Mas como é na Índia?
Eu viajei para a Índia durante 24 anos. Frequentei vários tipos de estabelecimentos, desde as escolas até os mosteiros, dos mais sérios aos que já estavam contaminados pelo consumismo ocidental – e percebi as diferenças. Mas, em todos eles, ocorria um mesmo fenômeno. Os alunos indianos entravam na sala de aula com cara normal e roupa normal, muitas vezes praticando de calça e camisa. Os ocidentais, no entanto, pareciam um bando de alucinados que se destacavam dos hindus por serem os únicos a estar vestidos com “roupa indiana”, isto é, o equivalente àquelas camisas hipercoloridas e cheias de flores que os turistas estrangeiros usam no Brasil por acharem que aqui é assim que o povo se veste. Será que não percebem que nenhum brasileiro está portando aquelas camisas espalhafatosas, ou que nenhum indiano está vestindo a tal de “roupa indiana” (especialmente as famosas “saias indianas”, que nenhuma indiana veste)?
Durante a aula de Yôga, os hindus preservam a fisionomia de pessoas perfeitamente normais, sorriem, interagem com os colegas e com o instrutor, às vezes até fazem gracejos. Os ocidentais, pelo contrário, mantêm-se muito taciturnos, com cara de santo cristão e, às vezes, babam um pouco.
Frequentemente os instrutores que levei em minhas viagens, para conhecer o verdadeiro Yôga da Índia, observaram:
– DeRose, você já percebeu que os ocidentais ficam com cara de malucos quando entram numa sala de Yôga e que os indianos são como nós do SwáSthya e preservam a cara normal?
Pois é. Aí está o x da questão. O ocidental vai à Índia, olha, mas não vê. Ouve, mas não escuta. Tanto que volta falando “ióga”, embora todos lá pronunciem Yôga, com ô fechado. É uma questão de paradigma. O ocidental enfurnou no bestunto que Yôga deveria ser de uma determinada forma. Depois ele viaja para a Índia e não consegue perceber que lá é diferente do clima cristianizado, naturéba e alternativoide que grassa no Ocidente.
Uma das fantasias é que na Índia – e nas escolas de Yôga desse país – só se coma pão integral, arroz integral, açúcar mascavo e outros modismos ocidentais. Só que não é assim. Nas escolas de Yôga come-se muito bem, desfruta-se uma comida deliciosa (obviamente vegetariana!), bem temperada e, fora isso, normal. Certa vez, uma pessoa que estava no nosso grupo pediu arroz integral ao garçom do restaurante em Nova Delhi. O empregado trouxe arroz branco. A brasileira mandou voltar e instruiu-o com mais ênfase:
– Olha, meu filho, eu quero arroz integral, compreendeu? Arroz in-te-gral!
O coitado voltou com outra porção de arroz branco. Percebendo que não agradara, explicou:
– Mas o arroz está inteirinho, Madame. Eu mesmo ajudei o cozinheiro a catar só os grãos que não estavam quebrados.
Hoje já há alguns estabelecimentos com opções integrais para atender a turistas, assim como já existem escolas de Yôga para satisfazer os devaneios dos que pagam bem para que lhes vendam o que eles querem comprar, ou seja, aquilo que o ocidental pensa que o Yôga é.






Gsotei muito do texto, reflete bem o que acontece! E isso ficará mais evidente pelo fato da novela abordar o assunto.
Boa noite, Mestre!^-^
Embora não da mesma maneira, sei exatamente como é ter de conviver com pessoas que se dizem “entendidas”.
Como descendente de japoneses, já escutei cada uma…
“Chinês, japonês, não é tudo igual?” Quer comprar briga com os dois lados, basta falar isso. Eu ainda levo numa boa, tento explicar a diferença (a básica: o japonês nasceu do chinês, mas os caminhos trilhados pelas culturas não se misturam, embora se cruzem de vez em quando), mas sempre há quem não escute. ¬.¬
A maior prova disso é o famoso yakissoba. Por alguma peculiaridade que desconheço, o nome chinês parece não ter surtido efeito aqui – chow mein, pronúncia /chô-mei/. E para piorar a situação, também é servido em muitos restaurantes japoneses, apesar de ser um prato originariamente chinês; e nos restaurantes chineses, se pedir ‘yakissoba’, eles sabem do que se trata e não criam caso com a troca de nome!^-^
Mestre,
Primeiramente gostaria de parabenizá-lo pelo Blog.
Muito bacana poder ter esse contato direto com as suas mensagens. Eu já tinha lido e escutado essas histórias. Cada vez que leio seus textos, sinto como se estivesse
ouvindo – o pessoalmente.
Forte Abraço!
SwáSthya!
Que horror, né Omori-san? É ignorância supurada.
É muito triste, Mestre.
Ainda mais quando vem de onde menos se espera.
As pessoas das quais ouvi essa “pérola”, em sua maioria, têm estudo superior (desde faculdade até doutorado!), o que em tese deveria ter aberto (pelo menos um pouco) os olhos e as mentes para as diferenças existentes no mundo…
Outro dia estava observando as gravações da novela Caminho das Índias e percebi que nas filmagens feitas na rua ou locais públicos ninguém está usando “roupas indianas” só os atores da novela. Essa atitude dos produtores, ao meu ponto de vista pode ser duas coisas, ou eles realmente estavam chegados pela ignorância ocidental, ou acharam que iriam agradar mais ao público com aquelas roupas.
LA INDIA, MUCHO MÁS QUE UN VIAJE…
Carta escrita en el año 1994, al retornar del primer viaje a la India en compañía del Maestro DeRose.
