Hoje, aula ao vivo com DeRose
segunda-feira, 14 de junho de 2010 | Autor:

Uma noite, Fernanda, Charles, Carla e eu, fomos jantar em um restaurante elegante nos Jardins, em São Paulo. O enólogo se aproximou e perguntou: “O senhor é o Mestre DeRose?”. Em seguida me disse: “Eu fui aluno de uma das suas academias.” Academias? A essa altura eu já queria morrer. O cidadão esteve dentro de uma escola filiada e não tinha noção de onde havia estado. Estivera em uma escola de filosofia e achava que havia estado em uma academia de ginástica! Talvez a culpa não fosse dele e sim do instrutor que não tomara o cuidado de esclarecer, fazer as perguntas de feed-back no final das aulas, dar livrinhos, aplicar testes mensais. Mas talvez fosse por causa da palavra mágica. Não é ióga? Ióga se faz em uma academia.

Então, o enólogo mudou a fisionomia e o tom de voz e me confidenciou com ar misterioso: “Eu sou budista.”  A partir daí, ninguém mais na nossa mesa teve sossego. A cada cinco minutos ele voltava e dizia mais alguma coisa do gênero: “O senhor já esteve com o Dalai Lama?” E depois: “A sua espiritualidade não o faz sentir-se mal em um ambiente profano como este restaurante?” E mais uma porção de interferências inconvenientes ao nosso jantar, sempre com cara de louco. Charles perdeu a paciência e disse que iria chamar a atenção do funcionário invasivo. As meninas sugeriram irmos embora. O fato é que nunca mais voltamos àquele restaurante.

A pergunta que faço é: se eu fosse um economista, engenheiro ou advogado o empregado faria aquelas caras, aquele tom de voz e abordaria assuntos alucinados para com eles interferir na privacidade do cliente? Ah! Mas sendo a palavra mágica, tudo bem.

Tempos depois, fomos jantar em outro restaurante ainda mais chique, no Rio de Janeiro. O maître veio nos atender. Perguntou: “O senhor é o Mestre DeRose?” Parei tudo. Olhei para ele com vontade de me levantar dali e ir comer em casa. Mas, sem esperar pela resposta, ele disparou: “Eu faço ióga. Entro em contato espiritual com os mestres ascencionados dos templos de Kalashkanyapur do guru Mantovani Elevado e Excelso. Tenho muitos poderes. Eu posso, por exemplo, levitar e ir ao mundo espiritual e voltar enquanto estamos aqui conversando e faço isso tão rápido que ninguém em volta percebe, graças aos mestres ascencionados dos templos de Kalashkanyapur do guru Mantovani Elevado e Excelso.” E continuou falando coisas estranhas, indo e voltando, durante todo o jantar!

Eu me pergunto: por que será que as pessoas conseguem trabalhar como se fossem normais, mas quando entram na tônica da palavra mágica tem reações e comportamentos tão desequilibrados?


Categoria: Diversos
  1. Autor: shanabielkin

    Seria engraçado se não fosse trágico…

  2. Autor: Diogo Valado

    Olá Mestre,

    Se a palavra Yôga já por si é “Mágica” (aliás Ióga), “vegetariano” consegue ter efeito igual.

    Num almoço na empresa onde trabalho, tentava ser o mais discreto possível para não atrapalhar a refeição das outras pessoas. Mal uma das minha colega olhou para o meu prato:

    “Ahh mas o Diogo só vai comer isso?”

    E respondi-lhe que sim, mas sem entrar pormenores nenhuns.

    Resposta logo rápida de outra colega:

    “Não ligue, faz parte da religião dele ser vegetariano”……..

    Fiquei tão paralisado que simplesmente continuei a comer, a tentar não começar uma discussão tipicamente à volta dos benefícios e malefícios que ser vegetariano traz….

    Abraços!!

    DeRose |

    Pois é… fazer o quê com a estupidez humana do “Homo stultus”!

