Na verdade, discrimina judeus, muçulmanos, hindus, budistas, jainas, sikhs, adventistas e outras religiões. As companhias aéreas fazem isso sistematicamente, em praticamente todos os voos.
Como?
Não dando opções no cardápio e obrigando os clientes de todos esses grupos religiosos a comer carnes, muitas vezes de porco, ou ficar com fome. Certa vez, a aeromoça me disse candidamente: “Não é carne de porco. É presunto.”
As companhias argumentarão que é possível pedir alimentação especial. O argumento não é válido porque as comissarías não sabem preparar alimentos sem carnes e oferecem absurdos intragáveis que nenhuma semelhança têm com a gastronomia dessas culturas. Isso, quando os pratos, mesmo errados, pelo menos entram a bordo.
Durante mais de vinte anos eu solicitei alimentação especial, VLML (lactovegetariana) ou AVML (asiática vegetariana) especificando a subdivisão “hindu”. Jamais a comida entrou a bordo corretamente, razão pela qual nunca mais pedi refeição especial e rogo que se você fizer alguma reserva para mim não deduza que eu desejo essa alimentação. Apesar de tal recomendação ser antiga, já que consta de vários livros meus, diversos colegas ao fazer reserva para meus voos recentes, me penalizaram com essa surpresa (pois nem ao menos me consultaram!).
E, por isso, eu havia publicado o capítulo Alimentação vegetariana: chega de abobrinha!, do qual reproduzo o trecho abaixo:
“Jamais declare-se vegetariano num hotel, restaurante, companhia aérea ou na casa da sua tia-avó. É que todos eles têm a mesma vivacidade e vão responder:
– Eu gostaria de lhe preparar uma comida decente, mas já que você não come nada vou lhe servir uma saladinha de grama.
E, por mais que você tente explicar que vegetariano não é isso o que a esvoaçante fantasia do interlocutor imagina, sua probabilidade de sucesso é nula. Na caixa-preta dele já está selado, carimbado e homologado que vegetariano só come salada e ponto final.
Há vinte anos envio cartas e faço visitas de esclarecimento à comissaría e aos nutricionistas de uma conhecida companhia aérea. Mas nada os demove da sábia decisão de que conhecem melhor o vegetarianismo do que os próprios vegetarianos. E tome discriminação. Os mal-entendidos já começam ao fazer a reserva. Basta solicitar alimentação lacto-vegetariana, cujo código é VLML, para que o solícito funcionário do outro lado da linha registre alegremente:
– Ah! Vegetariano? Perfeitamente, senhor.
Só que a alimentação vegetariana, para as companhias aéreas, tem outro código, VGML, que designa um sistema bem diferente e absurdamente intragável que só existe na cabeça dos nutricionistas dos caterings. Fico a pensar se VGML é a sigla para VegMeal ou se significa: Você Gosta Mesmo dessa Lavagem?
E se o passageiro sabe mais do que o atendente e adverte-o para que use o código certo, VLML, invariavelmente é deixado na linha esperando enquanto ocorre uma conferência nos bastidores. Às vezes, o som vaza e pode-se escutar:
– Diz prá ele que esse código não existe. Não é vegetariano? Então é VGML.
Certa vez, numa viagem internacional, minha mesinha já estava posta quando tive a infeliz idéia de informar a comissária de bordo que o pedido de alimentação vegetariana era meu. Ato contínuo ela retirou da minha mesa o queijo, a manteiga, a maionese, o pão, o biscoito, o chocolate, a sobremesa e tirou até o sal e a pimenta. No lugar, colocou uma lavagem de legumes cozidos à moda de isopor.
Por que a gentil senhorita fez isso com este simpático cavalheiro? Será que ela pensa que queijo é carne? Que manteiga, maionese, chocolate são algum tipo perigosíssimo de carne de vaca-louca camuflada?
O pior nas viagens aéreas é que se você pedir alimentação VGML ou VLML, o pessoal do catering tira a sua sobremesa como que a puni-lo por ter-lhes dado trabalho. É como se estivessem a ralhar com o passageiro:
– Menino mau. Já que não come a sua carne, vai ficar sem sobremesa.
E você é obrigado a comer legumes cozidos sem tempero ou salada fria com uma uva de sobremesa, enquanto assiste o vizinho de poltrona refastelando-se com um prato quentinho de strogonoff, suflé, parmegiana, milanesa, tudo arrumado com capricho, mais um apetitoso pudim e ainda tem que ouvi-lo comentar:
– Essa comida de bordo é uma porcaria… “




quinta-feira, 20 de maio de 2010 às 21:20
Mestre!!!
Adoro essa parte do seu livro. Leio e recomendo sempre! Outro livro seu que é muito dinâmico e divertido é o “Boas Maneiras no Yôga”. Já perdi a conta para quantas pessoas o emprestei ou presenteei.
Beijinho colorido!
Cris.
