Desde criança um fato sempre me despertou a atenção. Como é que conseguimos reconhecer o padrão cultural de uma pessoa apenas olhando para ela? O que será que a distingue das demais, a ponto de, simplesmente pelo olhar, chegarmos a saber aproximadamente até que vocabulário ela usa para falar, que lugares ela freqüenta, que bebidas ela toma?
O leitor estará tentado a me esclarecer que é devido à roupa, calçados e trato dos cabelos. Mas não é só isso. Passei minha juventude na praia de Ipanema, no Rio de Janeiro, um lugar muito democrático, no qual tomavam sol, banhavam-se, jogavam vôlei e surfavam tanto a classe média quanto os dois extremos sociais: os abastados moradores dos metros quadrados mais caros do país e os residentes da favela. Na praia, especialmente no Brasil, usa-se muito pouca roupa. E, apesar disso, é impressionante como olhando três jovens vestidos só de calção de banho e com os cabelos em desalinho, molhados do mar, você consegue identificar: este é classe média, aquele é classe AA e este outro é favelado.
Então, há algo mais, além de roupa, calçados e cabelos tratados. Há compostura, fisionomia, expressão corporal, expressão fisionômica. Numa palavra: atitude.
Quando uma pessoa pensa e sente, isso influencia sua atitude. A cultura, educação e todas as circunstâncias vivenciadas incorporam-se inexoravelmente ao seu patrimônio corporal. Não dá para enganar. Se você é arquiteto, dificilmente conseguirá fazer-se passar por pedreiro, e vice-versa.
Para ter uma idéia do que queremos dizer com isso, assista a um filme com Sean Connery ou com Candice Bergen. Até quando eles querem representar pessoas mal-educadas conseguem ser charmosos.




terça-feira, 16 de junho de 2009 às 21:32
Oi Mestre,
É bem verdade que quando uma pessoa pensa e sente, isso influencia a nossa atitude. No entanto, diria que para além do “Diz-me com quem andas…”, é também importante reconhecer o dito “Diz-me por onde andas…”, referindo-me à importância de viajarmos, conhecer outras culturas e realidades, e sermos livres na totalidade. Sei que o Mestre adora viajar, por isso, gostaria de partilhar este pequeno texto que ao relê-lo, no meu blog, senti muito identificado com o que o Mestre fala sobre a importância de vivermos desreprimidos.
“Só Voa Quem Se Atreve a Fazê-lo”
Viver nada é mais senão ser, verdadeiramente, aquilo que somos e queremos!
É lutar pelos nossos sonhos mesmo que sejam irrealistas para o conjunto da maioria.
VIVER É AMAR. É poder abraçar quem gostamos e sentirmo-nos felizes por esse momento. É dizer aquilo que verdadeiramente sentimos sem termos vergonha disso mesmo. É darmo-nos por inteiro e sem reservas. É sermos loucos e surpreender com a nossa loucura.
VIVER É SER LIVRE. É poder sorrir, livremente, e dar gargalhadas estridentes ao ponto das pessoas olharem para nós. É fazer aquilo que nos apetece. Chapinhar na àgua e sujarmo-nos de lama. É comer um gelado de chocolate no inverno quando todos olham para nós. É deitarmo-nos na relva, numa noite quente, e contar as estrelas cadentes que conseguimos ver. É atravessar uma passadeira pisando apenas o traçado branco. É idealizarmos formas e visualizarmos coisas e objectos olhando para as nuvens. É gastar todo o dinheiro que temos naquilo que nos apetece. É falar com os amigos no messenger até tarde e ir para o trabalho com poucas horas de sono. É podermos comer a parte do meio das torradas divididas em três. É passear na praia vazia. É correr com o cão (o Tejo) e perceber que ele corre muito mais que nós. É limpar-lhe a baba, e as patinhas com toalhetes Dodot perfumado. É dormir com ele quando todos dizem que é uma javardice. É agradecer sinceramente aos tios pelas cuecas e meias oferecidas no Natal. É ser vegetariano. É emocionarmo-nos com um filme ou com uma música e não termos vergonha disso. É gritar de alegria e chorar de emoção. É cheirar a roupa da cama lavada. É contermo-nos para não nos rirmos na cara de uma pessoa, e não conseguirmos fazê-lo. É acreditar piamente nos nossos ideiais e lutar com afinco por eles. É poder dormir, num Domingo, até tarde, e ter o pequeno almoço na cama quando acordamos. É ir a uma exposição, no último dia, e esquecermo-nos dos bilhetes em casa. É ter amigos que saibam tudo acerca de nós. É ajudar os outros. É praticar Yôga. É lamber os dedos depois de comermos o bolo cheio de natas, sem o guardanapo. É sorrir para alguém quando estamos no meio do trânsito e arrancarmos de seguida.
