais, justamente o “quê” que se perdeu nas invasões. O Kulanarva, por exemplo, afirma que só o Tántriko tem ao mesmo tempo Yôga e Bhôga, e é verdade, pois é na estrutura qual a coisa se desenvolve que possibilita o desdobramento em outras áreas.

  5. Autor: Marina Engler

    Bom dia queridos, Mestre e Feé.

    Já está no YôgaPress a notícia da posse da nova Diretora da Unidade Anália Franco, Patrícia Mezzomo.

    http://yogapress.wordpress.com/2009/04/02/toma-posse-a-nova-diretora-da-unidade-analia-franco-sp/

    Foi uma noite muito especial, principalmente por estar ao lado de pessoas tão estimadas como vocês.

    Grande beijo.

    Má Engler

    DeRose |

    Está muito bom. Parabéns pela presteza. Só um detalhe: não dizemos “insígnia de graduação” para não confundir com a de graduado, que é lilás. Dizemos insígnia de Diretor. De resto, a matéria está excelente. Beijos do coração do DeRose.

  6. Autor: marcocarvalho

    Hahahaha o desfecho não poderia ter sido melhor!!!

  7. Autor: Marina Engler

    Demais este texto!
    Esclarece muito bem o que é passível de acontecer no decorrer da história, sendo que esta é escrita pelos homens. Homens que normalmente estão no comando e que priorizam seus próprios interesses.
    Beijo beijo.
    Má Engler

  8. Autor: Neide

    Oi Mestre, estou sem foto, pois fui deletada, mas já estou de volta! (rs).
    Muito providencial este post, pois hoje mesmo, após o almoço, surgiu uma polêmica sobre o Yôga, as terapias, as deturpações, enfim, expliquei tudo direitinho desde seu surgimento a mais de 5000 anos, as invasões dos povos guerreiros que dizimaram os drávidas, as influências e imposições culturais, a punição a quem ousava resgatar a essência do Yôga Antigo, e que inclusive continua até os dias atuais.
    Agora para fechar com chave de ouro, enviei o link para o pessoal ler, nossa, adorei.
    Beijinhos.
    Neide.
    Ah, falei também da importância deste nosso Yôga tão puro ter ressurgido, aqui, em terras tupiniquins e por um brasileiro excepcional que é você! Recomendei a leitura do seu livro: Quando é Preciso ser Forte.

    DeRose |

    Obrigado, Neide. Beijinhos do DeRose.

  9. Autor: Martin Pereira

    Hola Mestre!

    Gran aclaración acerca del tema, me encanta la analogía con el Capoeira.

    Cómo contribución a lo que fue la civilización en la que hace más de 5000 años surgió el Yôga, me parecio interesante esta reproducción en 3D de Mohenjo Daro.


    Espero que lo disfrute.

    Saludos!
    Martín

  10. Autor: Nina de Holanda

    Certa vez, uma professora de outra linha me disse o seguinte:
    Realmente temos que tirar o chapéu para vocês, vocês são bons mesmo, isso foi depois de um evento Zen (noção) e com certeza, depois de muito tempo de amargura por parte dela. Aí, penso:
    Como as pessoas vivem uma vida toda presas em seu mundo e nem se dão a chance de ser um pouco mais felizes. E como o reconhecimento [do nosso valor] para algumas pessoas é tão doloroso. Quanto ego!

    beijinhos da Nina

  11. Autor: dwayne

    Antonio Mateus en su blog “Selva Urbana” escribió un post sobre el Tratado: http://selvaurbana.blogs.sapo.pt/57331.html

  12. Autor: Bruna Amor

    Boa noite Mestre,
    gostaria de compartilhar este vídeo com você e com todos que acessam seu blog.
    Achei muito pertinente, uma vez que somos uma famiglia de pessoas engajadas e gregárias.
    Me lembrou o sutra ” Uns se sentam e choram, outros se levantam e fazem.”
    Segue link, vídeo intitulado “O menino e a árvore”.

    http://romanticos-conspiradores.ning.com/video/video/show?id=2765393%3AVideo%3A1881

    Um grande beijo no coração!
    Bruna Amor

  13. Autor: Chrystine Omori

    Konbanwa, Mestre & Fée!^-^
    Que “telefone sem fio” não teríamos em 4000/5000 anos! :o

  14. Autor: Sensi Quintero

    Se me ocurrió que esta historia habría que mostrársela a los Monty Python, seguro que harían una película digna de todos los premios de cine.

    Un beso!

