segunda-feira, 9 de março de 2009 | Autor:

Codificar:  reunir numa só obra textos, documentos, extratos oriundos de diversas fontes; coligir, compilar. (Dicionário Houaiss)

 

Imagine que você ganhou como herança um armário muito antigo (no nosso caso, de cinco mil anos). De tanto admirá-lo, limpá-lo, mexer e remexer nele, acabou encontrando um painel que parecia esconder alguma coisa dentro. Depois de muito tempo, trabalho e esforço para não danificar essa preciosidade, finalmente você consegue abrir. Era uma gaveta esquecida e, por isso mesmo, lacrada pelo tempo. Lá dentro você contempla extasiado um tesouro arqueológico: ferramentas, pergaminhos, sinetes, esculturas! Uma inestimável contribuição cultural!

As ferramentas ainda funcionam, pois os utensílios antigos eram muito fortes, construídos com arte e feitos para durar. Os pergaminhos estão legíveis e contêm ensinamentos importantes sobre a origem e a utilização das ferramentas e dos sinetes, bem como sobre o significado histórico das esculturas. Tudo está intacto sim, mas tremendamente desarrumado, embaralhado e com a poeira dos séculos. Então, você apenas limpa cuidadosamente e arruma a gaveta. Pergaminhos aqui, ferramentas acolá, sinetes à esquerda, esculturas à direita. Depois você fecha de novo a gaveta, agora sempre disponível e organizada.

O que foi que você tirou da gaveta? O que acrescentou? Nada. Você apenas organizou, sistematizou, codificou.

Pois foi apenas isso que fizemos. O armário é o Yôga Antigo, cuja herança nos foi deixada pelos Mestres ancestrais. A gaveta é um comprimento de onda peculiar no inconsciente coletivo. As ferramentas são as técnicas do Yôga. Os pergaminhos são os ensinamentos dos Mestres do passado, que nós jamais teríamos a petulância de querer alterar. Isto foi a sistematização do SwáSthya Yôga.

Por ter sido honesta e cuidadosa em não modificar, não adaptar, nem ocidentalizar coisa alguma, nossa codificação foi muito bem aceita pela maioria dos estudiosos. Hoje, esse método sistematizado no Brasil existe em todos os Continentes. Se alguém não o conhecer pelo nome de SwáSthya Yôga, conhecerá seguramente pelo nome erudito e antigo: Dakshinacharatántrika-Niríshwarasámkhya Yôga.

Seu nome já denota as origens ancestrais uma vez que a linhagem mais antiga (pré-clássica, pré-ariana) era de fundamentação Tantra e Sámkhya. Compare estas informações com o quadro da Cronologia Histórica publicado originalmente no meu livro Yôga Sútra de Pátañjali, editado sob a chancela da Universidade de Yôga.

 

Cronologia Histórica do Yôga

Divisão

Yôga Antigo

Yôga Moderno

Tendência

Sámkhya

Vêdánta

Período

Yôga Pré-Clássico

Yôga Clássico

Yôga Medieval

Yôga Contemporâneo

Época

Mais de 5000 anos

séc. III a.C.

séc. VIII d.C.

séc. XI d.C.

Século XX

Mestre

Shiva

Pátañjali

Shankara

Gôrakshanatha

Rámakrishna e Aurobindo

Literatura

Upanishad

Yôga Sútra

Vivêka Chudamani

Hatha Yôga

Vários livros

Fase

Proto-Histórica

Histórica

Fonte

Shruti

Smriti

Povo

Drávida

Árya

Linha

Tantra

Brahmácharya

 

 

Belgrano estudiando

¨All truth passes through three stages. First, it is ridiculed. Second, it is violently opposed. Third, it is accepted as being self-evident.¨

Arthur Schopenhauer. German philosopher (1788 – 1860)

 

  1. Autor: Gi Anália

    Oi Mestre
    Já faz um tempo que, quando eu leio essa história, fico imaginando-a sendo contada através de um filme.

    Imagino um filme contando toda a história do Yôga, desde a cultura dravídica, invasões, período em que o Yôga antigo ficou esquecido no inconsciente coletivo, período em que o Mestre sistematizou o SwáSthya, enfim, até os dias de hoje.