VIVER É VIAJAR. É poder organizar viagens com amigos e partir em busca do desconhecido, mesmo que a nossa família pense que devíamos poupar algum dinheiro. É dizer á família que estamos a amealhar algum dinheiro, para que quando tivermos a quantia junta, gastá-lo em viagens e não dizer nada à mãe. É idealizar viagens fascinantes e perceber que não há dinheiro para tanto, mas mesmo assim acreditar que um dia será possível realizá-las. É caminhar pelas cidades e emaranharmo-nos pelo desconhecido. É passear sem mapa. É falar com desconhecidos e passarmos uma tarde a conversar mesmo sabendo que nunca mais nos iremos ver. É decidir à última da hora e fazer a mala com o mínimo. É termos medo que nos aconteça alguma coisa mas não partilhar esse sentimento com ninguém. É tirar fotografia em posições de àsana em cada cidade que conhecemos. É vender na “feira da ladra” por alguns dias na intenção de angariar dinheiro para atingir os nossos sonhos. É arriscar. É sermos irreverentes ao ponto de gastar vários euros por apenas um café, numa esplanada europeia. É conhecer aquilo que os outros não conhecem. É saber mais. É educar-nos.
Viver é partir com as amarras da sociedade.
É ser quem somos. Sem medos.
Afinal… Só voa quem se atreve a fazê-lo!!!!
Um forte, forte Abraço
Nélson Ramalho – Unidade Amadora – Portugal
DeRose Reply:
junho 17th, 2009 at 1:08
Ramalho, definiste, como ninguém, a felicidade. Deu-me imensa vontade de vivenciar cada coisita que mencionaste com tanto prazer, com tanta gula. Obrigado por me dares este prazer, bem como a todos nós.
Fernanda Monteforte Reply:
junho 17th, 2009 at 1:52
Que maestria nas palavras de Ramalho, mais ainda naquele que as relembra, a felicidade definida com intensidade e tanta doçura. Ainda bem que ando aqui por perto, só coisas lindas a aprender…
DeRose Reply:
junho 17th, 2009 at 2:53
Tira-me uma dúvida, Ramalho. Em brasileirês, “diz-me” é terceira pessoa do singular. Aqui, não poderíamos construir “diz-me com quem andas”, porque “andas” é segunda pessoa do singular. Se usássemos “diz-me”, teríamos que prosseguir a oração “com quem você anda”. Ainda em brasileirês, “dizes” é segunda pessoa do singular, donde “dize-me com quem andas” concederia a concordância necessária. Mas como Portugal é a Pátria-Mãe da bela língua de Camões e como português deves conhecer melhor a língua do que nós, consulto-te para saber: quando eu citar este pensamento em Lisboa ou Porto devo usar a forma que tu utilizaste “diz-me com quem andas”? Pergunto porque desejo aprender e não quero errar com relação aos costumes de cada terra em que dou aulas.
Everton Vieira Reply:
junho 17th, 2009 at 10:48
No mesmo espírito aventureiro que o seu, amigo Ramalho, vou compartilhar algo que me ocorreu:
Manifesto SwáStha!
Na guerra Árya x Drávida, qual foi o lado ganhador e quem foi que venceu? Sempre há quem ganha, porém, nesse caso e em particular, não foi nenhum dos lados dessa moeda.
Drávida e Árya pertencem ao passado, o futuro está se revelando em oportunidades.
Esses dias ouvi algo interessante: “nesse Brasil onde a hipocrisia está travestida em falsa modesta um exemplo bom é a pessoa que assume a si mesma”.
