segunda-feira, 19 de março de 2012 | Autor:

Karma individual e karma coletivo

 

O karma individual é o denominador comum entre os diversos karmas coletivos que atuam sobre nós o tempo todo, desde antes de nascermos até depois de morrermos.

Os karmas coletivos nos são impostos por herança, em função da família à qual pertençamos[1], do local em que nascemos, nossa nação, cidade, bairro, etnia, religião etc. Ou por opção, como esporte, profissão, arte, política, filosofia e outros.

Quantos karmas coletivos atuam sobre nós? Um número indeterminado, porém, certamente, incomensurável. E, como eles atuam sobre nós?

Atuam através de uma energia bem mais palpável, denominada egrégora.

As cápsulas de influência de cada karma coletivo.

Embora a ilustração acima nos sugira as órbitas em torno de um núcleo atômico, ela não representa órbitas e sim cápsulas que envolvem o indivíduo em um comprimento de onda que o induz a determinadas atitudes ou o subordina a ônus pertinentes àquele grupo.

Considere, agora, que cada karma coletivo possui um campo gravitacional que nos atrai para dentro dele. Como uma turma de amigos ou grupo de familiares que convidam e insistem para que participemos de suas atividades. Ou como o tomador de bebida alcoólica que convida e quase intima a bebermos juntos. Então, se um desses campos gravitacionais for incompatível com outro, a vida poderá se tornar mais difícil. Uma situação assim pode gerar até doenças ou predispor a acidentes e a crimes.

Para compreender isso melhor, imagine um indivíduo comum. Suponhamos que seu nome seja João. Ele é a figura que está no centro da ilustração com as cápsulas de influência dos karmas coletivos.

Se o João só se envolver com karmas coletivos compatíveis, sua vida fluirá harmoniosamente. Caso contrário, tudo dará mais trabalho, tudo será mais difícil, a sensação será o tempo todo de estar remando contra a correnteza e de que as pessoas não querem facilitar a sua vida.

Imaginemos primeiramente a situação favorável. João tem um karma de etnia que é muito difícil de mudar e em muitos casos, impossível. Portanto, comecemos por ele. João é mestiço. Pertence à família dos Sousas. Sua profissão é advogado. Sua religião é católica. Sua arte é a música. Sua filosofia é o Yôga. Seu esporte, o basquete. E o seu partido político ele não conta a ninguém. Como um não interfere no campo gravitacional do outro, João deve ser uma pessoa feliz, saudável e financeiramente estável.

Se quisermos alterar aleatóriamente o conteúdo de cada um desses oito universos, mas preservando suas naturezas, veremos que – salvo raríssimas exceções – eles continuam não entrando em choque uns com os outros. Em princípio, João poderia ser de qualquer etnia, ter qualquer profissão, qualquer religião etc. Um exemplo de exceção seria se João fosse negro e vivesse no Alabama. Nesse caso, a atitude mais sensata em termos kármicos seria sair imediatamente de lá.

No entanto, se João se envolvesse com dois karmas coletivos do mesmo comprimento de onda, poderia ficar em apuros, como por exemplo, ter uma família com mulher e filhos em São Paulo e outra, com mulher e filhos, no Rio de Janeiro. Ou se ele fosse judeu no sábado, católico no domingo (para aproveitar os dois feriados) e protestante na segunda-feira. No domingo, reza para a imagem de Nossa Senhora; na segunda-feira protesta contra a adoração de imagens. Ou se na quinta-feira fosse à convenção de um partido político de extrema direita e se filiasse; na sexta-feira assistisse à reunião de um partido de extrema esquerda e se filiasse; é bem provável que no sábado aparecesse boiando no Rio Tietê.

Acho que o estimado leitor compreendeu a dinâmica dos karmas coletivos, uns compatíveis, outros não, os quais em seu conjunto forjam o karma individual que será melhor ou pior de acordo com a química daquele coquetel.

Contudo, karma é uma lei, é algo subjetivo. Torna-se necessário que exista um agente, uma força que faça com que a lei seja cumprida. No caso da lei humana, o Legislativo, quem a faz cumprir é o Poder Judiciário. No caso do karma coletivo, a força que permite o bom funcionamento do mecanismo é um poder chamado egrégora.


[1] Foram divulgadas nos Estados Unidos estatísticas demonstrando que 70% dos sociopatas e desajustados de todos os naipes cresceram sem a presença do pai.

[2] Swá significa seu próprio. Também embute o sentido de bem ou bom. Sthya transmite a ideia de estabilidade (“sthira sukham ásanam”). Por isso, um dos significados de SwáSthya é auto-suficiência (self-dependence), ou seja, dependência de si próprio, estabilidade em si mesmo; e outro significado é bem-estar (sound state).

  1. Autor: Fatima Magalhaes

    Bom dia Mestre.

    Bom reler o que Mestre escreve :)

    Um feliz dia do Pai. Não sei se o Brasil comemora hoje. Beijinho.

    DeRose |

    Comemora-se em outra data, mas valeu pela sua querida lembrança. Beijinho.

