quarta-feira, 5 de agosto de 2009 | Autor:

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Esta é para nossos colegas d’além-mar. Você vai ler agora a letra de um sambinha (na verdade uma “marchinha”) do compositor Mario Lago. Delicie-se com a linguagem.

Aos brasileiros, um teste: tente traduzir a letra em linguagem atual.

Esta é a letra de um sambinha de antigamente. É inacreditável! Uma marchinha despretenciosa! Como a nossa língua mudou…

“Caluda, tamborins, caluda!

Um biltre meu amor arrebatou.

No paroxismo da paixão ignota

Supu-la um querubim, não era assim.

Caluda, tamborins, caluda…

Soai plangentemente, ai de mim.

Vimo-nos num ror de gente

E, sub-repticiamente,

O olhar seu me dardejou.

Cáspite, por suas nédias madeixas

Que suaves endechas

Em pré-delíquio o pobre peito meu trinou.

Fomo-nos de plaga em plaga.

Pedi-lhe a mão catita,

Em ais de êxtase m’a deu.

E o dealbar de um amor

Em sua pulcra mirada resplandeceu, olarila!

Caluda, tamborins, caluda!

Um biltre meu amor arrebatou.

No paroxismo da paixão ignota

Supu-la um querubim, não era assim.

Caluda, tamborins, caluda…

Soai plangentemente, ai de mim.

Férula, ignara sorte

Solerte a garra adunca

Em minha vida estendeu!

Trêfaga ia a minha Natércia,

Surge o biltre do demo,

Rendida à sua parlanda, ela se escafedeu.

Vórtice no imo trago.

São gritos avernais

Que no atro ódio exclamei.

Falena sou, desalada…

Ó numes ouvi-me: aqui del-rey!”

Meus agradecimentos ao colega Fernando Almeida, da Unidade Vila Mariana, que me conseguiu a música gravada em áudio.

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15 comentários

  1. 1
    ziebell
    quarta-feira, 5 de agosto de 2009 às 6:11
     

    Oi Mestre!
    É um desafio mesmo! Eu estava achando que depois de 8 anos em Portugal, já poderia me considerar lusitana, mas afinal… ainda estou bem longe disso :)
    Beijinhos daqui!

  2. 2
    Lu Fandinho
    quarta-feira, 5 de agosto de 2009 às 8:47
     

    EEEE, a letra, que legal!!!!
    Realmente Mestre, é uma letra extremamente complexa.
    Adorei
    Bjs

  3. 3
    gustavo321
    quarta-feira, 5 de agosto de 2009 às 9:26
     

    Mestre,

    Recebi isso do meu mais antigo amigo, era com ele que eu ia para a escola todos os dias pela manhã, tínhamos não mais do que 12, 13 anos quando nos conhecemos.
    Falávamos, sobre sonhos, projetos, namoradas, e o que e mais interessante que passamos as vezes meses sem nos falarmos, mas quando ligamos um para o outro, e como tivéssemos nos falado ontem.
    Apesar das distancias que nos separam, continuamos amigões do peito e fiquei emocionado quando ele me mandou.
    Achei a poesia muito bonita e gostaria de compartilhar isso contigo e com todos os leitores.
    Um grande abraco,
    Gustavo de Londres

    OS AMIGOS INVISÍVEIS

    (Fabrício Carpinejar)

    Os amigos não precisam estar ao lado para justificar a lealdade. Mandar relatórios do que estão fazendo para mostrar preocupação.

    Os amigos são para toda a vida, ainda que não estejam conosco a vida inteira. Temos o costume de confundir amizade com onipresença e exigimos que as pessoas estejam sempre por perto, de plantão. Amizade não é dependência, submissão. Não se têm amigos para concordar na íntegra, mas para revisar os rascunhos e duvidar da letra. É independência, é respeito, é pedir uma opinião que não seja igual, uma experiência diferente.

    Se o amigo desaparece por semanas, imediatamente se conclui que ele ficou chateado por alguma coisa. Diante de ausências mais longas e severas, cobramos telefonemas e visitas. E já se está falando mal dele por falta de notícias. Logo dele que nunca fez nada de errado!

