quinta-feira, 27 de agosto de 2009 | Autor:

A ideia me surgiu a partir do comentário abaixo, do Arthur Costi:

Arthur Costi

Me fez lembrar a entrevista com Joseph Campbell que originou o livro O poder do mito.

Realmente quando há um real interesse por parte do jornalista é possível extrair muito conteúdo e mostrar a amplitude de nosso trabalho, as outras entrevistas por estarem dentro de um rótulo (yôga) acabavam fazendo com que você dedicasse praticamente o tempo inteiro desfazendo mal-entendidos e pré-conceitos.

Meus sinceros parabéns ao António Mateus por permitir que o mundo conheça o que o DeRose está propondo, proposta esta que vai muito além de algumas técnicas, estamos mostrando uma Cultura.

Será que seria possível legendar a entrevista em inglês? Eu não sei como fazer isso mas acho uma ótima idéia para esse vídeo ficar realmente acessível ao mundo todo.

Abraços!

Arthur Costi
Unidade Centro Cívico – Curitiba PR

  1. Autor: Raffa Loffredo

    Com bastante prazer e honra gostaria muito fazer isto por todos os que já fazem parte da nossa egrégora e por aqueles que ainda farão através da entrevista!

    Raffa Loffredo
    Unidade Champagnat – Curitiba

    DeRose |

    Então, Raffa, mãos à obra! Se digitar em Word vai facilitar depois para dar formato de livro, paginar etc. Quanto tempo você acha que vai levar?

    Antonio Pedro Mateus |

    Olá Mestre!
    Obrigado pela extrema generosidade das suas palavras relativas a esta “nossa” conversa filmada, onde senti o arrepio do ser lindo que o senhor é.
    Gostaria no entanto de lhe pedir, se me o permite, um gesto de devida justiça, a quem esteve por detrás da luz, estrutura e sensibilidade desta conversa; a Luísa Leão.
    Foi ela que me guiou primeiro para a luz que o senhor semeia, guia e rega há quase 50 anos em benefício de toda a humanidade.
    Depois, foi dos saberes por ela reunidos, enquanto sua estudiosa e seguidora, e de uma paciência imensa em os “contrabandear” para dentro de mim, que esta nossa conversa atingiu o brilho que ambos sentimos.
    Peço-lhe de coração que lhe transmita esse carinho com a justiça e amor que em si abundam.
    Abraço amigo
    António

    DeRose |

    Tem razão, meu bom amigo. Luísa Leão é a grande arquiteta da nossa amizade. Sinto um carinho e uma admiração imensa por ela. Sempre fi-la saber dessa minha admiração, mas é de justiça que a confesse novamente aqui. Um forte abraço para si e para ela.

    Antonio Pedro Mateus |

    Obrigado pela luz que nos dão desde Curitiba!

  2. Let´s get to work. I am going to need help though with my portuguese interpretations.
    john@uni-yoga.com.ar

    DeRose |

    Eu posso ajudar, John. Que tal traduzi-lo para o inglês?

    John Chisenhall |

    Master!
    I deeply appreciate you offering to help me with my Portuguese interpretations. I admire your utmost dedication and incredible disposition. Simply inspiring. Should I write Vivi about any doubts/questions or directly write you here in your blog?
    Our friend Montagna has already sent me part of the Portuguese transcription to help me get started.
    Will be in touch.
    SwáSthya!

    DeRose |

    Dear John. You can write here in our blog. Thanks. Montagna is a wonderfully dedicate person. SwáSthya!

  3. Autor: Regina Wiese Zarling

    Inglês não é meu forte, mas aqui em Curitiba eu indico a Cris Back, que já morou em Londres.
    Bjs
    Regina -Curitiba-PR

    DeRose |

    Tradutor tem que ser nativo, nascido e educado no país em cuja língua queremos traduzir. Também precisa ter um bom vocabulário para não baixar o padrão de linguagem que utilizamos.

  4. Mestre, para evitar que cada um transcreva e traduza o texto apenas no seu computador, possibilitando uma eventual perda de vários trechos por falta de convergência nas produções de cada um, eu criei este espaço no Google Docs onde é possível a colaboração mútua simultânea. Por questão de segurança, deixarei a edição restrita aos membros desse blog que desejarem contribuir. O processo será rapidíssimo dessa forma. Para poder participar só é preciso ter uma conta do Google e colar aqui no blog para eu adicionar.

    O link para o texto colaborativo é esse: http://docs.google.com/Doc?docid=0Aaux9109lBBIZGdxOWY2NjVfNzBmYmhjcjY5ZA&hl=pt_BR

    Nesse momento, estou transcrevendo a entrevista. Talvez seja algo desnecessário, pois é possível que alguém já tenha feito isso antes. Por isso é tão boa a colaboração mútua e simultânea: agiliza e evita o retrabalho.

    Beijão!!

    DeRose |

    Sempre me surpreendendo, Montagna! Se tivéssemos dez Montagnas nossa obra seria muito mais relevante. Seria um Himálaya!

    Alexandre Montagna |

    Esta é a proporção da minha alegria ao ler tuas palavras! Enorme!

    Aguardo a contribuição dos colegas. Se ainda faltar algo, então farei a acabativa da minha iniciativa hoje à noite. Beijão!

  5. Autor: CaiOM

    Posso ajudar e transcrever também.

    DeRose |

    Aceito, CaiÔM. Só precisa se organizar com os demais colegas para que cada qual faça uma parte e assim realizemos o trabalho muito rapidamente.

  6. Autor: Camacho

    Querido Grande Mestre

    Há vários exemplos de livros que resultaram de excelentes entrevista. O apontado pelo Arthur, mas também A Provação do Labirinto, que resulta de uma longa entrevista que Claude-Henri Rocquet fez a Mircea Eliade.
    Seguindo esta proposta de trabalho e dado que a Raffa vai transcrever a entrevista para português, o John para inglês, creio que poderei garantir a sua tradução para francês. Se o Mestre assim o entender, claro. E, concluidos estes trabalhos, a editar-se uma brochura, ou uma apostila, poderia fazer-se uma edição trilingue. Ou editar três livros diferentes cada um na sua língua. O Mestre aí saberá como o fazer.

    Um grande abraço

    João Camacho

    DeRose |

    Acho ótimo, desde que o tradutor seja nativo, tenha sido educado na França e possua um bom acervo de linguagem. Obrigado. Um forte abraço.

  7. Autor: Renata Coura

    Oi Mestre,
    engraçado que ontem mesmo eu e o Maicon tivemos essa idéia também!
    Já o estamos fazendo!
    Beijos

    DeRose |

    Parabéns pela sintonia. Beijinhos.

    soninha.paris |

    Que bom Renata fico muito feliz de ver os instrutores de paris tão agilizados :)
    um abraço querida e se precisarem de ajuda me chamem
    Soninha

  8. Eu gostaria muito de ajudar, tanto na versão para o português quanto para o inglês! (Não sou nativa, mas posso adiantar o trabalho se precisarem). Só me avisar ;)
    Beijoquinhas

    ps- que tal traduzirmos para todas as línguas que falamos na nossa famiglia? Tenho certeza que teremos voluntários de todos os países para ajudar!!

    DeRose |

    Pri, você pode ajudar o John com o inglês. E, sim, acho ótimo traduzirmos para o espanhol, catalão, italiano, francês, alemão, polonês etc. Vamos ver se a galera desses falares está disposta. Beijinhos.
    PS – As fotos que você me enviou do Festival estão sensacionais. Especialmente as 342 da Jaya!

    Priscila Ramos - Alphaville, SP |

    hahahah… é porque eu sou fã da Jaya!! Daqui a pouco vou colocar algumas fotos aqui.

    Sobre a entrevista: Eu e o John já estamos trabalhando, via e-mail, na tradução. Já que o Arthur falou do Joseph Campbell, podemos também publicar a transcrição da entrevista para entregar aos nossos amigos, junto com o CD/ DVD, não é? Acho que seria um ótimo material para entregar às pessoas que visitam nossas escolas, por exemplo. Também podemos legendar a entrevista para as demais línguas. Estou à disposição para ajudar a fazer isso também, se você achar uma boa idéia.

    Beijos beijos beijosss!
    Pri

    Priscila Ramos - Alphaville, SP |

    DeRose |

    As imagens não entraram, Pri.

    DeRose |

    Falei com o Luís Lopes na sexta-feiras à noite e ele já está pensando em fazer o DVD com legendas para várias línguas. Quanto ao texto, talvez publiquemos em formato de livro. Beijosss.

  9. Autor: taline

    Posso ajudar também!
    Que tal a Raffa transcrever a primeira metade e eu, a segunda? Assim aceleramos o processo…
    Beijocas!

    DeRose |

    Seja bem-vinda!

  10. Autor: romulojusta

    Raffa, uma sugestão: por que não dividir a entrevista em blocos?
    O vídeo tem 63:04 de duração, se dividissemos em dois, cada voluntário transcreveria 31:52 de entrevista, se dividissemos em três, 21:01, aproximadamente.
    Se você gostar da sugestão, já me candidato a voluntário-auxiliar, rsrsrsrs… !
    Parabéns pela bela iniciativa!

    Rômulo Justa
    Fortaleza – Ceará

    DeRose |

    Grande ideia, Rômulo. Assim, o trabalho ficará pronto em meia hora!

  11. Autor: jmaraschin

    Oi Mestre!
    Posso fazer a sincronização das legendas com o vídeo. Quem for fazer as traduções, podem me mandar em word pro email julie.maraschin@gmail.com.
    Um beijão!

    DeRose |

    Aceito! Beijo.

  12. Autor: Diana Raschelli

    Maestro!
    Yo ya empecé anoche a hacer la traducción al español, por sugerencia de Dani F.
    Así que eso ya está en camino.
    Besos!!!
    Diana (Buenos Aires)

  13. Autor: DeRose

    Uau! Renata! Você foi rápida. Parabéns!

  14. Autor: Anahi Flores

    Bom, so fui entrar no blog tarde hj, e já estou vendo que tem dezenas de voluntários. Mas mesmo assim eu me ofereço a ajudar aqui ao John com a interpretação do português ao spanglish.

    Lerivan Ribeiro |

    Pois é! Eu também entrei tarde. O pessoal é muito rápido. Show de bola!

    Anahi Flores |

    Hehe.
    Beijinho,
    A.
    B.A.

  15. Olá, Mestre! Se bem entendi, você prefere o blog como maneira de realizar esse trabalho, então vim aqui colar o trecho que eu transcrevi, que vai do 0 ao 36’28”. Em negrito estão os trechos que não consegui identificar claramente. Abração a todos!!

    Entrevista de 1h com DeRose gravada na Europa em 2009

    http://www.uni-yoga.org/entrevista_derose_tv.php

    - Mestre, a sua Cultura promove um indivíduo mais lúcido, mais consciente, mais interativo na sociedade. É isso?

    - A proposta é esta. A proposta é que através de um conjunto de técnicas, e um conjunto de conceitos, nós possamos levar uma pessoa comum a um estado de consciência expandida. Agora, se isto vai ser obtido ou não, vai depender de uma quantidade de fatores – entre eles, a própria genética do indivíduo e da parte controlável, a dedicação, o investimento de tempo na prática desta filosofia e também o ambiente onde a pessoa vive, porque vai depender muito da bagagem cultural que ela traz, da profissão que ela exerce, da idade com a qual ela começou.. então é uma constelação de fatores.

    - É possível esculpir um indivíduo diferente, mais interativo na sociedade?

    - Cada indivíduo é uma realidade diferente, então as próprias técnicas, por exemplo, de oxigenação cerebral vão reagir diferentemente de um indivíduo para o outro.

    - Mas o senhor tem uma intenção, tem um destino que quer cumprir no esculpir desse indivíduo.

    - Sim, a meta que nós queremos alcançar é conceder a essa pessoa um estado de hiperconsciência, um estado de megalucidez que, na verdade, é a direção na qual a Humanidade está caminhando.

    - Quando as sociedades dos nossos dias não tem o perfil de indivíduo, nem de sociedade em si, a sua Cultura pode ser a proposta que falta. Esse indivíduo obviamente diferente, mais lúcido, mais consciente, que impacto ele teria na sociedade, e em que ele pode fazer diferença?

    - Quando a pessoa tem mais lucidez, a primeira coisa que ocorre é que ela vai exercer melhor o seu trabalho, a sua posição na família, o seu engajamento em qualquer ideal, seja ele político, humanitário, filantrópico, artístico, seja lá qual for; e, além do mais, ele se sente integrado, porque quando o indivíduo ainda não tem uma consciência plena, ele acha que o mundo se divide entre “eu e os outros”. No momento em que a consciência se espante, ele percebe que não existe essa coisa de “eu e os outros”. Somos todos uma só coisa, estamos todos interligados, não apenas dentro da espécie humana, mas entre todas as espécies e com o próprio planeta, com o próprio Cosmos. E esse estado de consciência expandida é alcançável, mas normalmente quando a pessoa menciona a sua pretensão, a sua intenção, de conseguir tal estado de consciência, uma outra pessoa que não imagine o que é isso, que não lido a respeito, que não tenha estudado, que não tenha se esclarecido, pode supor um ideal inalcançável, pode supor uma fantasia. Acontece que muita gente já logrou esse estado de consciência, então é realidade.

    - Esse estado de hiperconsciência, de lucidez, traduz-se em que no dia-a-dia?

    - No dia-a-dia, traduz-se numa participação objetiva, que nós chamamos de “ação efetiva”, porque muita gente tem iniciativas, mas poucas tem “acabativas”. Então uma das coisas que uma consciência maior, que uma lucidez maior nos concede é perceber que não adianta apenas o discurso, não basta a intenção, é preciso levar a cabo – é necessário ter a iniciativa, a acabativa, o resultado final, para a vida desse indivíduo, para a sua família, para os seus amigos, para os seus desamigos, para toda a sociedade, para a responsabilidade social, para a responsabilidade ambiental, ou seja, ele vai expandindo o seu campo de atuação, ele deixa de ser um indigente, deixa de ser um indivíduo que não é ouvido, que não tem voz, nem voto. Ele passa a ser uma pessoa que atua e que modifica o mundo em que vive. E como essa pessoa, em geral, é uma pessoa que tem nobres ideais, ao modificar o mundo em que vive, modifica-o para melhor.