    Sensi

    DeRose |

    Verdad! Y no solo esta. Besote de su amigo DeRose.

  15. Autor: martinha

    Mestre já viu hoje o blogue do jornalista António Mateus?
    Tem um post para si, muito bonito.
    Beijinhos de Portugal.

    Martinha

    DeRose |

    Obrigado por me avisar, Martinha. Já vi e já agradeci por e-mail. Mateus é muito amável, um verdadeiro cavalheiro. Beijinho do seu amigo DeRose.

    Antonio Pedro Mateus |

    Bonito sois vós. És tu Martinha. E a luz que em nós semeiam. Todos os dias.
    Mil obrigados. Estrelas do céu e do mar. Do nosso sonhar.
    Beijo

  16. Autor: omluislopes@gmail.com

    Querido Mestre,

    Mais um passo para a expansão de sua obra prima:
    o novo post de António Mateus, http://selvaurbana.blogs.sapo.pt/, divulgando o lançamento do Tratado de Yôga em Lisboa. O post do livro saltou para o topo novidades em prime-time e ao meio-dia tinha 220 hits. Na sua maioria imprensa.

    Beijo ao Mestre do coração.
    Luís Lopes

    DeRose |

    Obrigado, Luís. Hoje cedo já enviei um e-mail de agradecimento ao Mateus. Contudo, o Axioma Número Nove alerta-nos a não confiar em que e-mails tenham chegado ao conhecimento do seu destinatário. Caso fale com ele, por favor, confirme se recebeu. Grato por estar sempre ligado e agilizado. Beijos do seu amigo.

    omluislopes@gmail.com |

    Obrigado Mestre,

    Acabei de confirmar o recebimento do e-mail com o António Mateus. Inclusive estamos neste momento, pelo telefone, conjecturando projectos e acções pelo SwáSthya.

    Do coração com amizade e carinho,
    Luís Lopes

  17. Autor: Antonio Pedro Mateus

    Vim até vós, gente bonita, de forma inesperada, pela mão de uma pessoa que o mestre disse, um dia, ter “a chave” dentro dela.
    Me pequeninei ainda mais, na curta viagem que ainda levo convosco, perante a imensa luz que todos vós colectivamente irradiam, na esteira do Mestre De Rose, cujo nome levei tempo a saber pronunciar “Dê Rose”, insistia minha luz-guia, perante o agigantar da minha ignorância, onde eu insistia em tactear um “De Rose”… Mas depois, percebi que o coração do farol não estava no correcto pronunciar do nome da lâmpada, mas na luz que ela em nós despertava.
    Nunca pensei depois de conviver durante 10 anos, diariamente, com um gigante como Nelson Mandela, que haveria de levar igual banho de magia, no sorriso de saber, tão intenso quanto sereno, de uma pessoa deslumbrante, como Mestre de Rose.
    Obrigado por existir. Sempre.

    DeRose |

    Sempre fidalgo, meu amigo Mateus. Grato por suas palavras generosas. Um forte abraço do DeRose.

  18. Autor: carla mader

    Nossa Mestre, estava sua discípula a mudar os canais quando me deparei com uma matéria intitulada: Capoterapia! Adivinha! Capoeira como terapia para a terceira idade! Fiquei em choque, mostrava os idosos em uma caricatura de movimentos que tentavam ser a sombra dessa luta!
    Fiquei tão indignada que nem lembrei de ver a emissora e o programa, tamanho meu assombro!
    Mas basta procurara no google que encontramos tudo sobre essa invenção.

    DeRose |

    Eu não queria confessar, mas tudo o que está escrito ali é profético!

    Alexandre Montagna |

    hahahaha.. Absurdamente chocante!!

  19. Autor: Belgrano estudiando

    ¨All truth passes through three stages. First, it is ridiculed. Second, it is violently opposed. Third, it is accepted as being self-evident.¨

    Arthur Schopenhauer. German philosopher (1788 – 1860)

