Em qualquer parte do mundo, as pessoas dizem que os franceses são grosseiros. No entanto, tirando os motoristas de táxi, todos sempre foram muito gentis comigo ao longo de 34 anos de viagens a Paris. E os motoristas de táxi eram paquistaneses, africanos, chineses e de outras nacionalidades.
Todos dizem que os parisienses não aceitam falar inglês, porém a minha experiência é oposta a essa fama. Sempre que falo com eles em francês sofrível, respondem-me espontaneamente em inglês, para me ajudar.
Nice tem fama de ser uma cidade de idosos aposentados, mas só vi gente jovem lá.
Os paulistas são acusados injustamente de não querer dar informação quando alguém pergunta como chegar a determinado lugar. Vivo em São Paulo desde 1983 e minha observação pessoal é a de que explicam tanto que é preciso interrompê-los para dizer que “obrigado, já entendi”. Certa vez, um motorista saiu do seu caminho para conduzir seu veículo na frente do meu a um lugar distante, a fim de me levar a um destino que eu não conseguia compreender como chegar lá!
Na Europa (na França, na Espanha e mesmo em Portugal) está decidido que os brasileiros não podem ser louros e de olhos claros como a Fernanda ou o Gabriel. Em Portugal, Fernanda entra em uma loja falando português e o empregado responde em inglês! Mesmo escutando o brasileirês ele não admite que ela esteja falando essa língua… Inclusive no nosso hotel, depois da terceira tentativa de falar português com o garçon lusitano ele parou de insistir no inglês e passou a falar espanhol com a Fée. Na França todos manifestam perplexidade ao conhecer algum brasileiro do Sul do Brasil (de ascendência alemã, austríaca, polonesa, russa, italiana do norte), e expressam que essa pessoa “não tem aparência de brasileiro”.
Portanto, quando disserem que uma cidade, ou país, ou empresa, ou pessoa é assim ou assado, considere a possibilidade de essa imagem ser falsa, pois, reza o Axioma Número Sete: nada é aquilo que parece ser.
Como complementação a este post, leia o capítulo A história oficial, no livro Quando é Preciso Ser Forte. Você vai ficar perplexo, indignado com o Homo stultus e vai dar muita risada.






Eu também já passei por isso. Quando eu morava nos EUA quase todos pensavam que eu fosse alemã. Muitas pessoas vinham falar comigo falando alemão até. E quando eu dizia ser brasileira ficavam todos perplexos e só acreditavam se eu mostrasse o passaporte.
beijos
De fato a realidade normalmente extrapola o aparente. Cada vez mais eu suspeito de que esse “parecer ser” é alguma síndrome implantada na humanidade com tantos filmes e novelas de roteiro óbvio. O bom mesmo é se vacinar e expandir os horizontes.
Abraço do Caio!
Mestrao!
Nem sabes o quanto eu concordo contigo.
E isso e por todo lado em todas as coisas, nao e mesmo?
As vezes tenho a impressao de que todo mundo tem uma ideia incorreta de como as coisas sao e muitas vezes injusta!
Tambem passo por isso aqui na Inglaterra, ja me perguntaram se eu era russo, alemao, frances e italiano, mas custam a aceitar que eu seja brasileiro.
E acho que isso vai em todas as coisas, e impressionante!
Abracos
Recebi sua carta, Gustavo. Fique tranquilo, brother. Nossa amizade é indestrutível. Forte abraço deste seu amigo.
Obrigado Mestre,
Muito bom ler as tuas palavras, nossa amizade e indestrutível sim, estou contigo seja para o que for.
O teu blog tem sido o meu companheiro do dia a dia, alento para seguirmos em frente, alias as tuas palavras e a tua sabedoria e que me motivam a seguir andando.
Desse lado do Atlântico, quando a saudade aperta, muitas vezes e nas memorias e teus livros que as vezes eu vou me aconchegar.
Um forte abraço
Gustavo
Uma sugestão para ajudar os colegas a identificar quem é esse gustavo321: por que não adotar “gustavodelondres@gmail.com”? A sugestão é devido a que eu mesmo não sabia quem era e tive que deduzir a partir do texto. Beijão.
Comigo também, quando morei na França, fui tratada como rainha, não só no Collège, mas em todos os estabelecimentos que frequentei. Sei que tenho em meu favor o fato de falar francês, pois quando fui internada, para colocar pinos em meu cotovelo, primeiro estava num quarto comum, o médico veio gentilmente falar em inglês comigo e respondi-lhe em francês. O resultado foi que imediatamente fui transferida para uma suíte de primeira classe! Mas mesmo com os americanos, que todos dizem que os franceses desprezam, percebi que todos eram muito bem atendidos. O único motivo que notei para que os franceses não tratassem bem a quem quer que fosse, é quando este entrava em qualquer lugar, sem dizer “bonjour”, sair sem dizer “merci”.