    - Como é que a sua Cultura faz isso sobre o indivíduo; que instrumentos, que ferramentas é que dispõe para fazer isso?

    - A Nossa Cultura – chamo-a de Nossa Cultura com N maiúsculo e C maiúsculo porque é um conjunto de conceitos, é uma filosofia, é um sistema de vida – essa Nossa Filosofia, essa Nossa Cultura propõe isso através de uma reeducação comportamental progressiva e espontânea. Não somos a favor de doutrinação, portanto doutrinação está excluído; não somos também a favor de repressão. Sem doutrinação e sem repressão, o melhor caminho é o exemplo, é a convivência, é o que nós chamamos de egrégora, é conviver com o poder gregário de um grupo que já está dedicado a esses ideais, e a partir daí os conceitos são incorporados com muito mais facilidade e as técnicas, isso aí já é uma questão de dedicação individual, de praticar, de executar tais técnicas.

    - Pode-se comparar esse tipo de intervenção como quem afina uma orquestra: vamos reunir os violinos, as flautas e (6’14”) paulsstodoss. Apostar num comportamento numa mesma direção?

    - Certamente que é. Nós vamos criar uma sincronia entre todos os elementos que nos constituem no ser humano, não apenas corpo e mente, mas corpo, energia (bioenergia), o emocional, a mente, o intuicional, enfim, todos os elementos que vão funcionar, como você muito bem exemplificou como uma orquestra, e depois nós vamos extrapolar para além do indivíduo, que é o ideal, não ficar dentro do seu pequeno mundinho, do seu universo pessoal. Então, extrapolando, essa orquestra passa a ser também a orquestra da família, a orquestra do trabalho que ele executa, a orquestra da sua arte, de todos os elementos, pessoas, indivíduos, circunstâncias, daquele ambiente, e quando você vai ampliando o seu campo de atuação, você chega a considerar que o mundo é muito pequeno, porque você alcança as pessoas através de veículos diversos. Outrora era através da escrita, era através de livros – antes deles, os pergaminhos. E, hoje, nós conseguimos atingir as pessoas por veículos eletrônicos, nós conseguimos estar num momento escrevendo no nosso computador e ao mesmo tempo sendo lidos, sendo acessados por pessoas em todo o planeta e, brevemente, até fora dele.

    - Carl Sagan, defende pelo oposto um sujeito que é contaminado pela sociedade, que é poluído pela sociedade. A sua Cultura promove o oposto – promove um indivíduo ativo, consciente, interventivo.

    - Mas eu concordo com ele. A sociedade corrompe o indivíduo, mas se o indivíduo tiver o poder de descorromper a sociedade – e isto parte da proposta de você realmente perceber que a sociedade tem esse poder, que todo o ambiente cultural em que uma pessoa vive, esse ambiente tem poder sobre, nós somos produtos, somos frutos do ambiente, somos frutos da cultura em que fomos educados, na qual vivemos. Se tivermos consciência disso, desse poder do ambiente nos corromper, e nos recusarmos a aceitar passivamente essa corrupção, então aí nós invertemos o processo.

    - Essa contracorrente de um sujeito ativo e não passivo entrou naquilo que me referi ao princípio que é a perspectiva de um indivíduo mais lúcido, mais consciente. Essa lucidez também tem a ver com o indivíduo aperceber que a influência exterior lhe pode ser danosa a isso.

    - É. Mas é preciso lembrar que essa proposta, embora revolucionária em termos comportamentais, não é agressiva – agressiva no mau sentido, não é violenta. Ou seja, nós não estamos indo contra o que já está estabelecido, nós não queremos que as pessoas simplesmente mudem e adotem a nossa filosofia. A proposta é que alguns indivíduos que já estão pensando dessa forma não se sintam um “avis rara”; que esses indivíduos sintam que há outros que já pensam da mesma forma, e então nós podemos nos reunir, comungando de um mesmo ideal, e compartilhar as ideias, os conceitos, as práticas, a maneira de viver, a maneira de constituir amizades, constituir relações afetivas, de uma forma que nós chamamos, nós consideramos mais civilizada, que é muito mais amorosa, muito mais tolerante.

    - Porque vossa Cultura não traz só uma proposta interior do indivíduo, é também na forma como se relaciona com os seres humanos à sua volta, com o mundo físico à sua volta – há uma nova estética e uma nova ética.

    - Sim, porque o conceito de um interior pressupõe que haja uma dicotomia entre interior e exterior, e a Nossa Cultura não entende o indivíduo, nem o mundo, como uma coisa separada; um corpo e alma, por exemplo; um antagonismo entre o espiritual e o natural, físico, corporal. Então, nós entendemos que é uma coisa só, que estando integrados, nós conseguimos realizar muito mais e muito melhor, muito mais bem feito o nosso trabalho.

    - Enquanto os governos nos nossos dias pouco ou nada se preocupam com o perfil de indivíduo a definir, com o perfil de sociedade a alcançar, a não ser no plano puramente material do acerto de contas financeiras, é preciso haver um novo olhar sobre a qualidade do indivíduo e a sua proposta de Cultura responde exatamente a isso, a um sujeito mais lúcido, mais ativo e que sabe por onde é que é a caminhada.

    - Exatamente. E sempre soube aergede da tolerância, porque, se não for assim, nós corremos o risco de criar uma religião nova, que não é absolutamente a proposta. É uma proposta educacional, uma proposta cultural, uma proposta de levar o indivíduo a um patamar mais elevado de civilidade, de cultura, de educação, de senso artístico, de sensibilidade, e, como você disse antes, de ética e de etiqueta também. Etiqueta é uma pequena ética, quer dizer nós temos a grande ética e nós temos aquela ética, aquela etiqueta aplicada ao dia-a-dia, no relacionamento dentro de uma sociedade específica ao qual nós temos que nos adaptar, porque quando nós fazemos uma proposta abrangente como esta, nós temos que considerar que existe uma cultura cristã, mas existe uma cultura hindu, existe uma cultura judaica, existe uma cultura islâmica e nós não podemos criar uma proposta que se adapte apenas a uma dessas culturas.

    - Mestre, e isso muda completamente a dinâmica do mundo a nossa volta. Que possibilidades é que se abrem?

    - A possibilidade eu vejo que é grande. Agora, a realização é sempre lenta, porque a mudança de paradigmas é muito difícil para o ser humano. Nós fomos construídos, nós fomos projetados de uma forma que a partir do momento em que aprendemos um determinado conceito, um determinado código de procedimento, depois nós não conseguimos mudar; é muito difícil mudar. Então, quando nós transmitidos esse ensinamento temos que nos lembrar que é um ensinamento basicamente para um público jovem – adulto jovem. Adulto jovem que é aquele que está na ativa, que é aquele que está na dinâmica empresarial, política, artística, enfim, em qualquer área. E essa pessoa tem condições ainda de processar uma transmutação na sua maneira de ser.

    - Martin Luther King legou-nos um sonho que ele tinha, “I have a dream”; John Lennon pintou-nos com música, “Imagine all the people”; Nelson Mandela trocou a sua liberdade por esse sonho; o visionário DeRose como é que configura esse sonho?

    - Eu não sei se diria visionário porque nosso trabalho é muito terra-a-terra, é muito objetivo, e vai diretamente ao indivíduo no mundo em que ele vive, ou seja, sem subjetividades, sem teorizações, sem suposições. Ideais, sim, mas dentro de um cuidado muito grande, como eu disse antes, para que esses ideais não se tornem radicais. Radicais até certo ponto está bem, provém de raízes, temos raízes; radical até certo ponto, mas um fanatismo tem que ser evitado. Daí o meu cuidado com a palavra visionário, mas a intenção é justamente conduzir esses conceitos a que o indivíduo possa aplicá-los realmente. Que não seja apenas uma linda proposta, um lindo discurso, mas que ele realmente chegue lá na sua empresa e faça isso funcionar. Modificando a estrutura da empresa, modificando a administração da empresa, tornando cada funcionário, cada colaborador seu um indivíduo que tem um valor, que tem um potencial, que tem uma criatividade e que é um ser humano – não no sentido apenas de colocar o funcionário e o empresário como forças oponentes como cabo de guerra, mas colocando todos puxando na mesma direção, que é o progresso individual e, em seguida, o progresso da sociedade.

    - Quando o senhor imagina, vamos pegar no “Imagine” do John Lennon. Quando o senhor sonha o futuro, sonha o quê? Vê o que no fim dessa viagem?

    - No “Imagine”, eu vejo um credo porque aquilo que ele propõe é realmente revolucionário. Até me causa espécie que não tenha havido reações mais virulentas contra aquelas propostas, porque aquilo é lindo. Mas, ao mesmo tempo, ele fala com relação ao indivíduo superar as limitações de pátria, as limitações de fronteiras – isso obviamente não agrada nada a maior parte da população, dos governantes, dos poderes constituídos, querer que todos sejamos um só povo, uma única Humanidade, e “no religion too”, também todas as religiões provavelmente reagiriam de uma forma um tanto quanto reservada. Mas não aconteceu isso, a música é linda e o que nós vemos é que a sua letra é aceita pela população em geral – inclusive pelos governantes, pelos poderes constituídos, pelas religiões em geral, as pessoas gostaram daquilo porque ele soube dizê-lo e também porque provavelmente gostaram antes do John Lennon estar mais ativista, quando ele chegou em Nova Iorque a coisa ficou mais agressiva.

    - Mas quando senhor mobiliza os seus instrutores, a sua família, a sua egrégora DeRose, está configurar um futuro. Onde é que é o horizonte que configura para esta sua passagem pela vida?

    - Eu vejo a curto prazo pessoas mais felizes e mais saudáveis, com uma qualidade de vida melhor, porque isso é o que realmente as nossas técnicas proporcionam. Em primeiro lugar, maior qualidade de vida. A médio prazo, eu vejo prosperidade, porque uma pessoa que tem melhor qualidade de vida, uma pessoa que tem mais tolerância, que sabe lidar com o ser humano, sabe lidar com os seus superiores hierárquicos, ou com seus comandados, sabe lidar com seus clientes, com seus fornecedores, sabe lidar com seus amigos e com a sua família, com as suas relações afetivas, essa pessoa está no controle, essa pessoa converte-se em um líder, um líder sereno, carismático, dentro do seu ambiente, do seu respectivo ambiente. Então, a médio prazo, isso proporciona estabilidade – estabilidade na relação afetiva, estabilidade na família, estabilidade no trabalho, a conseqüência é prosperidade. Então a médio prazo eu vejo essa nossa família, ou seja, esses nossos praticantes, eu vejo — e isso tem acontecido, nós já estamos nessa caminhada há meio século, há quarenta e nove anos, ano que vem cinquenta anos, portanto eu vejo, acompanhando o que de fato tem acontecido – as pessoas começam a conquistar a estabilidade, a prosperidade, mais felicidade, maior expectativa de vida. Essa expectativa de vida conferida inclusive pelos bons hábitos que são propostos porque essa nossa filosofia ensina a não utilizar drogas, não utilizar álcool, não utilizar fumo e buscar hábitos saudáveis. Isto, muito longe de tornar a vida sem graça, torna a vida muito mais interessante porque aumentando a sua lucidez, se você não está sob a influência de droga alguma – inclusive o álcool é uma droga, droga legal, mas é droga, é o mais poderoso dos psicotrópicos. Então se você não está sob o jugo de nenhuma dessas substâncias tóxicas que interferem com a consciência, essa pessoa tem mais felicidade, tem mais lucidez, ela percebe o mundo de uma outra maneira e consequentemente o mundo e a vida ficam muito mais divertidos. Essa pessoa fica mais feliz, de fato. E, a longo prazo, a proposta é aquele estado de consciência expandida que nos conduzirá ao autoconhecimento.

    - Isso é o objetivo a nível indivídual

    - A nível individual é o autoconhecimento e, se um dia, a Humanidade conseguir, toda a Humanidade, chegar a esse estado, nós vamos ter uma Humanidade muito diferente da que temos hoje, porque hoje nós partimos para soluções drásticas, nós sempre observamos que num mesmo momento “n” nações estão em conflitos armados. Então se nós conseguíssemos que pelo menos, se não toda a Humanidade, pelo menos aqueles que têm o poder de decisão, aqueles que podem criar leis, aqueles que podem declarar guerras, se todos esses estivessem num estado de consciência melhor, mais expandido, essa hiperconsciência, nós teríamos um mundo muito mais harmonioso, porque hoje nós vemos que muitas vezes, em muitos países, o governante não quer o bem-estar e a evolução do povo, até porque se o povo ficar mais lúcido o povo é capaz de tirá-lo do poder, então nós estamos num momento que considerando o nosso ideal – que é para o futuro – nós não estamos num momento bom, e a demonstração disso justamente são esses conflitos que nós observamos em várias regiões do globo. Mas se passo-a-passo, gradualmente, sem nenhuma intenção de converter pessoa alguma, mas se aos poucos isto der certo no sentido de uma expansão para a população em geral, eu acredito que realmente nós vamos ter num futuro um mundo diferente. Hoje já está diferente, se nós pensarmos, nós compararmos a qualidade de vida e o nível de consciência, não apenas de cultura, não apenas de informação, não apenas de lustração, mas o nível de consciência mesmo, da maior parte da população, comparada com duzentos anos, quinhentos ano atrás, oitocentos anos atrás, nós estamos numa curva ascendente.

    - O senhor regride aos alicerces da nossa existir no Eu me lembro, como quem (22’34”) ganha balança curpura um salto. Esse salto leva-nos para onde?