    O que é mais importante: a proximidade física ou afetiva? A proximidade física nem sempre é afetiva. Amigo pode ser um álibi ou cúmplice ou um bajulador ou um oportunista, ambicionando interesses que não o da simples troca e convívio.

    Amigo mesmo demora a ser descoberto. É a permanência de seus conselhos e apoio que dirão de sua perenidade.

    Amigo mesmo modifica a nossa história, chega a nos combater pela verdade e discernimento, supera condicionamentos e conluios. São capazes de brigar com a gente pelo nosso bem-estar.

    Assim como há os amigos imaginários da infância, há os amigos invisíveis na maturidade. Aqueles que não estão perto podem estar dentro. Tenho amigos que nunca mais vi, que nunca mais recebi novidades e os valorizo com o frescor de um encontro recente.. Não vou mentir a eles, vamos nos ligar? num esbarrão de rua. Muito menos dar desculpas esfarrapadas ao distanciamento.

    Eles me ajudaram e não necessitam atualizar o cadastro para que sejam lembrados. Ou passar em casa todo o final de semana e me convidar para ser padrinho de casamento, dos filhos, dos netos, dos bisnetos. Caso encontrá-los, haverá a empatia da primeira vez, a empatia da última vez, a empatia incessante de identificação. Amigos me salvaram da fossa, amigos me salvaram das drogas, amigos me salvaram da inveja, amigos me salvaram da precipitação, amigos me salvaram das brigas, amigos me salvaram de mim.

    Os amigos são próprios de fases: da rua, do Ensino Fundamental, do Ensino Médio, da faculdade, do futebol, da poesia, do emprego, da dança, dos cursos de inglês, da capoeira, da academia, do blog. Significativos em cada etapa de formação. Não estão em nossa frente diariamente, mas estão em nossa personalidade, determinando, de modo imperceptível, as nossas atitudes.

  4. 4
    Neide Nunes
    quarta-feira, 5 de agosto de 2009 às 11:46
    jnunes.com.br
     

    Oi Mestre, passei para deixar um beijinho e dizer que algumas semaninhas sem vê-lo já são suficientes para me encher de saudades.
    Quanto ao texto… rs não entendi nadica de nada, impressionante! :)
    Bj.
    Neide
    Moema-SP

  5. 5
    Vernon Maraschin
    quarta-feira, 5 de agosto de 2009 às 11:51
     

    Oi Mestre! Aqui é o Vernon de São Paulo. Essa é a minha tradução da letra de Mario Lago. Ficaram faltando algumas palavras e assim, conto com a ajuda dos colegas para completar e melhorar essa versão. Forte abraço a todos!

    Silencie os tamborins, silencie!

    O meu amor arrancou o homem vil de mim

    No auge da paixão desconhecida

    Imaginei que ela fosse um anjo

    Mas não era assim

    Silencie os tamborins, silencie!

    Toque tristemente, coitado de mim

    Estávamos entre muitas pessoas

    E furtivamente

    O seu olhar me acertou como um dardo

    Caramba, pelos seus luminosos cabelos

    Que suaves poesias tristes

    Prestes a desmaiar

    O meu pobre peito cantou

    Fomos de região em região

    Pedi a sua mão elegante

    Sofrendo de êxtase, você me deu

    E a purificação de um amor

    Resplandeceu em seu olhar gentil

    Espalma, bate, sorte desconhecida

    Esperta a garra recurva

    Em minha vida desenrrolou!

    Trêfaga ia a minha Natércia (essa eu fico devendo!)

    Surge a vilania do diabo

    Submetida à sua parlanta (difícil essa), ela fugiu

    Tragada pelo turbilhão mais profundo

    São gritos avernais (também fico devendo essa)

    Que no negro ódio vociferei

    Sou como uma borboleta sem asas

    Ó Deus, me escute: aqui del-rey! (mais uma que não encontrei)

    DeRose Reply:

    Prolfaças, Vernon! Estriçaste um magote de expressões e cometestes poucas cincadas.