    Com certeza seria sucesso de bilheteria… rsrs.

    Adoro esta história. É inspiradora!

    Beijinhos.

    DeRose |

    É sim, querida. Eu também fico sonhando com um filme. Quem sabe, um dia!… Beijinhos do DeRose.

    Paulo Ferreira |

    Sim, um filme baseado no livro Yôga – Mitos e Verdades ou no livro Quando é Preciso Ser Forte seria fantástico!!!

  2. Autor: Júlio Silva

    Querido Shrí DeRose,

    Esta síntese feita neste quadro da Cronologia Histórica do Yôga é fantástica. Posso ficar a olhar horas para este quadro apenas a metabolizar milhares de anos de ensinamento. Há dias comentava com o meu Mestre que os livros da Nossa Cultura são livros de elevada excelência técnica, e neles só se encontra trabalho de elevadissima qualidade.

    Também temos contos, romances, etc, livros menos técnicos, com outra dimensão do ensinamento, mas quando se trata de Yôga, não há pai para a Nossa Cultura! Que trabalho magnífico. É urgente mesmo trazer esse trabalho para o inglês. Tenho colaborado na tradução dos livros do meu Mestre.

    Mas no que concerne às técnicas objectivas de Yôga, e ao estrutura académica que serve de base à nossa formação, é de excelência!

    Ocorre por vezes ter nas mãos livros “técnicos” de outras propostas legítimas, ou mesmo livros da nossa bibliografia, mas que não são dos nossos, e por vezes tenho que fazer um esforço adicional para tentar em texto corrido tentar encontrar “sumo” que se possa beber. E por vezes é bem difícil, pois é tudo tão enrolado, com tanta conversa acessória e desnecessária (na minha opinião), que sempre que tenho de volta em minhas mãos um dos nossos livros, volto a sorrir e agradeço à nossa Escola por tanta clarividência e objectividade na forma como se apresentam as matérias de estudo.

    E imagino para mim, quantos livros se escreveram e se escrevem sobre a teoria da gravidade. Muitos, alguns vão para o romance, outros ficam técnico-místicos, outros técnico-fantasiosos, mas os objectivos descrevem a codificação feita por Isaac Newton, e os mais recentes juntam as adendas de outros Mestres subsequentes, como Albert Einstein, sempre com codificação séria e rigorosa. É assim também que vejo os livros da Nossa Cultura, rigorosos. Revistos constantemente, recebendo correcções porque o conhecimento se aperfeiçoa, se auto-supera a cada momento, mas o fundamental do ensinamento está lá, simples e claríssimo, sem acrescentar conversa fiada, trabalho “à séria”, como costumo dizer.

    Parabéns Shrí DeRose pelo seu trabalho profissional!

    E trago sempre presente a necessidade primeira de nada adulterar.

    SwáSthya,
    Júlio Silva
    Discípulo de João Camacho, Yôgachárya

  3. Autor: Carla Mader

    Nos últimos séculos a humanidade foi presenteada com várias descobertas, inventos, com inúmeras codificações, mas nada se iguala a esta que foi por você realizada, Mestre.
    O SwáSthya é o maior tesouro que o ser humano poderia receber.
    Não, não apenas o ser humano, que é o diretamente envolvido, mas o planeta inteiro e todas as formas de vida que coexistem conosco.
    Obrigada por compartilhar conosco desta preciosidade.

    Regina Wiese Zarling |

    Com certeza Carla, a codificação realizada pelo nosso querido Mestre DeRose, foi o maior presente que o Universo inteiro recebeu.. pena que nem todos tenham consciência disso.

    Abraços
    Regina

  4. Cet une de mes sujets préférés des cours théoriques qui font partis du programme du Cours de Base. Il explique d’une manière très acessible ce qu’est la systhématisation du Yôga Pré-classique.