Abraços do amigo Vieira
Everton Vieira Reply:
junho 17th, 2009 at 11:20
Gostária de deixar registrado aqui que essa moeda tem uma ancestralidade e um valor que hoje eu sinceramente sou incapaz de mensurar, tamanha é a grandeza.
Everton Vieira Reply:
junho 17th, 2009 at 12:05
Um vídeo para a Nossa Ancestralidade:
httpv://www.youtube.com/watch?v=ObF_ye4kA8o
Everton Vieira Reply:
junho 17th, 2009 at 12:21
MestreDê no meu coração você está incluído em “Nossa Ancestralidade”.
Mil abraços!
Everton
Patricia Moreira Reply:
junho 18th, 2009 at 16:16
Que texto lindo, Nélson! E tão cheio de verdades! É como diz o Mestre DeRose, dá vontade de vivenciar cada coisinha que mencionaste, com muita gula.
Beijoca grande,
Pat
quarta-feira, 17 de junho de 2009 às 0:44
Hum…quem sabe um dia o Sean Connery se aproxime da sua elegância, Mestre.
DeRose Reply:
junho 17th, 2009 at 1:00
Quem mo dera!
Fernanda Monteforte Reply:
junho 17th, 2009 at 1:26
Beijinho de boa noite.
DeRose Reply:
junho 17th, 2009 at 2:40
Boa noite, querida, e bons sonhos.
quarta-feira, 17 de junho de 2009 às 19:26
joaomarcelomarketingdireto.blogspot.com
Uma curiosidade sobre o Sean Connery…. quando jovem, ele, bodybuilder, participou de uma competição para ser Mr. Universo!
Mais interessante ainda é observar que, nesta época, o Yôga era amplamente divulgado e fazia parte do pacote de treinamento de muitos bodybuilders… bem verdade que apenas para controlar a respiração e o abdômen durante a apresentação no palco. Então, não dá para ter certeza, mas provavelmente uma boa parte de sua polidez tem origem na prática de alguma fforma de Yôga!
Eu usei o que aprendi na prática nos meus anos de competição e penso seriamente em contratar instrutores de Yôga para cuidar da coreografia dos atletas que ajudo a preparar como técnico….isso seria aceitável?
DeRose Reply:
junho 17th, 2009 at 20:24
É para começar ontem, João Marcelo!
quarta-feira, 17 de junho de 2009 às 19:32
joaomarcelomarketingdireto.blogspot.com
Achei a foto…..
DeRose Reply:
junho 17th, 2009 at 20:26
Uau! Chocante! Mas não posso deixar de questionar um preconceito e discriminação: por que a sunga é aceita no fisiculturismo e não é admitida de forma alguma numa coreografia pública do Yôga?
Fernanda Monteforte Reply:
junho 17th, 2009 at 23:54
Que foto muito legal João!
Para aqueles que acham que a alimentação sem carnes nos deixa fraquinhos, podemos lembrar que existem vários bodybuilders famosos vegetarianos, não é?
Beijos.
Joao Marcelo Reply:
junho 18th, 2009 at 12:18
Oi Fernanda! Olha o Bill Pearl, vegetariano, com 56 anos…
DeRose Reply:
junho 18th, 2009 at 22:16
Depois desta, acho que todo o mundo vai ser vegetariano!
quarta-feira, 17 de junho de 2009 às 20:31
joaomarcelomarketingdireto.blogspot.com
Muito estranho! No fisiculturismo as sungas, hoje bem menores do que na época, são necessárias para mostrar definição na parte baixa do abdômen, alta das pernas e os glúteos, onde queimamos toda a gordura e apresentamos um conjunto de fibras musculares…. e isso em locais como o Teatro Brigadeiro e o Ginásio do Ibirapuera, só para citar os locais onde eu competi.
E o fisiculturismo tem uma carga de preconceito provavelmente maior ainda do que o Yôga!!!!
sexta-feira, 19 de junho de 2009 às 14:29
Para os amigos: nada como o hino da Uni-Yôga em quando surgem momentos difíceis na senda.
Abraços!