    - Bom, em primeiro lugar essa volta às origens vai nos levar a uma época em que uma civilização – esse “Eu me lembro” é um conto, é uma ficção, mas que é ambientada num local, num período, numa civilização em que até onde nos consta pela história, pela arqueologia, essa civilização, esse povo vivia em harmonia. O povo tinha qualidade de vida; o cidadão era respeitado; não se encontraram construções faraônicas para o monarca, nem para o clero; mas encontraram-se casas muito confortáveis para a população. Nós estamos falando de um período proto-histórico, um período que está imediatamente antes do surgimento dos registros históricos, e os historiadores recorreram muitas vezes à arqueologia para poder montar um pouco da história daquele povo. Essa época – imagine – são cinco mil anos atrás, são três mil antes de Cristo, e nessa época, nessa civilização chamada civilização do Vale do Indo, já havia cidades extremamente bem urbanizadas, saneadas, havia as casas do povo, casas com dois andares e mais com átrio para ventilação interna, com a casa de banho dentro da casa, com água corrente, mas isto três mil antes de Cristo é qualquer coisa de inacreditável. Os próprios arqueólogos quando encontraram recearam comunicar aquilo às academias de ciências porque iam ser tidos por mentirosos, então aquilo foi sendo comunicado muito aos poucos, foram convidando outros arqueólogos de outros países a que fossem lá constatar porque era realmente uma civilização para a época e até comparada com algumas regiões hoje do nosso planeta. Então você imagina que aquela ambientação na qual essa história, esse conto, essa ficção se baseia é a de um povo feliz, é de povo saudável, é de um povo estável, é de um povo próspero, dentro dos limites do período histórico. E recuando para essas origens, diríamos muito próximo das origens da civilização mesma, nós aprendemos alguma coisa com eles, coisa que foi perdida depois, com a introdução da civilização patriarcal, aquela que era matriarcal, essa é a original, vamos considerar inclusive, fazer aqui um parênteses, as sociedades primitivas não guerreiras todas elas tenderam ao matriarcalismo e as sociedades patriarcais, todas foram guerreiras. Então só isso já estabelece parâmetros para que nós saibamos que a sociedade patriarcal ela precisa da guerra, até porque a própria estrutura patriarcal, a estrutura do macho, do homem, é baseada em testosterona, e isso é um perigo! – testosterona devia ser posto nas bombas que jogam na cabeça dos inimigos, porque isso é muito explosivo. Agora, a sociedade matriarcal, ela privilegia a mãe, privilegia o carinho, privilegia o ventre, privilegia o seio, já é uma outra forma de ver o mundo, uma outra forma de administrar a família, uma outra forma de administrar o Estado. E, sem guerras, esse povo, obviamente, consegue dedicar seu tempo e os seus recursos econômicos à arte, por exemplo, à dança, à pintura, à escultura, e sem repressão porque a sociedade matriarcal, em geral, não é repressora; a sociedade patriarcal, em geral, é. Então, sem repressão, imagine para onde vão esses impulsos artísticos e culturais desse povo.

    - No “Eu me lembro”, o senhor arrecua a um passado onírico e depois transporta-nos para uma realidade mais palpável onde aspectos tangíveis como os instrumentos de escrita, a própria linguagem já são mensuráveis, é quase como se fosse uma visão antropológica. Como o senhor não dá um ponto sem nó, queres nos levar para onde com esse transporte?

    - Aquilo ali é uma fantasia, porque nesse livro “Eu me lembro”, o autor, que sou eu, eu conto sobre memórias de um passado, mas esse passado não é nenhuma… não é nada espiritual, é uma história. Então, levando o leitor até aquela realidade cultura, até aquela civilização, até aquela maneira de ser, eu estou propondo, estou sugerindo até mesmo um debate do indivíduo com ele mesmo a respeito da validade daquela maneira de se relacionar com os filhos, com os pais, com os amigos, com os inimigos, com o relacionamento afetivo, com a pessoa que a gente ama. Então, talvez aquilo ali possa fazer uma contribuição. Agora, onde está a fronteira entre a fantasia, a ficção, o mito e a realidade, isso eu deixo para que o leitor descubra.

    - No entanto, a segunda parte do livro já tem um quase um (28’40”) cariz quase antropológico, já não é uma ficção pura.

    - É, é baseada em fatos reais porque a ficção a que eu me refiro é a história, aquela coisa, toda. Agora, o máximo possível de elementos palpáveis, de elementos reais, elementos históricos eu utilizei para dar o alicerce, a fundamentação daquilo lá. Estou vendo a possibilidade de que a pessoa primeiro seja conquistada pelo coração porque o início do livro é muito doce, muito meigo; depois ele é romântico; e, depois, ele é, digamos, mais filosófico, ele perde um pouco aquela doçura, porque é a história de uma pessoa que cresce; primeiro é criança, então tem uma visão mais romântica do mundo; depois, torna-se adulto, naquela época adulto era quinze anos de idade, era a idade em que já estava apto a reproduzir, constituir família; e, depois, já estava um senhor de trinta anos de idade, então aí ele já vê o mundo de uma maneira mais consistente, de uma maneira mais cuidadosa, mais prudente, e eu tento transmitir ali um pouco da nossa filosofia. Um pouco né, porque o livro é fininho, é um dos menores livros que eu escrevi.

    - Pode ser um dos menores em espessura, mas é também para nós os leigos que olhamos para essa cultura, eu senti pessoalmente que era o elemento mais provocativo porque há várias leituras a fazer por trás da…

    - Sim, inclusive uma leitura subversiva.

    - Exato.

    - No bom sentido. Uma leitura que subverte os maus hábitos, e que subverte a estrutura da nossa sociedade. Não na intenção de demolir nada, mas no sentido da pessoa parar e pensar: “afinal, esta maneira de ser parece mais interessante.” Quem sabe, nós podemos adotá-la? Vamos experimentar, vamos usar isso na família, vamos usar isso com nossos amigos.

    - Quando o senhor, por exemplo, promove – e um dos seus sútras é defender a liberdade como primeiro pilar da nossa existência e quando ela choca com a disciplina devemos primar sempre pela liberdade.

    - É, esse sútra ele bate bem nessa tecla, ele é bem categórico, veemente com relação a isso, que a liberdade é o nosso bem mais precioso.

    - Mestre, mas, no entanto, pela oposição, nós precisamos ter uma disciplina interior e existencial. Para defender os valores, onde é que as duas fronteiras se cruzam?

    - E a continuação desse sútra, desse pensamento, é quando ele diz que se a disciplina violentar a liberdade, opte pela liberdade. Então, como é que nós vamos temperar estas duas forças, estas duas propostas? É que a disciplina é fundamental, mas se a disciplina deste grupo específico – qualquer grupo que seja, um grupo político, um grupo de esporte, um clube de futebol, não importa o quê – se este grupo tem normas, e estas normas, estas regras, esta disciplina me violenta, eu tenho que valorizar a liberdade, eu tenho que colocar a liberdade em primeiro lugar – fazendo o quê? Brigando contra? Não, me afastando. Não serviu para mim. Esta empresa, este colégio, este liceu, esta faculdade, este clube não serve porque estas normas me violentam, então eu saio e vou procurar a minha turma. Se nós fizermos isso ao invés de querer bater de frente, vamos conseguir ter uma vida muito melhor, e é claro que eu respeito quem pense o contrário porque há a opinião de que nós precisamos lutar contra – está bem, é um outro grupo, são os dois grupos.

    - O senhor, por exemplo, defende a disciplina, o rigor, a farda, o vestir da camisola e esse coletivo pressupõe uma secundarização do indivíduo. É correto isso?

    - Não, isso pressupõe que isso tudo que você disse é verdade mas não pode violentar o indivíduo, não pode violentar a liberdade dele e tem que estar bem assentado sobre a tolerância. Se nós conseguirmos esse amálgama, que é alquímico, se nós conseguirmos isso, encontramos o equilíbrio ali do fio da navalha, porque realmente é um equilíbrio sobre um caminho muito estreito, uma brisa faz com que você caia pro lado do extremismo da intolerância da disciplina que tem que ser cumprida a todo custo ou pro outro lado, o da tolerância excessiva, da complacência, da magnanimidade no mau sentido. Então é o caminho mesmo do centro, o caminho do meio, que é muito estreito.

    - Sua Cultura trabalha, por outro lado, sobre os extremos. Nós devemos trabalhar sobre aquilo que sãos as nossas dificuldades, os pontos menos bons, os pontos que são mais positivos…

    - Eu não sei se eu colocaria dessa forma, porque, colocando assim, nós, de uma certa forma, cristianizamos um pouco essa coisa do bem e do mal, e a nossa proposta é a de que tenhamos sempre a consciência de que bem e mal são sempre relativos. “Você está fazendo errado”, mas errado com relação a quê, com relação a que momento? Richelieu disse certa vez que ser ou não ser um traidor é uma questão de datas. Então é um pouco isso do certo e do errado. Em que sociedade, em que religião isto é certo ou isto é errado? Você entra numa igreja católica e tira o chapéu, em respeito, em sinal de respeito, aí você entra numa sinagoga e coloca em sinal de respeito. Eu me lembro de que uma vez nós fomos visitar um templo sikh, na Índia, e eles pediram para cubrirmos a cabeça – até a câmera que eles mesmo usavam para gravar o ritual, a câmera era coberta em sinal de respeito, era coberta com um tecido branco. Então, tudo é convenção, e nós temos que estar conscientes disso cada vez que nos deixarmos seduzir, ou, enfim, escorregar um pouco, para o lado da cultura que nós recebemos, que é a do bem e do mal. Que é “este é o seu lado mal, isto foi um erro cometido…” Calma, não é bem assim. É melhor colocar que talvez isto não tenha sido conveniente neste momento ou neste grupo, mas não que seja mal ou que seja errado. E outro sútra diz que mal é o nome que se dá à semente do bem, porque tudo o que você passou na vida de “mal” – entre aspas – você pode observar que, em seguida, ou já, ou logo depois, produziu um fruto muito bom.

    romulojusta |

    Olá Alexandre,

    Dei há pouco uma idéia ao Mestre de fabricarmos uma capa a ser colocada nos DVDs com a entrevista, que seria disponibilizada para downloads a toda a egrégora. Ele me sugeriu você para fazer a proposta, uma vez que, pessoalmente, mal sei escrever meu nome no Paint… E aí, topas?

    A propósito, gosto bastante do seu blog, temos visões filosóficas muito semelhantes (em breve farei o meu, aí você poderá ver que não é caô, rsrsrs). Da próxima vez que tiver em Floripa, não vou esquecer de bater um papo com você.

    Abraços
    Rômulo Justa
    Fortaleza – CE

    Alexandre Montagna |

    Vai ser uma alegria esse momento em Floripa, meu amigo Rômulo! Enquanto não nos vemos pessoalmente, espero já poder acessar o teu blog. Quanto à capa do DVD, já fiz – graças à sua iniciativa e excelente ideia. Para ver como ficou, confira na resposta do último comentário do Mestre. Forte abraço!

  16. Autor: Ale Filippini

    Uau, esse pessoal é mesmo rápido! Que maravilha!
    Quando li o título, corri para ser a primeira a me prontificar … hahahahaha … que ingenuidade!
    Mas estou a disposição para ajudar, podemos dividir a metade final (já que a primeira já foi transcrita duas vezes) e hoje mesmo acabamos.
    Vamos nos organizar como sugeriu o Rômulo?
    Somos em 11 por enquanto (que se propuseram a fazer a transcrição para o português), o que dá menos de 3 minutos por pessoa.
    Vamos fazer na seguinte ordem (de quem se habilitou primeiro para os que chegaram depois – no caso, eu!!), que acham?
    Regina
    Renata
    Alexandre
    CaiOM
    Renata
    Maicon
    Pri
    Taline
    Rômulo
    Anahí
    Alê

    Cada um calcula 3minutos do outro e começa! Let´s work?

    Beijos a todos

    Alê – Unidade Alphaville / SP

    Alê – Unidade Alphaville / SP

    DeRose |

    Fico emocionado quando testemunho atitudes assim.

    Antonio Pedro Mateus |

    Olá
    Vocês são mesmo gente bonita e de luz.
    Obrigado pela simpatia dos vossos comentários da entrevista que essa pessoa linda, Mestre De Rose, me honrou partilhar.
    Beijo
    António Mateus

  17. Autor: maiconcasagrande

    Ola Mestre!!

    Terminamos a transcrição!
    So estamos terminando de formatar para posta-la.
    São 23 paginas no total.
    Colocamos aqui mesmo, integral, como comentario?

    Abração!!

    DeRose |

    Sim! MEUS CUMPRIMENTOS!

  18. Autor: Renata Coura

    Mestre, segue a transcrição completa. Colocando aqui, perde-se a formatação. Portanto, se quiseres que eu envie também para algum email, diga-nos.
    Beijos com carinho

    Mestre, a sua cultura promove um individuo mais lúcido, mais consciente, mais interventivo na sociedade. É isso?
    A proposta é esta. A proposta é que através de um conjunto de técnicas e um conjunto de conceitos nós possamos levar uma pessoa comum a um estado de consciência expandida. Agora se isso vai ser obtido ou não, vai depender de uma quantidade de fatores. Entre eles, a própria genética do individuo. E, da parte controlável, a dedicação, o investimento de tempo na prática dessa filosofia. E também o ambiente onde a pessoa vive. Porque vai depender muito da bagagem cultural que ela traz, da profissão que ela exerce, da idade com a qual ela começou. Então é uma constelação de fatores.

    É possível esculpir um individuo diferente, mais interventivo na sociedade?
    Cada indivíduo é uma realidade diferente. Então, as próprias técnicas, por exemplo, de oxigenação cerebral, vão reagir diferentemente de um individuo para o outro.

    Mas o senhor tem uma intenção, tem um destino que quer cumprir no esculpir desse individuo?
    Sim. A meta que nós queremos alcançar é conceder a essa pessoa um estado de hiperconsciência, um estado de megalucidez. Que, na verdade, é a direção na qual a humanidade esta caminhando.