    Sonia

  5. Autor: Anahí

    Eu lembro de ter visto um quadro da cronología (porem não me ricordo por quem tinha sido proposto aquele quadro… tal vez pelo Joris?) no qual o seu nome aparecia entre os Mestres contemporáneos.
    Acho bom resgatar aquela idéia, se não parece que os Mestres atuais apenas são Ramakrishna e Aurobindo.
    Beijos, bom dia!
    Anahí

    Everton |

    Talvez colocar mais uma coluna:

    Tendência: Sámkhya
    Período: Yôga do 3º Milênio
    Época: Século XXI
    Mestre: DeRose
    Litaratura: Yôga Shástra
    Fase: Histórica
    Fonte: Bhávajánanda
    Povo: Swástha!
    Linha: Tantra

    Abraços!!!
    Everton

    Everton |

    Na divisão poder-se-ia colocar: SwáSthya!

    Colocando SwáSthya na divisão creio que acalmaria a fúria daqueles que por qualquer razão não gostam muito do Mestre.

    Afinal não é uma divisão: para que se ofender? Agora se o mal é inveja não há o que fazer.

    DeRose |

    Conclusão: não há o que fazer!

    Everton |

    Que triste, a inveja é tão destrutiva: tão auto-destrutiva.

    DeRose |

    Obrigado Everton, mas a versão do Prof. Joris Marengo já foi homologada pela maioria. Peça a ele que lhe envie.

    Everton |

    Opa! Já estou ancioso para ver como ficou.
    Abraços Mestre.

    Júlio Silva |

    Querida Anahí,

    Temos todos muito orgulho e grande emoção nos nossos corações pelo seu fantástico trabalho na Nossa Cultura.

    O meu querido Mestre João Camacho adoptou uma Cronologia que inclui Shrí DeRose, envio a versão em inglês pois não tenho aqui comigo a versão em português.

    SwáSthya!
    Júlio Silva
    Discípulo de João Camacho, Yôgachárya

    Everton |

    Olha só que legal, eu não conhecia esse quadro e cheguei bem perto!

    Abraços!

    Júlio Silva |

    ;-)

    DeRose |

    Caro Júlio Silva. Fico sensibilizado pela gentileza do seu professor João Camacho ao elaborar o Quadro da Cronologia Histórica incluindo o nosso trabalho. Contudo, parece-me que o Prof. Joris Marengo elaborou um outro que reduziu o número de Mestres cuja perenização conseguiu sobreviver à passagem ao século XXI, pois vários dos que eram mencionados no século XX já não são mais considerados tão expressivos. Conforme eu afirmei em várias aulas sobre a Cronologia Histórica “o tempo vai nos mostrar quais destes Mestres foram realmente mais relevantes para o século XX.” Pela sua atenção e carinho, envio-lhe um abraço do verão paulistano.
    Post scriptum: Percebi que o quadro não ficou nítido no blog. É provável que seja devido ao tamanho postado pelo Júlio, que estava muito grande.

    Júlio Silva |

    Querido Shrí DeRose,

    O quadro foi actualizado, seguindo as suas indicações. Faça por favor “refresh” para que apareça o quadro mais actualizado, que também já não quebra o “layout” da página, e está com maior definição.

    Um abraço forte do inverno europeu :-)

    SwáSthya!
    Júlio Silva
    Discípulo de João Camacho, Yôgachárya

    Anahí |

    Obrigada, Julio Silva, pelas suas palavras e pelo aporte do quadro.
    Porém o Mestre DeRose já esclareceu que tem aquele outro, feito pelo Jojo, que sintetiza melhor a cronologia histórica (deve ser aquele que eu já tinha visto alguma vez, e pelo qual começou toda esta conversa).
    Lhe envio um beijo desde Buenos Aires!
    Anahí

    Júlio Silva |

    Querida Anahí,

    Não a conhecendo pessoalmente, mas vendo de longe a qualidade do seu trabalho, considero um privilégio ter a vida perfumada pela sua beleza, de cada vez que vou visualizando as suas demonstrações, ou lendo os seus livros. O obrigado é todo meu. Continue esse seu trabalho fabuloso.

    SwáSthya!
    Júlio Silva
    Discípulo de João Camacho, Yôgachárya

  6. Pingback: DeRose « SwáSthya Yôga em Curitiba | Método DeRose | Instrutora Evelyne Baldan

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