  3. Oie Mestrão !
    Eu fiquei aqui imaginando a “cara de louco” do cidadão, hehehehe…
    Um beijão !

    Thiago Gonçalves
    http://www.DeRoseCentroCivico.org/blog
    Curitiba/PR

  4. Autor: Anahi Flores

    Fiquei sabendo que hj é o dia do blogger. Ainda não descobri qual é a causa de que hj seja conmemorado, mas seja como for, blogger é aquele que tem um blog e o alimenta, e esse é o seu caso. Parabéns, então, no dia do blogger!
    E fico pensando que está justo no dia depois da dia do escritor (na Argentina). E ao final de contas, o blogger é um tipo de escritor.

    Beijinhos desde embaixo da chuva de Buenos Aires,
    Anahí

    DeRose |

    Obrigado. Beijokas.

  5. Autor: Cindy A.

    Oi Mestre querido!
    Tenho notado muita diferença quando comento sobre o Método DeRose entre amigos e colegas de trabalho. Todos aqueles que convivem comigo já ganharam um livrinho que fala sobre o Método e recebem por e-mail alguns de seus posts.
    Ainda assim, às vezes acontece de ouvir coisas do tipo: “Ela não come carne, não bebe, não fuma… Não sabe aproveitar a vida!” Dou risada e não contesto, pois acaba sendo pior dependendo do nível cultural do(s) interlocutor(es) …
    Sobre não comer carnes, achei melhor dizer que sou alérgica e a conversar acaba logo com um “Tadinha!” coletivo… Assim me livro de debates polêmicos.
    Amo você!
    Cindy – Unidade Trindade – Florianópolis

    DeRose |

    Muito bom, Cindy. Eu costumo dizer que não gosto de carne. Simplifica ainda mais. Para garçons e maîtres digo que tenho uma alergia muito grave e se puserem “base” de caldo de carne ou ave nos pratos que pedi, é bom que fiquem com este número de telefone do pronto socorro, pois se eu cair com convulsões e espumando é porque o cozinheiro se confundiu e precisam me levar de ambulância com urgência. Isso sempre funcionou. Menos uma vez em Blumenau, numa lanchonete que colocou carne assim mesmo. Burros! Mas não é toda a população. Foram uns poucos que emigraram de Dummkopfental ou Dummkopfenkessel, não sei ao certo.

  6. Olá Mestrão!

    Estou enviando uma foto do pessoal reunido ao final da sua aula, ministrada só para instrutores. Nunca postei fotos aqui no blog, espero que seja assim.

    Um beijo!

    Gustavo Marson
    Joinville – SC

    http://2.bp.blogspot.com/_1DflmFeLWC4/TBZgSdmoEuI/AAAAAAAAAHQ/s9fIuB8g6Ro/s640/Viparita.jpg

    DeRose |

    Obrigado! Está linda! Um beijão.

  7. Maestrinho querido!!!

    Usted tiene un talento especial para la comedia. Convertir esos episodios de su vida en este relato tan divertido no es tarea fácil, y es muy ejemplarizador.

    Realmente el ser humano está muy mal, por eso es sumamente necesario que nosotros, que tenemos la fortuna inmensa de haber encontrado un camino certero a tu lado, no colaboremos con esa locura. Y es muy fácil evitarla al no usar la palabra mágica.

    Quedo esperando su próxima comedia, y no me olvido de la novela de suspenso…

    Besos y abrazos incontables.
    Y gracias por iluminar esta Buenos Aires gris.

    Javier.
    Yôgin – Sede Decana – Bs. As.

    DeRose |

    Yo no sabía que tanta gente lo consideraría bien-humorado. Mejor así! Besos de una São Paulo muy fría: 9 grados!

  8. Outro filme do Jacques Tati! É só rir…, se não desse vontade de chorar!

    DeRose |

    É verdade. Seria uma cena típica. Pena que a maior parte dos brasileiros não saiba quem foi Jacques Tati.