    Quando as sociedades dos nossos dias não têm um perfil nem de indivíduo nem de sociedade em si, a sua cultura pode ser a proposta que falta. Esse indivíduo, obviamente diferente, mais lúcido, mais consciente, que impacto real é que ele tem na sociedade? Em que ele pode fazer a diferença?
    Quando a pessoa tem mais lucidez, a primeira coisa que ocorre é que ela vai exercer melhor o seu trabalho, a sua posição na família, o seu engajamento em qualquer ideal, seja ele político, humanitário, filantrópico, artístico, seja lá qual for. E, além do mais, ele se sente integrado. Porque quando o indivíduo ainda não tem uma consciência plena, ele acha que o mundo se divide entre eu e os outros. No momento em que a consciência se expande, ele percebe que não existe essa coisa de eu e os outros. Somos todos uma só coisa, estamos todos interligados, não apenas dentro da espécie humana, mas entre todas as espécies e com o próprio planeta, com o próprio cosmos. E esse estado de consciência expandida é alcançável. Mas, normalmente, quando a pessoa menciona a sua pretensão, a sua intenção de conseguir tal estado de consciência, uma outra pessoa que não imagine o que é isso, que não tenha lido a respeito, que não tenha estudado, que não tenha se esclarecido, pode supor um ideal inalcançável, pode supor uma fantasia. Acontece que muita gente já logrou esse estado de consciência. Então é realidade.

    Esse estado de hiperconsciência, de lucidez, traduz-se em que no dia-a-dia?
    No dia-a-dia, traduz-se em uma participação objetiva, que nós chamamos de ação efetiva. Porque muita gente tem iniciativas, mas poucas têm acabativas. Então, uma das coisas que uma consciência maior, que uma lucidez maior, nos concede, é perceber que não adianta apenas o discurso, não basta a intenção, é preciso levar a cabo. É necessário ter a iniciativa, a acabativa, o resultado final, para a vida deste individuo, para a sua família, para os seus amigos, para os seus desamigos, para toda a sociedade, para a responsabilidade social, para responsabilidade ambiental, ou seja, ele vai expandido o seu campo de atuação, ele deixa de ser um indigente, ele deixa de ser um individuo que não é ouvido, que não tem voz, nem voto. Ele passa a ser uma pessoa que atua e que modifica o mundo em que vive. E como essa pessoa, em geral, é uma pessoa que tem nobres ideais, ao modificar o mundo em que vive, modifica-o para melhor.

    Como é que a sua cultura faz isso sobre o individuo? Que instrumentos, que ferramentas é que dispõe para fazer isso?
    A Nossa Cultura, eu chamo de “Nossa Cultura” com N maiúsculo e C maiúsculo, porque é um conjunto de conceitos, é uma filosofia, é um sistema de vida. Essa Nossa Filosofia, essa Nossa Cultura, propõe isso através de uma reeducação comportamental progressiva e espontânea. Não somos a favor de doutrinação, portanto, doutrinação esta excluído. Não somos também a favor de repressão. Sem doutrinação e sem repressão, o melhor caminho é o exemplo. É a convivência. É o que nós chamamos de egrégora. É conviver com o poder gregário, de um grupo que já está dedicado a esses ideais. E, a partir daí, os conceitos são incorporados com muito mais facilidade. E as técnicas, isso aí já é uma questão de dedicação individual, de praticar, de executar tais técnicas.

    Pode-se comparar esse tipo de intervenção como quem afina uma orquestra? Vamos reunir os violinos, as flautas, e pô-los todos a prestarem um comportamento numa mesma direção?
    Certamente que é. Nós vamos criar uma sincronia entre todos os elementos que nos constituem um ser humano. Não apenas corpo e mente, mas corpo, energia (bioenergia), emocional, a mente, o intuicional. Enfim todos os elementos que vão funcionar, como você muito bem exemplificou, como uma orquestra. E depois, nós vamos extrapolar para além do individuo, que é o ideal. Não ficar dentro do seu pequeno mundinho, do seu universo pessoal. Então, extrapolando, essa orquestra passa a ser também a orquestra da família, a orquestra do trabalho que ele executa, a orquestra da sua arte, de todos os elementos, pessoas, indivíduos, circunstâncias, daquele ambiente. E quando você vai ampliando seu campo de atuação, você chega a considerar que o mundo é muito pequeno, porque você alcança as pessoas, através de veículos diversos. Outrora, era através da escrita, era através de livros, antes deles, os pergaminhos. E hoje, nós conseguimos atingir as pessoas por veículos eletrônicos, nós conseguimos estar num momento escrevendo no nosso computador e ao mesmo tempo sendo lidos, sendo acessados, por pessoas em todo planeta e brevemente até fora dele.

    Carl Sagan defende, pelo oposto, um sujeito que é contaminado pela sociedade, que é poluído pela sociedade. A Sua Cultura promove o oposto. Promove um individuo ativo, consciente, interventivo.
    Mas eu concordo com ele. A sociedade corrompe o individuo. Mas, se o individuo tiver o poder de descorromper a sociedade e isso parte da proposta de você realmente perceber que a sociedade tem esse poder, que todo o ambiente cultural em que uma pessoa vive, esse ambiente tem poder sobre. Nós somos produtos, nós somos frutos do ambiente. Somos frutos da cultura em que fomos educados, na qual vivemos. Se tivermos consciência disso, desse poder, do ambiente nos corromper e nos recusarmos a aceitar passivamente essa corrupção, então aí nós invertemos o processo.

    Essa contra-corrente do sujeito ativo, e não passivo, entronca naquilo que referi ao principio, que é a perspectiva do indivíduo mais lúcido, mais consciente. Essa lucidez também tem a ver com o individuo aperceber-se de como a influência exterior lhe pode ser danosa, é isso?
    É. Mas é preciso lembrar que essa proposta, embora revolucionária em termos comportamentais, não é agressiva. Agressiva, no mal sentido. Não é violenta. Ou seja, nós não estamos indo contra o que já está estabelecido, nós não queremos que as pessoas simplesmente mudem e adotem a Nossa Filosofia. A proposta é que alguns indivíduos, que já estão pensando dessa forma, não se sintam uma avis rara. Que esses indivíduos sintam que há outros que pensam da mesma forma. E, então, nós podemos nos reunir, comungando de um mesmo ideal e compartilhar as idéias, os conceitos, as práticas, a maneira de viver, a maneira de constituir amizades, constituir relações afetivas, de uma forma que nós chamamos, que nós consideramos, mais civilizada, que é muito mais amorosa, que é muito mais tolerante.

    Porque Vossa Cultura não traz só uma proposta interior, do indivíduo, é também na forma como ele se relaciona com os seres humanos a sua volta, com o mundo físico a sua volta. Há uma nova estética e uma nova ética?
    Sim, porque o conceito de um interior pressupõe que haja uma dicotomia entre interior e exterior. E a Nossa Cultura não entende o individuo, nem o mundo, como uma coisa separada. Um corpo e alma, por exemplo. Um antagonismo entre o espiritual e o natural, o físico, o corporal. Então, nós entendemos que é uma coisa só. Que estando integrado, nos conseguimos realizar muito mais e muito melhor, muito mais bem feito o nosso trabalho.

    Quando os governos dos nossos dias pouco ou nada se preocupam com o perfil de individuo a definir, com o perfil de sociedade a alcançar, a não ser no plano puramente material, do acerto de contas financeiras, é preciso haver um novo olhar sobre a qualidade do indivíduo. E a sua proposta de Cultura responde exatamente a isso. É um sujeito mais lúcido, mais ativo, e que sabe para onde ele quer caminhar?
    Exatamente. E sempre sob a égide da tolerância. Porque, se não for assim, nós estamos correndo o risco de inventar uma religião nova, que não é absolutamente a proposta. É uma proposta educacional, uma proposta cultural, uma proposta de levar o indivíduo a um patamar mais elevado de civilidade, de cultura, de educação, de senso artístico, de sensibilidade, e, como você disse antes, de ética e de etiqueta também. A etiqueta é uma pequena ética. Quer dizer, nós temos a grande ética, e nós temos aquela ética, aquela etiqueta aplicada ao dia-a-dia, no relacionamento dentro de uma sociedade específica, na qual nós temos que nos adaptar. Porque quando nós fazemos uma proposta abrangente como esta, nós temos que considerar que existe uma cultura cristã, mas existe uma cultura hindu, existe uma cultura judaica, existe uma cultura islâmica, e nós não podemos criar uma proposta que se adapte apenas a uma dessas culturas.

    Mestre, isso muda completamente a dinâmica do mundo a nossa volta. Que possibilidades é que se abrem?
    A possibilidade, eu vejo que é grande. Agora, a realização é sempre lenta, porque a mudança de paradigmas é muito difícil para o ser humano. Nós fomos construídos, nós fomos projetados, de uma forma que, a partir do momento em que aprendemos um determinado conceito, um determinado código de procedimento, depois nós não conseguimos mudar. É muito difícil mudar. Então, quando nós transmitimos esse ensinamento, temos que nos lembrar que é um ensinamento basicamente para um público jovem, adulto jovem. Adulto jovem, que é aquele que está na ativa, que é aquele que está na dinâmica empresarial, política, artística, enfim, em qualquer área. E essa pessoa tem condições ainda de processar uma transmutação na sua maneira de ser.

    Martin Luther King legou-nos um sonho que ele tinha – “I have a dream”. O John Lennon pintou com música – “Imagine all the people”. Nelson Mandela trocou a sua liberdade por esse sonho. O visionário DeRose, como é que configura esse sonho?
    Eu não sei se diria visionário. Porque o nosso trabalho é muito terra-terra, é muito objetivo, vai diretamente ao indivíduo no mundo em que ele vive. Ou seja, sem subjetividades, sem teorizações, sem suposições. Ideais, sim. Mas dentro de um cuidado muito grande, como eu disse antes, para que esses ideais não se tornem radicais. Radicais, até certo ponto, está bem. Provém de raízes. Nós temos raízes. Radical, até certo ponto. Mas um fanatismo tem que ser evitado. Daí o meu cuidado com a palavra visionário. Mas a intenção é justamente conduzir estes conceitos a que o individuo possa aplicá-los realmente. Que não seja apenas uma linda proposta, um lindo discurso, mas que ele realmente chegue lá na sua empresa e faça isso funcionar, modificando a estrutura da empresa, modificando a administração da empresa, tornando cada funcionário, cada colaborador seu, um individuo que tem um valor, que tem um potencial, que tem uma criatividade e que é um ser humano. Não no sentido apenas de colocar o funcionário e o empresário como forças oponentes num cabo de guerra, mas colocando todos puxando na mesma direção, que é o progresso individual e, em seguida, o progresso da sociedade.

    Quando o senhor imagina, vamos pegar no “Imagine” do John Lennon, quando o senhor sonha um futuro, sonha o quê? Vê o que no fim dessa viagem?
    No “Imagine” eu vejo um credo. Porque aquilo que ele propõe é realmente revolucionário. Até me causa espécie que não tenha havido reações mais virulentas contra aquelas propostas, porque aquilo é lindo, mas ao mesmo tempo, ele fala com relação ao individuo superar as limitações de pátria, as limitações de fronteiras. Isso obviamente não agrada nada a maior parte da população, dos governantes, dos poderes constituídos. Querer que todos sejamos um só povo, uma única humanidade. E “no religion too”. Também todas as religiões, provavelmente reagiriam de uma forma um tanto quanto reservada. Mas não aconteceu isso. A música é linda e o que nós vemos é que a sua letra é aceita pela população em geral, inclusive pelos governantes, pelos poderes constituídos, pelas religiões em geral. As pessoas gostaram daquilo porque ele soube dizê-lo. E também provavelmente gostaram antes do John Lennon estar mais ativista. Quando ele chegou em Nova York, a coisa ficou mais agressiva.

    Mas o senhor quando mobiliza os seus instrutores, a sua família, a sua egrégora DeRose, está a configurar um futuro. Onde é que é o horizonte que configura para esta sua passagem pela vida?
    Eu vejo, a curto prazo, pessoas mais felizes e mais saudáveis, com uma qualidade de vida melhor. Porque isto é o que realmente as nossas técnicas proporcionam. Em primeiro lugar, maior qualidade de vida. A médio prazo, eu vejo prosperidade. Porque uma pessoa que tem melhor qualidade de vida, uma pessoa que tem mais tolerância, que sabe lidar com o ser humano, que sabe lidar com seus superiores hierárquicos ou com seus comandados, sabe lidar com seus clientes, com seus fornecedores, sabe lidar com seus amigos e com a sua família, com as suas relações afetivas. Essa pessoa está no controle. Essa pessoa converte-se em um líder. Um líder sereno, carismático, dentro do seu ambiente, do seu respectivo ambiente. Então, a médio prazo, isso proporciona estabilidade. Estabilidade na relação afetiva, estabilidade na família, estabilidade no trabalho. A conseqüência é prosperidade. Então, a médio prazo, eu vejo essa nossa família, ou seja, esses nossos praticantes, e isso já tem acontecido, nós já estamos nessa caminhada há meio século, há 49 anos. Ano que vem, 50 anos, portanto, eu vejo, acompanhando o que de fato tem acontecido. As pessoas começam a conquistar a estabilidade, a prosperidade, mais felicidade, maior expectativa de vida. Essa expectativa de vida, conferida, inclusive, pelos bons hábitos que são propostos. Porque essa Nossa Filosofia ensina a não utilizar drogas, a não utilizar álcool, não utilizar fumo. E buscar hábitos saudáveis. Isto, muito longe de tornar a vida sem graça, torna a vida muito mais interessante, porque aumentando a sua lucidez, se você não está sob influência de droga alguma, inclusive o álcool é uma droga, droga legal, mas é droga, é o mais poderoso dos psicotrópicos. Então se você não esta sob o julgo de nenhuma dessas substâncias tóxicas, que interferem com a consciência, essa pessoa tem mais felicidade, mais lucidez, ela percebe o mundo de uma outra maneira e, conseqüentemente, o mundo e a vida ficam muito mais divertidos. Essa pessoa fica mais feliz de fato. E, a longo prazo, a proposta é aquele estado de consciência expandida que nos conduzirá ao autoconhecimento.

