[audio: http://www.uni-yoga.org/blogdoderose/wp-content/uploads/2009/08/caluda_tamborins-Mario_Lago.mp3]
Esta é para nossos colegas d’além-mar. Você vai ler agora a letra de um sambinha (na verdade uma “marchinha”) do compositor Mario Lago. Delicie-se com a linguagem.
Aos brasileiros, um teste: tente traduzir a letra em linguagem atual.
Esta é a letra de um sambinha de antigamente. É inacreditável! Uma marchinha despretenciosa! Como a nossa língua mudou…
“Caluda, tamborins, caluda!
Um biltre meu amor arrebatou.
No paroxismo da paixão ignota
Supu-la um querubim, não era assim.
Caluda, tamborins, caluda…
Soai plangentemente, ai de mim.
Vimo-nos num ror de gente
E, sub-repticiamente,
O olhar seu me dardejou.
Cáspite, por suas nédias madeixas
Que suaves endechas
Em pré-delíquio o pobre peito meu trinou.
Fomo-nos de plaga em plaga.
Pedi-lhe a mão catita,
Em ais de êxtase m’a deu.
E o dealbar de um amor
Em sua pulcra mirada resplandeceu, olarila!
Caluda, tamborins, caluda!
Um biltre meu amor arrebatou.
No paroxismo da paixão ignota
Supu-la um querubim, não era assim.
Caluda, tamborins, caluda…
Soai plangentemente, ai de mim.
Férula, ignara sorte
Solerte a garra adunca
Em minha vida estendeu!
Trêfaga ia a minha Natércia,
Surge o biltre do demo,
Rendida à sua parlanda, ela se escafedeu.
Vórtice no imo trago.
São gritos avernais
Que no atro ódio exclamei.
Falena sou, desalada…
Ó numes ouvi-me: aqui del-rey!”
Meus agradecimentos ao colega Fernando Almeida, da Unidade Vila Mariana, que me conseguiu a música gravada em áudio.






Oi Mestre!
É um desafio mesmo! Eu estava achando que depois de 8 anos em Portugal, já poderia me considerar lusitana, mas afinal… ainda estou bem longe disso
Beijinhos daqui!
EEEE, a letra, que legal!!!!
Realmente Mestre, é uma letra extremamente complexa.
Adorei
Bjs
Mestre,
Recebi isso do meu mais antigo amigo, era com ele que eu ia para a escola todos os dias pela manhã, tínhamos não mais do que 12, 13 anos quando nos conhecemos.
Falávamos, sobre sonhos, projetos, namoradas, e o que e mais interessante que passamos as vezes meses sem nos falarmos, mas quando ligamos um para o outro, e como tivéssemos nos falado ontem.
Apesar das distancias que nos separam, continuamos amigões do peito e fiquei emocionado quando ele me mandou.
Achei a poesia muito bonita e gostaria de compartilhar isso contigo e com todos os leitores.
Um grande abraco,
Gustavo de Londres
OS AMIGOS INVISÍVEIS
(Fabrício Carpinejar)
Os amigos não precisam estar ao lado para justificar a lealdade. Mandar relatórios do que estão fazendo para mostrar preocupação.
Os amigos são para toda a vida, ainda que não estejam conosco a vida inteira. Temos o costume de confundir amizade com onipresença e exigimos que as pessoas estejam sempre por perto, de plantão. Amizade não é dependência, submissão. Não se têm amigos para concordar na íntegra, mas para revisar os rascunhos e duvidar da letra. É independência, é respeito, é pedir uma opinião que não seja igual, uma experiência diferente.
Se o amigo desaparece por semanas, imediatamente se conclui que ele ficou chateado por alguma coisa. Diante de ausências mais longas e severas, cobramos telefonemas e visitas. E já se está falando mal dele por falta de notícias. Logo dele que nunca fez nada de errado!
O que é mais importante: a proximidade física ou afetiva? A proximidade física nem sempre é afetiva. Amigo pode ser um álibi ou cúmplice ou um bajulador ou um oportunista, ambicionando interesses que não o da simples troca e convívio.
