A idolatria do diploma
Por Cláudio de Moura Castro,
para Ponto de Vista, Revista Veja, de 21 de junho de 2006.
Na época em que era aluno de Mário Henrique Simonsen na pós-graduação, seu nome já estava no catálogo de Harvard, como professor visitante de economia. Paradoxalmente, era também aluno do 2º. ano de graduação em uma faculdade de economia (sem nenhuma distinção). Por ser economista da Federação Nacional da Indústria, sem ter o diploma, o Conselho de Economia o obrigou a fazer o curso (não assistiu a uma só aula). Se adotasse o mesmo critério, a Academia de Ciências da Suécia não daria o Prêmio Nobel de Economia a Herbert Simon e Daniel Kahneman, ambos psicólogos.
O diploma não passa de um atestado de que o seu portador cursou o programa indicado e teria satisfeito requisitos formais. Não é bom nem mau. Depende do uso dado a ele.
Nos casos benignos, oferece informações úteis. O diploma e sua reputação informam a quem precisa saber. Pode atestar conhecimentos específicos (o diploma de encanador do Senai atesta que praticou na escola o que fará na minha casa). Em outros casos, é mais vago, por exemplo: administrador, filósofo etc.
Em certas profissões, faz sentido que a lei exija o diploma, pois protege consumidores indefesos. É o caso de profissões em que o erro tem conseqüências graves (saúde, acidentes). Ou nas quais quem contrata o serviço não está em condições de avaliar o profissional. Nesses casos estão médicos e pilotos, em quem temos de confiar sem dispor dos meios de checar seus conhecimentos. Mas quem contrata engenheiros mecânicos ou administradores sabe avaliar competências, portanto não precisa ser “protegido”, sobretudo, por conselhos interessados em restringir a oferta.
Nos casos mais malignos, assegura a reserva de mercado, impedindo o trabalho de quem sabe, mas não tem o diploma. Por exemplo: Chateaubriand e Roberto Marinho não poderiam ser jornalistas hoje. Em contraste, como a Constituição alemã garante a liberdade de expressão, lá não se pode exigir diploma para ser jornalista.
Pela nossa Constituição, é o MEC que cuida dos diplomas requeridos para ensinar nas universidades. Não obstante, os conselhos vêm tentando usurpar tal prerrogativa, ilegalmente impondo exigências de diplomas para a docência.
Se no mundo inteiro fossem recrutados os melhores professores de administração, pela interpretação capenga do conselho, nenhum deles poderia ensinar em nossas faculdades, pois não são formados em administração. Ou seja, os alunos estudam nos seus livros, mas eles estariam proibidos de ensinar.
O próprio MEC é pródigo em prestigiar diplomas e desvalorizar a experiência e a competência. Músicos como Villa-Lobos, Turíbio dos Santos e Jacques Klein não poderiam ensinar em universidades. E Portinari, que nem tinha o primário completo?
Na UFRJ, um aluno brilhante de física foi mandado para o MIT antes de completar sua graduação. Lá chegando, foi guindado diretamente ao doutorado. Com seu reluzente Ph.D., ele voltou ao Brasil. Mas sua candidatura a professor foi recusada pela UFRJ, pois ele não tinha o diploma de graduação. Luiz Laboriou foi um eminente botânico brasileiro, com Ph.D. pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) e membro da Academia Brasileira de Ciências. Mas não pôde ensinar na USP, pois não tinha graduação.
[...]
Podemos e devemos fustigar os rábulas da nossa cartoriolândia. Se não protestarmos, quem o fará? Mas eles são apenas beneficiários. No fundo, a culpa é nossa, pois idolatramos os diplomas e deles somos as vítimas.






Isso me fez lembrar de um caso que aconteceu com meu tio,hoje já falecido. Ele era professor de História e O.S.P.B. Já com quase seus 60 anos de idade, resolveu fazer faculdade de Direito. Iniciou a faculdade, primeira fase, em seu primeiro debate com os professores, disseram para ele passar de fase, e assim aconteceu na segunda fase, e sucessivamente. Até que disseram. Nivaldo, você sabe mais que nós que somos professores, pegue o seu diploma! Em menos de 1 ano ele se formou em Direito e obteve o diploma. Bom, ele nunca exerceu a profissão, a faculdade foi fazer de curioso. Continuou dando suas aulas de História e OSPB, dirigindo um dos cursinhos dos quais era sócio e trabalhando também no Colégio Estadual. Nas horas vagas, devorava os livros, lia muito. Chegaram a perguntar quantas vezes tinha ido a França devido a minúcia com que descrevia os vitrais da Catedral de Notre-Dame. E sabe quantas vezes ele foi? Nunca, ele jamais esteve na Europa.
Ai ai Mestre, nem sei o que dizer ao ler este post. Num passado não muito longínquo, batemos um papo meio rápido sobre isso no Salão Nobre da Câmara Municipal…
Essa luva coube certinho, viu???
Beijos com muita saudade.
Beijinho de boa noite.
Tá vendo, Regina? O conhecimento não pode ser medido por diplomas.
Com certeza, conhecimento só se adquire com estudo, leitura, viagens. Prá mim, diploma nunca foi sinônimo de conhecimento, mesmo porque muitos dos que o tem, compraram, ou passaram colando. E quantos adquiriram por mérito e nem exerceram a profissão. Conheci pessoas que se formaram em medicina e viraram pasteleiros e outras que viraram carolas de igreja de porta de garagem.
Oi Mestre!
Tudo bem?
Este post não tem a ver com o assunto do diploma, e sim é uma excusa para falar com vc.
Queria lhe contar que o livro de bolso que vc revisou ano passado (e aprovou, eba!) já está quase quase virando livro de verdade.
Achei inversor, achei unidade (de Buenos Aires) interesada em ter lo como produto próprio, e achei editora. Quase tudo o que um livro quer ter! Porém, faltam duas coisas: uma, a tapa, que está sendo confexionada e em breve vc a conheçerá quando pasar por aprovacão. E a outra coisa que falta é… o prefácio! Vc me daria a honra de prefaciar o livro…? (sim, sim, sim!)
Eu vou amar ter o prefácio seu, como sempre!
Aguardo ansiosa a sua resposta.
Beijinho e boa noite!
Anahí, desde Pilar.
PD: como é um livro de bolso, o prefácio pode ser pequeno… quase um sútra, se quiser!
Obrigaaaadaaaa!
Claro, Anahizoca. A honra é minha de lhe escrever um prefácio. Vou procurar no meu PC, pois acho que já está feito. Beijos e sucesso.
Eba! vou dormir feliz.
Beijão.
Amahí
O diploma realmente é um mal necessário. E não basta só tê-lo. É preciso que seja de uma instituição conceituada. Sou engenheiro eletrônico e já tive superiores capazes de contratar e promover profissionais pela sua competência e experiência. No caso era um colega auto didata. Mas isso é raro e o RH das empresas normalmente o julgam pelo diploma. De alguma forma precisamos sim provar(através de diplomas e certificados) por onde estudamos e trabalhamos, o problema é a banalização dos mesmos.
Abr,
Gus
Concordo, Gustavo. É o caso do Certificado de Instrutor. Todos os profissionais formados possuem o Certificado, mas há incontáveis nuances entre eles de estudo, conhecimento, experiência, engajamento, excelência técnica e até mesmo de atitude e comportamento.
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… Que emocionante (y bien editado) que está, el vídeo de graduación, divulgado previamente a las webclasses en el DeRose Livestream.
F.