A medida que el avión se acercaba al aeropuerto de São Paulo, Brasil, y los pasajeros se aprestaban a desembarcar, se mezclaba dentro de mí una desordenada cantidad de sensaciones y emociones que superaban mi posibilidad de análisis y reflexión.
Sentía que esto sería tarea para realizar más adelante, cuando todos los órganos de los sentidos dejaran de enviar tanto material para su procesamiento.
Regresábamos de la India, un viaje a la fantasía, al conocimiento, a la confirmación de lo aprendido, a la alegría, a lo inexplicable. Una cultura caleidoscópica, misteriosa y fascinante. Muchas veces, al recibir la pregunta ¿cómo es la India?, no sabría qué contestar, pues todas son verdades fraccionadas. Encontraba la respuesta en el poema de Eduardo Criado, quien con claridad la describe diciendo: “…impenetrable, de misterio llena, no puedo definirla. Se me escapa, cual pájaro que eternamente vuela…”
El avión continuaba descendiendo, giré la cabeza y allí, del otro lado del pasillo, estaba el Maestro DeRose. Un gesto distendido suavizaba los signos de cansancio que se leían en su rostro. Paternalmente me sonrió, tomé su mano y la apreté con fuerza y emoción; no hacían falta palabras para agradecerle tantas cosas.
Muchos cientos de profesores, antes que yo, habían participado junto a él de una experiencia similar. Más de treinta años viajando, enseñando, guiando, preservando la línea iniciática (transmisión directa de Maestro a discípulo) de nuestro tipo de Yôga, el SwáSthya. Una dedicación constante para evitar que el Yôga Antiguo se desvirtúe.
La voz de la azafata nos informaba que el aterrizaje se produciría en cuestión de minutos. Velozmente, una sucesión de imágenes comenzaron a revivirme momentos del viaje, como si no quisiera que llegara a su fin.
Recordé el arribo a Bombay, con su bullicio y el aspecto de gran ciudad; la amabilidad del Dr. Jayadêva Yôgêndra y su discípulo Pierre en el Yôga Institute Santacruz; Gôa, con sus magníficas playas sobre el Mar Arábigo y sus 200 catedrales, que le han valido el título de la Roma de Oriente; Udaipur y la aventura mágica de ingresar al mundo de la fantasía en el Hotel Lake Palace, ubicado en el centro del lago Pichola, una antigua residencia del Mahárána (Mahárája que participó en batallas).
El lujo de la construcción, la atención, las comidas típicas, el sonido de los instrumentos de música mezclado con el canto incesante de las aves, serán inolvidables.
Delhi, saris de colores deslumbrantes, entre miseria de gente reposada, colores, movimiento, el arte del comercio. Templos imponentes como el Birla, construido en honor de todas las religiones del mundo, donde se entremezclan multitudes de hindúes, católicos, budistas, jainistas, sikhs, parsis y musulmanes. El memorial de Gandhi, la mezquita más grande del mundo, el ashram de Aurobindo, los saddhus, mendicantes que semidesnudos se encuentran a lo largo y ancho del país, sin afectarles el calor, el frío o la lluvia y sin más bienes que lo que llevan encima. Busco en mi memoria y aparece la estación de trenes con su gentío parloteador. El amanecer en el tren rumbo a Agra.
Entre estas imágenes aparece imponente el Táj Máhal. Hablar sobre su belleza es como intentar describir la sonrisa de la Mona Lisa. Son creaciones artísticas que merecen ser apreciadas personalmente. En el caso del Táj Máhal, aunque uno lo haya visto repetidas veces, siempre lo encontrará más bello aún. Como una lágrima en la mejilla del tiempo, decía Rabindranath Tagore.
Una verdadera joya, testimonio del amor eterno del señor de Shah Jahan a su mujer, la emperatriz Mumtaz Máhal.
Luego, Khajurahô, templos de amor y vida, torres que se alzan como plegarias en piedra, expresiones infinitas de amor, talladas en forma de fino encaje en plena roca viva. El amanecer en el templo de Matangêshwar, construido en honor a Shiva, quedará para siempre en mí.
Las visitas a los Maestros, las extensas conversaciones que se extendían hasta el amanecer con el Maestro DeRose bajo la bóveda estrellada del cielo indio, la escuela tántrica, Rishikêsh y el Shivánada Ashram, los picos nevados de los Himalayas …
El suave golpe de las ruedas del avión sobre la pista me devuelve a la realidad. La experiencia concluye, pero nunca termina.
Otra vez, el poeta Eduardo Criado tiene, a través de la inspiración volcada en su poesía, las palabras adecuadas, “un gran deseo se me ancló en el alma, volver, volver de nuevo a aquella tierra antes de ser ceniza de la nada”.
Una vez más, gracias, Maestro DeRose.
Edgardo Caramella
Buenos Aires, marzo de 1994.
Quando fui a Índia, ainda não tinha contato com o Método e cometi esse mesmo erro de vestimenta, que vergonha!
Assim que cheguei, tratei logo de comprar umas batas indianas com ÔM e afins – cafonice pura – e à noite coloquei meu trage novo para sair com um indiano que, solícito, se propôs a me levar para conhecer Deli.
Ele disse que ia me levar no melhor lugar da cidade para jantar. Fomos para o TGI Friday´s!!
Só tinha moçada moderna, vestida como qualquer jovem em qualquer lugar do mundo… e eu de batinha com ÔM …
Depois em Puttaparthi, fiquei num ashram onde tinham 3 restaurantes, um com comida típica do sul da Índia, outra do norte e outra ocidental. Nos dois primeiros a comida vegetariana era colorida, saborosa, com muito creme e queijos e no último podia-se comer arroz integral, lassi light e vegetais no vapor …
Nada como ter um Mestre que nos elucide.
beijos
Alê Filippini
Unidade Alphaville / SP