Beijos.
Comigo em Portugal algumas vezes aconteceu que achasem que fosse italiana… e io non parlo italiano!
les idées pré conçus ‘cest bien ça

en ayant cet axiome en tête on peut voir sans juger, et surtout voir au dela des apparences
Je t’embrasse bien fort
tu me manques déjà
Soninha
Konnichiwa, Mestre & Fée!^-^
Por conta da herança de meus ancestrais da Terra do Sol Nascente, ao ler este post não pude conter o riso ao lembrar das situações que já passei… E algumas, nem precisei sair do país para tanto
1- Vez ou outra, sempre tem alguém que me pergunta se sou japonesa. Com bom humor, respondo que sou *brasileira*, neta de japoneses – em japonês, “sansei”, literalmente ‘terceira geração’ (a primeira são os japoneses que emigraram, os ‘isseis’, a segunda são os filhos deles, os ‘nisseis’). Mas admito que é uma sensação difícil de lidar, ser considerada estrangeira em meu país de origem…
2- Esta aconteceu em 2003, quando viajei para Ottawa,Canadá. A diversidade cultural por lá é tão grande quanto aqui no Brasil, então muito me surpreendeu a reação de um conhecido ao contarem a ele que eu sou brasileira: “não é possível, ela é japonesa, não pode ser brasileira de jeito nenhum”. Tive de mostrar o passaporte para provar e, pura curiosidade, perguntei como era uma brasileira então, já que eu não me qualificava (risos).
“Ah, elas são mais bronzeadas e têm mais curvas (entenda-se: seios e nádegas…).” O riso solto deu lugar a um sorriso constrangido…
3- Como meus olhos não são muito amendoados (o famoso “fechadinho”), há quem pense – mesmo entre os descendentes – que sou mestiça. Na verdade, nem tudo é o que parece
Quando visitei Alemania, tinham me advertido antes da viagem que alemães são isto e aquilo (distantes, creidos, etc). E fiquei tão feliz quando, já na Alemania, confirmei o oposto. Não falo alemão, e na época minhas linguas eram apenas espanhol e português. Porém, através do sorriso, comuniquei me com muita gente. Sempre vou lembrar de um velinho que, quando mostrei-le o mapa indicando onde eu queria ir e solicitando ajuda para chegar lá, veio comigo a pe durante alguns centos de metros para confirmar que eu tinha comprendido o recorrido.
Acho que aquilo que vc conta de uma certa cidade que vc visitou, tem direta relação com seu estado emocional naquela viagem.
Beijos para todos.
Anahí
Vivendo aqui em Barcelona pude ver coisas muito interessantes, pois trata-se de um estado bilíngüe, a Catalunya, onde se falam naturalmente dois idiomas, o Catalã e castelhano. Além disso, é uma cidade super cosmopolita, por tanto se falam outros idiomas como o inglês ou o frances com frequência.
Fico impressionado as vezes como um lugar pode reunir pessoas de tão diferentes lugares no planeta. Tentar descobrir de onde a pessoa vem pela aparência ou maneira de se comportar se tornou um desafio interessante e divertido. Muitas vezes nos equivocamos pois são muitas as possibilidades, mas os brasileiros costumo descobrir apenas vendo como caminham. Este choque cultural me fascina e me passa um pouco a sensação que somos todos irmãos independente de qual país ou culturas viemos.
Um abraço e um beijo, Thiago : )
Um texto bem bacana que ilustra sobre o post:
Veja Além das Aparências
Fernando era um pai de família. Um dia, quando voltava do trabalho dirigindo num trânsito bastante complicado, deparou-se com um senhor que dirigia apressadamente: vinha “cortando” todo o mundo e, quando se aproximou do carro de Fernando, deu-lhe uma tremenda fechada, já que precisava atravessar para a outra pista. Naquela hora, a vontade de Fernando foi xingá-lo e impedir sua passagem, mas logo pensou: “Coitado! Se ele está tão nervoso e apressado … vai ver que está com um problema sério e precisando chegar logo ao seu destino.” Pensando assim, foi diminuindo a marcha e deixou-o passar.
Chegando em casa, Fernando recebeu a notícia de que seu filho de três anos havia sofrido um grave acidente e fora levado ao hospital pela sua esposa. Imediatamente seguiu para lá e, quando chegou, sua esposa veio ao seu encontro e o tranqüilizou dizendo: “Graças a Deus está tudo bem, pois o médico chegou a tempo para socorrer nosso filho. Ele já está fora de perigo.”
Fernando, aliviado, pediu que sua esposa o levasse até o médico para agradecer-lhe. Qual não foi sua surpresa quando percebeu que o médico era aquele senhor apressado para o qual ele havia dado passagem!…
Procure ver sempre as pessoas além das aparências. Imagine que por trás de uma atitude existe uma história, um motivo que leva a pessoa a agir de determinada forma.