Em 1975 viajei à Índia pela primeira vez. Depois, anualmente durante vinte e quatro anos. Ao retornar da primeira viagem, comecei a oferecer o chai aos alunos. Todos gostaram, mas a ideia não pegou. Eu só tinha uma escola e no Rio de Janeiro, na época, argumentava-se que o chai era quente e não deveria servir para o Rio, que tinha elevadas temperaturas. Eu contra-argumentava que se fosse assim, ninguém deveria tomar cafezinho quente e isso era (e ainda é) uma mania nacional.
Passaram-se os anos, repetiram-se as viagens à Índia e eu insistia no chai. A nossa rede cresceu e expandiu-se por quase todo o país, bem como por Portugal, Argentina e, mais tarde, pela França, Inglaterra, Itália, Espanha, Estados Unidos etc.
Mas, curiosamente, embora todos declarassem que gostavam do chai, a ideia não pegava. O paradigma ocidental contemporâneo era de que uma escola de hinduísmo no Ocidente tinha que ter chazinho naturéba. Você sabe: aquelas infusões muito boas para a saúde, mas com gosto ruim. Acontece que não trabalhamos com terapia, nem com gente doente. Mas o pior era o fato de que esse costume constituía um falso estereótipo e nós somos contra estereótipos, especialmente os falsos.
Um dia perdi a paciência e disse que a escola que insistisse em servir “chazinhos” naturébas não estava alinhada conosco. Que o chá da Índia era o chai e que eu não queria ver outro que não fosse o chai nas nossas escolas. Aí, funcionou! Todas as nossas escolas começaram a servir o chai e assim o fizemos durante alguns anos.
Pouco a pouco, vimos aparecer o chai nesta e naquela casa de chá, bem como em alguns restaurantes mais finos. Mais algum tempo se passou e o chai se fez presente em algumas entidades culturais. Ele já estava bem popular quando a rede Globo lançou uma novela inspirada na Índia. Nossos milhares de alunos que eram aficcionados do chai exultaram ao ver na TV a nossa bebida institucional. Daí para a frente, passamos a encontrar chai em toda parte, alguns deles intragáveis. Em muitos restaurantes, inseriam no cardápio uma explanação que era a cópia literal dos nossos textos explicativos sobre o chai.
Por tudo o que foi descrito, julgamos que fomos nós que introduzimos o chai no Brasil, Argentina e Portugal.
Como preparar o chai
(texto extraído do nosso livro “Alimentação biológica”)
Na Índia, o chai é feito com leite e, eventualmente, com condimentos. Muitas vezes, vi os hindus preparando o chai na rua. É muito simples.
Eles colocam em uma panela sobre o fogo a quantidade desejada de água, para um copo, dois copos etc. Juntam a quantidade de leite que é quase igual à de água. Colocam a erva do chá preto e o açúcar. Quando sobe a fervura, está pronto! Retiram do fogo e servem.
No entanto, o chá preto não deve ferver porque se torna tóxico. Claro que uma leve fervura não faz mal, porém se puder evitar é melhor. Então, sugiro que você coloque a água para ferver antes, desligue o fogo e – só então – coloque a erva do chá preto, o leite e o açúcar. Açúcar branco, é claro! Na Índia nunca vi o tal de açúcar mascavo. Mas se quiser, tome sem adoçar, pois o adoçante artificial é execrável.
Masala tea, ou masala chai, é o que leva especiarias. Existe um composto que se pode encontrar em alguns importadores de condimentos, denominado tea masala. Masala (pronuncie “massála”) é masculino e significa blend. Basta colocar um pouco do pó, a gosto.
Ginger tea, ou ginger chai, é feito com gengibre, o qual deve ser cortado em fatia finas ou ralado e posto na água que vai ferver. Nesse caso, deixamos ebulir alguns instantes para retirar o sabor e os princípios ativos do gengibre, antes de prosseguir na confecção do chai.
Para variar e também para dar uma refrescada no hálito, pode-se acrescentar cardamomo. Ou em pó, ou em sementes. Neste caso, retiramos as sementes da palha e esmagamo-las com uma faca ou pilão.
É de bom tom coar antes de servir, a fim de evitar fragmentos do gengibre ou do cardamomo.
