24 de fevereiro de 2010 (Bibliomed). Os fumantes parecem ter menor quociente de inteligência (QI) do que os não-fumantes, e, quanto mais uma pessoa fuma, “menos esperta” ela parece ser, segundo pesquisadores do Centro Médico Sheba, em Israel. Em pesquisa com 20 mil recrutas israelenses, os especialistas descobriram que homens jovens que fumam um maço de cigarros por dia ou mais têm QI 7,5 pontos menor do que aqueles que nunca fumaram.
Avaliando os recrutas militares de 18 anos de idade – 28% que fumavam pelo menos um cigarro por dia, 3% que eram ex-fumantes e 68% que nunca tinham fumado -, os pesquisadores notaram que a média de pontuação dos fumantes nos testes de inteligência foi bem menor do que a dos não-fumantes – 94, contra 101 -, independentemente de status socioeconômico e da escolaridade dos pais. E os resultados indicaram, ainda, que, quanto mais cigarros eles fumavam diariamente, piores eram seus resultados nos testes de QI – de 98 para pessoas que fumavam de um a cinco cigarros por dia, para 90 daqueles que fumavam mais de um maço.
De acordo com os autores, os participantes foram proibidos de fumar no período dos testes, assim, os sintomas de abstinência podem ter afetado os resultados dos fumantes. Porém, mesmo aqueles que começaram a fumar pouco tempo antes da pesquisa, após entrarem no exército, apresentaram pior QI do que os não-fumantes, o que indica pouca influência da abstinência de nicotina sobre os resultados.
Baseados nesses resultados, os especialistas concluíram que pessoas com menor QI são mais propensas a começar a fumar e a fumar mais cigarros, e que os resultados não indicam que o tabagismo possa tornar as pessoas menos inteligentes. Por isso, eles defendem que “adolescentes com pior QI podem ser foco de programas desenvolvidos para a prevenção do tabagismo”.
Fonte: Addiction. Fevereiro de 2010.
Contribuição da Cissa Vidal, Curitiba.




sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010 às 6:58
soniamonteiro.com
Deveriam fazer estes estudos em vários países, e aumentar consideravelmente o imposto sobre o tabaco. Talvez fossem medidas que contribuissem para uma maior consciência e reflexão sobre este estranho hábito. A lei sobre a proibição do fumo em locais fechados em Portugal, está a ser contornada por algumas casas, bares, restaurantes e discotecas, o que revela uma incapacidade de agir contra este lobbie poderoso…
Beijos e até domingo!
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010 às 12:35
Mt bom!!!
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010 às 13:28
anahiflores.org
Interesante!
sábado, 27 de fevereiro de 2010 às 20:08
Sei bem como é a vida com cigarros e sem eles e posso garantir que hoje, depois de 6 anos sem fumar sou muuuuito mais feliz!!!!
Beijos super coloridos!!!
sábado, 27 de fevereiro de 2010 às 22:34
“Os fabricantes de cigarro levaram 40 anos para admitir o que já sabiam desde os anos 1950: o fumo causa câncer de pulmão. Nesse período, “a indústria do tabaco cometeu uma sucessão de fraudes, propagou mentiras com ares de controvérsia científica e enganou os consumidores num nível provavelmente inédito na história do capitalismo”. Assim começa o excelente livro “O Cigarro” (Publifolha, 87 pág.), de Mario Cesar Carvalho.
Nele, o autor conta a história do cigarro desde suas origens. Diz que o capelão da primeira expedição francesa ao Brasil, em 1556, já relatou seu uso entre os tupinambás. Daqui, o fumo emigrou clandestinamente para Portugal e para a Espanha.
Fumar cigarro era raridade até o final do século 19. Em 1880, cerca de 58% dos usuários de tabaco eram mascadores de fumo, 38% fumavam charuto ou cachimbo, 3% cheiravam rapé e apenas 1% era fumante de cigarro. Nesse ano, o americano James A. Bonsack inventou uma máquina capaz de enrolar 200 cigarros por minuto, o que criou condições para o aparecimento da indústria.
Então veio a distribuição de cigarros aos soldados nas trincheiras, durante a Primeira Guerra, e seu uso, que se achava restrito às camadas marginais das sociedades americana e européia, explodiu. Em 1900, o consumo anual americano era de cerca de 2 bilhões de cigarros; em 1930, chegou a 200 bilhões. As duas guerras mundiais, que afrouxaram a oposição ao cigarro, a urbanização acelerada, a criação do mercado de massa e a expansão do mercado de trabalho, criaram as condições para que a epidemia do fumo se espalhasse pelo mundo, envolta em glamour por Hollywood, como símbolo de modernidade.