  20. Autor: DeRose

    Sobre o seu comentário a respeito da Índia: Estimado Jair, você tem uma maneira de colocar as coisas parecida com a minha. Bem sincera e veemente! Às vezes, isso pode trazer problemas. Eu contratei uma assessora cuja função é moderar o meu discurso para que ele não agrida sem querer a quem quer que seja, já que essa não é a minha intenção e certamente também não é a sua. Embora você tenha razão em quase tudo, é preciso saber dizê-lo. Eu estou aprendendo a fazer isso (devagarinho). Contudo, as coisas não são exatamente como nos contam sobre a Índia, a maior democracia do mundo. Depois de vinte e quatro anos de viagens à Índia, passei a admirá-la bem mais. Cada vez que eu retornava ao Brasil notava que a percepção que alguns têm da Índia é similar àquela que os Europeus têm da América Latrina (oops!). O que nem sempre corresponde à realidade. Sobre as castas há um caso interessante. Um pária (intocável) chegou a Presidente da República na Índia. Isso é sensacional e coloca em dúvida a questão da rigidez da divisão das castas. Também não sei por que isso escandaliza tanto os ocidentais, já que temos um sistema de castas igual e tão rígido quanto. Se um jovem da favela resolver namorar e se casar com uma jovem de outra classe social isso vira uma tragédia grega e pode sair até morte. A discriminação social no ocidente é atroz. Posso lhe testemunhar isso, pois nasci em uma família aristocrática, bem situada economicamente e de ascendentes na nobreza europeia, mas rejeitei o “sistema”. Optei por tornar-me um sem-casta. E o mundo me fechou as portas. Aos poucos estou aprendendo a deixar de ser adolescente (com a minha idade, já estava em tempo) e à medida que comecei a aceitar o stablishment ele também passou a me aceitar. A Índia não é o que a percepção ocidental diz dela. Há exageros para cima e para baixo.
    PS – Gostou dos posts sobre cães?

  21. Pingback: Ao longo de 5000 anos muita deturpação pode acontecer — Yôga no Morumbi

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  23. Autor: Franco en Arequipa.

    Hola mestre DeRose:

    El diario ¨El Comercio¨ (Lima, 19/12/9), publicó un artículo sobre un hallazgo arquelógico de la cultura Cupisnique (Perú). Me pareció interesante compartir una de las fotografías. Le llamaron, el ¨Contorsionista de Puémape¨ (200 a.C.).

    Abrazo.

    F.

    P.D.: Según los especialistas, representaciones escultóricas parecidas, de estos personajes enigmáticos, se repiten en otras culturas del Preclásico mesoamericano de la altiplanicie del Anahuac, México y del Formativo Tardío de los Andes Septentrionales (Ecuador).

  24. Autor: Franco en Arequipa.

    Hola mestre DeRose:

    El diario ¨El Comercio¨ (Lima, 19/12/9), publicó un artículo sobre un hallazgo arquelógico de la cultura Cupisnique (Perú). Me pareció interesante compartir una de las fotografías. Le llamaron, el ¨Contorsionista de Puémape¨ (200 a.C.).

    Abrazo.

    F.

    P.D.: Según los especialistas, representaciones escultóricas parecidas, de estos personajes enigmáticos, se repiten en otras culturas del Preclásico mesoamericano de la altiplanicie del Anahuac, México y del Formativo Tardío de los Andes Septentrionales (Ecuador).

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    DeRose |

    A imagem não entrou.

  25. Autor: Vivekananda

    Qui qui é issu? O Yoga tem 5 mil anos de existência. E a Medicina? Se contarmos a partir de Hipócrates, cerca de metade disso. Daquele tempo até os dias de hoje, muita coisa mudou, a medicina progrediu e muito. Esperava-se que o Yoga (assim como todos os ramos do conhecimento humano) também tivesse um progresso natural. Mas, qual o que, o Yoga bom mesmo é o “original”, o pré-histórico, que chegou a nossos dias graças a… a quem mesmo? Segure-se para não cair no chão rolando de tanto rir, mas foi graças a um guru invisível. Ele transmitiu por via espiritual tais conhecimentos originais a um brasileiro que recebeu a dádiva e divulgou-a em sua imaculada forma.
    Muito bom! Ensino puro, original, sem progresso (pra que?) e transmitido por meio místico – nada mau para alguém que renega o misticismo no Yoga… Vamos pegar os livros originais de Hatha Yoga e respeitar sua letra, onde afirma-se que o ar inspirado vai para o estômago… Afinal, o livro é antigo, “puro e perfeito”… Vamos negar a influência do Hatha Yoga de Caio Miranda, autor muito anterior a de Rose que já usava a incomum expressão “não abastardar o sexo” em seus livros. E o que dizer da ameaça para quem procurar conhecimentos de outras variedades do Yoga? Apenas o “original” tem valor, o resto são deturpações. E não busquem conhecimentos fora disso, as egrégoras se misturam, o buscador vai se dar mal. Não, não há misticismo nisso, tudo é bem racional.