Amigo mesmo demora a ser descoberto. É a permanência de seus conselhos e apoio que dirão de sua perenidade.
Amigo mesmo modifica a nossa história, chega a nos combater pela verdade e discernimento, supera condicionamentos e conluios. São capazes de brigar com a gente pelo nosso bem-estar.
Assim como há os amigos imaginários da infância, há os amigos invisíveis na maturidade. Aqueles que não estão perto podem estar dentro. Tenho amigos que nunca mais vi, que nunca mais recebi novidades e os valorizo com o frescor de um encontro recente.. Não vou mentir a eles, vamos nos ligar? num esbarrão de rua. Muito menos dar desculpas esfarrapadas ao distanciamento.
Eles me ajudaram e não necessitam atualizar o cadastro para que sejam lembrados. Ou passar em casa todo o final de semana e me convidar para ser padrinho de casamento, dos filhos, dos netos, dos bisnetos. Caso encontrá-los, haverá a empatia da primeira vez, a empatia da última vez, a empatia incessante de identificação. Amigos me salvaram da fossa, amigos me salvaram das drogas, amigos me salvaram da inveja, amigos me salvaram da precipitação, amigos me salvaram das brigas, amigos me salvaram de mim.
Os amigos são próprios de fases: da rua, do Ensino Fundamental, do Ensino Médio, da faculdade, do futebol, da poesia, do emprego, da dança, dos cursos de inglês, da capoeira, da academia, do blog. Significativos em cada etapa de formação. Não estão em nossa frente diariamente, mas estão em nossa personalidade, determinando, de modo imperceptível, as nossas atitudes.
Oi Mestre, passei para deixar um beijinho e dizer que algumas semaninhas sem vê-lo já são suficientes para me encher de saudades.
Quanto ao texto… rs não entendi nadica de nada, impressionante!
Bj.
Neide
Moema-SP
Oi Mestre! Aqui é o Vernon de São Paulo. Essa é a minha tradução da letra de Mario Lago. Ficaram faltando algumas palavras e assim, conto com a ajuda dos colegas para completar e melhorar essa versão. Forte abraço a todos!
Silencie os tamborins, silencie!
O meu amor arrancou o homem vil de mim
No auge da paixão desconhecida
Imaginei que ela fosse um anjo
Mas não era assim
Silencie os tamborins, silencie!
Toque tristemente, coitado de mim
Estávamos entre muitas pessoas
E furtivamente
O seu olhar me acertou como um dardo
Caramba, pelos seus luminosos cabelos
Que suaves poesias tristes
Prestes a desmaiar
O meu pobre peito cantou
Fomos de região em região
Pedi a sua mão elegante
Sofrendo de êxtase, você me deu
E a purificação de um amor
Resplandeceu em seu olhar gentil
Espalma, bate, sorte desconhecida
Esperta a garra recurva
Em minha vida desenrrolou!
Trêfaga ia a minha Natércia (essa eu fico devendo!)
Surge a vilania do diabo
Submetida à sua parlanta (difícil essa), ela fugiu
Tragada pelo turbilhão mais profundo
São gritos avernais (também fico devendo essa)
Que no negro ódio vociferei
Sou como uma borboleta sem asas
Ó Deus, me escute: aqui del-rey! (mais uma que não encontrei)
Prolfaças, Vernon! Estriçaste um magote de expressões e cometestes poucas cincadas.
Esse é meu instrutor, srsrsrsrs amoamoamoamo
Avernais significa infernais, as demais também não consegui descobrir.
Bjs
Regina
Gostei disso!
Usei o dicionário para entender a letra e, como o Vernon, ficaram faltando algumas palavras que já não fazem mais parte da nossa língua …
Alê – Unidade Alphaville / SP
Olá Mestrão!
Que bacana! Conseguimos a letra. E que letra.
Nosso querido Mario Lago estava totalmente inspirado na caça aos sinônimos quando a escreveu. Verei se consigo a música cantada por ele mesmo, já que o intérprete da gravação do cd encontrado é o Eduardo Duzek.