DeRose Reply:
maio 21st, 2010 at 2:27
Obrigado, Cris!
sexta-feira, 21 de maio de 2010 às 0:25
anahiflores.org
Ah… longa história com a alimentação nos aviões… eu já assumi que levo a minha própria comida se quero comer alguma coisa…
Beijinhos
AF
BsAs
sexta-feira, 21 de maio de 2010 às 2:05
Hola Mestre!
Leía tu posteo y todavía me estoy riendo al recordar lo que me sucedió el año pasado volando de Buenos Aires a Atlanta.
Recuerdo haber leido tu recomendación antes de viajar, pero decidí, igualmente, llamar a la aerolinea para confirmar mi reserva y pedir el menú “vegetariano”. Llegada la hora de cenar, comienzan a traer la comida; todos comenzaron a recibir su cena alrededor mio… menos yo. Una azafata se acerca y me pregunta: Disculpe, Federico Barrios, ¿usted es el vegetariano? … Dudé por un momento, miré el plato de mi compañero y dije: – “Sí, soy yó.” –
¡Que error! ; me trajeron un plato exactamente igual al de mi compañero pero le quitaron todo lo interesante: ¡el sabor, los condimentos, el chocolate!
Pregunte a la azafata si podía cambiar mi menú por el que estaban sirviendo al resto y ella me dijo: “No, no puedo; a parte, su menú esta hecho especialmente para usted!”
¡Que “especial” que me sentí! jaja
Para la próxima vez ya sé que no voy a cometer el mismo error!
Abrazo desde una Buenos Aires con lluvia
Federico Barrios – Sede Decana BsAs -
sexta-feira, 21 de maio de 2010 às 10:11
Normalmente quando viajo eu não peço nenhuma refeição especial também. Tenho tido uma certa sorte quanto as opções que as cias me oferecem, pq em todos os vôos que peguei haviam pratos de massa sem carne. O que me deixou bastante feliz, pois assim não precisei comer apenas a salada que acompanha os pratos principais.
Mas concordo com cada palavra. Toda vez que comento com alguém que não como carnes, e nem por isso digo que sou vegetariana são as pessoas que rotulam logo (podia eu ter uma aversão ou alergia, talvez isso fosse mais aceito!), é impressionante a reação e o tipo de comentário. Tanto, que me cansei!
Quando saio para comer com alguém procuro ser o mais discreta possível no meu pedido para não ter que entrar nesse tipo de discussão ou ficar me defendendo por minhas opções pessoais.
A pouca experiência que tenho já me faz entender perfeitamente o motivo pelo qual nos solicita demasiadamente que não pronunciemos essa palavrinha, tal como aquela outra! =)
sexta-feira, 21 de maio de 2010 às 10:58
Bom dia Mestre
Eu nunca peço comida especial quando viajo. Sempre como bastante antes de entrar no avião e também faço como a Anahi, levo umas coisinhas comigo caso sinta fome durante o vôo. As últimas vezes que viajei, tive sorte de ter opção de comida sem carne, podia escolher uma carne ou uma massa que não vinha com carne. Mas mesmo assim a comida estava muito ruim, ainda bem que eu tinha comido antes.
Eu sou judia e kosher por ser vegetariana. Mas os mais religiosos levam mais a sério essa questão, precisam ter certeza que quem preparou a comida não usou os mesmos utensílios das carnes para preparar outras coisas. Vai saber como aquela massa foi preparada, não é mesmo?
Aqui perto do trabalho tem um restaurante vegetariano, apesar de ser vegetariano é muito gostoso e o senhor amaria se conhecesse Mestre. Almoço lá todo dia faz bastante tempo e nunca enjoei.
Beijos
DeRose Reply:
maio 21st, 2010 at 12:00
Então, divulguemos esse restaurante. Beijiinhos.
Rosália Kogan Reply:
maio 21st, 2010 at 12:09
Oi Mestre
O nome do restaurante é:
Restaurante Casa Prema
Rua Diogo Moreira, 312, Pinheiros – São Paulo, SP – CEP 05423-010
Fone: (11) 3815-1448
Essa rua começa na av. Faria lima, perto da rebouças e termina na av. Eusébio Matoso. É no final da rua o restaurante.
Tem comida indiana e também comida brasileira. É buffet por quilo durante a semana e sábado é buffet preço fixo por 17 reais. Mas só abre no almoço.
É uma delícia, faz mais de um ano que vou lá praticamente todos os dias e nunca enjoei da comida deles. É o único restaurante que nunca enjoei. E eles são 100% vegetarianos, muito criativos.
Vai lá um dia experimentar Mestre, tenho certeza que vai amar.
beijos
sexta-feira, 21 de maio de 2010 às 12:20
Acredito que a discrição é o melhor a fazer quanto a esse tema. Trabalhei quase um ano num departamento da empresa, sem que soubessem minha opção. Por acaso descobriram um dia e o inferno começou.
É um paradigma como a palavrinha mágica. Se o interlocutor não for culto, amigo ou minimamente aberto a novas idéias, esquece. 90% das conversas dos próximos almoços, serão sobre o fato de você não ingerir carnes. Afinal, diferente não é gente.