    DeRose |

    Bom dia, viveka. Pela sua redação você é uma pessoa inteligente, portanto, entendo que um diálogo entre nós pode enriquecer-nos a ambos. Muitas vezes, os debates entre aqueles que discordam são os mais produtivos.

    Apesar do seu texto ser muito lúcido, não entendi algumas passagens sobre as quais você poderá me esclarecer. Não compreendi a expressão “puro e perfeito”. Não me lembro de ter escrito isso. Também não entendi por que você quer negar a influência do Mestre Caio Miranda (“Vamos negar a influência do Hatha Yoga de Caio Miranda, autor muito anterior a de Rose que já usava a incomum expressão “não abastardar o sexo” em seus livros.”). É preciso prestar a ele o devido reconhecimento, como faço nos meus livros, afinal suas obras muito me ensinaram quando as estudei em 1960 (A Libertação pelo Yôga) e 1962 (Hatha Yóga, a ciência da saúde perfeita). Por isso, também, fiz uma dedicatória em memória a ele no nosso livro Tratado de Yôga.

    Acho que você é um estudioso bem-intencionado. Por isso, gostaria de manter uma conversação adulta e polida entre nós. Afinal, estamos do mesmo lado: o lado do Yôga.

  26. Autor: Vivekananda

    Olá, obrigado por manter as portas abertas para o diálogo; vivemos tempos difíceis, não são todos os que tem grandeza suficiente para isso. O que não entendi foi o que me pareceu ser uma contradição: escreveu-se um exemplo hipotético de deturpação da capoeira, objetivando (obviamente) fazer um paralelo sutil com supostos séculos ou milênios de deturpação no ensino do Yoga, não é mesmo? O assunto é muito extenso, vou procurar mostrar alguns pontos que não entendi – talvez até por não ter dedicado muito tempo a um aprofundamento sobre o assunto. Vou direto a alguns pontos básicos que me motivaram a escrever meu comentário: quem garante que aquele que escreve sobre deturpação não tenha agido assim quando codificou o Swasthya? Onde acessar as fontes da origem do Swasthya, que me garantem que seu ensinamento não é uma deturpação? Ao escrever isso, passa-se a ideia de que existe um sistema superior a outros. Minha interpretação está correta?
    Há algum tempo vi alguns vídeos sobre coreografias do Swasthya. Achei bonito e interessante, mas a pergunta foi inevitável: isso é Yoga? Yoga é dança? Ou seja, a pergunta volta à questão: isso também não seria mais uma deturpação do Yoga?

    DeRose |

    Eu é que lhe agradeço por aceitar o meu convite ao diálogo.

    1) Sua questão é válida. Não há nenhuma certeza sobre as propostas do SwáSthya. O que existe é um esforço sincero para buscar as raízes mais antigas e a constatação pela prática de que as premissas estão sendo confirmadas, em função dos resultados obtidos.

    2) As fontes são, em parte, históricas e arqueológicas. Em parte, estão na mitologia e nas lendas. Algumas constam na bibliografia mais séria (Mircea Eliade, Van Lysebeth etc., assinalados nos meus livros). Outras foram colhidas em 24 anos de viagens à Índia e na transmissão oral. A fundamentação está publicada nos dois livros Quando é Preciso Ser Forte e Tratado de Yôga. É muita documentação para re-publicar aqui.

    3) Sua dedução está correta. Passa-se a ideia de que existe um sistema que é mais antigo e, portanto, satisfaz as expectativas dos que buscam um acervo anterior à ocupação ariana. Ao inspirar autoconfiança e incentivo ao estudante, trata-se de um recurso da pedagogia hindu tradicional. Sivánanda escreveu muitos livros sobre diferentes ramos de Yôga. Quando escreveu sobre Kundaliní Yôga dava a impressão de que fazia apologia de que esse era superior a todos os demais ramos. Mas quando escreveu sobre Hatha, deu a mesma impressão. E quando escreveu sobre Tantra também deu a mesma sensação.