Um abraço!
Mestrinho, adoreiiiiiiiiiiiiii este sambinha! Sou muito Lusitana, mas quando oiço algo tão especial como este samba fico toda arrepiada.
Mande mais!!!!!
Um beijinho muito terno .
E bem aventurados sejam aqueles que descobriram o Brasil e esta cultura tão rica.
Ana Maria Marreiros Lisboa
Vernom, parabéns!
Tradução da nossa própria língua.
Beijos
Rosângela Almeida – Método DeRose Vila Mariana/SP.
Vernon, parabéns!
Tradução da nossa própria língua.
Beijos
Rosângela Almeida – Método DeRose Vila Mariana – SP
Caluda, tamborins, caluda !
Silencio, tamborins silencio,
Um biltre meu amor arrebatou,
Um infame roubou o meu amor,
No paroxismo da paixão ignota,
No auge de uma paixão desconhecida,
Supu-la um Querubim. Não era assim.
Pensei que ela fosse um anjo. Não era !
Caluda, tamborins, caluda…
Silencio, tamborins silencio…
Soai plangentemente, ai de mim.
Batei como quem chora, ai de mim.
Vímo-nos num ror de gente,
Nós nos vimos no meio da multidão,
E, sub-repticiamente,
E, disfarçadamente,
O olhar seu me dardejou,
Seu olhar me atingiu como se fosse uma lança,
Cáspite, por suas nédias madeixas,
Puxa vida (ou PQP), por seus cabelos brilhantes,
Que suaves endechas,
Que suaves poesias,
Em pré-delíquio o pobre peito meu trinou,
Meu pobre peito cantou quase desmaiando,
Fomo-nos, de plaga em plaga,
Fomos andando por aí, sem destino,
Pedi-lhe a mão catita,
Pedi-lhe a mão bonita,
Em ais de êxtase m’a deu,
Entre suspiros de encantamento ela me atendeu,
E o dealbar de um amor,
E o amanhecer de um amor,
Em sua pulcra mirada resplandeceu. Olarila !
Se acendeu em seu olhar puro. Oba !
Férula, ignara sorte,
Sorte rude e cruel,
Solerte a garra adunca,
Manhosamente estendeu,
Em minha vida estendeu !
Sua garra afiada em minha vida !
Trêfega ia a minha Natércia,
Minha Natércia ia alegre,
Surge o biltre do demo,
Surge o infame do diabo,
Rendida à sua parlanda ela se escafedeu.
E, vencida pelo seu blábláblá, ela fugiu,
Vórtice no imo trago,
Trago um redemoinho dentro de mim,
São gritos avernais,
São gritos infernais,
Que no atro ódio exclamei,
Que saem do meu ódio profundo,
Falena sou, desalada…
Sou borboleta que perdeu as asas…
Ó numes ouvi-me: Aqui Del-Rey….
Ó, Deuses escutem-me : Socorro !..
Muito bom, D’Urso. Valeu.
Olá, Mestre!
Diz a lenda que Mário Lago fez este sambinha pois a muito vinha sendo apontado como compositor de marchinhas sem conteúdo, como “… eu mato, eu mato quem roubou minha cueca pra fazer pano de prato”. Deu um show de conhecimento e mostrou que faz as marchinhas por opção, para divertir o povo!
Gostei do beijabraço. Vá a São Paulo, mas conviva mais comigo, brother. Beijabraço para você também.
Olá Mestre, bom dia !!
Quero compartilhar um documentário da Sociedade Mundial de Proteção Animal, interessantíssimo no que diz respeito ao bem estar animal. Com muitas informações atuais, cita entre outras coisas, as práticas de criação animal que estão sendo colocadas em uso na Europa graças a
pressão dos ativistas por lá.
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=JJN6deox0hk
Grande abraço,
Rafael Schoenfelder
Curitiba Pr
Valeu, amigo. Muito importante. Abração.
Gostei mais da segunda opção. Abraços londrinos.
Sim.