Use um tipo de chá preto forte. As marcas inglesas costumam ser as melhores e são produzidas na Índia. Os melhores chás ingleses são do tipo Assam e Darjeeling, pois deixam o chai encorpado, com boa cor, aroma e sabor. Os chás pretos sul-americanos não devem ser utilizados porque são muito fracos e têm um sabor bem diferente, em nada aparentado com o do verdadeiro chá preto indiano. No Brasil, os chás indianos ou ingleses são muito caros, mas na Inglaterra e nos Estados Unidos são extremamente baratos. Vale a pena fazer uma viagem para se abastecer.
E um bom chai para você!




quinta-feira, 28 de abril de 2011 às 8:25
Bom dia Mestre!
Nossos alunos adoram o chai! Inclusive, ele é vendido em um café quase em frente à escola, mas os alunos acham o nosso muito melhor.
Abração!
Maicon Casagrande
Méthode DeRose Rive Gauche
DeRose Reply:
abril 28th, 2011 at 9:06
É sempre assim. O nosso é muito melhor. Abraço forte.
quinta-feira, 28 de abril de 2011 às 10:04
Ahahahaha querido Mestre e Maicon é engraçado isso né ?
De vez quando os alunos também nos dizem : ai esperei a semana toda por um chai ahahahaha.
Um beijo enorme e boa viagem
Soninha
quinta-feira, 28 de abril de 2011 às 10:37
Hola Mestre!
mi nombre es Agustín. Practico en la Sede Belgrano de Buenos Aires pero ahora estoy viajando por Asia trabajando como fashion model.
Relacionado a esto, quería comentarle dos cosas.
primero, es interesante como, en contra de los prejuicios y estereotipos, muchos models son personas inteligentes y con búsquedas profundas.
segundo, me sorprendí al ver a un amigo italiano que trabaja como model pero cuya pasión es bailar. Se especializa en breakdance pero a eso suma danza contemporánea, acrobacia y, casi sin saberlo, ásana!!!
no se si su estilo será de su agrado pero me llamó la atención y me parece que vale la pena verlo.
http://youtu.be/lBRQJYPP4bo
saludos desde Beijing!
DeRose Reply:
abril 28th, 2011 at 20:56
Hay cosas lindísimas y de alta performance acrobática en esa modalidade. Gracias. Un abrazo desde Paris.
quinta-feira, 28 de abril de 2011 às 11:17
Hola queridisisisisimo Maestro DeRose,
Yo deje mi Mexico hace casi 12 años y nunca escuche hablar del chai alla en mi tierra; el chai lo vine a conocer con mi querida Melina en nuestra unidad de Copacabana y recientemente supe que tambien esta de moda actualmente en Mexico. Y eso que alla desgraciadamente no existe el método DeRose (TODAVÍA), osea que nuestra cultura influeye aun sin nuestra presencia, que bueno, no?
Te mando un abrazo de oso bien apretado.
Marga.
DeRose Reply:
abril 28th, 2011 at 20:53
Todavía!
quinta-feira, 28 de abril de 2011 às 14:21
Super simples!
quinta-feira, 28 de abril de 2011 às 14:27
regginnawzarling.wordpress.com
Houve um tempo quando minha sobrinha ainda era solteira que os amigos dela vinham com ela me visitar só para tomarem chai. Ela chegava e ja dizia: _ Oi, viemos tomar chai!
Bjs
Regina
quinta-feira, 28 de abril de 2011 às 17:44
metododerose.cl
Mestre,
A receita de Chai da Rede DeRose é melhor que eu já probe.
O Embaixador da India em Chile quando estamos junto a outras pessoas fala: Eles fazem um massala (Chai) muito bom!
Abrazo grande!!!
Gabriel
quinta-feira, 28 de abril de 2011 às 19:23
Olá Mestre,
Mesmo aqui na Bahia, região de clima tropical, às vezes muito quente os alunos curetm demais o chai, quando pedirem a receita vou dizer para acessar o blog.
beijo grande.
Instrutor Daniel Cardoso
Unidade Itapuã-BA
sexta-feira, 29 de abril de 2011 às 8:37
Querido Mestre
Como é bom chegar à escola e ter aquele cheirinho a chai, acabadinho de fazer… humm delicioso! E depois o ritual de sentar com os outros alunos a conversar e a saborear! Momentos encantadores!
Obrigado
Abraço Forte
Maria Joao Marinho
DeRose Reply:
abril 29th, 2011 at 13:38
Beijiinho, querida.
sexta-feira, 29 de abril de 2011 às 19:56
Aprovado pelo paladar Caboverdeano (África).
Abraços
DeRose Reply:
abril 30th, 2011 at 5:28
Fico feliz!