    4) O criador mitológico do Yôga tinha o título de Rei dos Bailarinos. Se o Yôga tivesse sido criado por um artista marcial, seria lógico que fizesse recordar uma luta. Tendo sido criado por um bailarino, faz sentido que pareça uma dança. Mas isso foi alterado com o tempo, principalmente após a colonização inglesa que produziu uma contaminação do Yôga indiano pela ginástica britânica dos séculos XVII, XVIII, XIX e XX. Entre outros desnaturamentos está a repetição dos ásanas três vezes, cinco vezes e até setenta vezes! O Yôga primitivo inspirava-se nos movimentos do animais e estes não fazem repetições ao exercitar-se. Alongam-se uma só vez com as patas dianteiras, uma só vez com as traseiras, mas não aplicam o “um, dois, um, dois” da ginástica ocidental. A repetição foi inserida no contágio causado pelos ocidentais. Havendo repetição, não pode ocorrer encadeamento de técnicas que permitem o vínculo com as origens proto-históricas na dança e nos movimentos de alongamento dos animais.

    É interessante, porque quando declaro que é Yôga, sempre encontro alguém que questiona que isso não é Yôga. Mas quando apresento como Método DeRose as pessoas declaram: “Ah! Isso é Yôga…”

    Ossos do ofício!

    Espero ter esclarecido as suas questões. Um forte abraço pelo seu interesse.

  27. Autor: Lulo

    :) ese texto es genial!
    Gracias Mestre, muchos besos!!

  28. Autor: Nádia Branco

    Este texto é riquíssimo.
    Obrigada querido Mestre por, mais uma vez, elevar os padrões. Já tive a oportunidade de o ouvir pessoalmente, em curso, e tenho que partilhar.
    Esta comparação pode ser aplicada a nós como a qualquer artista que domina sua arte e procura a forma mais pura do ensinamento.
    Procuremos o autêntico, sempre. O mais bonito, sempre, por consequência.
    O que fala por si e brilha por si.

    DeRose |

    Obrigado, Nádia. Um forte abraço.

  29. Autor: Ailen Iglesias

    Querido Mestre
    le quería acercar este texto que es una carta de un poeta y escritor muy conocido y admirado: Héctor Viel Temperley.
    La escribió a su hija, en ese momento de 11 años de edad.
    Me pareció simplemente maravillosa, también en relación a “Palabra es mantra” y los nombre de las cosas/personas, y tantas otras cosas más :)

    Un abrazo gigante y fuerte desde esta fria y húmeda Buenos Aires.

    Ailén

    pd. el permiso para poder publicarla fue pedido, cualquier información más pueden visitar la página en facebook: Héctor Viel Temperley.
    ———————————————
    Buenos Aires, 10 de Diciembre

    Mi señora María Victoria,

    El otro día hablamos algunas cosas sobre tu carácter y te dije que iba a escribirte una carta. La escribo con amor, con pasión, luchando porque lo que tengo que decirte te penetre, entre hasta lo más profundo de tu edad, tu inteligencia y tu sensibilidad.

    En algunas cosas María Victoria,
    Creo que te estás engañando y que sería muy bueno que vieras tu engaño lo antes posible.
    Lo antes posible porque no tenemos tiempo que perder y porque, a tu edad, los cambios son terriblemente importantes.

    Voy hacer todo lo posible por ser claro.
    Espero que no ofrezcas demasiada resistencia a lo que digo, aunque se que te cuesta muchísimo reconocer que podes estar equivocada.

    Quisiera ser muy claro, poder decirte exactamente como debemos vivir. Pero eso es imposible.
    Además cada uno debe tener su estilo.
    Cada uno debe vivir según lo sienta.
    Pero eso sí mi amor, nadie debe vivir de una manera que no sea auténtica, que no sea humana. El mayor esfuerzo que debemos hacer en esta vida es el de llegar a ser cada día más humanos, más parecidos al hombre y a la mujer según fueron creados.

    Con esto quiero decirte que me preocupa verte tratando de hacer y hacer cosas casi con perfección.
    Hace pocos minutos, un amigo que estaba conmigo hablando del mismo tema recordó que las máquinas y no los seres humanos son las que están hechas para hacer cosas casi perfectas.
    Los humanos estamos hechos para vivir, no para hacer cosas.
    Estamos hechos para aprender a vivir, para entendernos, cuidarnos, comprendernos, y después entender y cuidar a los demás. Sin la fiebre de hacer y hacer cosas.

    El secreto es ser auténtico y tierno.
    Pensá en la ternura. La ternura es profunda como el corazón humano.
    La perfección no es profunda, es solamente un ideal imposible de alcanzar porque no tiene raices en el corazón del hombre. Llorar, equivocarse, y luchar es humano. Ser perfecto no lo es.
    Y además la perfección esconde siempre algo frío, no puede ser amada por nadie.