O importante é encontrar as pessoas que possam no mínimo aceitar nossa opção, porque mudar a cabeça de alguns outros é batalha perdida.
sexta-feira, 21 de maio de 2010 às 12:59
yogajoinville.com.br
Olá Mestre!
Na minha última viajem à Europa, voando pela Air France, solicitei alimentação AVML (asiática vegetariana) com a opção hindu.
Foi muito nítida a diferença da alimentação na ida, com a refeição preparada no Brasil, e na volta, com a alimentação preparada lá. Na ida era uma comida intragável, não conseguia entender onde estava a alimentação hindu. Era só salada, tofú ou tô fú…, arroz e uva de sobremesa. Tudo sem sabor, sem condimentos…
Na volta, me senti num restaurante indiano. Além da comida muito bem condimentada e saborosa, tivemos sobremesa e queijos de verdade.
Mas o melhor mesmo da volta foi ter sorvetinhos Häagen-Dazs a vontade no vôo. Pra falar a verdade, foi neste detalhe que a Air France me conquistou.
Beijão Mestre!
Gustavo Marson
Joinville – SC
sexta-feira, 21 de maio de 2010 às 13:48
yogaviseu.blogspot.com
Querido Mestre,
Já tive a experiência de, numa companhia de renome, ter que reforçar três vezes que tinha pedido refeição vegetariana e que não iria comer carnes. Pasme-se: a chefe de cabine confessou que trrocou a refeição e em troca deu-me uma banana! Fiquei revoltado, pois tinha escolhido uma companhia mais cara e esparava um melhor serviço.
Neste momento trabalho num hotel de cinco estrelas e tenho lutado para que as opções vegetarianas sejam frequentes e saborosas. Mesmo assim, em buffets, há sempre alguém que acha que bacon e atum (golfinho) dão um toque elegante às iguarias…
Se calhar tenho que dizer o óbvio e repetir três vezes!
Inst. Rui Pereira
Portugal
DeRose Reply:
maio 22nd, 2010 at 0:48
É verdade. Triste verdade. Imagine, dar uma banana ao passageiro!
segunda-feira, 7 de junho de 2010 às 5:24
euoutroeu.blogspot.com
Olá, Mestre,
Simpatizo com a opção da Anahí Flores de levar a própria comida durante viagens aéreas.
Quando li o “chega de abobrinha!” a primeira vez, rolei de rir enquanto lia este trecho. O bom humor é, sem dúvidas, a melhor maneira de passar por situações como esta.
Há TAMtas companhias aéreas que ainda tem muito o que aprender no quesito “atender” ao cliente…
(“agradar ao cliente” é um segundo estágio na evolução desta relação)
——————————-
Pedro Gabriel
yôgin – Unidade Santos
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quinta-feira, 11 de agosto de 2011 às 17:06
livroseafins.com
Uma foto dos sikhs reunidos em defesa de seu templo em Londres durante os últimos transtornos públicos:
http://i.dailymail.co.uk/i/pix/2011/08/09/article-2024203-0D5EFEA800000578-844_964x636.jpg
Eles parecem festivos, mas não acho que alguém tenha tido vontade de chegar perto dali para quebrar alguma coisa.
Lembrei-me da história que contou de quando esses “leões” surgiram.
Abraços!
DeRose Reply:
agosto 11th, 2011 at 21:36
Pois é…
terça-feira, 3 de janeiro de 2012 às 12:17
Mestrão.
Quero lhe agradecer e dizer que fiquei muito honrado pelo fato de você indicar o trabalho que venho fazendo.
Espero que essa seja uma contribuição efetiva para a perpetuação do seu trabalho e da Nossa Cultura.
Um grande beijo de gratidão,
Nilzo
DeRose Reply:
janeiro 4th, 2012 at 1:07
Você fez por merecer. Beijão.
terça-feira, 3 de janeiro de 2012 às 16:08
universoyoga.org.br
Concordo plenamente Mestre e após passar horas dentro de aviões pensando sobre o tema, cheguei a seguinte conclusão: as companhias aéreas não dão grande importância para o assunto porque os clientes também não o fazem, com exceção de uma minoria.
Os viajantes não compram ou deixam de comprar passagens por essa ou aquela empresa pelo serviço de bordo que elas oferecem e sim por outros “n” fatores que aparecem primeiro.
Creio que somente quando elas perceberem que estão perdendo U$, pensarão em melhorar esse quesito em seus serviços.
Bjs a todos.
DeRose Reply:
janeiro 4th, 2012 at 1:05
US$
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012 às 16:05
metododerose.org
Só tem que tomar cuidado para que os pais de verdade não se ofendam nem sintam ciúme.
DeRose Reply:
janeiro 4th, 2012 at 17:12
Pesado.
DeRose Reply:
janeiro 6th, 2012 at 3:09
A ideia é muito boa. Só precisa aparar o que possa entristecer ou enciumar os outros. Beijos.