    Esse é o objetivo a nível individual?
    A nível individual o autoconhecimento. E, se um dia, a humanidade conseguir, toda a humanidade, chegar a esse estado, nós vamos ter uma humanidade muito diferente da que temos hoje, porque hoje nós partimos para soluções drásticas. Nós sempre observamos que, em um mesmo momento, N nações estão em conflitos armados. Então se nós conseguíssemos que, pelo menos, senão toda a humanidade, pelo menos, aqueles que têm o poder de decisão, aqueles que podem criar leis, aqueles que podem declarar guerras, se todos esses estivessem em um estado de consciência melhor, mais expandido, essa hiperconsciência, nós teríamos um mundo muito mais harmonioso. Porque hoje, nós vemos que, muitas vezes, em muitos países, o governante não quer o bem estar e a evolução do povo. Até porque, se o povo ficar mais lúcido, é capaz de tirá-lo do poder. Então, nós estamos num momento que, considerando o nosso ideal, que é para o futuro, nos não estamos em um momento bom. E a demonstração disso justamente são esses conflitos que nos observamos em várias regiões do globo. Mas se, passo a passo, gradualmente, sem nenhuma intenção de converter pessoa alguma, mas se, aos poucos, isso der certo, no sentido de uma expansão para a população em geral, eu acredito que realmente nós vamos ter, num futuro, um mundo muito diferente. Hoje já está diferente se nós pensarmos, se nós compararmos a qualidade de vida e o nível de consciência, não apenas de cultura, não apenas de informação, não apenas de ilustração, mas o nível de consciência mesmo da maior parte da população comparada com 200 anos, 500 anos atrás, 800 anos atrás, nós estamos numa curva ascendente.

    O senhor regride aos alicerces do nosso existir no “Eu me lembro”, como quem ganha balanço em recuo para um salto. Esse salto leva-nos para onde?
    Bom, em primeiro lugar, essa volta às origens vai nos levar a uma época em que, uma civilização, esse “Eu me lembro” é um conto, é uma ficção, mas que é ambientada num local, num período, numa civilização em que, até onde nos consta, pela história, pela arqueologia, essa civilização, esse povo, vivia em harmonia. O povo tinha qualidade de vida, o cidadão era respeitado. Não se encontraram construções faraônicas para o monarca, nem para o clero, mas encontraram-se casas muito confortáveis para a população. Nós estamos falando de um período proto-histórico. Um período que está imediatamente antes dos registros históricos. E os historiadores recorreram, muitas vezes à arqueologia, para poder montar um pouco da historia daquele povo. Essa época, imagine, são 5000 anos atrás, são 3000 antes de Cristo. E nessa época, nessa civilização, chamada civilização do Vale do Indo, já havia cidades extremamente bem urbanizadas, saneadas, havia as casas do povo, casas com dois andares, e mais, com átrio para ventilação interna, com a casa de banho dentro da casa, com água corrente. Mas isto, 3000 antes de Cristo, é qualquer coisa de inacreditável. Os próprios arqueólogos quando encontraram, recearam comunicar aquilo às academias de ciências, porque iam ser tidos por mentirosos. Então aquilo foi sendo comunicado muito aos poucos. Foram convidando outros arqueólogos, de outros países, que fosse lá constatar. Porque era realmente uma civilização excepcional para a época e até comparada com algumas regiões hoje, do nosso planeta. Então, você imagina que, aquela ambientação na qual essa história, esse conto, essa ficção, se baseia, é a de um povo feliz, é de um povo saudável, é de um povo estável, é de um povo próspero, dentro dos limites do período histórico. E recuando para essas origens, são, diríamos muito próximo das origens da civilização mesma, nós aprendemos alguma coisa com eles. Coisa que foi perdida depois. Com a introdução da civilização patriarcal, aquela que era matriarcal, essa original, vamos considerar, inclusive, fazer aqui um parêntesis, as sociedades primitivas, não-guerreiras, todas elas tenderam ao matriarcalismo e as sociedades patriarcais, todas foram guerreiras. Então, só isso já estabelece parâmetros, para que nós saibamos que a sociedade patriarcal, ela precisa da guerra. Até porque, a própria estrutura patriarcal, a estrutura do macho, do homem é baseada em testosterona e isso é um perigo. Testosterona devia ser posto nas bombas que jogam na cabeça dos inimigos, porque isto é muito explosivo. Agora, a sociedade matriarcal, ela já privilegia a mãe, privilegia o carinho, privilegia o ventre, privilegia o seio, já é uma outra forma de ver o mundo, uma outra forma de administrar a família, uma outra forma de administrar o Estado. E, sem guerras, esse povo obviamente consegue dedicar seu tempo e os seus recursos econômicos, à arte, por exemplo. À dança, à pintura, à escultura. E sem repressão, porque a sociedade matriarcal, em geral, não é repressora. A sociedade patriarcal, em geral, é. Então, sem repressão, imagine para onde vão esses impulsos artísticos e culturais desse povo.

    No “Eu me lembro”, o senhor recua há um passado onírico e depois transporta-nos por uma realidade mais palpável, onde aspectos tangíveis, como os instrumentos de escrita, a própria linguagem, já são mensuráveis. É quase como se fosse uma visão antropológica. Como o senhor não dá um ponto sem nó, quer nos levar para onde com esse transporte?
    Aquilo ali é uma fantasia, porque nesse livro, “Eu me lembro”, o autor, que sou eu, eu conto sobre memórias de um passado, mas esse passado não é nada espiritual, é uma história. Então, levando o leitor até aquela realidade cultural, até aquela civilização, até aquela maneira de ser, eu estou propondo, estou sugerindo até mesmo um debate do indivíduo com ele mesmo, a respeito da validade daquela maneira de se relacionar com os filhos, com os pais, com os amigos, com os inimigos, com o relacionamento afetivo, com a pessoa que a gente ama. Então, talvez aquilo ali possa fazer uma contribuição. Agora, onde está a fronteira entre a fantasia, a ficção, o mito, e a realidade, isso eu deixo para que o leitor descubra.

    No entanto, a segunda parte do livro, já tem um caris quase antropológico, já não é uma ficção pura?
    É. É baseada em fatos reais, porque a ficção a que eu me refiro é a historia, aquela coisa toda. Agora, o máximo possível de elementos palpáveis, de elementos reais, elementos históricos, eu utilizei para dar o alicerce, a fundamentação daquilo lá. Eu estou vendo a possibilidade de que a pessoa, primeiro seja conquistada pelo coração, porque o início do livro é muito doce, muito meigo, depois ele é romântico, e depois ele é, digamos, mais filosófico. Ele perde um pouco aquela doçura. Porque é a historia de uma pessoa que cresce. Primeiro é criança, então tem uma visão mais romântica do mundo. Depois torna-se adulto, naquela época adulto era 15 anos de idade, era a idade em que já estava apto a reproduzir, constituir família. E depois já estava um senhor de 30 anos de idade. Então aí ele já vê o mundo de uma maneira mais consistente, de uma maneira mais cuidadosa, mais prudente. E eu tento transmitir ali um pouco da Nossa Filosofia. Um pouco, porque o livro é fininho. É um dos menores livros que eu escrevi.

    Pode ser menor em espessura, mas é também para nós, os leigos, que olhamos para essa Cultura, eu senti pessoalmente, que era o elemento mais provocativo, porque há varias leituras a fazer por trás.
    Sim, inclusive uma leitura subversiva, no bom sentido. Uma leitura que subverte os maus hábitos e que subverte a estrutura da nossa sociedade. Não na intenção de demolir nada, mas no sentido da pessoa parar e pensar – afinal essa maneira de ser parece mais interessante! Quem sabe nós podemos adotá-la? Vamos experimentar, vamos usar isso na família, vamos usar isso com os nossos amigos.

    Quando o senhor, por exemplo, promove, em um dos sútras, dos seus sútras, defender a liberdade como primeiro pilar da nossa existência e quando ela choca com a disciplina primar sempre pela liberdade.
    Esse sútra ele bate bem nessa tecla, ele é bem categórico, vêemente com relação a isso, que a liberdade é o nosso bem mais precioso.

    Mestre, mas, no entanto, pela oposição, nós precisamos ter uma disciplina interior e existencial para defender os valores. Onde é que as duas fronteiras se cruzam?
    E a continuação desse sútra, desse pensamento, é quando ele diz que se a disciplina violentar a liberdade, opte pela liberdade. Então, como é que nós vamos temperar essas duas forças, essas duas propostas? É que, a disciplina é fundamental, mas, se a disciplina deste grupo especifico, qualquer grupo que seja, um grupo político, um grupo de esporte, um clube de futebol, não importa o que, se este grupo tem normas e estas normas, estas regras, esta disciplina me violenta, eu tenho que valorizar a liberdade, eu tenho que colocar a liberdade em primeiro lugar. Fazendo o que? Brigando contra? Não, me afastando. Não serviu para mim. Esta empresa, este colégio, este liceu, esta faculdade, este clube, não serve, porque estas normas me violentam. Então eu saio e vou procurar a minha turma. Se nós fizermos isso, ao invés de querer bater de frente, vamos conseguir ter uma vida muito melhor. E é claro que eu respeito quem pensa o contrário, porque há a opinião de que nos precisamos lutar contra. Está bem. É um outro grupo. São os dois grupos.

    O senhor, por exemplo, defende a disciplina, o rigor, a farda, o vestir da camisola, e esse coletivo pressupõe uma secundarização do indivíduo. É correto isso?
    Não. Isto pressupõe que isto tudo que você disse é verdade, mas não pode violentar o indivíduo. Não pode violentar a liberdade dele e tem que estar bem assentado sobre a tolerância. Se nós conseguirmos esse amálgama, que é alquímico, se nós conseguirmos isso, encontramos o equilíbrio ali do fio da navalha. Porque realmente é um equilíbrio sobre um caminho muito estreito. Uma brisa faz com que você caia para o lado, para o extremismo da intolerância, da disciplina que tem que ser cumprida a todo custo, ou para o outro lado, da tolerância excessiva, da complacência, da magnanimidade, no mal sentido. Então é o caminho mesmo do centro, é o caminho do meio que é muito estreito.
    Sua Cultura trabalha, por outro lado, sobre os extremos. Nós devemos trabalhar sobre aquilo que são as nossas dificuldades, os pontos menos bons, ou os pontos que são mais positivos?
    Não sei se eu colocaria dessa forma. Porque colocando assim nós, de uma certa forma, cristianizamos um pouco essa coisa do bem e do mal. E a nossa proposta é a de que tenhamos sempre a consciência de que bem e mal são sempre relativos. Você esta fazendo errado. Mas errado em relação a que? Com relação a que momento? Richelieu disse certa vez que ser ou não ser um traidor é uma questão de datas. Então é um pouco isso, do certo e do errado. Em que sociedade, em que religião isto é certo ou isto é errado? Você entra numa igreja católica e tira o chapéu em sinal de respeito. Aí você entra numa sinagoga e coloca-o, em sinal de respeito. Eu me lembro de que uma vez nós fomos visitar um templo sikh, na Índia, e eles pediram para cobrirmos a cabeça. Até a câmera que eles mesmos usavam para gravar o ritual, a câmera era coberta em sinal de respeito, era coberta com um tecido branco. Então tudo é convenção. E nós temos que estar conscientes disso cada vez que nos deixarmos seduzir, ou enfim, escorregar um pouco para o lado da cultura que nós recebemos que é a do bem e do mal. “Este é o seu lado mal”. “Isto foi um erro cometido”. Calma, não é bem assim. É melhor colocar: isto talvez não tenha sido conveniente, neste momento, ou neste grupo. Mas não que seja mal, ou que seja errado. E outro sútra diz que mal é o nome que se da à semente do bem. Porque tudo o que você passou na vida de “mal”, você pode observar que, em seguida, ou já, ou logo depois, produziu um fruto muito bom.

    Realizando a lucidez do cidadão consciente, o individuo lúcido, na viagem para o estado de hiperlucidez, nem que seja no patamar, esse sujeito tem que ter uma visão para onde é que caminha. Como quem vai fazer uma corrida de fundo, ele tem que saber, para se auto-motivar, para onde é que ele caminha. A Sua Cultura, como é que o impregna desse sentido objetivo?
    Nós procuramos ver como se fosse uma viagem linda que você está fazendo de comboio e que sabe que aquilo vai a um determinado ponto. Vai a um determinado destino. Mas você olha a paisagem linda do lado de fora, você conversa com um amigo do lado de dentro, você vai até o vagão refeitório, restaurante, delicia-se com uma comidinha, recosta, dorme um pouquinho. Você usufrui. Você desfruta do prazer da viagem. E, assim, chega mais rápido. E se o individuo ficar só pensando: eu tenho que chegar; o meu destino, o meu destino, o meu destino. A viagem fica desagradável e parece mais longa. Então, com relação a nossa meta, a recomendação é: não se preocupe com a meta. Vamos usufruir da comunidade, das pessoas. As pessoas que, em geral, seguem este sistema, são pessoas interessantes, são pessoas bonitas, por dentro e por fora, são pessoas educadas, são pessoas sensíveis, são pessoas que tem assunto para conversar com qualquer pessoa.

    No entanto, Mestre, quando nós vemos, por exemplo, uma sociedade conservadora, que vamos imaginar, por exemplo, defende que a mulher deve ter um papel na sociedade, que deve viver para o marido, para os filhos, para as aparências, o estado de lucidez permite a ela derrubar essa fronteira. A sociedade conservadora não hostiliza imediatamente essa lucidez?
    Não, porque nós não criticamos essa postura tradicional em muitas sociedades hoje vigentes no mundo. E como a Nossa Filosofia, ela não tem intenção de catequizar, não é uma coisa que queira se expandir e, enfim, tomar seguidores de outros sistemas filosóficos, muito menos religiosos, então a reação nunca foi negativa, nunca houve uma oposição, uma resistência.