    Hablando más simplemente mi amor, te aconsejo que no te preocupes tanto de que las cosas se hagan bien. Preocupate más de tu vida, de tus sensaciones, de tus sentimientos. Que los demás puedan encontrar a una María Victoria que comprende todo lo humano, no una María Victoria que sabe cómo se deben hacer todas las cosas.

    He conocido, desgraciadamente, muchas personas que sabían cómo se debe hacer cada cosa y que un día se encontraron vacías, frías, solas, incapaces de amar y comprender la ternura.

    Tratá, mi amor de vivir según el fuego de tu corazón y no según el mundo que te rodea.
    No dejes que el mundo exterior, colegio, amigas, parientes o lo que sea, te dirijan y te enseñen cómo hacer las cosas. No te vendas nunca para lo de afuera, viví para lo tuyo, para lo de adentro, para lo más auténtico de tu persona.

    Tanta gente se equivoca creyendo que conocen la verdad, animándose a enseñar y a juzgar al prójimo.
    Es muy fácil juzgar y es muy fácil enseñar, pero mucho mejor es vivir y hacerse respetar sin preocuparse de los demás. Hacer las cosas perfectas, como una máquina, no es tan fácil, pero tampoco es muy lindo.

    María Victoria, no te dejes vencer ni engañar.
    No creas que te llamas Victoria para hacer las cosas bien.
    Te llamas Victoria para vencer sobre el frío de las cosas del mundo y lo vacío y duro de la mayoría de la gente.
    Te llamas Victoria para decir cosas como esas del dibujo de las olas altísimas que me regalaste.
    Te llamas Victoria para vencer nadando, entregándote en cuerpo y espíritu al amor, a la ternura.

    A demás, amor, la Victoria nunca es perfecta. Pero es humana.
    María Victoria, amor, no te dejes engañar y menos vencer.
    Yo no voy a dejar de nadar, si Dios quiere, hasta ser un hombre de verdad.
    Me gustaría que en ese mismo mar nadara María Victoria hasta llegar a ser una mujer verdadera.
    Dios te ayude y me ayude, y que alcancemos juntos la victoria.

    Un beso inmenso Etomín, 1970

    DeRose |

    Muy lindo. Gracias!

  30. Autor: Ailen Iglesias

    Mestre, disculpe la longitud, la idea era la última parte :)
    donde dice porqué le puso Victoria!

    gracias,

    Ailén

  31. Olá, Mestre!
    Segue o link do artigo que conta a história das notas de cem!
    É um grande exemplo da eficácia do nosso trabalho!
    Um grande beijo de seu discípulo.
    DeBona

    http://rodrigodebonametodo.blogspot.com.br/2012/01/mentalize-coisa-certa-do-jeito-certo.html

    DeRose |

    Obrigado, amigo. Beijão.

  32. Autor: Sidney

    Oi, Mestre DeRose!

    Parabéns pelo excelente texto!
    Gostaria de contribuir com um vídeo sobre a civilização Harappa:

    Obrigado,

    Sidney Batista Filho
    Sádhaka da Escola do Método DeRose de Copacabana – Rio de Janeiro

    DeRose |

    Muito bom vídeo, Sidney. Obrigado.

  33. Autor: Sidney

    Esse vídeo e o postado pelo Martin Pereira, reforçam a idéia de que existiu sim, uma civilização muitíssima avançada em tempos pretéritos!
    Abraços,

    Sidney Batista Filho
    Sádhaka da Escola do Método DeRose de Copacabana – Rio de Janeiro

  34. Autor: Ailen Iglesias

    Querido Mestre

    Viendo la webclass, busqué para sacarme una duda,
    y encontré la versión completa, online, en castellano
    además la famosa frase, se la paso, para que le quede cerca :)

    “Los hermanos sean unidos
    porque ésa es la ley primera,
    tengan unión verdadera,
    en cualquier tiempo que sea,
    porque si entre ellos pelean
    los devoran los de ajuera.”

    (ajuera = afuera)

    http://www.martinfierro.org

    le mando un abrazo grande grande,
    gracias nuevamente por darnos la posibilidad de estar cerquita suyo!

    Ailén

    DeRose |

    Gracias, Ailen. Entonces esta es la versión completa! Abrazote.

  35. Autor: quemdisse

    Olá. Tenho um especial que fala sobre meio amibente, segue o link: http://www.quemdisse.com.br/tema.asp?tema=29&t=frases-sobre-meio-ambiente .

    DeRose |

    Muito boa. Obrigado.
    Aproveito para lhe consultar sobre como oferecer as frases do meu livro “Pensamentos”.
    Abraços.

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