Enviado por Alessandro Martins:
ODE AO VIRA-LATA
Das criaturas, entre o céu e a terra, foi dado a uma tornar-se especial. É o cachorro vira-lata. É o rei dos bichos de nome composto, com seu verbo, seu hífen e seu substantivo.
Vira-lata é o nome científico dessa raça de cães que vive entre os homens com a liberdade que os bípedes almejam tanto e não têm, embora possuam um par de membros desocupados para fazer o que quiserem.
Um vira-lata sempre parece saber para onde vai, com seu passo decidido. E, se parado, aparenta a solidez de quem está no devido lugar, na hora certa. Os humanos, por mais que saibam para onde ir, sempre têm esse ar um tanto patético dos perdidos no mundo. Parados, mal sabem onde pôr as mãos. Por isso, inventaram os bolsos.
E eles, junto com os bolsos, criaram uma designação engraçada para o vira-lata: srd ou sem-raça-definida. Os homens precisam definir tudo. Porque os cães de raça, cada homem escolhe de acordo com o apartamento ou casa – que tem – ou personalidade – que acha que tem.
E, assim, os cães de raça, com suas designações pomposas e pedigrees, podem ser escolhidos por seus donos, criteriosamente. O vira-lata, por sua vez, prefere e sabe fazer escolhas ele mesmo. Sem árvore genealógica, atravessa a rua sozinho e consegue comida com sua humilde auto-suficiência.
Há, sem dúvida, mais nobreza em um vira-lata que em um galgo de corrida. As agruras da sarna, dos atropelamentos e das pedradas dão fibra à sua alma.
Repare naqueles que nunca tiveram um vira-lata. Parece que lhes falta algo. O sorriso, talvez, tenha menos de rabo abanando em seus componentes e mais de tédio e fleuma, ou coisa assim. O vira-lata ensina a ser feliz com pouco. Mesmo quem não tem nada pode ter um cão, desde que ELE deixe. O bêbado e o louco conversam com um vira-lata de igual para igual. Ao menos esses conseguem se alçar à altura do cão. E este lhes lambe as mãos.
Veja a procissão de cães atrás de uma única cadela. Dinastias inteiras de vira-latas foram fecundadas e fundadas em madrugadas quando até o amor, esse item em extinção, era dividido.
Vira-latas há aos montes por aí. E não tem um que seja igual ao outro. Parecidos, às vezes. Em sua miscelânea genética, ele é antes de tudo um forte. Nunca precisou de vacina pra sobreviver.
Quando perguntam por aí: se você fosse um bicho qual seria?, todos respondem coisas como águia, leão ou tigre. Eu demorei pra descobrir, mas hoje eu respondo de boca-cheia.
Se eu fosse um bicho, eu seria um vira-lata. Desses amarelos.







Lindo texto Mestre!
Há algum tempo li uma reportagem e lembrei de você, que sempre fala da importância do bem vestir. Segue o link:
http://moglobo.globo.com/integra.asp?txtUrl=/saude/sim-habito-faz-monge-mostra-pequisa-4488046
Beijos
Ana Flávia
Chêla – Unidade Downtown
Muito bom, Ana. Obrigado. Beijo.
Querido Mestrão, primeiro de tudo obrigada por estar aqui bem pertinho de nós, amei o curso desta tarde em Lisboa, foi extremamente enriquecedor.
Durante o curso o Mestre falou da história do Brasil e também em outros momentos, na coragem dos exploradores portugueses que navegavam por mares bravos em “casquinhas de nozes”.
Então lembrei-me deixar aqui uma história da minha cidade natal sobre uma dessas pequeninas embarcações e do povo aventureiro que tanto influenciou a história brasileira.
Espero que goste e quando voltar ao Algarve, possamos fazer juntos um passeio numa réplica destas tão famosas embarcações.
“O caíque de Olhão “Bom Sucesso” rumo ao Brasil”
http://rumoaobrasil.no.sapo.pt/EnquadramentoHistorico.htm
Eeebaaa!
Gracias por tu mensaje, me llevo tus palabras a la meditación de esta noche; la nobleza es el mejor pedigree.
Gracias, Silvia.
Que fofo, adorei!
Mestre.
Olhe que incrível isto!
Beijos.
Love u.
Juli.
http://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2012/04/03/interna_internacional,286911/alema-de-86-anos-e-aplaudida-de-pe-no-mundial-de-ginastica-olimpica.shtml
Juli, quero ver você assim nessa idade.
Beijoka.
Eu também!
Beijos.