    Mas pode haver a nível das células familiares. Por exemplo, se eu desconheço determinada luz, sinto-me perdido no meu corredor, no meu túnel de sombra e, de repente, aparece uma luz no fundo desse corredor, que pode ser, suponhamos, a Sua Proposta, e eu, de repente, passo a caminhar com outro alento nessa direção. E se o túnel de sombra é criado pela estrutura conservadora que a sociedade foi montando a minha volta, eu torno-me rebelde. Pelo menos caminho numa direção oposta. Essa cisão não cria anticorpos?
    Normalmente ocorre o seguinte. Quando um casal, numa estrutura familiar, um dos dois, só um, adota esta filosofia, é como se só um dos dois adotasse um partido político, contrário ao do outro cônjuge, ou uma religião, contrária à religião do outro cônjuge. E pode gerar um momento de dificuldade de comunicação. Então o que nós recomendamos é o seguinte: se você evoluiu, se você adotou uma filosofia que tem uma pretensão a uma evolução maior, uma civilidade maior e tudo, uma lucidez maior, quem está errado é você. Porque os dois se casaram dentro de uma determinada visão que um tinha do outro, e cada um gostava do outro como ele era. Criou-se uma regra, criaram-se regras neste jogo, e você mudou as regras do jogo, no meio do jogo. Quem está errado não é o cônjuge, que está reagindo mal, quem está errado é você. Então você tem que ter mais paciência com o outro, tem que ter mais tolerância, tem que tentar içá-lo sem forçá-lo a isso. Talvez pelo exemplo, talvez pela sua forma de agir, mostrando que hoje você é uma pessoa muito melhor pra ele ou pra ela.

    E se a outra pessoa preferir viver em outro tipo de referências. Por exemplo, quiser viver para as aparências, e não para o conteúdo do bolo?
    Tem sido raro. Normalmente, se houver esse processo que eu mencionei, de tolerância, de paciência e de sedução, cativando a outra pessoa ao invés de cobrando dela uma postura, pelo que nós temos observado nestes anos, nestas décadas, é que, no geral, o cônjuge acompanha. Porque ele gosta do que ele está vendo. Seja marido, seja mulher, nota que o outro melhorou. Melhorou como pai ou mãe, melhorou como marido ou esposa, melhorou como amante, melhorou como companheiro, como amigo. Então, em geral, ele acaba vindo junto.

    No “Encontro com o Mestre”, o pós-emberbe DeRose encontra-se com o DeRose já maduro, já Mestre, já consciente. O que é que o Mestre já consciente diria hoje ao DeRose pós-emberbe? Seria a mesma coisa que disse no livro?
    Iria dar o mesmo desencontro do que eu expus no livro, porque ali era o autor com 58 anos, conversando com o mesmo aos 18. Foi assim, também, mais um conto, mais uma ficção, em que o DeRose de 18 anos aparece na vida do DeRose de 58. E ele então discorda, ele discute, ele debate. Ele diz: mas não pode ser assim; eu não concordo com isso; isto não pode ser. E o diálogo entre os dois, entre o jovem idealista de 18 e o homem vivido de 58, aquilo ali pretende dar ao leitor um equilíbrio entre as duas opiniões, porque muitos dos nossos leitores têm 18 e 20 e 25 e 30, e muitos dos nossos leitores têm 58 e 60 e 70 e 80. Então são dois universos completamente diferentes, e o livro procura casar esses dois universos, mostrando que ambos estão corretos, e que é muito uma questão de ótica.

    Os dois equilibram-se? São uma mesma coisa? São dois olhares sobre a mesma coisa? Ou um é uma evolução sobre o outro?
    Eu diria que, na verdade, os dois têm seus preconceitos, seus pré-conceitos. Ambos discriminam e ambos procuram não discriminar. Ambos tentam não ter preconceitos e aí, este mais velho aprende com o mais novo, e o mais novo aprende com o mais velho. A idéia básica desse livro é essa.

    Nós tendemos a acrescentarmos na diferença. Normalmente as pessoas lidam muito mal com o que lhes é diferente, defendem-se, rejeitam, oprimem, suprimem, em vez de somarem-se na diferença.
    É. E essas diferenças são muito importantes. Porque, imagine o seguinte: se todos os meus amigos só me fizessem elogios, eu estaria cercado por bajuladores, como alguns monarcas no passado. O que eu vou aprender com isso? Eu vou estar errando e todos vão estar dizendo que eu estou acertando. Não vão me ajudar em nada. Mas o meu critico, os críticos de plantão, eu ainda nem cheguei a errar e eles já estão me apontando o dedo. Então, quem está me ajudando mais? Quem está me ajudando mais é aquele que se considera inimigo, mas que na verdade, é mais amigo do que os meus amigos, porque ele me mostra o lado sombrio que eu estou cometendo ou estou prestes a cometer. Ele aponta o erro e eu posso corrigir esse erro. Eu sempre comparo o amigo e o inimigo a uma árvore, em que as raízes, que estão nas trevas, que crescem pra baixo, são os inimigos, porque estão nas sombras, mas sem os quais a árvore não fica em pé. A árvore precisa das raízes, e os inimigos são as raízes. E os amigos são as flores, são os frutos lindos, maravilhosos, mas sem as raízes, não existiriam.

    O senhor, neste “Tratado de Yôga”, que acabou de ser lançado em Lisboa dá logo o exemplo até na dedicatória do livro, porque ele dedica não só a pessoas que o senhor admira pela luz, mas também por uma pessoa em particular, pela critica. Podes nos falar um pouco disso?
    Pessoas que às vezes, por implicância, até por não conhecer bem o outro lado, a outra verdade, atacam, difamam, agridem, injuriam, excluem. Então, o que acontece: você pode se considerar um perseguido, você pode se considerar uma pessoa infeliz, pode ficar ressentido. Ou você pode perceber, numa visão de grande angular, que aquilo ali foi extremamente importante e você pode ser grato àquela pessoa, mas com sinceridade. Não adianta ser grato com hipocrisia. “Não, sou muito agradecido aos meus inimigos”, mas aqui dentro… não é. Então, não. Tem que ser uma coisa, obviamente, tem que ser uma coisa autêntica. E ali é muito sincero. Se aquele senhor não tivesse feito toda aquela perseguição, que ainda ocorre hoje, e não tivesse gerado todo um fã clube dele contra o nosso trabalho, hoje o nosso trabalho seria imperceptível. O cristianismo só ficou conhecido porque foi perseguido, senão teria sido uma pequena seita judaica ou escênica, que teria desaparecido logo depois. Mas a perseguição deu visibilidade e, a partir daí, pessoas que concordavam com aquele ponto de vista, fizeram com que se estruturasse e se eternizasse.

    Isso não é o que nós entendemos ou que a Sua Cultura descreve como ahimsá? Não é o trocar o fel por mel, é algo muito mais profundo?
    Eu acho que é mais profundo. Agora, nesse conceito, do ahimsá, que é a não agressão proposta por Gandhi. Ahimsá, nós aplicamos não exatamente da forma como Jesus propôs, que era oferecer a outra face, não é exatamente assim, mas é de uma outra maneira. Por exemplo, quando uma pessoa tem uma atitude agressiva. Nós precisamos ter consciência. Se você tiver maturidade e auto-estima, você tem condições de compreender que aquela pessoa está sendo agressiva porque ela tem medo. Uma pessoa é agressiva quando teme. Se aqui entrar a minha cachorrinha, a Jaya, que é a minha weimaraner vegetariana, abanando o rabinho, nós vamos dizer: que bonitinha, vem cá, deixa eu fazer um carinhozinho. Mas, se entrar aqui, rosnando, mostrando os dentes, você logo diz: tira esse bicho daqui senão eu dou uma pedrada nele. Porque você ficou agressivo? Ficou agressivo porque sentiu medo. E assim é em todas as situações. Se você prestar atenção, analisar com imparcialidade, você vai notar que, todos os momentos em que uma pessoa ficou agressiva é porque ela sentiu medo, ela se sentiu ameaçada, ela entrou em defensiva. Então alguém foi agressivo com você, você pode, ou ter uma reação imatura, que é assim: você foi agressivo comigo, devolvo-lhe a agressividade. Ou você pode ter uma reação ponderada, uma reação da pessoa que tem auto-estima e que tem maturidade. Você foi agressivo comigo, eu tenho que compreender que você se sentiu agredido por mim, mas eu não tive a intenção de agredí-lo; você se sentiu ameaçado por mim, mas eu não tive a intenção de ameaçá-lo; você talvez tenha tido um péssimo dia; você talvez tenha um péssimo casamento; não sei, talvez você tenha dificuldades, problemas na sua vida. E eu vou devolver mais agressividade? Isso não vai me ajudar. Não vai ajudar a nossa relação. Se for uma relação de negócios, se for uma relação de amizade, não importa o que. Devolver agressividade é tentar combater o ódio com mais ódio. Tentar combater fogo com gasolina. Então isso não ajuda. Eu gostei muito da sua frase que é devolver fel com mel. É interessante, porque é mais ou menos isso. De fato, é mais ou menos. Porque se a pessoa agrediu e você lhe dá um sorriso, um sorriso sincero, porque a pessoa percebe no seu olhar, na sua expressão facial, o cinismo é detectável, instintivamente, por qualquer pessoa. Se você realmente lhe ofereceu um semblante descontraído, um sorriso sincero, aquela agressividade se reduz. Mas se reduz drasticamente. Eu me lembro de uma situação em que houve encontro de duas linhas filosóficas de nomes quase idênticos, mas que são antagônicas, e até por isso mesmo são antagônicas, porque quanto mais semelhantes são, mais elas têm dessintonias. Então, nesse encontro, entre as duas filosofias, uma senhora, professora da outra linha veio caminhando na minha direção, com o dedo em riste e disse: “DeRose, você isso, você aquilo!” E começou a me insultar em altos brados, com a intenção mesmo de que todos escutassem. E todos pararam no evento, no congresso, para ver qual seria a minha reação. Afinal será que tudo isso que ele diz, afinal é mentira? Como será que ele vai reagir? Ele vai dizer umas boas a essa senhora? Vai gritar com ela? Talvez agredi-la? Vai virar-lhe as costas e sair andando com um mal educado? Ou vai ficar parado ouvindo, deixando que ela agrida, fale,fale, fale, insulte, insulte, insulte? Qual será a reação? E aí, que reação eu teria tido? Imagine lá. Tempo para pensar. Pronto. A reação foi: agarrei a velinha, abracei a velhinha, e quando eu soltei, ela já não tinha mais agressão nenhuma, não tinha insulto nenhum pra dizer. Quando eu soltei, ela olhou para mim e disse: “Ai DeRose, você hein?” Pronto, tirou o fel com o mel do abraço, sem dar a outra face, sem ficar simplesmente, passivamente, escutando as agressões dela, e sem devolver as agressões que, afinal, não ajudaria nada a minha relação com ela, não ajudaria nada minha imagem com os outros que estavam assistindo. E também não me ajudaria comigo mesmo, porque naquela noite eu não teria dormido tão bem.

    Isso pressupõe o tal individuo que a Sua Cultura, a Cultura DeRose, pretende esculpir, do tal individuo lúcido, que se apercebe de uma forma como quem vê um filme o que está a acontecer a sua volta, e reage de uma forma atuante, consciente e lúcida, e não de uma forma primaria.
    Exatamente. Vamos trazer isso para a realidade de um casal, de um casamento, enfim, qualquer relacionamento afetivo. Num casal, ambos sabem exatamente qual é a fisionomia, qual é o tom de voz e qual é a frase que irrita o outro. Sabem perfeitamente, pois vivem juntos. Estão tão próximos. E num conflito, de casal, se este disse aquela palavra ou fez aquela cara, o outro sabe exatamente qual é a fisionomia, qual é o tom de voz e qual é a palavra que vai agradá-lo, que vai atenuar aquela situação. Mas por que não diz? Porque eu não vou me dobrar, não vou ceder, senão o outro pisa em mim. Aí depende da sua atitude, ao dar essa palavra, interromper o conflito conjugal que vai surgir ali e depois estabelecer limites. E se essa relação pode ser mantida, ela vai ser mantida com respeito, com consideração, com carinho, com companheirismo. Se não puder ser mantida, é uma pena. Porque toda relação que se rompe tem um custo emocional muito caro, um custo sobre a saúde muito alto. Mas, paciência. Há um momento mágico em que as relações precisam mesmo terminar, porque aí terminam como amigos. E se ultrapassar o momento mágico, e as pessoas insistirem que tem que permanecer juntas, aí talvez na hora em que romperem, rompam como inimigos, com ressentimentos. Então, às vezes é apenas a questão de hoje eu cedo e amanhã essa outra pessoa vai ceder. Porque há uma reciprocidade natural dos seres humanos, quando você tem uma atitude cavalheiresca, uma atitude fidalga com relação a uma pessoa, mesmo que íntima, mesmo que seja um irmão, mesmo que seja um cônjuge, a tendência é que a outra pessoa reaja de uma forma semelhante numa circunstância imediata ou futura. Uma vez, eu estava sendo conduzido num veículo, o meu amigo estava conduzindo e conduzia muito mal. E fez uma conversão péssima e o outro motorista quase bateu no carro dele, botou a cabeça pra fora e já ia dizer uns impropérios. E esse meu amigo abriu um sorriso pra ele, como quem diz: desculpe, eu errei. Mas com um sorriso, muito simpático. O outro motorista botou a cabeça para dentro e disse: vai, meu filho, vai! E não deu briga. O que evitou a briga? Foi só um sorriso.