  9. Autor: graziela

    Querido Mestre,

    (desculpe a falta de acentuaçao nas palavras pois estou usando um teclado francês)

    Acredito que as pessoas em geral, quando nos identificam como praticante de Yôga – ou melhor i’oga, colocam todos os seus limitados conceitos e conhecimentos dentro de um saco preto, começam a falar coisas estranhas e fazer caras de loucos, espiritualizados ou “evoluidos”.
    Sinceramente acho pouco provavel que mudemos a visao de pessoas completamente desconhecidas, conceitos estes difundidos por instrutores mal preparados de i’oga, que misturam pilates, terapia, misticismo ou religiao.
    O que podemos e devemos fazer é estudar cada vez mais sobre a filosofia, sobre nosso Método, praticar, dar exemplo atraves de nossos atos junto às pessoas que estao proximas a nos e que de uma certa forma se relacionam conosco e continuar seguindo em frente, sabendo que pelo caminho encontraremos seres completamente estranhos e alucinados como estes;

    Um grande abraço,

    Graziela
    Florianopolis

    DeRose |

    Isso mesmo, Graziela. E não usar para a comunicação com eles nenhuma palavra mágica. Beijinhos.

  10. Autor: romulojusta

    Trágico…

    Quando penso que isso dura 50 anos…

    Mas com a ênfase no Método DeRose seus próximos 50 anos serão mais leves Mestre :)

    Bjos, devidamente vacinados contra Homo Stultus e quejandos…

    Rômulo Justa
    Unidade Dom Luís – Fortaleza/CE

  11. Autor: Romina

    Daria até para fazer um filme, pois felizmente com suas palavras conseguimos dar boas risadas imaginando as situações.
    Um beijinho
    Romina

    DeRose |

    Beijinho, Romina.

  12. Creo que es una razón cultural, la que provoca que se vayan por esos canales surrealistas.

  13. Autor: luis roldao

    O decepcionante é que às vezes acontece até com amigos. Certa vez, disse a um amigo se não queria vir fazer uma aula e sair dessa “eu ouvi dizer”, e só mais tarde percebi o quê de conversa tão enrolada, quando o meu amigo disse: “Fui a um centro budista fazer um curso de meditação. Tens que vir experimentar”. Eu disse que não tinha dúvidas, por isso, não ia experimentar nada. Depois, perguntei-lhe se já aplicou alguma coisa do que aprendeu na sua vida como tanto apregoava. Estava na cara que não, nem foi preciso responder. As religiões possuem o condão da esterilidade.

    Grande abraço
    Luís Roldão – Unidade Marquês de Pombal/Lisboa

  14. Pingback: David Icke le pide a la gente que no tome la vacuna de la gripe porcina – 120709 (en español) | www.avehot.com

  15. Pingback: 04/08 – Alborghetti – Melhores Momentos | www.avehot.com

  16. Autor: henriquem@uni-yoga.org.br

    Bom dia querido Mestre.
    É impressionante a capacidade humana de entender tudo de acordo com a própria vontade.
    Talvez este seja o verdadeiro motivo de tantas guerras.
    Um grande beijo,

    Henrique Malerba
    Unidade Santana – SP

  17. Autor:

    Nossa missão é divulgar nossa cultura. Seja com a atitude, com palavras e acho que principalmente amor…
    Aquele que detém o conhecimento cabe a iniciativa do perdão e dom da paciência (aliás o mestre foi quase um “Jó” ouvindo tanta baboseira).

    DeRose |

    Gostei do pensamento.

  18. Já passei por uma situação parecida num restaurante na praia, mas era um cliente, que viu a minha medalha e perguntou se eu praticava “ióga’, corrigi e respondi Yôga. (na época há uns 18 anos atrás ainda usávamos muito a palavra mágica) E em seguida ele me deu um santinho do Dalai Lama e perguntou se eu já havia estado com o mesmo. Respondi que não, que Dalai Lama não tinha nada a ver com o método que eu pratico… E ele insistindo, feito louco alucinado que eu deveria conhecer o Dalai… Tentei várias vezes mudar de assunto e o traste insistindo e encontrando um meio de falar no Dalai… E dá-lhe pránáyámas para não perder a paciência..