  2. Deixo a publicação do comentário à sua vontade.

    Querido Mestre,
    Espero encontrá-lo bem, cheio de saúde e vitalidade!
    Por sua sugestão, venho saber se o Mestre já conseguiu ou está a fazer a revisão do meu livro de poesia, Momentos Marcantes.
    Entretanto, quero também deixá-lo a par dos contactos que tenho feito para que a Federação de Portugal arranje uma Assessoria de Imprensa para veicularmos melhor a marca Método DeRose no nosso país e hoje tive uma reunião que formaliza essa parceria que será boa para todos nós. Nesse sentido, não sei se tem algum conselho para nos orientarmos melhor nesta parceria que vamos iniciar.
    Deixo um grande abraço de saudades e até Abril (já falta pouco),
    António Pereira

    DeRose |

    Falta pouco, falta pouco…

    É muito importante que o assessor de imprensa compre a ideia e assuma que Método DeRose é outra coisa; que não deve mencionar a palavra mágica nem conceito algum que seja supostamente associado a ela.

    Eu gostaria de aprovar os releases que forem escritos, antes de ser enviados para a imprensa.

    Beijos e até já.

  3. Autor: Fernando Leite

    Mestre:
    Gosto muito deste tema: o do karma e do conceito de egrégora.
    Estou lendo neste momento o seu livro “Encontro com o Mestre”. Gosto da parte em que o Mestre já calejado pela vida, explica ao “DeRozinho” que deve ter em atenção à “mistureba” de escolas e fraternidades que frequenta, que tem exatamente a ver com este conceito de incompatibilidade de egrégoras.
    Uma lei que cita e que recordo bem é a de que: “As egrégoras são incompatíveis na razão direta de sua semelhança.”
    O Mestre também relata bem isto,com as suas próprias vivências, no seu livro “Ser Forte” ( um dos 3 livros seus que eu gosto mais).
    Com carinho,
    Fernando Leite

    Fernando Leite |

    Quando referi um dos 3 livros seus, queria dizer que está entre os 3 que gosto mais :)

    DeRose |

    Compreendi. :)

    DeRose |

    Obrigado, Fernando. Um abração.

    Fernando Leite |

    Mestre:
    Já acabei de ler o “Encontro com o Mestre”. Adorei ! É um livro de re(leitura) obrigatória porque tem tanta coisa importante lá para ser assimilada que não basta ler uma vez.
    Que grande ensinamento foi ler a parte em que o Mestre relata os sacrifícios que fez para se mudar para São Paulo (estou me referindo principalmente à parte do “fusquinha”).

    “A árvore podada é a que cresce mais e o guerreiro ferido em batalha torna-se perito no uso de armas.” :)

    Abraço grande !

    DeRose |

    Espero que você saiba utilizar as lições que a vida proporciona, assim como as oportunidades.
    Abração.

  4. Autor: DeRose

    Estimado Ir.’. Fayad.

    Obrigado pelo texto “O purgatório brasileiro está prestes a começar” que me enviou.

    Em retribuição eu gostaria de poder lhe enviar textos e livros. Para isso, preciso de um endereço físico. O Ir.’. se importaria?

    Um forte TFA.

  5. Autor: Rodrigo Lombardi

    Oi, Mestre!
    Eu tenho certeza de que vai gostar muito deste link.
    É o pessoal do Star Wars ensinando a fazer ásanas!

    http://www.hypeness.com.br/2012/03/personagens-de-star-wars-ensinando-yoga/

    Um beijo grande.
    Rod.

    DeRose |

    Muito bom!

    Beijos.

  6. Autor: Pablo Bianchi

    Olá Mestre DeRose, não entendi uma coisa que você escreveu no livro, que a pessoa ao entrar em Nirbija Samadhi passa a não contrair mais Karma, poderia me explicar melhor para eu concatenar? E por que a luz violeta ajuda a diminuir o karma?

    DeRose |

    Por favor, leia outra vez o Tratado de Yôga, mas leia-o todo, pois detectei que você leu só algumas partes.

    Nibíja samádhi transcende em muito a compreensão intelectual. Não só ele, mas uma série de conceitos da filosofia hindu, seja ela Sámkhya ou Vêdánta. Racionalmente, podemos explicar de forma a nos satisfazer, mas se é intelectual é falho. Racionalmente a explicação é a de que em nirbíja samádhi estamos em identificação com o Absoluto, estamos dissolvidos Nele e somos o próprio. Como o Absoluto não tem karma, naquele estado nós também não geramos karma. Mas não se satisfaça com essa explicação, pois ela está restringida pelas limitações da mente e pelas enganações da lógica.

    Continue conosco, Pablo, pois sua presença aqui no blog é importante para mim.

  7. Autor: Noele Rossi

    Olá Mestre,
    Assisti a pouco esta pequena animação francesa, achei bem ilustrativo quanto a mudanças de karma:

    Beijos,
    Noele
    Alameda Campinas

    DeRose |

    Merci, Noele! Bisous.

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