    A importância do individuo mais consciente, mais lúcido, mais atuante a todos os níveis. É isso que a Sua Cultura quer a relançar dentro da sociedade?
    Exatamente. Porque a tendência é colocar um rótulo nessa Cultura, e eu prefiro chamar de Nossa Cultura ou Nosso Sistema, Nossa Filosofia, evitando colocar rotulo; o Nosso Método, evitando o rótulo. Por quê? Porque na hora em que as pessoas colocam rótulos, elas engessam a coisa. E aí começam todas as intolerâncias, até com relação a quem esta fora. E uma das confusões que eu procuro corrigir, uma das visões distorcidas, é que a pessoa pratica o Método dentro da sala de aula na qual ela aprende o Método. Só que ali é para aprender, não é para praticar. Não é para pôr em pratica. Por exemplo, se dentro de uma sala de classe, nós ensinamos a respirar corretamente, na hora em que a pessoa sai por aquela porta e vai embora, ela não há de sair respirando errado. Então não adiantou nada. Então, ela aprendeu a respirar certo aqui dentro, agora ela sai respirando certo e vai caminhando respirando certo até o seu carro, senta-se e vai conduzindo o carro, respirando corretamente. Chega no seu escritório e vai trabalhar, ou chega no seu ginásio e vai fazer esporte, respirando corretamente. Vai respirar corretamente, de forma mais produtiva, sempre, porque foi isso que ele aprendeu aqui. Eu usei respiração, podia usar qualquer outra técnica para exemplificar. Esse conjunto de técnicas e conceitos que ele aprende na nossa instituição, ele sai e deve aplicar, como você disse, em todas as situações da vida. Como nós tentamos explicar, tentamos expor. Que ele vai transmitir isso, ele vai irradiar isso, para toda a sociedade, porque ele vai irradiar pra família, ele vai irradiar para os amigos, ele vai irradiar para os seus colegas de trabalho. Então aquilo vai criando ondas de choque e, aquilo ali vai contagiando de uma forma positiva, todas as pessoas que travam contato com o nosso praticante.

    Se o Carl Sagan dizia que a sociedade corrompe o individuo, esse efeito impregnador também pode funcionar, e deve, e o senhor pretende que funcione em sentido contrario?
    Exatamente. Nós sabemos que funciona de lá pra cá. Façamos funcionar então, também, daqui pra lá.

    Se o senhor escrevesse agora não o “Eu me lembro”, mas o “Eu sonho”, que sonho é que se escreveria?
    Na verdade, do “Eu me lembro” eu não conseguiria acrescentar mais nada, porque aquele livro me saiu numa arrancada só. Às sete da noite eu comecei a escrever. Às sete da manhã, eu disse: vou descansar um pouquinho. E pronto, estava terminado. Não consegui acrescentar nem uma linha.

    E o “Eu sonho”, o que é que tinha lá dentro?
    Ali, não sei. Ali tem muita coisa! Tem muita coisa!

    Podemos pegar-lhe por uma ponta, por um pé?
    Que eu espero um dia poder expressar.

    Mas vê com certeza. Nós sonhamos que os nossos filhos cresçam num mundo numa determinada direção. E nós configuramos qual é essa direção. O senhor não “hipotecou”, não investiu 50 anos de investigação, de procura de saberes, sem sentir dentro de si onde é que queria chegar? Onde é que quer chegar?
    Eu gostaria de chegar a um ponto em que as pessoas, minimamente, escutassem o que nos temos a dizer. Que nos permitissem falar. Que não nos amordaçassem. Porque o grande problema que eu tenho sentido, é que nós temos coisas muito boas para dizer, não propondo um debate, mas propondo uma reflexão. O que ocorre é que os que não gostam do sistema, ou pensam que não gostam, não escutaram. Eles não conversaram comigo, não conversaram conosco, não conheceram a nossa gente, não leram nossos livros. Então, essa mordaça, eu gostaria, o meu sonho, seria poder arrancar essa mordaça. E eu me sinto sob aquela punição antiga, punição eclesiástica, do silêncio obsequioso. Disse o que não devia, não falará mais. E realmente eu sinto muito isso. Não querem que eu fale. Mas você observa que o que eu falo não é polêmico. Não considero polêmico, porque nós não estamos polemizando, nós não estamos discordando dos outros. Não é agressivo, acho que não é, não tenho intenção de que seja. Não quero agredir ninguém. E a proposta é boa, a proposta é uma juventude saudável. Nós trabalhamos essencialmente com adultos jovens. Portanto, produzir uma juventude saudável, juventude longe das drogas, do álcool e do fumo, se mais nada prestasse, pelo menos isso seria uma contribuição a ser reconhecida, que o nosso trabalho já esta há meio século proporcionando à sociedade.

    Para nós que de fora visitamos a Sua Cultura, vamos fazer um exercício de flash. A sua visão ou a sua missão aponta pra onde? Onde é que é o horizonte que configura para esta sua passagem pela vida?
    Eu tenho conhecido gente muito interessante, realmente exemplos de seres humanos. Pessoas com quem eu tenho o privilégio de conviver. Algumas há mais de 30 anos, outras há mais de 20 anos, outras que eu estou conhecendo agora, como é o seu caso, e que pra mim constitui um privilégio. Essa profissão nossa, esse nosso ideal, nos permite isso: conhecer pessoas. Nós não somos head hunters, nós somos heart hunters.
    Obrigado!
    Foi gostoso, não foi?
    Muito bom!

    Renata Coura |

    Oi Mestre,
    como sabes, eu e o Maicon estamos em Paris, e estamos a 5 horas a mais por aqui. Como tivemos a ideia mais ou menos ao mesmo tempo, acabamos, apos 7 horas seguidas, a transcrição completa.
    Quando vimos que varias pessoas estavam se prontificando e fazendo também, ficamos felizes, pois, mesmo que pareça trabalho “em vão” ou repetido, o fato de ouvi-lo varias vezes com atenção, nos aporta um aprendizado indescritivel.
    Então, imagine que todos esses voluntarios estão bebendo da sua inesgotavel fonte de sabedoria.
    Além disso, apenas a atitude ja é valida!
    Parabéns para a nossa familia!
    Parabéns a você, que é o pai dessa familia e que tanto nos ensina a sermos pessoas melhores e modificarmos o mundo ao nosso redor!
    Beijos com amor e obrigada pela oportunidade de carregar essa bandeira!

    DeRose |

    Também penso assim, Renata. Ao realizar a transcrição, todos temos que prestar mais atenção e ouvir devagar, várias vezes. Eu mesmo havia começado a fazer esse trabalho e descobri nuances nas minhas frases que eu não havia percebido na primeira vez que assisti. Beijinhos para você e para o Maicon.

    DeRose |

    Meus cumprimentos! Você trabalhou no ritmo DeRose. Obrigado pela ajuda. Talvez editemos este texto como pocket book. Valeu!

  19. Nossa, pena que eu só vi hoje este post.
    Pois assim que eu vi a entrevista, a primeira coisa que fiz foi transcrever boa parte dela e publicar apenas um pedacinho fazendo uma chamada para os leitores assistirem a entrevista.
    Mas qualquer ajuda que ainda precisar estou a disposição. Para o inglês infelismente não posso ajudar muito. hehe
    Bjinhos,
    Renatinha – São Paulo/SP Unidade Itaim

  20. Autor: Raffa Loffredo

    Ah! Hehehe!
    Entrei agora e me deparei com tudo isto pronto já!
    Que legal! Para aqueles que acompanham o blog como curiosos, devem ter ficado impressionados com a agilidade (até eu fiquei!). Mas quando nos unimos com foco em um mesmo é assim mesmo que somos!
    Super parabéns a todos que fizeram isto (mesmo aqueles que ficaram na intenção, como eu…).
    Alexandre Montagna: quando eu crescer quero ser que nem você!
    Vou fazer muito nyása nesta agilidade!!!

    Alexandre Montagna |

    Que querida, Raffa! Adorei…
    Sugiro que também andemos juntos, de mãos dadas, a fazer nyása com este conceito chamado DeRose, que é lucidez, hiperconsciência, iniciativa e poderosa acabativa em uma só personalidade, temperado com um carisma paranormal.
    Um beijo enorme!

  21. Autor: Ale Filippini

    Uau! Isso é SwáSthya! Atitude!
    Bem, só deu tempo de eu dar a ideia de dividirmos e fazer a minha parte … não deu nem tempo de postar a transliteração…
    Mas se precisarem de alguém para revisar, é só gritar! Farei com o maior prazer.
    Parabéns a todos pela agilidade.

    Alê – Unidade Alphaville / SP

  22. HELP 1:
    I am not sure about the translation of frase ¨perfil de individuo¨, in the Mateus´s following question:
    ¨Quando as sociedades dos nossos dias não tem o perfil de indivíduo, nem de sociedade em si, a sua Cultura pode ser a proposta que falta. Esse indivíduo obviamente diferente, mais lúcido, mais consciente, que impacto ele teria na sociedade, e em que ele pode fazer diferença?¨

    Would it be something like, ¨When the societies of our times do not value the individual, nor society (sense of community?) itself, your Culture could be the proposition that is missing…¨

    John Chisenhall |

    I am not satisfied with the literal translation of ¨perfil¨ as ¨profile¨. To me, it does not have the right sound/feeling, although, I am referring to my contextual reading that is perhaps more cultural than grammatical.
    opinions?

    DeRose |

    I would like to read the paragraph. Could be “target”?

    John Chisenhall |

    The paragraph is as follows:
    ¨Quando as sociedades dos nossos dias não tem o perfil de indivíduo, nem de sociedade em si, a sua Cultura pode ser a proposta que falta. Esse indivíduo obviamente diferente, mais lúcido, mais consciente, que impacto ele teria na sociedade, e em que ele pode fazer diferença?¨

    In this context, I did not understand the context of ¨perfil de indivíduo¨ to be translated as ¨target¨, because it seems that António is referring to a sort of lack of recognition of the individual and their role in society, as opposed to to a type of individual.

    I emailed my above comment via email to some of our colleagues and their interpretations are varied.

    DeRose |

    I think that “sociedades” have the sense of “stablishment”, something like the “high society” of Louis Armstrong without “high”, the comunity in general, in all his levels.
    Perhaps, “perfil de indivíduo” could be translated “kind of person”. But my vocabulary in English is limited, as you can see. What about the interpretations of our colleagues?

    John Chisenhall |

    Colleagues have offered the following:
    Rafael Anschau: ¨When, in modern day society, we miss the profile/definition of what an individual should be
    and the profile/definition of what a society should be, your culture could provide the missing definition/profile?¨

    Priscila Ramos de Sousa: “When the societies of our times do not value individual nor social consciousness, your Culture could be the proposition that is missing…”

    Priscila believes that the phrase itself is not used in Brasil, which leads me to understand it is a Portugal phrase.

    Can anyone from Portugal give their opinion about how to interpret the larger concept of this phrase?

    Juliana Correa |

    Hi, dear John! Maybe I could help you with the translation. Do you think it would be a good idea for me to create a translation of my own so you can have another reference, an extra opinion on the text? Or should I just help you with the doubts you have as they come along…? About the last one, I would also like to read the whole paragraph, to get a wider idea.
    Hugs and kisses!!!
    Ju
    Belo Horizonte – MG

    John Chisenhall |

    Oi querida Juliana!
    I would like to have you email, so please email me at john@uni-yoga.com.ar.
    The section in question is at minute 1:48.
    (minuto 1:48)
    António: Quando as sociedades dos nossos dias não têm um perfil nem de indivíduo nem de sociedade em si, a sua cultura pode ser a proposta que falta. Esse indivíduo, obviamente diferente, mais lúcido, mais consciente, que impacto real é que ele tem na sociedade? Em que ele pode fazer a diferença?
    DeRose: Quando a pessoa tem mais lucidez, a primeira coisa que ocorre é que ela vai exercer melhor…

    John Chisenhall |

    Latest version, with the help of Yael Barcesat:
    “When today´s society does not have a model, neither for the individual, nor for the community, your Culture could be the proposition that is missing. This individual, obviously different, more lucid, more conscious, what impact will they have on society, and how will they be able to make a difference?”

    DeRose |

    Gostei da solução. Se o António Mateus concordar com a tradução, por mim está bem.

    Juliana Correa |

    I like Yeal’s one coz I think the idea was that today’s societies don’t have a defined profile, model, example of what the individuals and the society itself was supposed to be, therefore our Culture would provide a role model. Sent you an email so we’ll be in touch, ok?! Kisses!!!

    Sandra Sellner |

    Perfeito…tambem gostei muito da versão da Yael. Vou alinhar a versão alemã de acordo.

    Sandra Sellner |

    Oh…and John, I just noticed a small mistake. The second sentence begins with “This individual…”(singular) and then continues with “what impact will THEY have, and how will THEY be able to contribute” (plural).

    :) Hugs from Rio…

  23. Autor: Sandra Sellner

    Querido Mestre!

    Eu me ofereço para traduzir a entrevista para o alemão.
    Sou nativa, cresci na Alemanha e trabalho com tradução.
    Seria uma honra poder contribuir.

    Abraço!

    DeRose |

    Danke, Sandrinha. Aceito, sensibilizado.

    Sandra Sellner |

    Maravilha!

    Vou entrar em contato com Christian Mader, o nosso pioneiro la na Alemanha, para a gente trabalhar em equipe e trocar algumas ideias onde fôr necessário. Tenho certeza que ele tambem vai querer publicar a entrevista no site dele.

    Com carinho…

    Sandra Sellner – Unidade Downtown, Rio de Janeiro

    DeRose |

    Muito bom, querida. Vamos rugir como verdadeiros leões e leoas da Nossa Cultura.

    Sandra Sellner |

    Querido Mestre!

    Um pequeno update: terminei a tradução da entrevista para o alemão hoje. Christian Mader e Antonio Prates (Unidade Copacabana), ambos instrutores com excelentes conhecimentos da lingua alemã, colocaram-se a disposição para ler o documento e dar sugestões. Formamos uma pequena equipe e daqui a pouco também poderemos ‘rugir’ em alemão. :)

    Já existem as legendas em português sincronizadas com as imagens? Para sugerir as quebras de linha das legendas alemãs, seria legal trabalhar em cima das legendas originais em formato Word… será uma boa referência e grande ajuda para aquela pessoa que monta as legendas sobre as imagens possivelmente sem entender muito bem o outro idioma. Quem posso contatar a respeito?

    Um abraço do Rio de Janeiro… Sandra (Unidade Downtown)

    DeRose |

    Vamos deixar registrada aqui a sua disposição em realizar esse trabalho para que os demais colegas que também forem pró-ativos possam fazer contato aqui pelo blog ou criando um outro meio de comunicação. Vamos rugir em alemão! Beijos.

  24. Autor: shivajohnnie

    Olá Mestre!

    O nosso pessoal é muito agilizado mesmo!
    Tive a mesma ingenuidade da Alê quando li o seu post hoje. Pensei em agarrar a tarefa e ela já estava feita. Então me ocorreu que poderia ajudar com o processo de tradução.