    DeRose |

    Então você me compreende. Imagine cinquenta anos disso e viajando como eu viajo e conhecendo pencas de gente como eu conheço. Dava para escrever mais de cem volumes do tamanho do Tratado só para relatar essas peripécias.

    Regina Wiese Zarling |

    E como compreendo.. isso que postei foi só 1% do que passei naquela noite.. Vc então já passou por situações dessas milhares de noites e de dias,durante anos e anos…! E um livro desses até que seria bem engraçado!O problema é que poderia cair em mãos erradas, capazes de deturpar o que fosse escrito ao lê-lo!
    Bjs

    DeRose |

    Sempre!

  19. Autor: Rosália Kogan

    Mestre, o senhor é engraçado, quero dizer, a forma como conta essas histórias. As vezes fico rindo sozinha de alguns posts seus aqui no trabalho, o pessoal acha que eu sou meio louca. hahahahaha

    Semana passada eu fui tirar os dentes do ciso, e fui com uma das minas calças de prática na qual está escrito Mestre DeRose, porque fui ao dentista logo após a prática. Minha dentista disse que já foi sua amiga, que praticou na sua “academia” (foi ela quem disse isso) em Copacabana. Mas faz muito tempo, ela disse que tinha uns 20 anos acho, agora deve ter uns 50 ou mais. O nome dela é Sandra Moura, está lembrado?

    E essa semana também eu vi na prateleira do meu psiquiatra um livro Prontuário de Swásthya Yôga. Abri e estava lá um autógrafo seu, algo do tipo “ao meu amigo Cláudio, um abraço do DeRose”. Ele disse que recebeu o livro do senhor pessoalmente. Também faz bastante tempo, ele disse que o senhor tinha uns 40 anos. O nome dele é Cláudio Caldeira, lembra-se dele?

    Beijos
    Rosália – Unidade Itaim SP

    DeRose |

    Gente boa, bons tempos! Beijinhos.

  20. Autor: Franco

    Hola mestre DeRose:

    Existen tantos posts sobre la ¨palabra mágica¨ (tan interesantes) que no supe dónde adjuntarle esta foto… En un futuro próximo, cuando usted viaje al Perú y yo tenga la satisfacción de acompañarlo a cenar, tenga la certeza de que nadie lo va a abordar con alguna estravagancia espiritualista…

    ¡Es evidente que ya no se sabe de qué estamos hablando!…

    http://www.flickr.com/photos/11626818@N03/4712593159/

    A.

    F.

    P.D.: Es la publicidad de un concierto de música popular… (¡guácala!)

  21. Autor: Susana Sousa

    Deixei de mencionar a palavra mágica, mas alguns amigos meus ainda continuam a usar o rótulo. Uma amiga contou à mãe que eu estava a tirar um curso de instrutora de Yôga, e a senhora perguntou-me como é que eu me vestia. Expliquei que para as aulas práticas precisava de roupa mais confortável.

    – Sim, mas e fora das aulas? Quando andas lá…

    Fiquei intrigada, sem perceber muito bem a pergunta. Disse-lhe que me vestia normalmente.

    – Não usas “aquelas” roupas? Aquelas saias?

    Respondi-lhe que me vestia da mesma forma de sempre, tentando esconder a tristeza que aquela conversa me estava a provocar. Isto partiu de uma pessoa que me conhece há alguns anos. Imagine se não me conhecesse!

    Com a comida já desisti de me justificar, a não ser quando percebo que a pessoa pede um esclarecimento genuíno.

    O que me faz feliz é sentir a reação das pessoas às mudanças positivas que notam em mim. Mas será que percebem que estas mudanças se devem ao Método?

    Abração, com a força da paciência e da tolerância!

    Susana Sousa
    Espaço Lifestyle – Lisboa

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