    Lu Fandinho Reply:

    Esse é meu instrutor, srsrsrsrs amoamoamoamo

    Regina Wiese Zarling Reply:

    Avernais significa infernais, as demais também não consegui descobrir.
    Bjs
    Regina

  6. 6
    Ale Filippini
    quarta-feira, 5 de agosto de 2009 às 12:33
     

    Gostei disso!
    Usei o dicionário para entender a letra e, como o Vernon, ficaram faltando algumas palavras que já não fazem mais parte da nossa língua …

    Alê – Unidade Alphaville / SP

  7. 7
    Fernando Almeida
    quarta-feira, 5 de agosto de 2009 às 15:56
     

    Olá Mestrão!
    Que bacana! Conseguimos a letra. E que letra.
    Nosso querido Mario Lago estava totalmente inspirado na caça aos sinônimos quando a escreveu. Verei se consigo a música cantada por ele mesmo, já que o intérprete da gravação do cd encontrado é o Eduardo Duzek.
    Um abraço!

  8. 8
    Ana Maria Marreiros
    quarta-feira, 5 de agosto de 2009 às 19:00
     

    Mestrinho, adoreiiiiiiiiiiiiii este sambinha! Sou muito Lusitana, mas quando oiço algo tão especial como este samba fico toda arrepiada.
    Mande mais!!!!!

    Um beijinho muito terno .

    E bem aventurados sejam aqueles que descobriram o Brasil e esta cultura tão rica.

    Ana Maria Marreiros Lisboa

  9. 9
    Rosangela Almeida
    quinta-feira, 6 de agosto de 2009 às 14:58
     

    Vernom, parabéns!

    Tradução da nossa própria língua.

    Beijos

    Rosângela Almeida – Método DeRose Vila Mariana/SP.

  10. 10
    Rosangela Almeida
    quinta-feira, 6 de agosto de 2009 às 14:59
     

    Vernon, parabéns!

    Tradução da nossa própria língua.

    Beijos

    Rosângela Almeida – Método DeRose Vila Mariana – SP

  11. 11
    D Urso
    domingo, 14 de novembro de 2010 às 21:26
    fabiodurso.com
     

    Caluda, tamborins, caluda !
    Silencio, tamborins silencio,
    Um biltre meu amor arrebatou,
    Um infame roubou o meu amor,
    No paroxismo da paixão ignota,
    No auge de uma paixão desconhecida,
    Supu-la um Querubim. Não era assim.
    Pensei que ela fosse um anjo. Não era !
    Caluda, tamborins, caluda…
    Silencio, tamborins silencio…
    Soai plangentemente, ai de mim.
    Batei como quem chora, ai de mim.

    Vímo-nos num ror de gente,
    Nós nos vimos no meio da multidão,
    E, sub-repticiamente,
    E, disfarçadamente,
    O olhar seu me dardejou,
    Seu olhar me atingiu como se fosse uma lança,
    Cáspite, por suas nédias madeixas,
    Puxa vida (ou PQP), por seus cabelos brilhantes,
    Que suaves endechas,
    Que suaves poesias,
    Em pré-delíquio o pobre peito meu trinou,
    Meu pobre peito cantou quase desmaiando,
    Fomo-nos, de plaga em plaga,
    Fomos andando por aí, sem destino,
    Pedi-lhe a mão catita,
    Pedi-lhe a mão bonita,
    Em ais de êxtase m’a deu,
    Entre suspiros de encantamento ela me atendeu,
    E o dealbar de um amor,
    E o amanhecer de um amor,
    Em sua pulcra mirada resplandeceu. Olarila !
    Se acendeu em seu olhar puro. Oba !

    Férula, ignara sorte,
    Sorte rude e cruel,
    Solerte a garra adunca,
    Manhosamente estendeu,
    Em minha vida estendeu !
    Sua garra afiada em minha vida !
    Trêfega ia a minha Natércia,
    Minha Natércia ia alegre,
    Surge o biltre do demo,
    Surge o infame do diabo,
    Rendida à sua parlanda ela se escafedeu.
    E, vencida pelo seu blábláblá, ela fugiu,
    Vórtice no imo trago,
    Trago um redemoinho dentro de mim,
    São gritos avernais,
    São gritos infernais,
    Que no atro ódio exclamei,
    Que saem do meu ódio profundo,
    Falena sou, desalada…
    Sou borboleta que perdeu as asas…
    Ó numes ouvi-me: Aqui Del-Rey….
    Ó, Deuses escutem-me : Socorro !..

    DeRose Reply:

    Muito bom, D’Urso. Valeu.

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