    A sugestão a seguir requer um certo investimento mas pode ser oportuna no caso de tradução para idiomas mais complexos e também pela agilidade. Se não for oportuna, por favor, desconsidere.

    Entrei em contato com uma aluna que trabalha com traduções. Seu bureau (www.bureautranslations.com) tem uma estrutura de presença global e oferece os serviços em mais de 15 idiomas. Ela já está aprontando um orçamento (que ainda inclui o serviço de inserção das legendas traduzidas no vídeo) e vai me enviar até dia 31.
    Vale a pena conferir o website. O trabalho é muito sério.
    Ela fará um valor especial para a famiglia já que faz parte dela e tem um grande senso de missão.

    Aviso assim que estiver com o orçamento em mãos.

    Um grande abraço,
    Instr. Ricardo Johnnie Martins
    Unidade Alameda Campinas – SP

    DeRose |

    Obrigado, Ricardo. Foi bem pró-ativo da sua parte. Aguardo o orçamento. Um abração.

  25. Autor: romulojusta

    Essa egrégora é realmente genial, empreendedora a tal ponto que se nos prontificamos a ajudar, mas nos atrasamos uns dois minutos, já não resta mais o que fazer! rsrsrsrs…

    Mal coloquei o comentário propondo dividirmos esforços e pouco tempo depois a transcrição estava concluída!!! rsrsrs, deu tempo nem de transcrever uma vírgula…

    Parabéns à egrégora swástha, açõe efetiva a toda prova!!!

    Rômulo Justa
    Fortaleza – Ceará

    DeRose |

    Esse é o ritmo do Método DeRose!

  26. Autor: Daniel Fersztand

    Diana Raschelli ya está trabajando en la traducción al castellano, y Pedro Estela se va a encargar de los subtítulos.
    Abrazos!
    Dani

    DeRose |

    Fico feliz por percibir que todos están entusiasmados con el proyecto.

  27. Autor: camila.cabete

    Oi Mestre!!!!!
    Continuo à disposição para publicar os livros de nossa egrégora que tiverem sua aprovação.
    Muitos beijos e abraços apertados.
    Na Fee e Jaya também =0)

    DeRose |

    Creio que vamos ter oportunidade de trabalhar em alguns livros, Camila. Obrigado pelo carinho. Sempre vale a pena você me lembrar de tempos em tempos, pois eu viajo tanto, conheço tanta gente nova o tempo todo, faço tantas coisas ao mesmo tempo que posso me esquecer de que você tem experiência e está disposta a ajudar. Beijinhos.

    camila.cabete |

    Pode deixar que lembrarei sempre!!! No festival comentei com o Mestre Edgardo sobre a tradução das obras dele em Português pela [Nome da editora deletado por medida de segurança]. Já entrei em contato e ele inclusive falou que gostaria muito que a Fee traduzisse. Estou animadíssima e tenho carta branca da editora para publicar o que você me indicar. Já publiquei desde janeiro, com minha equipe, mais de 80 livros pela [Nome da editora deletado por medida de segurança]. Quero muito fazer isso com nossa Cultura! Fiquei de conversar com você no Festival, mas foi uma loucura de bom e preferi não atrapalhar. Em outubro nos encontramos aqui no Rio e passo todas as minhas milhares de ideias…
    =0) Estou indo agora em setembro para NY e Japão, vou aproveitar e conhecer o Marcelo! Nos vemos na volta para começar a avalanche de publicações!
    Muitos beijos!!!!

    DeRose |

    Beijinhos.

  28. Autor: romulojusta

    Olá Mestre, olá egrégora,

    Aqui em Fortaleza iremos disponibilizar uma cópia do DVD para cada aluno, além de fazer uma campanha interna de divulgação da entrevista. A partir outubro, uma cópia do DVD será entregue a cada prospect que nos visitar.

    Planejamos tambem disponibilizar uma cópia nos acervos virtuais das principais bibliotecas da cidade. Daí me veio uma idéia: produzir uma arte gráfica para a capa do DVD, a ser disponibilizada como template para downloads. Como sou um néscio invertebrado em matéria de desing gráfico, pergunto: alguém encampa esta idéia?

    Abraços

    Rômulo Justa

    DeRose |

    Parabéns, Rômulo. Fortaleza subiu ainda mais no meu conceito. Essa é uma iniciativa de baixo custo que incrementará credibilidade ao nosso trabalho e à nossa marca na sua cidade. Fiquei sensibilizado com a boa vontade do “néscio invertebrado” mais inteligente que já conheci. Há uma máxima que diz: quando eu contrato pessoas mais inteligentes que eu, estou sendo mais inteligente que elas. (É o meu caso!) Gostei da agilidade. Esse é o ritmo DeRose. Gente minha não fica murrinhando e perdendo tempo. Quem é DeRose é rápido. O companheiro Montagna é muito talentoso e está trabalhando neste momento na capa de um livro meu. Quem sabe ele consegue criar o material gráfico para o DVD? Parabéns e um forte abraço.

    Alexandre Montagna |

    Cheguei em casa e vim para o notebook com a meta de produzir alguma coisa, qualquer coisa. Ao ver este comentário, não havia mais dúvida sobre o que poderia ser. Obrigado, Mestre, pelos incentivos preciosos que me causam profundo impacto de honra, alegria e motivação.

    Abaixo vai a sugestão de capa para o DVD. Textos à parte, estou quente ou frio a partir deste esboço inicial?

    Quebrei a imagem em duas para facilitar a visualização aqui no blog:

    DeRose |

    Estamos caminhando. O próximo passo é simplificar. Há muitos elementos, o que polui o lay-out. Já o texto está bastante bom. Vamos aguardar as opiniões dos colegas especialmente a do Prof. Luís Lopes, que é quem vai ter o privilégio de fazer a primeira tiragem oficial. Isso não impede que todos façam quantas cópias quiserem imediatamente. Só não podem é comercializar essas cópias, mas para presentear está liberado.
    Ficou faltando o lay-out para imprimir no fundo, sob o berço do DVD e na superfície do próprio disco.Parabéns pelo Ritmo DeRose! Cada vez mais se definem quais são os Leões da Nossa Cultura.

    romulojusta |

    Queridos Alexandre e António Mateus, o talento é um potente atrator de mentes esclarecidas, fico feliz em usufruir da amizade de ambos. Espero, em breve, conhecê-los pessoalmente.
    Alexandre, a capa está linda, irei aguardar as opiniões de nossos colegas, que torná-la-ão ainda mais primorosa, é certo. Não canso de me surpreender com o potencial empreendedor de pessoas como você, que diferença isso faz no mundo!

    Grande abraço,

    Rômulo Justa
    Fortaleza – Ceará

    Alexandre Montagna |

    Limpei um pouco o lay-out. Devo limpá-lo ainda mais, Mestre? Está neste link: http://alexandremontagna.com/permalinks/mestre/capa-dvd-entrevista-mestre-3.jpg
    (A capa está inteira, portanto colo apenas o link para não prejudicar a visualização do blog).

    Este desenho para imprimir ao fundo, sob o berço do DVD, eu não compreendi. Já o lay-out da superfície do disco, eu farei assim que concluirmos o da capa, para mantermos o mesmo padrão e identidade visual.

    Beijão! E uma semana com ótimos rendimentos e produções para todos nós!

    DeRose |

    Melhorou muito! Você tem algum CD nosso? Ao retirar o disco, vai notar que embaixo dele há uma arte impressa sob o berço do CD. Por outro lado, estou pensando na necessidade de uma outra arte que também seria feita, paralelamente, sem dar nenhuma dica de que é uma entrevista conosco, para presentear a alguém que pensa que não gosta de nós. Se vir que é nosso não vai querer assistir por puro preconceito e discriminação. Para esses, disporíamos de um envelope de cartão que não diz com quem é a entrevista. Tanto no envelope de cartão, quanto na superfície do DVD, constaria uma imagem neutra e o texto poderia dizer algo como: Entrevista sobre qualidade de vida, estilo de vida saudável, boa cultura, boas relações humanas, integração do indivíduo na família, no trabalho, responsabilidade social e ambiental. Talvez.

    Lerivan Ribeiro |

    Gostei muito da capa. Abração!

    Alexandre Montagna |

    Vou trabalhar nisso, Mestre.

    Alexandre Montagna |

    Maître, fiquei com uma dúvida que talvez deva ser feita ao nosso amigo Prof. Luís Lopes: devo realizar o layout da capa em tamanho de CD ou de DVD?

    Pergunto isso porque na embalagem padrão de DVDs não há, pelo que conheço, espaço para impressões no berço.

    DeRose |

    Estive conversando com os mais interessados que são os Diretores, e tive a sugestão de começarmos pelo envelope de cartão, que no caso, só teria frente e verso. Mas não delete a arte para caixa, pois talvez seja utilizada também.

    Alexandre Montagna |

    Está guardada. Quanto ao envelope, veja a primeira versão:
    Capa:

    Contracapa:

    Alexandre Montagna |

    ps.: para manter o ritmo DeRose estou privilegiando um trabalho com boa qualidade, mas mais rápido. Um abraço forte, Mestrão.

    DeRose |

    Está ficando bom. Falta a opção neutra para quem pensa que não gosta de nós.

    Alexandre Montagna |

    Na dúvida se está simples demais ou se está perfeitamente clean, já divulgo a imagem para ver se estou quente ou frio:

    Se tivermos que suprimir até mesmo o termo Nossa Cultura, tirarei já na próxima versão.

    DeRose |

    Gostei. A versão para desamigos está perfeita. Talvez possamos acrescentar no final: “medidas concretas para a redução do fumo, do álcool e das drogas.” Quanto à versão oficial para todos os demais, eu gostaria de ter outras opções além daquela foto, em que o entrevistado está praticamente de costas. Parabéns!

    Alexandre Montagna |

    Atualizei a capa da versão oficial e a contracapa da versão abrangente. Atualizando esta página deve ser possível visualizá-los. De qualquer forma, eis os links específicos:

    http://alexandremontagna.com/permalinks/mestre/dvd-entrevista-lado-1.jpg
    http://alexandremontagna.com/permalinks/mestre/dvd-entrevista-geral-lado-2.jpg

    DeRose |

    Na minha tela, a frente da capa oficial ficou muito escura e no verso vai precisar do nosso logo.
    Na versão abrangente, faltou a referência ao fumo, álcool e drogas. Estamos caminhando bem. Estou gostando do resultado.

    Alexandre Montagna |

    Então não carregou, Mestre. Para evitar que isso se repita, renomeei os arquivos e os envio novamente abaixo, pois assim deve funcionar. O verso oficial já está com nosso logo (Método DeRose) e a versão abrangente já menciona a redução do fumo, álcool e drogas. Fico feliz por estarmos caminhando bem. Sinta-se à vontade para continuar polindo este trabalho. Um forte abraço do seu discípulo.

    Versão oficial

    Capa (mais iluminada). Gostou desta foto?

    Contracapa

    Versão abrangente

    Capa

    Contracapa

    DeRose |

    Ainda acho a versão oficial muito dark, como se tivesse sido aplicado um filtro vermelho-escuro sobre a imagem. No verso, onde está escrito “educador DeRose”, creio que fica melhor “escritor DeRose”. No verso da versão abrangente, ao invés de ponto, eu poria vírgula, “medidas concretas…”. Estou cada vez mais entusaismado com as artes.

    Alexandre Montagna |

    Mestrão, o filtro foi um artifício para compensar a baixa resolução das imagens. Pergunto: houve sessão fotográfica durante a entrevista? Porque se eu tiver acesso às fotos em alta resolução, ficará muito melhor.

    Versão oficial
    http://alexandremontagna.com/permalinks/mestre/dvd-entrevista-oficial-capa-1.jpg
    http://alexandremontagna.com/permalinks/mestre/dvd-entrevista-oficial-contracapa-1.jpg

    Versão abrangente
    http://alexandremontagna.com/permalinks/mestre/dvd-entrevista-abrangente-capa-1.jpg
    http://alexandremontagna.com/permalinks/mestre/dvd-entrevista-abrangente-contracapa-1.jpg

    Estou na ativa! Mande bala que eu vou aplicando os aprimoramentos. Não estou elaborando novas alternativas pois parto do princípio de que estamos chegando perto da conclusão, mas se você quiser podemos começar do zero noutras possibilidades de arte. Um beijo!

    Antonio Pedro Mateus |

    Olá Rómulo!
    Vocês são mesmo uma “maquina”!
    Parabéns!
    Abraço
    António Mateus

  29. Autor: shivajohnnie

    Olá Mestre,

    Como já temos pessoas engajadas nas traduções para o inglês, espanhol e italiano gostaria de saber quais idiomas, além destes, poderiam constar no dvd.
    Com essa informação posso refinar o orçamento com a Bureau Translations, empresa que já havia mencionado dias atrás.

    Obrigado,

    Instr. Ricardo Johnnie Martins
    Unidade Alameda Campinas – SP

    DeRose |

    Acho que por enquanto é isso, Johnnie. Obrigado.

  30. Autor: Chrystine Omori

    Ohayou Gozaimasu, Mestre & Fée!^-^
    Caso a tradução para o inglês esteja completa, posso pedir para quem eu completo e me completa (em outro termo, noivo), Wolf, para traduzir para o francês. Ele é canadense e bilíngue (detalhe, nem todos o são), assim, ele pode revisar o inglês e fazer a tradução em francês também (além de entender melhor o que nós estamos fazendo ;) )^-^
    … Mas se não estiver, ajudo também!
    E por falar em orçamento, hoje (mais tarde) recebo as respostas sobre traduções em japonês tradicional e em romaji (caracteres ocidentais).

    DeRose |

    Domo arigatô gozaimasu, Omori-san. As traduções ainda estão em andamento. Mas aceito a revisão, quando estiverem prontas. Quanto ao japonês, seria sensacional!

  31. Autor: amina

    E para o italiano? Também não sou nativa mas posso ajudar! ; )

    Beijos de BH!

    DeRose |

    Ajude o Carlo Mea, lindinha. Bacci.

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