Descrito com clareza o cenário que levou à disseminação dessa praga do século 20 pelos cinco continentes, o autor mostra como ocorreu a tomada de consciência da sociedade em relação aos malefícios do fumo e como a indústria boicotou as informações científicas que esclareciam a associação do cigarro com o câncer e com as doenças cardiovasculares. Até a década passada, por exemplo, a indústria se negava a reconhecer até o mais óbvio: que a nicotina provoca dependência, num deboche cínico aos que enfrentam o tormento de parar de fumar.
Essa guerra suja, engendrada por executivos de terno e gravata e por pesquisadores sem escrúpulos alugados por eles, é apresentada de forma sucinta e contundente, justificando plenamente a conclusão inicial de que a indústria enganou de forma vil os consumidores, provocando milhões de mortes evitáveis.
A estratégia de rebater todas as evidências de que o cigarro provoca doenças mortais conseguiu assegurar aos fabricantes o direito de manter, por muitos anos, a propaganda do cigarro pelos meios de comunicação de massa, com mensagens dirigidas a adolescentes, concebidas para aliciá-los à escravidão da dependência de nicotina. Existe, na história do capitalismo, exemplo mais abominável de crime contra as crianças, perpetrado em nome do lucro?
Nos dias de hoje, esse aliciamento criminoso se faz sentir especialmente nos países em desenvolvimento, nos quais a defesa da saúde pública ensaia os primeiros passos e a vida humana parece valer menos. Conformada com a perda de mercado nos países industrializados, a indústria do fumo descarrega seu poder de fogo para conquistar novos dependentes nos países pobres.
No Brasil, apesar do avanço inegável dos últimos anos, a adoção de medidas restritivas à publicidade do cigarro aconteceu com 30 anos de atraso em relação aos Estados Unidos, como nos lembra o autor. Desde 1971, é proibido anunciar cigarro na TV americana; no Brasil, a proibição foi feita há pouco mais de um ano. Durante 30 anos, nossas crianças foram bombardeadas com mensagens para induzi-las a fumar, enquanto as americanas eram protegidas pela legislação de seu país.
Da mesma forma, atualmente, enquanto as multinacionais da indústria de tabaco concordaram em pagar 246 bilhões de dólares para convencer os 50 estados americanos a desistir de mover contra elas ações por fraude contra a saúde pública, aqui não arcam nem sequer com um centavo das despesas com o tratamento das doenças provocadas pelo cigarro. Por quê? Para essas companhias, a vida de um cidadão americano vale mais?
Nesse campo vale a pena acompanhar com todo o cuidado a ação que a Associação em Defesa da Saúde do Fumante (Adesf) move contra a Souza Cruz e a Philip Morris e que conseguiu, no Supremo Tribunal, a inversão do ônus da prova, isto é, as companhias é que terão de provar que cigarro não vicia. Foi uma ação similar a essa que possibilitou o acordo de US$ 246 bilhões nos Estados Unidos, como bem ressalta Carvalho.
O ponto alto do livro, no entanto, está no capítulo “Por que o Cigarro Conquistou o Mundo”. Nele, o autor toca num ponto quase nunca lembrado, mas absolutamente fundamental para entender qualquer dependência química: o usuário sente prazer ao consumir a droga.
No caso da nicotina, esse prazer está ligado à sua interação imediata com receptores dos neurônios situados em áreas do cérebro associadas às sensações de prazer e de recompensa e à busca da repetição do estímulo que provocou o prazer. Se um cigarro for consumido em dez tragadas, o autor calcula, o cérebro do fumante de um maço por dia verá esse circuito repetir-se 73 mil vezes por ano. E pergunta com lógica cristalina: que outra droga provoca 73 mil impactos de prazer num ano? Nessa pergunta elementar está a resposta à dificuldade enfrentada pelos 80% ou mais dos que fracassam na tentativa de abandonar o cigarro. Nela está a explicação de por que é mais difícil largar do cigarro do que do álcool, da maconha, da cocaína, da heroína, da morfina ou do crack.”
Drauzio Varella
DeRose Reply:
fevereiro 28th, 2010 at 3:11
Boa matéria.
domingo, 28 de fevereiro de 2010 às 5:50
Mestre DeRose:
Es mi deseo que la práctica conmemorativa de hoy, sea un éxito. Que la aprovechen y disfruten sus mejores alumnos.
En mi caso, sufro de una escaza discplina. A pesar de ello, aún gozo de un sentimiento sincero que me incentiva a recobrar la confianza e intentarlo de nuevo. Ese sutil sentimieto, se evidencia con mis propias palabras al demostrarme cuan necesario es ser inteligente para que me resulte más sencillo saber elegir… A pesar de mis torpezas, desarrollar la voluntad (aunque aparente ser algo imposible) es indispensable.
Hay mucho que leer, por lo que debo de especializarme en hacerlo rápido y eficientemente. Incorporar la lectura como un hábito cotidano.
A.
F.
DeRose Reply:
fevereiro 28th, 2010 at 8:15
Buenos días, Franco.